Behind Blue Eyes
1 Os olhos azuis.
Notas iniciais
Behind Blue Eyes
A primeira vez que eu o vi, foi na biblioteca da escola depois da aula. Eu estava estudando para uma prova do cursinho, e ele estava em uma detenção depois de discutir com o professor de história.
Eu não o conhecia, mas já tinha ouvido falar dele, seu nome circulava bastante pelos corredores da escola. Seu estilo mais despojado, chamava a atenção de todos, era inegável a sua beleza. O jeito que seus cabelos loiros estavam sempre bagunçados, como se ele tivesse acabado de acordar, dando-lhe um ar de despreocupação. A jaqueta de couro preta que sempre o acompanhava. A cicatriz na sobrancelha direita, que lhe dava um olhar mais sério, quase selvagem. O pingente de cristal em seu brinco na orelha esquerda. E o principal, os olhos azuis como o céu.
A primeira vez que fiz contato visual com ele, foi quando ele se sentou em uma das mesas em frente à minha e me encarou enquanto brincava com uma caneta entre os dedos. Não me senti desconfortável, o que vai contra minha natureza tímida, mas por algum motivo, permaneci parada, sem desviar meus olhos dele. Ele parecia bem ocupado me investigando, mantendo seus olhos azuis sobre mim, quase como se tentasse enxergar através de mim. Também não senti medo, algo que muita gente sentia ao entrar em seu campo de visão.
Sting Eucliffe, o nome dele. Aluno famoso pelos inúmeros boatos que rodavam pelos corredores sobre sua pessoa, de que ele era um aluno bagunceiro e problemático e que fazia parte de uma gangue de delinquentes com passagem pela polícia. Só fato de ser problemático, me faria pensar duas vezes antes de cruzar seu caminho. No entanto, me vi encantada por seus olhos. Eu queria saber mais dele, queria o conhecer e entender o porquê ele me chamava tanta a atenção.
Naquele dia, quando voltei para casa e deitei minha cabeça no travesseiro, tive meu primeiro sonho com Sting, ou melhor, com seus olhos azuis. No sonho, ele me observava calmamente, enquanto seus lábios abriam um leve sorriso malicioso, como se ele soubesse que estava invadindo meus pensamentos sem a minha permissão.
Minha vida sempre foi muito monótona, o mesmo de sempre todos os dias. Nunca acontecendo nada de muito animador ou alguma virada repentina. Mas não é como se isso me incomodasse, eu apreciava o tipo de invisibilidade que me cercava, uma vez que também não fazia esforço algum para mudar isso.
Eu só não esperava que algo fosse acontecer. E que Sting fosse o ponto inicial para a minha vida ganhar um certo brilho, e a Lucy Heartfilia deixasse de se sentir um fantasma no meio daquele tanto de gente.
A segunda vez que dividimos o mesmo espaço, foi na cafeteria que eu trabalho como garçonete, a Agridoce. É um estabelecimento perto da estação de trem, bastante agradável, onde as pessoas iam bastante para relaxar, enquanto apreciavam um bom café e para ler um bom livro. Eu amava trabalhar ali, pois tenho a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas que sempre trazem algum brilho para o meu dia.
Naquela tarde, o movimento estava bem fraco por conta do feriado prolongado, então eu tinha um tempinho para poder estudar um pouco. Aproveitei aquele curto tempo para revisar uma matéria, até que o sininho da porta soou e eu vi o responsável por me tirar da órbita, entrar na cafeteria.
Sting entrou no estabelecimento e passou seus olhos por todo o lugar, estudando cuidadosamente o local. Passou os olhos pelos clientes, pela mesas e cadeiras organizadas, nos livros que decoravam nossas estantes, pelo balcão, até chegar em mim. E por um momento, o mundo parou. Era como se tudo tivesse sumido e eu só conseguisse enxergá-lo. E quando tudo voltou, o tempo ainda parecia passar devagar, enquanto ele caminhava para escolher uma mesa.
Meu corpo demorou para reagir. Ainda estava presa na imagem dele. Procurando pelos seus olhos.
Voltei a realidade ao ouvir meu nome sendo chamado no balcão. Yukino, minha melhor amiga, repetia meu nome para me trazer de volta para a terra. Pisquei algumas vezes antes de me aproximar dela.
— Lu! Pode atender a mesa sete pra mim? – Pediu, enquanto ajeitava xícaras de café e chá em uma bandeja. – Eu me atrapalhei toda e troquei os pedidos. – Choramingou. – Eu faço tudo errado.
— Ei, relaxa, isso pode acontecer. — Tentei confortá-la. Yukino tinha começado a trabalhar ali fazia pouco tempo. Ela precisava pagar uma dívida enorme que fez no cartão de crédito da irmã e por sorte a cafeteria estava pegando gente. Embora ela fosse bem desajeitada, estava se esforçando ao máximo para fazer tudo certinho. – Atendo sim, fica tranquila. – Sorri, terminando de ajuda-la a ajeitar as xícaras na bandeja.
— Obrigada! – Sorriu agradecida, segurando a bandeja com cuidado nos braços.
Peguei meu bloquinho de notas e olhei em direção da mesa sete. Meu coração e respiração pararam por um segundo ao ver que teria que atender Sting. Não que eu não quisesse o atender, só não sabia se estava pronta para trocar meia dúzia de palavras com ele sem deixar que a minha timidez falasse mais alto.
Respirei fundo e andei até a mesa. No momento em que cheguei, ele parecia bastante alheio em seus pensamentos, acho que nem ao menos notou que tinha alguém ali. Precisei soltar uma tosse falsa para chamar sua atenção, e logo senti seu olhar sobre mim. Aquele sorrisinho dando o ar da graça.
— Boa tarde, seja bem-vindo a Agridoce, irei anotar o seu pedido. O que gostaria? — Tentei parecer o mais firme que pude, sem vacilar na voz. Sentindo-me orgulhosa ao perceber que tinha conseguido soar o mais profissional que pude.
