Before - League of Legends II
24 Guerra - Parte 2
Zed tinha os seus meios de subir até o céu, embora não gostasse muito de fazê-lo. Seu lugar era no chão, onde havia sombras que ele podia usar em suas técnicas. No alto, ele era vulnerável. Contudo, até ultimamente, aquilo não tinha passado de um desconforto facilmente superado. Agora? Todos já tinham dominado os céus.
Com seus balões, aeroplanos e ilhas flutuantes, a sociedade moderna agora travava seus combates também pelo céu. Ele próprio tinha testemunhado alguns bombardeios feitos por Noxus durante as incursões. Apenas testemunhado. O ninja das sombras não tinha razão para interferir naquela disputa até ali. Isso tinha mudado.
Mais de cinco mil pés abaixo do seu objetivo, ele sussurrou: — Syndra.
Quando a esfera negra desceu do céu, ele a agarrou forte com ambas as mãos. Se fosse derrubado durante a subida os seus seguidores certamente precisariam procurar por um novo mestre. No momento que o ninja a tocou, a esfera alçou voo em uma velocidade que Zed pudesse aguentar. Ele sentiu sua máscara sendo comprimida contra o rosto pela resistência do ar, mas não reclamou. A viagem era curta demais para que aquilo se tornasse um incômodo.
Quando ela pairou, alguns centímetros acima do pedaço de terra voador com um templo no centro, a sombra formada pela mesma na grama foi o suficiente para que Zed se transportasse para lá. Primeiro, da sombra surgiu uma versão escura e esfumaçada de si, até que essa se transformou no próprio ninja. A capa vermelha rasgada esvoaçava nas costas do ninja, presa apenas por duas shurikens, as armas dos ninjas, do tamanho de bolas de futebol.
Em ambos os punhos, lâminas metálicas se projetavam mesmo para além do alcance das mãos enluvadas do ninja. Além disso, quase todo o seu corpo era coberto pelo mesmo metal, um pouco mais modelado nos ombros e peito. Qualquer que um visse tão bem protegido entre sua armadura pensaria que o ninja estaria indo para uma guerra. De certa forma não estariam em erro, a vida de Zed era uma constante guerra.
Talvez por isso ele e Syndra se dessem tão bem, ambos viviam na insegurança e incerteza. A diferença entre eles residia nas soluções: Syndra tinha buscado o exílio nos céus, onde os seus poderes não poderiam ferir mais ninguém. Já Zed, após ser renegado pelo uso das técnicas proibidas, formou o próprio grupo de discípulos.
Ambos tinham sido reprimidos enquanto descobriam os poderes. Seus respectivos mestres tentavam fazê-los serem menos do que poderiam. Agora, eles não se importavam mais com o equilíbrio. Tudo o que importava para a dupla era ultrapassar os próprios limites. Era tudo o que restava para esses pobres ionianos.
Syndra sorriu para Zed quando ele surgiu. O elmo negro cobria apenas a parte superior da cabeça, deixando quase todo o rosto dela livre da testa para baixo. Os longos cabelos brancos caíam pelas costas da soberana sombria. O traje era negro com detalhes em roxo, e diferente do de Zed, não tinha uma peça sequer de armadura. Não que ela precisasse, enquanto aquelas esferas negras orbitassem em torno de sua mestra, prontas para obedecer qualquer comando.
– Então, você soube…? – Ele começou, na voz grave que saía de sua máscara de ninja.
Ela olhou para o lado, entristecida. No fundo, Syndra sabia que cedo ou tarde a guerra chegaria para todos. Ela esperava ser quem traria a revolução até Ionia, derrubando aqueles líderes tolos e fracos. Infelizmente para eles, tinha sido Noxus. No começo, ela até se regojizava como se os noxianos tivessem vindo atender as suas mais íntimas preces, expurgando a fraqueza de Ionia. Agora não mais.
