Notas iniciais
Oi gente! Desculpem a demora, espero q gostem ;)

POV fera

Tudo bem, eu precisava admitir. Minha vida não fazia sentido sem ela. Como passei todos aqueles anos vivendo sozinho naquele castelo?

Depois que ela saiu, Harry, Paul e Charlotte foram para dentro do castelo cabisbaixos, e eu continuei ali parado, me perguntando o por quê de tudo aquilo estar acontecendo. Minutos depois, Charlotte veio me dizer que eu precisava entrar, ou acabaria morrendo de frio, já que tinha começado a nevar.

Obedeci e entrei no castelo. Imaginei que eles tentariam arrancar de mim mais alguma informação sobre a ida de Bela e o por quê de eu ter permitido, mas não. Eles perceberam que eu não estava com vontade de falar. Nem de fazer mais nada, naquele momento, ou nos próximos dias.

Subi as escadas e me tranquei no quarto. E não saí mais de lá. Eu ficava o dia todo sentindo sua falta e observando a neve cair e me lembrando de quando ela havia me dito que adorava a neve. Todo dia, ás sete da manhã, o sinos da igreja da aldeia tocavam para anunciar a missa e eu podia ouvi-lo, imaginando que ela também estava ouvindo-o. A única parte da aldeia que eu conseguia ver, era o campanário daquela igreja, e eu ouvia aqueles sinos desde pequeno, mas nunca pensei que um dia eles pudessem ter algum significado para mim.

E cada livro que eu via na biblioteca, cada rosa que eu via no jardim, cada coisa na minha vida me lembrava ela.

E isso me desesperava, porque eu sabia que o mais provável era ela não voltar e eu ficar sofrendo de saudade pelo resto da vida. Que não seria muito longa, por causa da rosa e do feitiço, que agora eu tinha certeza que nunca seria quebrado.

Os criados tentavam me animar, mas, em vão, é claro. Um dia, os três adentraram o quarto e disseram decididos, em uníssono:

– Nicholas você precisa voltar a viver.

Não pude deixar de rir. Mais pelo fato de eles terem dito isso juntos e entrado no meu quarto sem mais nem menos que pela frase que eles disseram. Eu tive que reconhecer que era verdade. Mas...

– Olha gente, eu agradeço a preocupação de vocês, mas eu sinceramente nem sei o que fazer da minha vida agora. — respondi, sendo o mais honesto possível.

– Nicholas, se sabia que ficaria assim, por que a deixou partir? — perguntou Harry. Uma pergunta muito boa, tenho que confessar. Tão boa, que eu não sabia como responder. Afinal, por que eu fiz aquilo?

– Ás vezes Harry... — Charlotte começou, se aproximando e pondo a mão em meu ombro. — O amor é mais do que apenas palavras.

E eu tive que concordar. O meu amor por ela era maior que apenas palavras.

Depois disso, ficamos todos em um longo silêncio.

– Realmente, eu a amo, mas agora não há nada que eu possa fazer para que ela saiba. E é isso, acabou. — suspirei, desolado. Harry me encarou pensativo e por fim disse:

– Acho que você devia ir atrás dela.

– Que? Enlouqueceu?

– Não, de certa forma ele está certo. E você mesmo disse que ela o convidou para passar o Natal lá. — disse Paul.

– É. Não desista querido, corra atrás. — concordou Charlotte. Aquilo não podia estar acontecendo.

– Pessoal, vocês estão esquecendo de uma coisinha: EU SOU UM MONSTRO!- falei irritado. Não era óbvio?

– Use a capa e vá à noite. — retrucou Charlotte, como sempre, demonstrando sua inteligência. Como eu não havia pensado nisso? Mas mesmo assim...

– Não dá. — resmunguei.

Eles iam falar mais alguma coisa, mas desistiram e se retiraram. Charlotte me pediu para descer para o jantar em dez minutos e quando chegou a hora, saí do quarto.

Quando passei pela porta do quarto de Bela, quis abri-la. Seria uma ilusão idiota imaginar que quando eu girasse aquele corrimão, lá estaria ela, me aguardando. Mas mesmo assim, eu abri. Talvez só olhar para aquele quarto me fizesse sentir que ela ainda estava ali.

Tudo estava exatamente como ela havia deixado. Tudo arrumado, exceto por um pote de tinta e uma pena que estavam fora do lugar. E uma folha em cima da cama. Aproximei-me para ver o que era. Uma carta.

Num impulso, peguei-a nas mãos. Eu esperava que ela me perdoasse por lê-la.