Ele sorriu e segurou o rosto com a mão direta, me dando a oportunidade de ver o pingente de cristal balançar levemente com seu rápido movimento. Seus olhos passando por mim, dos pés a cabeça, focando sua atenção para meu rosto. Se fosse qualquer outra pessoa, eu com certeza me sentiria incomodada e até enojada, mas com ele era diferente. Não senti malicia em sem olhar, era como se ele estivesse apreciando algo, procurando os mínimos detalhes. Quase o que eu sempre acabo fazendo ao vê-lo de longe.
— Pode, gostaria de saber seu nome. — Aquela foi a primeira vez que ouvi sua voz, meio grave e baixa. Fiquei tão afetada com apenas seu tom de voz, que não entendi a pergunta de primeira, levou mais alguns segundo até eu voltar pra terra.
Ele ainda me encarava, esperando uma resposta com a maior paciência do mundo. Sentia minhas bochechas esquentarem, entregando que aquilo tinha me afetado de algum jeito. Era estranho como ele tinha esse tipo de poder, de me desarmar de forma tão simples, com poucas palavras.
— Lucy. — Ele sorriu, sem desviar os olhos dos meus. Sentia-me cada vez mais sem jeito, ainda mais por não conseguir desviar o olhar também. Estávamos em uma bolha e o tempo parecia passar mais devagar.
— Prazer, meu nome é Sting. — Disso eu sabia, mas jamais iria admitir isso em voz alta. Sting era cartinha popular, só não sabia se ele estava ciente disso.
Eu sabia que estava esquecendo o porquê estava ali, esqueci totalmente que estava trabalhando. E quando lembrei, tratei de tomar uma postura um pouco mais profissional e forçar meu cérebro a agir.
— Gostaria de pedir outra coisa? — Ele percebeu que não daria pra me segurar por mais tempo ali, então começou a olhar para o cardápio despretensiosamente.
— O que você gosta de beber? — Levantei uma sobrancelha, totalmente confusa. Sua expressão continuava suave, como se estivéssemos em uma conversa casual. Não estava entendo onde ele queria chegar com tudo isso.
— Como? — Ele riu de minha confusão e se ajeitou na cadeira, jogando um dos braços no encosto da cadeira.
— Estou perguntando o que você gosta de beber. — Seu olhar me incentivava a responder e quando percebi a resposta já estava escapando de meus lábios.
— Cappuccino. — Sting sorriu satisfeito.
— Então eu vou querer um cappuccino. — Ainda meio boba, anotei seu pedido e disse que voltaria com seu pedido em breve. Ele apenas assentiu e continuou me seguindo com o olhar.
Andei depressa até o balcão e olhei desesperada para Yukino, que estava ocupada demais com seus pedidos para notar que minhas pernas estavam bambas.
— Yukino. — Cochichei e a vi com os olhos cheios de lágrimas, a beira de uma crise de ansiedade.
— Lu, eu tô fazendo tudo errado. – Dava pra ver que ela estava toda atrapalhada com os pedidos, correndo pra lá e pra cá, verificando cada papelzinho no puro desespero. Olhei para a mesa de Sting de relance, não queria deixar e atende-lo, mas ao ver Yukino daquele jeito não tive outra escolha,
— Ei, respira – Pedi, fui até ela e entreguei o bloquinho para ela. — Faz o seguinte, leva o pedido da mesa sete que eu dou um jeito nisso aqui. – Seu rosto se iluminou em agradecimento. Logo ela estava indo preparar o cappuccino de Sting e me deixando com a confusão de pedidos pra trás.
Não sabia se Sting ficaria chateado por não ser eu a levar seu pedido, mas esperava que ele percebesse que não era a minha intenção, só fiquei preocupada em ajuda Yukino, uma vez que ela estava à beira de uma crise de ansiedade.
Não tive mais tempo de olhar para sua mesa, e corri para desfazer a bagunça, pedindo mil perdões para todos que foram bastante compreensíveis. Arrumar a bagunça não demorou muito, mas outros clientes acabaram aparecendo e tive que atendê-los sozinha porque deixei que Yukino fosse respirar um pouco para se acalmar.
Não notei quando ele foi embora, e me senti bem desanimada depois disso. Olhando para a mesa sete e sentindo a cruel realidade de que ele tinha ido embora e eu não pude mais trocar nenhuma palavra com ele.
No fim do expediente, voltei para casa junto com Yukino. Moramos perto uma da outra e a cafeteria era bem pertinho, dava pra ir a pé. Segui o caminho todo quieta, e Yukino pareceu notar meu desanimo, por isso não falou nada até se lembrar de algo. Fuçou em seus bolsos de forma desesperada, procurando alguma coisa e sorriu quando encontrou.
— Lu, aquele cara da mesa sete pediu para te entregar isso. — Me entregou um guardanapo dobrado. Um bilhetinho do Sting. – Você tava ocupada demais, acho que ele não queria ir embora sem dizer nada.
Meus dedos quase correram para abrir o bilhetinho. Mas parei ao perceber que não iria conseguir ler nada no escuro. E também porque Yukino estava na minha cola, e se ela já não tivesse lido o bilhetinho, que eu acho que ela leu, ela com certeza iria me torrar a paciência pra saber o que ele escreveu.
Fui andando para casa com a curiosidade me perturbando, acho que até mesmo apressei meu passo algumas vezes pra chegar logo em casa. E assim que eu cheguei, corri para o meu quarto, jogando minha mochila no chão e pescando o bilhetinho em me bolso com rapidez.
Meus olhos correram pelo bilhetinho e eu fiquei sorrindo por achar sua letra muito bonita. E ainda mais pelo o que estava escrito no guardanapo.
"Eu quero muito poder te conhecer melhor desde o dia que eu te vi na biblioteca da escola. Sabe, acho que ir para a detenção nunca foi tão bom. Se você não se incomodar, eu pedi seu número de telefone para sua amiga, vou te enviar uma mensagem mais tarde. Seu nome é bonito que nem você.”
— Assinado, Sting Eucliffe. — Terminei de ler em voz alta e reli o bilhetinho mais umas cinco vezes.