– Você acha que devemos ajudar? – Ela riu, embora compartilhasse das preocupações do ninja. – A duquesa Karma sequer nos aceitaria.
– Desde quando precisamos de aceitação? – Ele perguntou, se virando para a borda do pedaço de terra flutuante. Mal dava para ver o solo com clareza dali de cima.
– Desde que isso envolve lutar ao lado deles. Fizemos uma escolha. – Ela abriu os braços, irritada. Se qualquer outro lhe desses as costas, seria empurrado daquele lugar, virando uma mancha vermelha no chão abaixo.
– Manteremos essa escolha. – Ele afirmou, confiante. – Quando a guerra acabar.
– Se não o conhecesse, diria que isso envolve o seu ego. – Syndra sugeriu, se aproximando do ninja.
– Ego? – O mestre das sombras exclamou, se virando para a maga, ofendido. – Tudo que eu quero, tudo que eu sempre quis… Você sabe. Só dessa vez, acho que devemos fazer a coisa certa.
– E como saberemos se essa é a coisa certa? – Ela perguntou, franzindo o cenho e mordendo o lábio.
– O que o seu coração lhe diz? – Zed perguntou, e ela não precisava que ele tirasse a máscara para saber o olhar significativo que lhe era dado.
Ela suspirou, rendida. Se fosse alguns anos antes, a maga ficaria no mínimo contente com uma oportunidade de se soltar e usar o poder máximo. Hoje em dia? Tudo que ela queria era paz e sossego naquele pedaço de terra que era única e exclusivamente seu. Não seria hoje.
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Sivir estava preocupada. Não estava enxergando Jax naquela multidão, e tinha uma forte suspeita de que ele não estava ali. A pergunta era: Onde ele estava? Olhando para o lado, ela viu um invocador que suava enquanto caminhava, embora não demonstrasse cansaço.
– Você está bem? – Sivir perguntou para o homem ao seu lado. – É a sua primeira guerra?
– Hum, sim. – O invocador respondeu, assustado e com o rosto mais vermelho do que um tomate de tanto nervosismo.
Os dois grupos – A Liga e o exército noxiano – Marchavam como um só. Em breve, estariam em um navio marchando para a guerra definitiva. Além disso, a Ilha de Doran era um inimigo extra e imprevisível. A única coisa entre os exércitos e a morte por envenenamento era o estranho grupo reunido pelo cientista mais imprevisível de Runeterra.
– Torça – A ex-mercenária comentou vagamente. – para que seja a última.
– Você já esteve em muitas? – Ele perguntou, com um sorriso nervoso e gotas de suor despencando da testa.
– Uma já é mais do que eu gostaria. – Respondeu, de um modo tão sombrio que encerrou a conversa.
Em uma parte mais avançada, próxima de quem liderava o grupo, estava Vessaria, sendo transportada em um veículo, em vez de caminhar com os outros. Colocando a cabeça para fora, ela localizou Katarina:
– Alguma notícia de Beck? – Ela perguntou, talvez pela centésima vez desde que começaram a jornada.
– Ainda não. – A assassina respondeu, analisando a alta conselheira. Brandon a advertira para não confiar naquela mulher. A questão era: quanto? – Mas se ele disse que vai resolver a questão…
– Quer dizer que temos que nos preocupar muito mais. Vocês, jovens, são sempre imprudentes. – Rebateu, irritada. As rosas tinham chegado longe demais para serem atrapalhadas por um cientista caipira.
– Sim, senhora. – Concordou, entre os dentes, focando a atenção na conversa que se desdobrava ao seu lado.
Swain mancava ao lado deles, imponente. Se a perna o incomodava, ele se recusava a admitir, não soltando uma reclamação desde que começaram. Ao lado de Darius, ele discutia estratégias de batalha. Katarina não podia dizer que estava surpresa com a presença do estrategista e de seu corvo, Beatrice, ali. Muito menos surpresa de ter perdido o comando para aquele aleijado, que conspirava para ter aquele posto desde que ela era pequena.