Nicholas,

Se está lendo isto é porque eu estava certa e sabia que, mais cedo ou mais tarde, você encontraria esta carta. Só espero que seja mais cedo...Enfim, eu só quero que você saiba que, apesar de tudo, eu me importo com você. Eu gosto de você. E minha vida sem você não será a mesma. E por favor, não sofra tanto enquanto eu estiver fora. E eu prometo que tentarei voltar. Eu juro que tentarei. Mas não sei se conseguirei. Tenho meu pai e ele precisa de mim. Mas eu só peço para que, se eu não puder voltar, que você venha atrás de mim. Porque eu nunca vou conseguir me esquecer de você, e não quero nem pensar na possibilidade de não te ver nunca mais. E não se preocupe. Meu pai sempre me disse que quando há amor, o resto não importa. Sempre vai haver uma saída.

Com todo o meu coração,

Bela.Assim que terminei de ler a carta, coloquei o papel sobre a mesinha de cabeceira e comecei a pensar, desconcertado. Eu podia imagina-la escrevendo delicadamente para mim. Eu podia ouvi-la me minha mente. E ela estava me pedindo a mesma coisa que os criados haviam pedido minutos antes.

Saí do quarto e tranquei a porta. Apanhei a capa, desci as escadas e caminhei em direção à porta decidido. Quando estava prestes a sair, Charlotte perguntou preocupada:

– O que está fazendo?

Sorri e respondi, antes de bater a porta:

– Indo atrás dela.

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POV bela

Eu estava caminhando pela floresta escura, em direção ao castelo. O vento frio bagunçava meus cabelos e eu já estava tremendo de frio, mas nem me importei, já estava quase chegando.

Quando finalmente parei na porta do jardim, vi Nicholas. Ele estava lá, parecia estar saindo exatamente nesse momento. Ao vê-lo, corri para abraça-lo, mas um homem de preto entrou em minha frente. E antes que eu pudesse fazer qualquer coisa, ele simplesmente o matou.

Ele olhou para mim e disse algo, mas eu não escutei e comecei a chorar e a gritar seu nome.

Então ouvi uma voz me chamando, ficando cada vez mais próxima. E abri os olhos.

Havia sido apenas um sonho. Acordei sobressaltada. Me sentei na cama e olhei para meu pai que me observava. Sem pensar em mais nada e ainda chorando, eu o abracei.

Quando finalmente me acalmei, ele me perguntou, com a voz suave:

– Quem é Nicholas?

Ah, então eu tinha gritado na vida real também. Eu teria me perguntado como explicaria aquilo tudo a ele, mas eu ainda estava assustada e um pouco sonolenta, por isso, acabei explicando tudo de uma vez, sem esconder absolutamente nada. Papai escutou tudo em silêncio. Ao fim da explicação, disse:

– Vá atrás dele.

Eu o encarei perplexa.

– Mas papai e o senhor? Não posso deixa-lo.

´Seus olhos se encheram de lágrimas.

– Eu é que não posso impedi-la de ser feliz. Você o ama Bela. Isso é mais do que óbvio. E você precisa encontra-lo. Escute querida, o verdadeiro amor só encontramos uma vez na vida. E você encontrou o seu. Além disso, eu sei que você sempre sonhou em viver um conto de fadas. E essa é a sua chance. Não se preocupe comigo, eu ficarei bem. E quando tudo se resolver, vocês podem até se casar, que eu darei a minha benção.

– Casar? Mas pai, eu te disse como ele é. Ele é...

– Se te faz feliz e te respeita, nada mais importa. Nem a aparência. — ele respondeu sorrindo. Eu amava o meu pai. Quando fui abraça-lo, algo caiu em minha mão. Uma pétala da rosa. Hm, algo acontecia quando uma pétala caía. Isso significava que... Nicholas não tinha muito tempo! Meu pesadelo poderia se tornar real. Olhei para a rosa. Restavam apenas duas pétalas.

– Meu Deus! — exclamei, e me levantei num pulo.

– O que vai fazer? — perguntou meu pai.

– Eu vou atrás dele.

– Mas agora? Bom, tudo bem, mas cuidado minha filha.

Assenti e comecei a me arrumar. Logo, eu já estava em cima do cavalo, pronta para´partir.

Me despedi de meu pai e parti rumo à floresta. Eu precisava encontra-lo. Antes que fosse tarde demais.

Notas finais
E aí gente? Bom, nossa história está chegando na reta final, mas até lá, mts águas ainda correrão por baixo dessa ponte, como diz minha vó haha. Enfim, bjs e até o próximo cap.