Seria mentira se eu dissesse que não soltei uns gritinhos baixos de felicidade. Lembrei do celular dentro da mochila e corri para pegá-lo para ver se tinha alguma mensagem dele. E tinha. Nunca tinha ficado tão ansiosa por uma notificação que não fosse do aplicativo de entrega de comida.
A mensagem foi curtinha, mas fez meu coração acelerar.
"Gostaria de sair comigo um dia desses e tomar um cappuccino?".
Por um segundo, meu lado inseguro hesitou. Será que eu não estava criando expectativa demais em cima de uma mensagem só? Porém, as borboletas na minha barriga foi o que me fez digitar rapidamente.
"Adoraria".
A partir daquele dia, eu conheci um Sting totalmente diferente dos boatos que circulavam por aí, ele não era nenhum delinquente com passagem pela polícia, ou um aluno problemático demais. Sting parecia não dar a mínima pro que falavam dele, e também não movia um dedo para que os boatos parecem. Ele realmente parecia bem despreocupado com tudo.
Passamos a trocar mensagens todos os dias, e suas mensagens eram o único motivo de andar grudada no celular o tempo todo. A amizade fluiu tão rápido, que quando menos percebi, já estava passando o intervalo com ele, deixando que ele me acompanhasse até a cafeteria depois que as aulas terminavam e que algumas pequenas demonstrações de carinho aparecessem vez ou outra.
Claro que isso acabou criando mais boatos, agora envolvendo o meu nome. Mas assim como Sting, eu não parecia nenhum pouco preocupada com nada daquilo. Não me incomodava nenhum um pouco estar e ser visto ao lado de dele.
Esse tipo de comportamento chamou a atenção de Yukino.
— Você está muito aérea. — Yukino me cutucou. A cafeteria já tinha fechado, mas ficamos mais alguns minutos conferindo o estoque de café, pra ver se estava tudo certinho e nada ficaria faltando nos próximos dias.
— Estou? — Ela assentiu e parou o que estava fazendo, me olhando de forma maliciosa.
— Está pensando no cara da mesa sete? – Eu tinha contado pra ela o que tinha acontecido. Até porque fui obrigada a contar, mesmo que ela já soubesse mais ou menos a história, ela tinha lido o bilhetinho, bisbilhoteira demais.
Continuar chamando Sting pelo “cara da mesa sete”, foi a forma dela ficar me provocando.
— O nome dele é Sting. Até quando vai chamá-lo assim? — Perguntei enquanto observava as estantes, fazendo uma conta mental de quantos pacotes seria necessário comprar.
— Eu sei, eu sei. – Pausou, enfiando a cara na frente do que eu estava fazendo. — Mas ai, está pensando nele? — Perguntou num tom malicioso.
Suspirei e larguei o caderno. Cogitei a ideia de mentir, mas Yukino não era burra, uma vez que ela já percebeu o quanto eu mudei desde que comecei a conversar com Sting. Então o melhor a se fazer era admitir.
— Estou... — Ela sorriu vitoriosa, batendo palminhas toda animada.
— Eu sabia! – Mas alguma dúvida ela ainda tinha, e não demorou para eu escutá-la perguntando. – Você tá apaixonada pelo cara da mesa sete, Lu? – Ainda não tinha contado nada da forma que eu me sentia, não era muito boa em me expressar, embora estivesse óbvio demais. Eu só não era aberta a esse assunto como ela.
Até porque, não tenho muitas experiências com isso. Acho que só gostei de duas pessoas até agora, ambas de fora da escola. E por pessoas totalmente diferentes uma da outra.
O primeiro foi Hibiki, o floricultor local que sempre estava na frente da floricultura quando eu estava a caminho da escola. Ele sempre estava sorrindo e sempre me entregava uma florzinha, me desejando um bom dia. Acabei gostando demais disso e quando percebi já estava nutrindo sentimentos por ele. No entanto, não passou disso, Hibiki era comprometido com uma modelo da Sorcerer.
Superar ele não foi difícil. Entendi como uma paixonite, daquelas quem vem, mas que também vai embora rápido, sem deixar marcas, indolor.
Agora, com Rogue foi um pouquinho diferente. Foi impossível não se encantar pelo jeitinho meigo dele. Tivemos aula juntos no mesmo cursinho, e a gente se interessou um pelo outro. Ele bem mais do que eu, sempre dando um jeitinho de mostrar que estava gostando de mim e de que queria algo a mais. Até rolou algo entre nós, mas que nunca passou dos flertes. Acho que ele queria ir com calma, mas também não tivemos esse tempo já que Rogue teve que se mudar para o interior.
A gente já sabia que um relacionamento a distância não iria funcionar, por isso continuamos apenas como amigo. Mantemos contato até hoje, e ele é a pessoa que eu mais confio, depois da Yukino.
E então, chegamos no Sting. Sting é de longe, a paixão mais forte que eu já senti até agora. Acho que, pra ser sincera, Sting foi a primeira pessoa pela qual me apaixonei de verdade, o tipo de paixão que faz meu coração disparar só de vê-lo se aproximar, ou quando manda alguma mensagem. Que faz eu me sentir ansiosa toda vez que ele pergunta se pode me ligar para ouvir a minha voz. Que me fazia perder minutos e mais minutos apenas o observando, enquanto ele tirava algum cochilo na biblioteca enquanto eu estudava.
Tudo que o envolvesse, me interessava. Eu não sabia qual aspecto dele me deixava mais boba, se ela a forma como ele sorria e a sua voz saia lente e sonolenta depois do seu cochilo. Se era pela forma como ele jogava os fios loiros pra trás, porque os fios teimavam em ficar na frente dos seus olhos. Ou se era pela forma como ele levantava o olhar pra mim, perdendo minutos nessa ação. Talvez todas as opções me deixavam assim.
Eu sentia que a cada dia que passava, aquele sentimento ficava mais e mais forte. E eu não sabia por mais tempo conseguiria esconder isso dele. Eu estava cada vez mais encantada. Sabendo identificar as pequenas manias que ele tinha com facilidade, decorando seus detalhes de forma discreta.