O irmão de Darius, Draven, quase não participava da conversa, preferindo observar o próprio reflexo na superfície de seus machados que mais pareciam uma faca para gigantes. O carrasco de Noxus era muito exibido e convencido, e se dependesse de Katarina ele não participaria daquela peleja. Aquilo também não a revoltava, sabia por experiência própria que uma boa linhagem muitas vezes superava uma boa conduta.
A assassina repentinamente se deu conta de que, apesar de caminhar ao lado do maior exército que já tinha visto, nunca tinha se sentido tão sozinha. Tinha crescido entre a elite noxiana e encontrado a felicidade na Liga, mas agora não pertencia a nenhum dos mundos. Era apenas alguém vagando sem objetivo.
Por outro lado, aquele sentimento também era libertador. Ela podia ser, pela primeira vez desde muito tempo, apenas a assassina. Era a oportunidade perfeita para se tornar apenas a máquina de matar perfeita, como tinha sido treinada.
Enquanto Katarina se perdia em pensamentos, Swain recebia uma mensagem em sua cabeça, estendendo a mão para Darius, que imediatamente se calou. Ele também sabia o que estava prestes a acontecer. Embora continuasse caminhando com o seu jeito manco, o cenário ao redor mudou para Swain.
O exército se dissolveu, dando lugar a uma masmorra de pedra negra. Sem iluminação, a escuridão se mesclava com o ambiente, fazendo-o parecer mais amplo do que realmente seria. “LeBlanc e seus jogos…”, o estrategista pensou, se perguntando se, pelo menos uma vez, a bruxa não podia entrar em contato como as pessoas normais. Contudo, se ela fosse “normal”, eles não teriam tanta influência no mundo. Além disso, ela precisava fazer jus ao título de “falsa”.
Lidar com a bruxa era assumir a inutilidade de seus sentidos. Cima era baixo e certo era errado quando se lidava com ela. Nunca, nada era o que parecia. O que o fazia lamentar por quem estivesse contra ela ou a Rosa Negra. Estrategicamente, ele estava favorável:
– O que você quer? Estou marchando para uma guerra, não tenho muito tempo. – Ele resmungou, sabendo que seria ouvido de qualquer forma.
– Eu consegui o sangue. – A bruxa afirmou, com a sua voz debochada, entre risinhos. – O príncipe Jarvan nem desconfiou. Devo trazer o morto de volta?
– Agora não. – Aconselhou Swain, com um pouco de preocupação na voz. – Não para essa batalha.
– Quando essa batalha acabar, o mundo será nosso. Que outro inimigo restará para uma demonstração de força? – Ironizou, sem sair das sombras.
– Viktor. – Ele replicou perturbado. – Agora devolva-me ao campo de batalha, feiticeira.
Mal acabando de falar, Swain se viu de volta ao exército que marchava. Olhando para o lado, Darius lhe dava um olhar inquisitivo, no que o estrategista apenas sinalizou com a mão em um gesto de “depois”. Não podia arriscar que ouvissem os seus planos, especialmente a filha de DuCouteau que caminhava realmente perto deles. Swain reconhecia um traidor de causas, e Katarina definitivamente era uma.
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– Muitos responderam ao chamado. – Shen comentou através da máscara, impressionado. – São quase todos os clãs e células rebeldes.
– É Ionia. – A duquesa Karma comentou orgulhosa. Estavam no litoral, esperando os navios aparecerem no horizonte. Quanto tempo levaria? Duas horas? Talvez mais. Um ioniano tinha paciência.
– Sim, mas quanto tempo manteremos tantas pessoas diferentes em unidade? – Akali perguntou, colocando a mão sobre os olhos para ver o horizonte sem que o sol machucasse os seus olhos. Diferente de Shen, a máscara verde da ninja cobria seu rosto apenas do nariz para baixo. – Não são um exército, são apenas guerreiros.
