Beginnen
1 O começo
Notas iniciais
Estava perdido em pensamentos como sempre fazia, quer dizer, nem sempre, já que isso vinha acontecendo a pouco tempo. Havia se tornado uma pessoa meio distraída, algo que irritava o garoto de olhos negros que agora se encontrava parado em frente a entrada do acampamento. Ele estava com aquela sensação de que algo estranho iria acontecer. Algo dizia para ele não colocar os pés no acampamento, para ele esperar pelo menos mais dez minutos, só que Harry era uma de pessoa de gênio difícil, que não acreditava muito nisso de, “sexto de sentido”. Ele ainda se custava a crer que era filho de Hades ainda, mesmo depois de cinco anos.
Ele deu seu primeiro passo, logo passando pelo arco que dava passagem para o acampamento. O garoto fechou os olhos e respirou fundo. Ele sorrio ao ouvir o som das espadas se chocando, ferro contra ferro. Por Zeus! Aquilo era simplesmente o paraíso para o garoto, mas ele nunca iria admitir isso em voz alta, comente gritava isso em pensamentos.
Ajeitou a alça da mochila que carregava em suas costas sobre o seu ombro e se pois a caminhar em direção aos chalés. O garoto passou pelo pavilhão do refeitório, um local aberto, sem parede alguma, feito todo de mármore branco polido. A divisão das mesas era feita por chalés, cada um tinha a sua e ainda tinha uma grande pilastra no centro do refeitório aonde podíamos fazer oferendas aos deuses. Um sorriso discreto pode ser visto no rosto do filho de Hades ao se lembrar da bagunça que fazia com as amigas.
Estava indo em passos de lesma até o seu chalé, enquanto em sua mente tocava Highway To Hell, uma de suas músicas favoritas. O garoto levantou sua cabeça e olhou em direção ao seu chalé, mas nesse momento ele preferia ter ido procurar Elizabeth ao inves de ir para o seu chalé. Já havia se virado e ia para qualquer lugar aonde ficasse fora da visão daqueles dois seres humanos quais havia acabado de ver, mas aquela garota parecia poder enxergar a cem quilômetros.
— Harry! —
A garota de cabelos curtos e negros correu até mim e me deu um abraço de urso, o tipo de abraço que poderia lhe matar asfixiado e ela sabia muito bem disso, tanto que as vezes fazia de propósito. Envolveu a cintura da garota com os braços e a levantou um pouco, a girando no ar.
— E ai irmãzinha, sentiu minha falta?
Colocou a garota no chão e bagunçou os cabelos dela, oque a fez formar um bico e oque me fez rir.
— Você ficou fora mais do que havia me dito. — Ela deu um tapa no braço do garoto. — Seu cabeça de vento. Deverias ter me mandado uma mensagem de íris, qualquer coisa.
Ele massageou o ombro aonde o garoto havia desferido o tapa. Suspirou derrotado e balançou a cabeça positivamente. O garoto se sentia observado naquele momento, e foi somente olhar em direção ao chalé 13 — Seu próprio chalé. — que descobriu o por que. Aquele garoto, qual atormentava seus sonhos a basicamente dois anos. Harry engoliu seco ao perceber o olhar do outro em cima de si, aquilo fez o garoto de cabelos negros se arrepiar até a alma. Balançou a cabeça negativamente e desviou o olhar para sua irmã, Ruby. Ele e a garota eram parecidos, mesmo que somente fossem irmãos por parte de mãe, eles tinham os mesmos cabelos negros, mas o do garoto eram mais crespos, sendo que os da garota eram lisos. Tinham uma pele albina e olhos negros quias você não conseguia enxergar a pupila ao certo. A diferença mais gritante entre eles era a altura. A garota era baixinha, no máximo 1,60 e Harry tinha seus belos 1,80.
— Ruby, o que eles está fazendo aqui?
Ele apontou para o garoto encostado em uma das pilastras do chalé de Hades, mas de modo discreto, não queria que o outro percebe-se que os dois ali falavam dele. A garota olhou por um minuto para o outro e acenou para ele com um sorriso estampado no rosto, logo voltando seu olhar para o irmão mais velho.
