Before You
4 Capítulo 4 - Família Wiles
Era estranho tudo o que estava acontecendo e mais ainda, pensar no que teria de falar para Bonnie. A verdade é que ela não sabia porque tinha de conhecê-la, mas sabia que precisava e que ela teria alguma resposta para solucionar as loucuras que a rodeavam. O nome dela nunca foi citado, apenas de sua avó Sheila Bennett, o que levou a uma busca incessante na internet para descobrir descendentes, até encontrar Bonnie.
Stefan bate à porta da casa dela e Kate se mantém calada até que por fim Bonnie aparecesse abrindo a porta com uma expressão confusa ao notar a presença da garota, como era de se esperar, mas os convida a entrar.
—Você é Bonnie Bennett, não é? Neta de Sheila Bennett?
—É… — Ela franze a testa estranhando o rumo da conversa e um tanto espantada por saber de sua avó — E você é…?
—Desculpa, me chamo Kate Wiles. E eu não sei exatamente porque, mas eu acho que você pode me ajudar.
—Wiles? — Ela ergue as sobrancelhas, surpresa em ouvir o sobrenome que há anos não fora mais comentado — Então quer dizer que você vem de uma grande família de bruxos poderosos… Ainda não entendi porque quer a minha ajuda.
—Oi? — Kate franze a testa confusa, completamente em negação sobre o que estava ouvindo. — Não sei do que você está falando…
—Isso explica tudo. — Stefan estreita o lábio, juntando as peças do quebra-cabeça que pareciam ser impossíveis de resolver para Kate.
—Você não sabia? — Bonnie analisa a reação de Kate, percebendo-a completamente desnorteada — Oh… Tudo bem, eu acho que precisamos mesmo conversar.
Stefan decide deixar Kate a sós com Bonnie, pois sabia que teriam muito o que conversar durante o dia. E de fato, estava sendo uma poderosa aula de história, no sentido literal da palavra.
Bonnie contava tudo o que sabia sobre a família Wiles e da ligação que tinham com a família Bennett para os feitiços que mudaram para melhor a vida dos sobrenaturais. Feitiços de imortalidade ou até mesmo a proteção contra fogo e o próprio sol — utilizado pelos vampiros para manter-se à luz do dia -, por exemplo. Era extremamente muita coisa para absorver de uma vez só e parecia ser algo surreal de assimilar, mas de alguma forma, acreditava no que dizia.
—E eu sei que é muita coisa pra absorver... — Ela diz como se pudesse ler os pensamentos de Kate — Mas o que aconteceu para vir até mim? Você…
—Nada, eu só… — Kate desvia o olhar, procurando algo para dizer rapidamente — Bom… eu acho que incendiei uma pessoa ontem.
—Isso aconteceu alguma vez antes? — Bonnie agora a olha com atenção e ternura, como se já soubesse o que iria falar, mas vendo-a hesitar, continua — Não precisa responder, mas… Um poder forte como o seu pode viver anos oculto. Porém, basta apenas um gatilho para desencadeá-lo por inteiro e ele vem todo de uma vez, você pode não conseguir controlá-lo.
—O que eu faço? — Kate engole a seco com os olhos baixos, encarando apenas o chão de madeira daquela sala de estar, lembrando do que aconteceu.
—Eu posso te ajudar a controlar e a usá-lo a seu favor. — Bonnie sorri e segura sua mão, acariciando-a como uma forma de mostrar que não estava sozinha nessa jornada.
Enquanto isso, mesmo em plena luz do dia, o Grill estava movimentado e a maior parte — talvez noventa por cento — eram os mascotes de Julian, que viviam atormentando a vida de qualquer um que respirasse por aquela cidade. Por esse motivo, a polícia reforçava as entradas da cidade para evitar que humanos novos e inocentes entrassem e virassem os “brinquedinhos” deles, mas Kate é a prova de que o sistema não funciona completamente. Era irritante para Damon ter que competir sangue humano com eles e pior ainda, o bar da cidade. Por anos, aquele bar foi um local de terapia e diversão na companhia de um bourbon e agora, acabou virando um Happy Hour entediante.