– Entendo a sua preocupação, mas temos a vantagem territorial. Mandaremos a ameaça ocidental de volta para suas fronteiras… em sacos pretos. – Irelia comentou vigorosamente. Odiava os noxianos pelas incursões anteriores, mas dessa vez seria diferente. Suas lâminas se banhariam no sangue dos inimigos.
Akali suspirou, visivelmente contrariada, por mais que fosse uma exímia lutadora não queria um conflito desnecessário. Tinham estado tão perto da paz! Só que tudo tinha ruído, e agora não havia volta. A ninja se pegou olhando para o terceiro membro da Ordem de Kinkou, Kennen, que corria pelos acampamentos abaixo em uma velocidade espetacular, distribuindo suprimentos, remédios e armas.
Pela primeira vez, ela invejou o colega. Queria poder correr em alta velocidade, sentindo o vento no rosto sem maiores preocupações ou, pelo menos, ignorando-as enquanto aproveitava o momento. No seu coração ela sentia como se estivesse traindo os seus ideais naquela luta. Guerra não era equilíbrio, era caos e desordem.
– Você parece preocupada. – Ela ouviu uma voz dizer, atrás de si. O que não era muito comum, ninguém se aproximava de Akali sem ser visto. Normalmente era o contrário. – Não que eu entenda sobre o “parecer” de alguém.
Encostado em uma árvore, Lee Sin devorava uma maçã. Ele vestia apenas uma calça simples, além de alguns esparadrapos nos punhos. No rosto, uma faixa vermelha cobria os seus olhos. Não fazia diferença, uma vez que o monge era cego.
De fato, preocupava Akali ouvir de um cego como ela parecia, mas o sorriso dele denunciava que seus conhecimentos iam além do que os olhos podiam ver. Ela o fitou por pouco mais de um segundo quando ele se dirigiu até a floresta. Olhando brevemente para Shen, Karma e Irelia, que não tinham visto nada daquilo acontecer, ela saiu silenciosamente para seguir o monge.
– Você deve estar se perguntando… — Ela falou tão alto quanto ela poderia ouvir através da mata fechada. – Sobre o que esse cego esquisito está falando.
– É, algo assim. – Ela comentou baixinho, sabendo de alguma forma que ele ouviria. Os rumores diziam que a cegueira tinha lhe concedido outros dons especiais.
– Eu ouço as batidas do seu coração. São como as minhas. As batidas de um coração confuso. A triste melodia que ele faz… — Lee falou, reproduzindo o som no mesmo ritmo que ouvia. – Tum, tum, tum, tum.
– Bem, eu acredito que são poucos os que querem essa luta. – Ela respondeu, seguindo a direção da voz do monge. – Mas esses poucos são o suficiente para que todos nós lutemos.
– Será? – O monge perguntou gentilmente. – As ações de um ser podem romper o mundo, mas os esforços de muitos podem reconstruí-lo.
– Você chama atear fogo a si mesmo de esforço? – A ninja perguntou, sentia que estava cada vez mais próxima. No começo das incursões, o monge tinha se incendiado como protesto, ganhando apenas a cegueira em troca.
– Precisava ser ouvido. – Ele respondeu com a voz transbordando calma. – Além disso, a cegueira não é um empecilho. Não quando se tem os amigos certos.
– Isso é fofo, você está pedindo a minha amizade? – Ela puxou um arbusto para o lado. Estava mais próxima do que nunca.
– Não. – Lee Sin respondeu taxativamente.
Ela chegou até uma clareira. Lee Sin sentava na grama com as pernas cruzadas, como que meditando. Um sorriso se abriu quando a ninja chegou. Ao seu lado também se sentava um homem com trajes roxos e um capuz com máscara multiocular repousando no seu colo. O rosto era gentil, apesar da cicatriz assustadora que tinha na boca.