Então quando eu me virei pra Yukino, e respondi o óbvio, a albina apenas sorriu e me abraçou em comemoração.
— Completamente apaixonada.
Eu também estava feliz, me ouvir dizendo aquilo em voz alta, soou certo. Estar apaixonada por Sting me fazia bem. Era bom nutrir esse sentimento por ele. Pela primeira vez, também não me senti insegura ao perceber que gosto dele, nem mesmo o medo de que os sentimentos pudessem nos afastar ou acabar com nossa amizade, porque eu sei que Sting não deixaria que isso acontecesse, e muito menos eu.
Estávamos cada vez mais próximos, e eu estava amando conhecer mais e mais dele, explorando todas suas peculiaridades e os traços de sua personalidade. Amava como ele era sempre atencioso e carinhoso comigo. Vivia andando com a cara amarrada pelos corredores do colégio, mas sempre me mostrava sua melhores expressões.
Sting me proporcionava diversas sensações todos os dias, ele dava um jeito de fazendo meu coração bater mais forte no meu peito. E ele não precisava fazer muita coisa, gestos simples já faziam meu peito ficar quentinho.
De manhã, ele me esperava na porta da escola, me recebendo com um abraço e um beijo na testa, perguntando se eu tinha dormindo bem e eu como estava me sentindo. Na hora do intervalo, ele me puxava para irmos comer no terraço da escola, dividindo algum lanchinho enquanto observamos as nuvens e ele conta algum fato curioso sobre o universo. Na hora que vou trabalhar, ele me acompanha até a cafeteria, me pedindo para não trabalhar demais e que tomasse cuidado na hora de ir embora.
E o que sempre faz as borboletas se agitarem, é quando ele me olha com intensidade, trazendo junto aquele friozinho na barriga, quando ele pressionava seus lábios sobre minha bochecha para se despedir, demorando bastante, como se não quisesse se separar naquele momento.
Essas sensações começaram a fazer parte do meu cotidiano assim que Sting Eucliffe entrou na minha vida. E eu amava senti-las todos os dias.
Corri até a mesa nove para entregar um pedaço de bolo para um casal. O casal era novo na cidade e gostaram bastante da Agridoce, aparecendo todos os dias. Quando dava tempo, ficava conversando bastante com os dois, especificamente, sobre alguns livros muito bons que já tinha lido. Mas naquele dia, a o movimento na cafeteria estava cheio, e junto hoje, Yukino precisou se ausentar por conta de uma gripe. Sobrou pra eu trabalhar por duas pessoas, correndo de um lado para o outro pra entregar todos os pedidos certinhos e sem muito atraso.
Mesmo que fosse acostumada com aquele tipo de movimento, estava um tanto desesperada, torcendo pra nova funcionária chegar e me ajudar com o resto. Trabalhar por duas pessoas era exaustivo, em momentos como aquele, eu desejava estar deitada na minha cama quentinha, ainda mais que amanhã seria sábado e eu não teria aula no cursinho.
Algum tempinho depois, ouvi o sininho da porta, olhei para a entrada da cafeteria na esperança que fosse Minerva, mas não era ela.
Meu coração parou ao ver Sting entrando na Agridoce, e minhas pernas quase vacilaram ao ver seu sorriso, juntamente com aquele olhar carinhoso que mexia tanto comigo. Ele apontou com a cabeça para a mesa sete, dando a entender de que ficaria ali. Mexi os lábios para que ele esperasse só um pouquinho e ele assentiu.
Segundos depois vi Minerva passando pela porta, vestido naquele sobretudo vermelho elegante, que cobria a maioria das suas tatuagens pelos braços.
— Desculpa, Lucy! – Se adiantou a falar. — Vou me arrumar e já venho te ajudar. — Apesar de ter um olhar intimidante, Minerva é uma pessoa muito doce e gentil. Tinha começado a trabalhar fazia menos de uma semana e era casada com um tatuador famoso na região. Minerva se adaptou rapidamente na Agridoce, se mostrando uma ótima funcionária. Desde que ela se juntou a nós, o trabalho vem sendo menos cansativo, e nós três criamos uma cumplicidade muito grande.
Ela voltou em dois minutos, já vestida com seu uniforme e bloquinho de notas na mão. Pedi para que ela atendesse o lado direito enquanto eu atendia o lado esquerdo.
Automaticamente, caminhei até a mesa sete, onde Sting estava concentrado enquanto dobrava um guardanapo para formar um pequeno tsuru. E como da primeira vez que ele viera aqui, soltei uma falsa tosse para chamar sua atenção. Ele levantou a cabeça meio assustado, mas sorriu ao me ver.
— Trabalhando muito? — Perguntou enquanto segurava seu rosto com as mãos. Essa é um dos costumes que Sting tem, ele sempre vai usar sua mão para segurar seu rosto. E sempre vai manter seus olhos fixos no meu, com um sorriso extremamente carinhoso nos lábios.
— Yukino não veio hoje estou trabalhando em dobro. – Yukino fazia falta, mesmo que ainda ficasse atrapalhada com algo aqui e ali, ainda era uma grande ajuda por aqui. Sem contar que pela primeira vez estava sentindo falta das suas provocações bestas.
— Ela não veio? Por quê? – Perguntou
— Ela está doente, pegou uma gripe por não secar o cabelo direito. — Ele assentiu e olhou para o relógio.
— Então hoje você vai embora sozinha? — Perguntou preocupado. Assenti sem dar tanta importância para isso, antes de Yukino começar a trabalhar comigo eu já ia para casa sozinha, nunca foi um problema caminhar sozinha até em casa.
— Sim, não é como se minha casa fosse tão longe daqui. — Ele não parecia muito satisfeito com aquela resposta. — Vai querer o Cappuccino? — Ele negou com a cabeça e encarou a mesa por alguns segundo e depois voltou a me encarar.