— Não sabemos oque aconteceu ao certo. — Ela suspirou pesadamente. — Ele chegou aqui muito machucado. Dizia coisas desconexas sobre monstros e também… Ele só lembra do próprio nome, fora isso, ele não tem mais nada naquela cabecinha linda. Quíron pediu para que eu, Lizzie e Anne cuidássemos dele por um curto período de tempo, somente até que pudéssemos mandar ele de volta para o lugar da onde veio. —
Harry ficou um tanto surpreso a ouvir a irmã mais nova, logo balançando a cabeça positivamente.
— Só mantenha ele bem longe de mim. Mesmo sem memória, eu continuo o odiando e não querendo ver ele até meu último suspiro.
Ruby revirou os olhos ao ouvir o irmão, achando ridícula a atitude que ele estava tomando em relação a Steve, já havia se passado um ano, o irmão deveria ter esquecido aquilo. Steve era um o tipo de pessoa que chama bastante atenção quando passa por conta de sua beleza. Pele bronzeada, olhos azuis, loiro dos cabelos cacheados, alto, dono de um belo sorriso.
— Você falou que a Lizzy e a Anne iriam lhe ajudar, não é? — A garota acenou positivamente. — Então aonde aquelas duas estão?
— Aonde você acha que elas estão Harry?
Harry revirou os olhos, deu as costas para a irmã e foi em direção ao chalé 13. Parou em frente ao garoto e jogou a mochila que estava em suas costas para o garoto, o vendo arregalar um pouco os olhos.
— Faça algo de útil ao invés de ficar encarando os outros. Coloque a minha mochila lá dentro, obrigado. —
Se virou e já ia saindo dali quando ouviu Steve praticamente gritar.
— Prazer em lhe conhecer também.
Rubyan deu uma risadinha, algo que fez Harry se virar para a garota e a fuzilar com os olhos. Sabia muito bem oque se passava na cabeça da irmã no momento e isso o deixava um tanto irritado. Os dois foram andando em passos lentos na direção da Arena.
Era uma arena grandiosa. Com espaços separados para lutas e treinamentos. Em seu interior, possuía alguns pilares de concreto, que separavam os setores. Toda cinza, a arena continha suas falhas, nos tijolos e nas pinturas. Seus portões amplos e compridos quase chegavam a cobrir seu núcleo. Seus assentos — não muito confortáveis — eram feitos do mesmo material que a estrutura da arena, tornando nosso tempo lá, não muito deleitante.
Logo quando chegaram em frente a arena, puderam ouvir duas vozes bem conhecidas por ambos e também o barulho das espadas. Harry e Ruby se entreolharam e reviraram os olhos, aquelas duas só poderiam estar de brincadeira. Entraram juntos na arena e logo uma avistaram uma loira e uma ruiva. A loira segurava a espada que agora a ponta cutucava a garganta da ruiva, qual tinha a sua posicionada no estômago da loira. Elizabeth era a filha de Zeus, a única em todo acampamento. Loira, alta, olhos azuis, quase chegavam a ser brancos e com uma pele clara. A garota sabia manusear muito bem uma espada, da mais pesada até a mais leve. Tinha uma ótima mira para com as adagas, mas seu ponto forte ainda era o seu cérebro. A garota foi criada para liderar. Dentre seu grupo de amigos, ela era a estrategista, algo que adorava e que deixava seu ego um pouco inflado. Annabel era a filha de Ares, líder do chalé 5. Ruiva, alta, olhos castanhos, pele bronzeada por passar horas e mais horas na Arena em baixo daquele sol escaldante, mas também tinha várias cicatrizes, como uma boa filha de Ares teria, claro. A garota era muito talentosa também. Qualquer arma que colocassem sobre sua mão ela com certeza iria saber usar, e saberia usar muito bem. Era a garota que, apesar do seu gênio forte, era leal, gentil, amorosa.
