Because You Are My Love.
2 Vida nova
Notas iniciais
24 de março de 2004
Hoje era um grande dia, eu ia viajar pra Londres. Me levantei da cama e tomei um longo banho, pensei como seria minha vida, meus amigos e a escola.
Deixa eu me apresentar. Me chamo Marina Alves, tenho 12 anos e como meu pai aceitou uma proposta de emprego em Londres, to indo pra lá.
Terminei de arrumar minhas malas, eram três malas, coloquei uma roupa chique e desci até a cozinha pra tomar café.
- Bom dia! – minha mãe apareceu na cozinha com um sorriso enorme.
- Bom dia mãe! – dei um forte abraço nela.
Comi um pão e tomei um copo de leite e sai correndo pra pegar minhas malas. Olhei pro quarto, cada detalhe dele. Meu mural de fotos, meus posters e minhas coisinhas. Comecei a pensar que aquilo não ia valer a pena, de deixar a minha vida pra viver a vida que meu pai quer.
- Vamos? – meu pai disse com algumas malas na mão.
- Acho que eu não vou mais. – falei e sentei na cama.
- Mas nós temos que ir.
- NÓS não! Você tem que ir. Eu não preciso da vida que você quer me dar, não tá bom demais essa vida? Não tá bom demais viver aqui? – gritei e ele ficou olhando com cara de assustado.
- Você vai sim! Lá a vida vai ser melhor!
- É o que você diz, mas se isso não for verdade? Eu e a Roberta estamos cansadas das suas mentiras!
- Você me respeita, eu sou seu pai!
- Respeitar? Essa palavra você mesmo não entende, você nem respeita as minhas decisões, acha que só porque tenho pouca idade sou uma trouxa. – foi eu falar e ele me deu um tapa na cara.
Minha irmã Roberta ouvindo tudo, começou a discutir com meu pai.
- E esse bater nela de novo, você vai direto pra cadeia.
- Ah, vou. Vamos ver então!
Ele me pegou pelo braço, me arrastou até a varanda do apartamento e disse que ia me jogar de lá. Comecei a chorar e minha mãe não parava de gritar.
- Para pelo amor de Deus Marcelo! Solta essa menina!
- Soltar essa menina? Graças a essa menina eu tenho que sair da vida boa e me mudar pra uma casa suja e feia em uma cidade que eu nem conheço! Essa menina é um lixo na minha vida!
Aquelas palavras eram como flechas que só acertavam meu coração. Mas, num segundo, minha mãe correu, o empurrou da sacada e os dois caíram. Só vi os corpos caídos no chão.
Depois disso só foram aparecendo cenas, uma ambulância vindo, minha irmã chorando e eu sem reação. Parecia que eu também havia morrido ali, junto com eles. Fomos direto pro hospital e já tínhamos a noticia, os dois morreram.
31 de março de 2004
Fazia uma semana que minha mãe morreu. Parecia mentira, mas não era. Agora eu tinha que encarar uma realidade diferente, era apenas eu e minha irmã.
O enterro da minha mãe foi ontem, o dia mais triste da minha vida.
Cheguei em casa, fui direto no quarto dela, cheirei o seu travesseiro e ainda estava com o mesmo perfume. Sorri lembrando das noites de chuva que eu dormia com ela, quanto aquele monstro que o povo chama de meu pai, saia pra ficar bebendo e traindo minha mãe com outras. Abri o armário dela e não tinha nenhuma roupa, apenas um livro meio escondido. Olhei a capa e estava escrito “Querido Diário”. Abri ele e uma pagina estava marcada, então comecei a ler.
“Querido diário,
Ontem foi um dia gostoso. Achei o Marcelo no meio da rua e combinamos de relembrar os velhos tempos. Chamei-o pra tomar uma cervejinha que acabou virando varias cervejinhas.
De uma hora pra outra, estávamos falando da Roberta, que ela tava grande e linda. Ele falou que queria conhecer ela melhor e eu achei uma grande ideia.
Saímos do bar e fomos direto pra casa dele...”
O resto estava riscado e uma parte cortada. Parecia que ela queria esquecer aquela parte ou alguma coisa parecida.
No meio do diário tinha muita foto, paginas cortadas, umas rabiscadas e até mesmo sangue. Fiquei lá lendo e depois de quase 1 hora minha irmã pareceu dizendo que tínhamos que pegar o avião.
Pois é, a gente tinha que se mudar pra Londres mesmo, porque nosso apartamento foi vendido e não havia outro jeito.
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