— Que horas você sai mesmo? – As engrenagens na sua cabeça pareciam estar bolando alguma coisa.
— Sete horas, por quê? – Estranhei, ele só sorriu e se levantou, um sorriso malandro tomando seus lábios.
— Vou te levar pra casa hoje. — Beijou minha bochecha e saiu da Agridoce, me deixando pra trás com as bochechas queimando e um sorriso bobo na cara. Não sei se ele já chegou a perceber, mas quando ele faz isso, assim do nada, me deixa sem jeito e meu coração não se aguenta no meu peito.
— Seu namorado, Lucy? — Mal notei Minerva chegar ao meu lado, aquela aura de curiosidade cercando ela, igualzinho como Yukino faz.
— N-Não, era só meu amigo. — Falei, e antes que ela pudesse me questionar sobre mais alguma coisa voltei ao trabalho, indo atender os clientes que haviam acabado de entrar. Claro que ela percebeu que eu estava fugindo, mas não persistiu no assunto, até porque ela já deve estar sabendo de muita coisa porque Yukino não aguenta segurar fofoca.
Tentei ao máximo conter a minha felicidade e a ansiedade. Não seria a primeira vez que ele me acompanha até em casa, quase sempre está me acompanhando com Yukino até em casa, mas essa seria a primeira vez que seria só nós dois. Nunca desejei tanto que o horário de embora batesse, e naquele dia, o tempo passou mais devagar do que o normal, o que foi uma tortura. Parecia que o tempo queria brincar comigo, de complô com a minha ansiedade.
Foi um alívio quando vi o ponteiro chegar no sete, e o último cliente pagar sua conta e sair pela porta. Quase corri para trocar minha roupa, vesti meu casaco de qualquer jeito e corri para pegar minhas coisas e sair, deixando para Minerva fechar a cafeteria. Me despedi dela e apressei o passo para fora do estabelecimento, sendo recebida pelo torturante frio do começo de inverno.
Do outro lado da rua, encostado na parede, rodando uma chave entre os dedos, estava o dono dos olhos azuis responsáveis por roubar minha atenção. O frio parecia não o incomodar, mesmo que sua jaqueta de couro preta estivesse meio aberta e por baixo vestisse apenas uma camiseta sem mangas.
Contendo meu sorriso bobo, atravessei a rua praticamente vazia, e assim que cheguei, Sting sorriu e se aproximou. Notei um brilho diferente nos seus olhos, mas não sabia dizer o que era. Senti seus lábios gelados em minha testa, e seus braços me envolvendo com carinho, quase de forma protetora. Me pergunto se alguma vez ele já ouviu meu coração disparar quando estamos assim.
Quando o abraço se desfez, vi suas mãos começarem a abotoar os botões de meu casaco, enquanto eu estava hipnotizada pelo leve vapor que saia de seus lábios entreabertos. Fiquei tão pressa naquilo, que não notei que ele já tinha terminado de ajeitar meu casaco, colocando uma mecha de meu cabelo atrás de minha orelha.
— Tem algum problema você chegar um pouco mais tarde em casa? — Perguntou, colocando uma das mãos no bolso da jaqueta. Neguei com a cabeça quase que automaticamente e sorri ao ver sua mão livre pegar na minha mão e me guiar até a moto parada a alguns passos de nós.
Meus pais não são muito presentes em casa, estão sempre ocupados com o trabalho. Os dois são médicos e sempre estão de plantão a noite. Claro que depois mandaria uma mensagem avisando que tinha saído, para não os preocupar caso ligassem e eu não estivesse em casa.
Sting colocou o capacete sobre minha cabeça e o ajeitou, se certificando de que o fecho estava bem fechado e não correria o risco de se soltar no meio do caminho.
Subiu na moto e a ligou, com um movimento de cabeça, indicou que eu subisse na moto. Eu nunca tinha andando de moto, não fazia ideia de onde iria me segurar. Ele notou isso e soltou uma risada contida.
— Segura no meu corpo. — Ele parecia se divertir com meu quase desespero. Corei fortemente e passei meus braços sobre seu corpo, sentindo meu rosto queimar mais do que nunca. Inconscientemente, encostei a cabeça em suas costas e fechei os olhos ao sentir a moto começar a se movimentar. Acabei apertando ele um pouco, como medo de me soltar e cair.
Sting notou meu nervosismo, logo senti uma das suas mãos sobre as minhas, fazendo um carinho com o dedão sobre a pele das costas das minhas mãos. Aquilo me passou a segurando que eu estava precisando. Me fazendo levantar o olhar o máximo que o capacete permitia, para ver seu sorriso e um dos espelhinhos da moto.
Estava curiosa para saber aonde iriamos, ele às vezes banca o misterioso e me deixa fritando o cérebro para descobrir o que está pensando. Mas deixei que dessa vez fosse surpresa, seja lá pra onde ele estiver me levando, sei que vou amar.
Sorri e fechei os olhos mais uma vez, dessa vez mais calma e com a certeza de que estavas segura daquela forma. Seu corpo estava quente, embora o vento gelado ficasse pior conforme a moto acelerava, ainda era quente o suficiente mais que eu não tivesse vontade de soltá-lo.
Gostaria de passar horas sentindo seu calor, seus abraços eram me esquentavam muito mais do que os casacos grossos que tinha no guarda-roupa.
As luzes da cidade passavam rápido diante de meus olhos, o céu parecia mais bonito naquela noite e o frio quase não me incomodava mais, aquela insegurança boba ficou pra trás junto com os prédios e meu coração não parou de bater forte uma fez se quer.
Senti a moto desacelerar e logo mais ela já estava parada. Desci primeiro e esperei que ele descesse também, estava tão ansiosa que nem notei o capacete em minha cabeça.
Ele riu baixo e me ajudou a tirar o capacete, e só naquele momento eu percebi que ele viera o caminho todo sem capacete. Pensei em o repreender, mas ao ver seu sorriso, essa ideia simplesmente desapareceu de minha cabeça.