— ”Olha só pra mim, eu sou o Salvatore da mamãe.” — Um dos capangas de Julian zomba de Damon com outro alguém.
Ele até tentou ignorar seu impulso de matá-lo, para não interromper seu momento íntimo, que era apenas beber seu bourbon no balcão do seu bar preferido. Mas, não era um bom dia e ele estava tentando cutucar um assunto que o fazia perder realmente a cabeça, então simplesmente bebeu seu último gole de uísque para que assim quebrasse seu copo e o cravasse num vulto na mão do idiota, lançando seu olhar fuzilante enquanto o ouvia resmungar de dor.
—Primeiramente, eu quero que ela vá para o inferno. — Ele pressiona ainda mais o copo, quase atravessando por completo os ossos de sua mão com o vidro — Em segundo, quero que vá com ela.
—Damon! — Lily aparece rapidamente, afastando Damon do mesmo, com sua expressão de desolação. — Não provoque-os, nós já temos intrigas suficientes…
—Eu não preciso lembrar de quem é a culpa disso tudo que está acontecendo, não é? — Damon encara-a com desprezo, enquanto ela transforma sua expressão, sentindo-se culpada. — Essa cidade está um caos por culpa sua! Perdi Elena por culpa sua! Eu poderia agora mesmo cravar uma estaca no seu coração sem hesitar, mas isso não mudaria nada… A não ser o fato de não precisar mais olhar para a sua cara.
—Damon… o que eu posso fazer pra me perdoar? — Lily murmura, olhando para os lados garantido que ninguém a ouvisse, vendo que Damon se aproximava para respondê-la igualmente num murmuro.
—Eu nunca vou te perdoar. — Ele a responde, olhando-a friamente.
—Você não pode falar assim com ela, Salvatore. — O outro capanga se aproxima com o peito estufado, acompanhado de outros três colegas.
—Bom… em teoria isso é um assunto entre mãe e filho, então se você não se importa…
—”Em teoria”, nós também somos. — Ele retruca, provocando-o. — Mas tudo bem, podemos bater um papo com Elena, quem sabe.
—Vocês não fazem ideia de onde ela está. — Damon dá de ombros, jogando verde para descobrir o que sabem sobre.
—Independente de onde ela estiver, está melhor sem você. — Ele sorri cinicamente, vendo a fúria jorrar dos olhos de Damon em poucos segundos.
Sua impulsividade sempre falou mais alto, levando-o agora a quebrar uma das pernas da banqueta de madeira do bar para cravar no peito do seu alvo, errando por pouco o coração. Os outros imediatamente reagem com golpes, perfurando Damon com o que vissem na frente, fazendo-o retrucar brutalmente. Era covardia atacá-lo com tamanha desvantagem, fazendo com que levasse uma tremenda surra, prendendo-o pelos braços enquanto o golpeavam. Em poucos segundos, a cena acabou virando um tremendo banho de sangue e brutalidade, até que Lily entrou no meio da briga para separar todos, chamando a atenção também de Julian, que se aproxima às pressas, irritado. Damon retira a estaca que cravaram em seu ombro e se ergue do chão, enquanto fuzila os indesejáveis com o olhar e limpa o sangue que escorria do seu rosto.
—Parem agora! — Julian se opõe, mostrando que sua voz era extremamente respeitada por seus seguidores — Não quero brigas dentro do bar. Amanhã à noite, eu quero os dois no estacionamento do Grill para resolvermos isso.
—Julian… — Lily tenta impedi-lo, boquiaberta com o que estava ouvindo-o dizer.
—Que vença o melhor. — Julian finaliza com um sorriso no rosto, enquanto os outros dois ainda se entreolham com desprezo.
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