Notas iniciais
Universo Sherlock não me pertence. Essa história é minha estréia por aqui, então peguem leve comigo, ok? Boa leitura e boa aventura, Sherlollys.

Molly estava a algumas horas lendo um livro. Era quase fim de tarde e Londres estava com um clima quente. Nos domingos preferia relaxar a sair, ainda mais depois do que vivenciou há três meses. Se perdeu novamente na leitura quando seus pensamentos caíram em Sherlock, ela não conseguia ainda processar tudo e havia angústia em seu peito, pois não o viu desde o ocorrido e o detetive também sequer a procurou para conversar. Ela tampouco sabia como agir, se sentia envergonhada por ter passado por aquela ligação ao mesmo tempo que tinha uma enorme vontade de ir até ele para colocar um fim em tudo de uma vez. Em meio a tudo isso seu celular apitou, levantando da onde estava foi até o aparelho e viu a mensagem que a fez de vez largar a leitura.

“Vamos nos ver? Precisamos esclarecer as coisas”
SH.

Sua mão tremeu, respirou fundo. Há quanto tempo ansiou aquela mensagem e junto com ela veio uma vontade de jogar o celular longe e gritar muitos palavrões para aquilo. Nesse misto de raiva com pitada de felicidade outra mensagem surgiu.

“Não irei resolver as coisas por mensagem, Molly. Venha até o parque, te espero as 18h”
SH.

Olhou o relógio, já passava das 17h, Sherlock sempre achando que o mundo girava em torno de seu precioso ego e que ela poderia não estar ocupada em nada. Tudo bem, ela não estava exatamente, mas isso não quer dizer que estivesse disponível assim tão fácil depois de tudo. Isso era sua mente trabalhando, porque seu coração estava dizendo ‘como vou ficar bonita em menos de uma hora?’ Ahh como seu coração era bobo. Resolveu responder um ‘ok’ e ir se arrumar, não poderia levar também essa angústia adiante, estava na hora de encarar o que havia dito e esperar o melhor resultado de tudo.
Nunca foi de exagerar na aparência, vestiu-se de maneira confortável com um vestido leve e colorido, o dia pedia isso, afinal. Não fez nada demais, deixou o cabelo no rabo de cavalo como costume, passou um leve gloss e um perfume adocicado. Conseguiu sair e pegar um taxi bem mais rápido do que esperava e chegou ao parque prontamente as 18h.
Tinha um local específico que ela e Sherlock gostavam, ele havia mostrado a ela a algum tempo e era provável que ele estivesse lá. Suas suposições estavam corretas. Afastada num ponto, uma árvore, um banco e um homem: seu homem. Seu? Pare já com esses sentimentos, alertou sua mente para seu coração. O fim de tarde não ajudou em nada, o céu estava um lilás com vermelho que parecia deixar tudo mais envolvente e encantado. Molly se repreendeu e precisava se concentrar em acertar as coisas como uma mulher e não como uma adolescente apaixonada. Aproximou do local e esperou ele a cumprimentar, não queria começar tudo...

— Olá Molly — disse o detetive com um olhar tranqüilo observando a garota.
— Olá Sherlock – respondeu
— Por favor, sente-se. Te chamei para dizer tudo o que preciso ou simplesmente não volto para Baker Street hoje. Dito isso, a legista permaneceu parada, nervosa e retrucou com certa secura.
— Não tenho muito tempo, Sherlock. Diga o que quer, prefiro ficar em pé. O detetive suspirou e continuou.
— Tudo bem, serei breve Molly e esses meses de silêncio serão nada perto do que direi agora. Quanta audácia pensou Molly juntando suas mãos para tentar segurar o nervosismo evidente. Porque Sherlock colocava tão alto as coisas a ele relacionadas? De qualquer forma apenas permaneceu em silêncio aguardando ele continuar. Ele relatou bem rapidamente sobre sua descoberta, que envolveu aquela maldita ligação, ela era resultado de algo que a irmã fizera com ele. Molly não sabia ainda o que sentir, só permaneceu parada enquanto ouvia ele contar com uma certa dor sobre o ocorrido. Por fim ele disse:
— Peço desculpas pela minha irmã, ela não consegue entender ainda sobre sentimentos, assim como eu. Ela viu uma brecha diferente na nossa relação, minha irmã estava há anos nos observando e sabendo que sua mente é superior, testou essa brecha e então aconteceu o que aconteceu. Molly sentia tremer as pernas, resolveu ir até o banco e sentar ao lado de Sherlock. Ao fazer isso, permaneceu olhando para outros locais que não fossem os olhos do detetive.

— Então ela achava que tínhamos algo e que só faltava estarmos em desespero para assumir? Disse depois de uns minutos tentando esboçar um riso em meio aquela tensão.
— Não. – respondeu – Eurus sabia o quanto eu me importava com você Molly, e sabendo disto ela entende também que não sei lidar com o que sinto. Ela não agiu da melhor maneira, mas o que ela queria era que eu entendesse os sentimentos que tenho por você e com isso te ajudasse a revelar os seus. Não faça isso! – reprimiu a legista enquanto ela fazia movimentos negativos com a cabeça.
— E o que é que você quer que eu faça ein, Sherlock? – explodiu a moça. Com motivos ou sem o que foi dito foi dito. Você sabe como eu sinto, a real questão aqui é como você se sente.
— Você ainda me ama, Molly? – perguntou o detetive pegando em sua mão. Molly levantou-se num acesso de raiva, não era possível que ele havia chamado ela alí somente para ouvir de novo tudo aquilo, para inflar seu ego ou para humilhá-la agora pessoalmente. Sentia que estava prestes a chorar, que bobeira era aquela? Sherlock levantou em seguida.
— É só isso que sabe fazer não é Sherlock? Quer que eu afirme o que mais a você? — disse andando de um lado para outro. Sherlock a parou, pegou em seu rosto com as duas mãos de forma precisa para que ela parasse de fugir daquilo.
— Você disse bem, não importa os motivos e eu disse primeiro. Disse que te amava e não menti Molly. Precisava organizar meus pensamentos e também agora meus sentimentos e por isso demorei a te procurar, por favor, entenda. Molly estava perdida em tremores, sentir Sherlock assim de perto era tão quente quanto a tarde que caía. Ela fechou os olhos e suspirou querendo segurar as lágrimas.
— Então você me ama? Agora era a vez dela usar da pergunta, mas a resposta não veio em palavras e sim num beijo. Sherlock era tão misterioso e incrível até no beijo, como ele poderia ser tudo isso ela não sabia explicar. Não conseguia pensar, segurou em seu casaco para caso de cair sem querer. Ele a envolvia como uma resposta muito melhor que palavras, já que ele era bem ruim com elas. Quando se soltaram ela sorriu entre os lábios.
— Podemos ser assim de agora em diante? – Sherlock propôs. Molly o olhou e sorriu.
— Assim brigando e beijando? – brincou a legista. Não mudou muito, apenas adicionamos o beijo
— Podemos adicionar outras coisas – Sherlock brincou também. Ela gargalhou enquanto o puxava para outro beijo.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!