Olhei ao redor, me admirando com as luzes dos brinquedos que piscavam em várias cores diferentes e com a música típica de parque de diversões. Sting nos trouxe até o parque mais famoso da cidade, o Parque Sabetooth.
— O parque... — Eu já havia visitado o parque algumas vezes quando pequena, mas não tive a oportunidade de ir em muitos brinquedos pela pouca ideia que tinha. E como meus pais estavam sempre ocupados, não tive mais chances de visita-lo.
— Achei que você fosse gostar. Hoje vai ter um show de fogos de artifício da estreia do novo brinquedo que colocaram. — Apontou para a enorme torre, onde pessoas pareciam despencar lá do alto, gritando quando o brinquedo subia e depois descia. Parecia muito divertido, se eu não tivesse medo de altura. — Vem.
Sting segurou em minha mão e entrelaçou nossos dedos, me guiando entre a multidão de pessoas que estavam na fila para comprar a entrada para o parque. Não precisamos ficar na fila, Sting já tinha as entradas e apenas as entregou para o moço que ficava na entrada do parque.
Olhei maravilhada para o parque, vendo as crianças se divertindo enquanto se seguravam fortemente nos cavalos do carrossel que girava de forma segura para que ninguém se machucasse. Nas barraquinhas de acertar o alvo, onde alguns casais brincavam de quem acertava mais alvos e um menino ganhava um ursinho para a namorada. Nos balões coloridos que o senhor do algodão doce tinha amarrados ao seu carrinho, e nas pessoas que o rodeavam para comprar o doce.
Tudo aquilo era incrivelmente bonito. Desde as pessoas rindo e sorrindo por estarem se divertindo de alguma forma, até os funcionários que pareciam felizes em estar trabalhando naquela noite. Nem mesmo parecia que estávamos no meio da semana, e que o frio estava castigando a pele daqueles pouco agasalhados, pois a diversão era tão grande, que o frio se tornava algo sem importância alguma naquele momento.
— Em qual você quer ir primeiro? — Sua voz soou animada, Sting parecia uma criança, e eu amava vê-lo daquele jeito, de sorriso fácil e se divertindo.
— Logo de cara? — Riu e me puxou para a fila do brinquedo. — Espero que não passe mal hein. — Zombou e dei um soco de leve seu braço.
— Sou bem corajosa e tenho um estômago forte. — Respondi cruzando os braços. Dava pra ver que estava duvidando de mim, mas apenas sorriu e bagunçou meus cabelos levemente.
— Veremos.
Quando chegou nossa vez, tive que conter o nervosismo. Estava torcendo para que ele não notasse minhas pernas bambas e as mãos trêmulas. Ainda mais quando ele indicou para que fossemos no primeiro carrinho. Naquele momento eu percebi o erro de tentar parecer durona na frente dele.
— Deus, sou eu de novo... -Murmurei baixinho ao me sentar ao lado dele. Ele mesmo colocou meu cinto de segurança e depois fechou a outra trava de segurança, que também seria onde eu me seguraria fortemente quando esse brinquedo começar a andar. Sting parecia realmente animado para isso, não sei se pela adrenalina, ou por ter certeza de que eu iria amarelar.
Quando o brinquedo deu os primeiros sinais de que já se movimentava, apertei a barra de ferro que estava segurando com tanta força que os nós dos meus dedos ficaram brancos. O coração parecia que ia pular para fora do peito e olha que só estávamos subindo os trilhos.
Engoli a seco e de esguelha olhei para Sting que sorria e mexia os dedos várias vezes, parecia muito empolgado. Já estávamos no alto, e eu arrisquei olhar para baixo, fechei os olhos com força, rezando a todos os deuses existentes para que eu saísse daquele brinquedo viva.
Senti um solavanco, e depois a sensação de queda que aquele brinquedo causava. O vento brincava com meus cabelos soltos e arrisco a dizer que quem estava no carrinho de trás conseguiu engolir alguns fios do meu cabelo, ou ficou cego com os fios batendo em seus olhos.
Um grito se desprendeu de meus lábios e eu já havia me juntado a todos os outros em seus gritos eufóricos. Eu sentia aquele frio na barriga e a adrenalina correndo quente e rápida por minhas veias. Depois de um tempo, a sensação se tornou boa e eu começava a aproveitar o brinquedo também.
Sting também gritava de animação e até jogava seus braços para o alto. E por puro instinto, fiz o mesmo que ele. Deixando-me aproveitar de verdade a sensação de estar na montanha russa, com os olhos fechados aproveitei as últimas voltas do brinquedo.
Quando paramos, estava zonza, as pernas bambas e sentindo que minha alma tinha abandonado meu corpo, eu quase me espatifei no chão, não fosse a mão de Sting segurando minha cintura para impedir que eu caísse. Isso me rendeu bochechas vermelhas ainda mais quando senti sua mão apertar minha cintura de leve, me puxando para mais perto. Tão perto, que senti sua respiração pesada em meu ouvido.
— Você está bem? – Sua voz tinha um tom de preocupação, mas pude notar que ele estava achando engraçado o fato de eu estar daquela forma. A pose de durona tinha ido pro ralo.
— E-Estou. — Respondi me afastando, logo sentindo a falta do calor de sua mão na minha cintura. Tinha gostado de estar tão perto dele assim, com a boca rente a minha orelha.
Fomos em vários outros brinquedos, passando horas nos divertindo e rindo como duas crianças de sete anos de idade. Acertando tiro nos alvos, algumas vezes nos responsáveis por cada brincadeira, resultado de nossa péssima mira, tão ruim que o teve um senhor que ficou cismado, ele não sabia se realmente erramos todos os tiros ou se estávamos sendo apenas dois idiotas gastando as munições.
Dividimos prêmios e também a comida. As batatas fritas, o taco mexicano com a pimenta mais ardida que meu paladar teve o desprazer de provar, a mistura de alguns refrigerantes, e o algodão doce colorido. Estava me divertindo tanto.