— Por Deus. Vocês poderiam parar de brigar por dois segundos e vir aqui me dar um abraço? Suas peruas!
As garotas que estavam com algumas cicatrizes nos braços e nas pernas, que se encontravam descabeladas, olharam para Harry e abriram um enorme sorriso. Jogaram as espadas longe e correram até o garoto, dando nele um abraço de urso, igual ao de Ruby e que o fez ficar sem ar, como agora. Elas se afastaram e deram um tapa, cada uma em um braço do garoto.
— Caralho, por que isso? Que droga.
O garoto formou um bico em seus lábios.
— Você não avisou que iria demorar tanto. — Anne se pronunciou.
— Isso mesmo. Você poderia ter nos dado algum sinal de vida, achamos que tinha morrido, até. — Elizabeth cruzou os braços.
Harry respirou fundo e colocou as mãos dentro dos bolsos de sua calça preta surrada, cheia de cortes nas pernas. Em sua grande maioria, feitos pelas criaturas contra as quais lutou. Ele abaixou a cabeça e apontou para a arquibancada.
— Vamos até lá Lizzy, a gente precisa conversar.
A garota arqueou uma sobrancelha, mas não pestanejou sobre nada, somente seguiu o amigo até a arquibancada. Sentaram-se ali, mas a garota ficou de cabeça abaixada e com os punhos cerrados.
— O que vocês estão fazendo aqui!? Acham que os morangos vão se colher sozinhos? Acham que os cavalos vão se limpar sozinhos? Andem logo seus imprestáveis!
Ela gritou para os campistas que estavam sentados na arquibancada, e que anteriormente assistiam a briga entre Anne e Lizzy. Todos saíram ali as pressas, Flash com certeza iria ficar com inveja para com a rapidez com que todos se escafederam dali. Algo que fez Harry rir internamente, mas ele logo tomou sua expressão séria de antes. Abaixou a cabeça e se pois a falar.
— Lizzy, não eram monstros.
Elizabeth arqueou uma sobrancelha.
— O que? Como assim?
— Eram jovens, adolescentes como nós somos Lizzy, eles pareciam marionetes. — Ele respirou fundo. — Eu nunca vi nada igual, eu podia ouvir a voz que eles escutavam e que os comandava, foi tão… Surreal.
A menina fechou os olhos e passou as mãos pelo próprio rosto.
— Ele veio até mim Harry, dize que nós iríamos enfrentar algo diferente dessa vez, algo que nós não saberíamos lidar, algo que mexeria profundamente com nosso emocional também.
Harry sabia muito bem quem era, “ele”. A garota se referia a Zeus, ao pai dela, oque deixava ele ainda mais assustado, por que para o Zeus ir até a garota e a dizer que eles estavam em perigo, era por que eles realmente estavam ferrados.
— Okay, agora eu borrei as calças.
Lizzy riu da frase alheia e balançou a cabeça negativamente. A menina retirou o elástico que rodeava seu pulsos e amarrou o cabelo, em um alto rabo de cavalo. Eles ficaram em total silêncio. Harry encarando as próprias mãos, pensando no que poderia estar acontecendo com o mundo que eles conheciam, mas que poderiam vir a desconhecer, oque sentia em todo seu corpo que seria muito em breve. Mas o garoto saiu de seus profundos devaneios quando ouviu a garota ao seu lado rir novamente. Ele a encarou sem entender, mas ela logo apontou para a entrada da arena. O garoto virou sua cabeça, e pode ver que quem estava lá era nada mais, nada menos do que Steve, e que o encarava.
— Ele quer que você de um beijo grego nele.
Lizzy jogou um olhar malicioso para Harry e começou a gargalhar alto. Harry sentiu suas bochechas esquentarem e queria muito descobrir aonde poderia enfiar a cara, por que estava morrendo de vergonha nesse momento.
— O-Oque? Cala a boca Elizabeth, por Zeus!
A garota balançou a cabeça negativamente e se levantou dali.
— Ah, príncipe das trevas. Você não me engana.
Piscou para ele e saiu dali com as mãos nos bolsos.
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