– Nós estamos pedindo. – Regnald Ashram respondeu, com um olhar sério. – Temos pouco tempo, você está disposta a nos ajudar a parar essa guerra?
Ela respirou fundo. Conhecia pouco do monge e nada desse estranho. Amizade não vinha tão fácil, confiança muito menos. Na melhor das hipóteses, se eles estivessem certos, ela ainda seria condenada por traição se fizesse qualquer coisa além das ordens da duquesa. Contudo, o modo como o estranho tinha dito “parar essa guerra” era tão sincero…
– Conte-me mais sobre isso. – Ela sentou na grama com eles, tinha muito o que escutar.
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– Uau. – Annie deixou escapar quando viu o tamanho do navio de guerra e quase soltou um palavrão quando viu que tinha uma frota inteira. Ao seu lado, Amumu parecia mais assustado do que impressionado.
– Já vi melhores. – Sivir zombou, convencida. – Uma vez, eu subi em um navio tão grande, mas tão grande que até parecia um planeta.
– Uau. – A garota repetiu, segurando o ursinho de pelúcia enquanto pedia mais detalhes da história da guerreira que aparentemente envolvia um Kraken, dois azuporãs em um bar e aronguejos mutantes do pântano.
– Eles são patéticos, certo? – Shaco murmurou para Malphite, fazendo malabarismos com uma navalha. – Membros fundadores uma ova. Parecem colegiais em uma excursão, ninguém os avisou que estão indo para uma guerra?
– Você podia mostrar um pouco mais de respeito. – O colosso de pedra apressou o passo para alcançar o trio, sem sequer olhar para o palhaço.
– Mané. – O campeão xingou, enfurecido. Era uma pena não poder matá-los ali, mas se lembraria de acertar as contas com cada um deles na próxima batalha da Liga. Contra os que sobrevivessem, pelo menos, e ele duvidava que seriam muitos.
Já em outro navio, Katarina subia pela plataforma. Era tudo que ele precisava, uma boa viagem de navio. Não se lembrava de já ter enjoado em alguma, não quando girava tanto em suas batalhas. A tontura tinha abandonado a vida da assassina fazia muito tempo.
– Eu acho que você tem me evitado. – Um homem se apoiou no mastro na sua frente. Ele usava um capuz azul que ela conhecia bem, pois seu pai tinha dado de presente para o seu servo mais fiel.
– Quanta percepção. – A assassina respondeu friamente. – Talvez você devesse respeitar essa distância, Talon.
– Não quando você está escondendo coisas de mim. Eu o respeitava tanto quanto você!
– Ele está morto agora, de qualquer forma. – Katarina só queria encerrar aquela conversa. Já tinha sido difícil o suficiente descobrir a verdade, não precisava reviver aquilo. Não ali. Não agora. – Qualquer juramento que você tenha prestado não existe mais.
– Não até eu encontrar o assassino. – Ele insistiu, bloqueando a passagem dela, que puxou uma adaga em ameaça. – Você vai me esfaquear agora? Costumávamos ser amigos.
– Eu tenho aprendido que as coisas mudam, “sombra da lâmina”. Não queira ser o primeiro a experimentar quem eu sou agora.
Por um segundo, ele pensou em atacá-la. Direcionar toda a raiva reprimida para o descaso com que a filha legítima da casa DuCouteau o tratava. A lâmina estava quase escorregando para os seus dedos, onde podia arremessá-las contra praticamente qualquer um. Ele mudou de ideia, não valia a pena. Recolhendo o capuz, o assassino começou a andar na direção oposta.
– E Talon… — Ela chamou, fazendo-o se virar. – Não pense por um segundo que eu não sei sobre como você deixou a Riven para morrer.
Uma voz reptiliana assoviou em aprovação atrás dela. Era Cassiopeia, sua irmã mais nova, condenada a uma forma bizarra: Metade mulher, metade cobra. Sua cauda se arrastava pelo convés de madeira, fazendo as pessoas se afastarem enquanto passavam:
– Minha irmãzona continua perigosa, pelo visto. – A mulher serpente comentou, aprovadora.