Só faltava um brinquedo e que eu me vi meio relutante em ir. A roda gigante. Não tinha ido ao novo brinquedo, a fila estava gigante e eu sinceramente não teria coragem de ir naquele, só de me imaginar despencando daquela altura eu sentia meu corpo ficar gelado.
A fila da roda gigante não estava grande, e acho que nunca está. Quase ninguém quer ir a esse brinquedo, porque a verdade é que era um brinquedo feito para casais. Até porque a grande maioria queria ir no brinquedo novo.
Conversava com Sting, tentando não transparecer que eu estava morrendo de medo de ir na roda gigante. Na montanha russa até consegui me controlar, levando em conta que o brinquedo estava em movimento, me fez esquecer por um momento que muitas vezes estávamos no alto. A adrenalina impediu que eu sentisse medo.
Com a roda gigante era bem diferente. Ela ficaria parada, eu vou sentir que a gente está no alto. E isso me causa medo dos pés à cabeça. E se a cabine que iremos entrar despencar do nada? E se a roda gigante resolver que quer tombar com a gente lá em cima? Eram tantas possibilidades, que me deixavam mais e mais pálida.
Mal notei que já era nossa vez, e só voltei a realidade quando Sting me puxou para dentro da cabine e a porta já estava fechada. Tentei parecer normal, isso até a cabine começar a subir.
Fechei os olhos e segurei a barra do meu casaco com força. Contendo a vontade de chorar e pedir para que saíssemos dali naquele exato momento.
Senti Sting se sentar ao meu lado e pegar em minha mão.
— Por que não me disse que tem medo de altura? — Abri os olhos e dei de cara com os seus olhos, o tom azul continuava forte mesmo no escuro. Conseguia enxerga-los perfeitamente, quase como se brilhassem pra mim.
— Não queria estragar o passeio com meu medo bobo. — Confessei e ele riu baixo, balançando a cabeça negativamente.
— Não é um medo bobo. – Acariciou meu rosto. — E isso não estragaria o passeio. — Olhou para a janela e eu arrisquei fazer o mesmo.
A cabine estava parada e daqui de cima, tudo parecia muito pequeno. E nem o som e gritos que vinham de lá de baixo conseguiam chegar na cabine. Era apenas o silêncio e o leve som das nossas respirações.
— Seu coração está batendo forte. — Comentou, medindo meu pulso. Ri nervosa, na verdade a culpa por meu coração bater tão forte e rápido dessa forma, não era o fato de estarmos tão alto, estava batendo forte por Sting estar tão perto de mim. — Meu coração também está assim.
Ele segurou minha mão e a colocou sobre seu peito, bem acima de seu coração, pude sentir seus batimentos, estavam fortes. Mas sua expressão continua calma.
O encarei sem entender. Será que ele também tem medo de altura?
— Sting, você também tá com medo? — Perguntei inocentemente.
Sting soltou uma risada nervosa e olhou em meus olhos. Seria um ato normal, como ele sempre fazia no dia a dia, já estava acostumada com seus olhos sobre mim. Mas dessa vez eu sabia que não era isso, havia alguma coisa a mais ali, aquele mesmo brilho que eu notei quando nos encontramos mais cedo.
— Não. — Negou e apertou o contato de minha mão contra seu peito. — Meu coração está assim por sua causa.
Arregalei os olhos e o vi soltar minha mão. Ela permaneceu ali, sentindo seus batimentos e esperando que sua voz se fizesse presente de novo.
— Ele bate dessa forma por você estar aqui comigo. Cada batida é o meu coração me falando o quanto ele ama ver o seu sorriso de felicidade. O quanto ele ama olhar nos seus olhos e ver como você fica encantando pelas luzes dos brinquedos, de escutar a sua voz. E o quanto ele está amando sentir que você está o sentindo com o calor da sua mão. – Minha boca se mexeu, mas não sabia o que falar. – Ele bate assim toda vez que estou com você.
— Sting você... — Ele me interrompeu, colocando sua mão em meu rosto, fazendo pequenas carícias com seu polegar. Seu toque era delicado, como se tivesse tocando algo frágil.
— Estou apaixonado por você desde o momento que te vi na biblioteca. – Seu olhar estava focado no meu. — Passei a te amar a partir do momento em que você entrou em minha vida. — Encostou sua testa a minha e fechou os olhos. — Sou completamente apaixonado por você, por cada sorriso, cada mania que faz inconscientemente, cada detalhe de seu rosto, de seu perfume natural capaz de entorpecer todos os meus sentidos... Em tudo. — Suspirou baixo contra minha boca, nossos lábios estavam tão perto, um pouco mais e estariam colados um no outro.
— Eu... Estou tão feliz. — Confessei e fechei os olhos assim como ele, sentindo uma certa moção começar a tomar conta da minha voz. Fiquei aproveitando o carinho que recebia sobre as bochechas.
Dava pra ouvir nossos batimentos, batendo em sincronia.
Sting ficou quieto, esperando que eu disse alguma coisa.
— E eu também... — Não esperava me confessar para Sting. Não que eu tivesse medo, uma hora ou outra acabaria falando pra ele, mas nunca soube qual era o momento certo. E claro, uma pequena parte de mim, aquela bem mais insegura, achava que não seria recíproco. – Estou completamente apaixonada por você, Sting.
Ouvi seu riso de suspiro de alivio e satisfação. E foi tudo tão rápido, um segundo atrás eu apenas sentia sua respiração contra tinha boca, e no outro segundo seus lábios já estavam colados ao meu de forma delicada.
É difícil descrever a explosão de sentimentos e sensações que aquele simples toque foi capaz de causa dentro de meu peito. O mundo ao meu redor sumiu. Minhas mãos foram de encontro com seus cabelos, os segurando levemente enquanto o beijo se aprofundava. E era muito melhor do que eu jamais pude imaginar.
Eu mal podia acreditar que aquilo realmente estava acontecendo. Que estava beijando Sting. E o melhor, o que eu sentia era recíproco.
Aquele foi meu primeiro beijo, e não poderia ter sido com alguém melhor. Eu estava tão feliz, que a altura se tornou algo bobo, porque estava ocupada em sua boca.
Depois de trocarmos mais alguns beijos, Sting me levou para casa, e a despedida que antes era de seus lábios pousando ternamente em minha testa, agora tinham outro destino, meus lábios.
— Até amanhã. — E eu o vi partindo em sua moto na rua, até não vê-lo mais.
A felicidade era tanta que eu simplesmente ignorei minha casa e atravessei a rua, tocando a campainha da casa de Yukino. Eu precisava compartilhar a minha felicidade com alguém, e sabia que Yukino esperava por aquele momento mais do que eu mesma esperei.
Assim que a porta abriu, a vi usando seu costumeiro pijama de estrelas, com a maior cara de doente enquanto fungava o nariz e segurava uma caixa de lenços de papel. Não queria nem imaginar quantas já foram para o lixo.
— Lu? O que faz aqui a essa hora? — Perguntou preocupada, claramente já estava tarde, era quase meia noite. — Que sorriso é esse?
— O Sting me beijou. — Fui direta e a vi arregalar os olhos.
Fui puxada para dentro de sua casa e obrigada a contar tudo nos mínimos detalhes, e a tristeza que tinha lhe abatido por conta da gripe simplesmente sumiu ao me ouvir contar sobre nosso passeio no parque Sabertooth.
Ela ficou histérica, correu pela sala gritando de felicidade, assustando Angel que estava vendo um filme em seu quarto.
Nesse dia eu me resumi a uma simples palavra: felicidade. Acho que nenhuma palavra poderia descrever tão bem como eu estava me sentindo.
Depois daquele beijo, tudo mudou. As coisas entre mim e Sting já não eram as mesmas de antes, elas tinham mudado para melhor.
Sting continuou um cara protetor, e também muito preocupado em como eu me sentia, tomando cuidado para não fazer nada que me deixasse chateada. Ele se esforçava demais para fazer que as coisas fossem especiais pra mim, e sinceramente, tudo o que ele fazia já era especial.
Nem sei descrever a felicidade que senti quando ele sussurrou um pedido de namoro contra meu ouvido enquanto estávamos na biblioteca da escola, o mesmo lugar em que nos vimos pela primeira vez. Onde nossos olhares se encontraram e eu me senti atraída por ele pela primeira vez. Foi ali que tudo começou.
De como me senti importante para ele quando me levou ao baile da escola, e de como fizemos amor pela primeira vez na primeira noite do Outono. De como me entreguei de corpo e alma para ele que me fez eu me sentir desejada em seus braços.
Sting sempre esteve comigo em todos os momentos, nas horas difíceis, nas horas felizes e nos momentos que eu achei que era o fim de tudo, ele sempre esteve ao meu lado, me apoiando e me dizendo que não importava o que acontecesse, ele sempre estaria comigo. Compartilhou comigo momento inesquecíveis, de quando nos formamos e do momento em que ele mesmo me entregou a carta que mudou minha vida, a carta que dizia que eu fui aceita na melhor faculdade de Magnólia.
Sting também foi aceito, e depois de alguns anos estudando, passando difíceis anos na faculdade, nos formamos naquilo que um dia sonhamos ser. Ele em engenharia civil, e eu em psicologia.
Os anos que passei com Sting foram os melhores, e ainda são. Hoje em dia, encaramos a realidade de ser um adulto juntos. Casados, e amando um ao outro de forma mais intensa a cada dia que passa. Levando todos os votos que fizemos no dia do nosso casamento, em uma tarde de primavera.
Olhei para a cidade noturna pela janela da sala e sorri ao ver Sting me abraçar por trás e encostar sua cabeça em meu ombro, deixando um beijo demorado em meu pescoço desnudo.
Mesmo que estivesse frio, Sting não se importava de ficar sem camiseta e a maior parte do tempo que está em casa, ele fica sem sua camiseta, expondo todas as tatuagens que fez ao decorrer dos anos e que tinham um significado importante tanto para ele como para mim.
— Você está tão aérea. — Sussurrou, encarando com seus olhos azuis nosso reflexo no vidro da janela, acompanhado de todas as luzes da cidade. Morar em um apartamento nos proporciona uma bela vista da cidade daqui de cima. O centro de magnólia foi o melhor lugar que pudemos escolher para morar.
— Estou? — Ele assentiu e fechou os olhos. Sua respiração batia contra meu pescoço e eu sorria por tê-lo ali. — Estava lembrando de quando o conheci. Dos nossos olhares se cruzando pela primeira vez na biblioteca da escola. Do nosso primeiro beijo na roda gigante... Tudo. — Seus olhos voltaram a se abrir e dessa vez Sting me virou para ficar em sua frente.
Acariciei seu rosto e encostei nossas testas. Encarando profundamente seus lindos olhos azuis. Minha parte preferida de todo rosto.
Com o tempo eu descobri tanta coisa sobre Sting, aprendendo a amar tanto suas qualidades como seus defeitos, o confortando nos momentos de dor, e compartilhando do mesmo sentimento que ele. Nos tornando uma única alma quando nos tocávamos com desejos mais carnais.
Os seus olhos azuis que na adolescência eram tão irresistíveis, continuam da mesma forma, só que agora eu consigo enxergar através delas. Sabendo identificar cada expressão, cada atitude e cada sentimento. Eu passei a conhecer Sting mais do que conheço a mim mesma.
E não importa quanto tempo tenha se passado e vá passar, Sting sempre me causará a mesma explosão de sentimentos dentro do peito, a felicidade, e o sentimento de amar e ser amada por alguém tão incrível como ele
— Eu te amo tanto. — Sussurrou contra meus lábios antes de os selar em um beijo calmo, recheado de sentimentos que sempre estavam à flor da pele. Expostos e explícitos a todas as pessoas do mundo.
Eu pertenço de corpo e alma a Sting, e ele a mim. Sting é, e sempre será meu tudo, o motivo de meus sorrisos e de meu coração bater fortemente em todos os dias de todos os anos que passaremos juntos.
Que eu tenho toda a certeza, será eterno.
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