– Cass. – Katarina arriscou um pequeno sorriso apenas para agradá-la, não estava nem de longe bem-humorada. – Nosso pai…
– Nem me fale! – Ela sibilou, deixando a língua chacoalhar em um gesto reptiliano. – Ionianos malditos! Mas vamos pegá-los, irmãzona! Papai será vingado.
Katarina queria poder contar a verdade, mas honestamente ela nem tinha mais certeza de que conhecia a verdade. Se limitou a assentir e abraçar a irmã, esperando encontrar algum consolo no calor de seu corpo, mas não havia nenhum. O corpo escamoso da irmã era frio como um cadáver. Ou como um réptil. Ela se perguntou se isso influenciava de alguma maneira a personalidade da irmã mais nova. Ela era tão bela.
– Eu soube que ela está aqui, a mercenária… — Cassiopeia comentou, como se estivesse lendo os pensamentos da irmã, com uma leve sugestão de raiva na voz.
– Sivir é uma amiga, não vamos falar sobre isso, certo? Não agora. – Implorou, sem soltar a irmã.
Cassiopeia assentiu, magoada. Queria matar a shurimane desde que a maldição de um dos templos a transformou naquilo. Apesar de a mercenária ter garantido a segurança da princesa noxiana, sob um alto pagamento, não tinha feito muito para impedir que a maldição de um dos artefatos antigos caísse sobre a filha mais nova de DuCouteau. A irmã mais nova de Katarina nunca perdoaria Sivir por aquilo.
– Suponho então, que terei que me contentar em matar ionianos. – Ela falou, e antes que a irmã mais velha pudesse retrucar, os navios soltaram ruídos de partida. Não tinha mais volta agora.
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– E, por fim, Brandon Beck me teletransportou até aqui enquanto resolvia o problema da ilha. – Regnald apontou para cima, respirando com o fim da história. – Fiz questão de procurar meu velho amigo Lee.
– E fez bem. – Reforçou o monge cego. – Com boa parte do exército inimigo do nosso lado, podemos encerrar isso sem derramar sangue.
– A essa altura, eu acho isso bem difícil. – Akali comentou, preocupada. Era bem mais do que difícil, ela considerava aquilo uma missão impossível. – Quer dizer, vocês são apenas dois aqui.
– Com você, somos três. – Regnald argumentou. Era difícil não ser envolvida pela voz dele.
– Por que eu me aliaria com um estrangeiro? – A ninja perguntou, quase indignada, embora estivesse com muita vontade de fazê-lo. – Vocês zombam de nossos costumes e de nossos deuses.
Regnald suspirou, traçando alguns desenhos na terra com o dedo:
– É engraçado. – Ele comentou com um sorriso. – Nós sempre buscamos explicações diferentes para as mesmas coisas. Os Solari dirão que o Sol é o deus deles, eu direi que é o meu Deus iluminando nosso caminho, Brandon me dará explicações astronômicas que me deixarão com sono. No final, o Sol continuará brilhando bem ali na mesma rotina de sempre. No final, todos acreditaremos na mesma coisa.
– Exceto que somos inimigos. – Akali retrucou, olhando para o desenho na terra. Um grande Sol com um sorriso.
– Você deve retornar, Akali. – Lee Sin falou repentinamente. – Os outros estão sentindo a sua falta. Não se esqueça de nossas palavras. É o único jeito de todos vencerem.
– Não é só por nós, é por todos aqueles que nunca puderem lutar por si. Lembre-se disso, jovem ninja. Lembre-se disso enquanto estiver lutando. – Regnald falou enquanto ela partia, deixando as palavras em sua cabeça. “Lembre-se disso”.
Ela estava na metade do caminho de volta quando ouviu gritos do acampamento. Os navios deviam ter aparecido no horizonte. A guerra tinha começado.
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