Beautifully Grotesque
27 Sentimento
Sentimento
Ao se aproximar novamente d’A Toca, ela escutou o som de pessoas conversando e rindo. Não acreditou na sua própria sorte. Cerca de uma hora atrás, ela jurava que todos estavam indo dormir, mas a família Weasley parecia estar muito à vontade naquela noite, e conversas alegres faziam parte daquele momento.
Ela engoliu em seco e olhou para Fenrir, que parecia indiferente ao som das risadas. Ela esperou algum tempo para colocar a mão na maçaneta, e com relutância, abriu a porta. A conversa ficou ainda mais alta e ela não demorou muito para perceber que ela vinha da sala, onde Rony e Hermione estavam cochilando pouco tempo atrás.
Ela esperou Fenrir entrar e fechou a porta. Achou aquilo no mínimo estranho. Ele contrastava com tudo à sua volta. Era grande demais para o lugar, suas roupas escuras pareciam um borrão negro no meio da decoração clara e colorida. Ela quase sorriu ao ver a cena, mas manteve a atenção para o que ia enfrentar naquele momento.
Gesticulou para que ele a seguisse e andou até a sala, entrando vagarosamente ali. Todos conversavam e bebiam chocolate quente, mas foram parando de falar um a um, alguns ficando pálidos, outros expressando medo. Greyback sempre causava essa reação nas pessoas, e se Ginny estava acostumada com a presença dele, os Weasley não estavam, tampouco Hermione.
Fenrir não disse nada, apenas continuou observando a família de ruivos, tentando entender o motivo de uma família ser tão grande, a namoradinha de Ronald Weasley estava com ele, a amiga de Potter. Ginny se aproximou da família, pegando levemente no braço enfaixado de Fenrir.
– Eu... eu vou voltar com ele.
Não era um pedido, era um comunicado. Arthur olhou para a filha quase com tristeza. Fenrir percebeu aquilo em outros olhos também, mas nada disse. A única que parecia visivelmente satisfeita era a matriarca da família de ruivos.
Molly se levantou da poltrona onde estava, andando até a filha e ignorando completamente o corpo enorme e alto que estava ao lado dela. Ela pousou delicadamente as mãos nos ombros da filha e a olhou com atenção.
– É isso o que você quer? É isso que vai te fazer feliz?
Ginny assentiu sem pensar duas vezes.
– O meu lugar é ao lado dele.
Fenrir não movia um músculo. A garota pegou a mão da mãe com as duas mãos e beijou-a com afago.
– Além do mais, agora que a guerra acabou, sempre estaremos juntos. Vou visitar vocês toda semana.
– Tenha dó, Ginny! Toda semana não, né?
George disse, arrancando risadas tímidas por parte da família. Ginny olhou para o irmão quase com raiva, mas depois sorriu, revirando os olhos. Não perceberam que Arthur havia se levantando igual a Molly e agora andava em direção aos três. Ele olhou para o lobisomem imenso que estava parado ali.
– Obrigado por salvar a vida da minha filha.
Ele disse de forma sincera. Seria eternamente grato, isso ele não podia negar. Greyback podia ser um lobisomem ruim no passado, mas algo lhe dizia que sua filha havia mudado aquele homem a ponto de ele começar a pensar diferente e pesar suas ações passadas. E ele protegeria Ginny por toda a vida. Para Arthur, aquilo era o suficiente. Sempre fora um homem prático. Não era agora que isso ia mudar.
Fenrir apenas assentiu para o patriarca da família, não proferindo uma palavra. Ele era bem sério, um contraste com a família dela, que era sempre divertida. Ginny se sentiu inquieta com isso e pensou que teria que apressar a sua saída dali.
– Volto em instantes.
Ele assentiu novamente e ela saiu da sala, subindo rapidamente as escadas para pegar alguns pertences. Fenrir ficou parado ali, observando calmamente todos que estavam sentados, quando seus olhos cinzentos pousaram em Hermione. Ela se remexeu, inquieta ao ver que o lobisomem a fitava com atenção.
– Como você sabia chegar até meu castelo?
Fenrir perguntou, e ela ficou surpresa pela pergunta direta. Hermione sabia que Ginny não tocaria naquele assunto, mas também não se preocupou em saber como ele descobrira que ela fizera parte de tudo. Aquilo era passado. E aquilo estava deixando Fenrir inquieto por muito tempo. Afinal, ela podia ser inteligente, mas era apenas uma garota.
Hermione deu de ombros.
– Snape me ensinou.
Fenrir soltou um palavrão em um silvo. Olhou-a novamente.
– Aquilo não é apenas uma lareira que funciona com Pó de Flu. Você precisa lançar um feitiço nela. Um feitiço que quase ninguém consegue lançar. Por isso ela é segura.
Hermione voltou a dar de ombros.
– Eu aprendi a lançar o feitiço.
Dessa vez Fenrir a olhou quase com hostilidade. Como aquela garota comum simplesmente aprende um feitiço como aquele?
– É irritante, não é?
O ruivo namorado dela perguntou a Fenrir, que concordou levemente com a cabeça.
– Boa sorte com isso.
Fenrir desejou com sinceridade, no mesmo momento que Ginny descia as escadas com uma pequena bolsa nas mãos. Ela olhou para a família rapidamente, não querendo se despedir de uma forma saudosa e até mesmo exagerada. Ela abraçou apenas os pais, e apenas acenou para os outros, que assentiram e entenderam que era tolice dizer adeus de uma forma diferente.
Ela estaria ali sempre que pudesse, afinal.
[...]
Saíram da lareira que segundos atrás Fenrir mencionara com a amiga da ruiva. Ela sentiu novamente o cheiro peculiar daquele castelo, as paredes de pedra deixavam o local ainda mais frio. A escuridão do lugar engolfou os dois, mas logo ela escutou dois estalos característicos.
Dois elfos domésticos apareceram, ficando visivelmente mais felizes ao ver a garota novamente. Ginny sorriu no momento em que um se aproximou, pegando com cuidado a bolsa que ela carregava e sumindo pela porta junto com o outro elfo. Ela sabia que as criaturas iam descarregar a bolsa e colocar tudo em seu devido lugar, no quarto dela.
Ao ver que estavam a sós, Fenrir virou-se novamente para ela, olhando-a com extrema atenção. Por mais que o cômodo estivesse escuro, ela conseguia ver perfeitamente o brilho nos olhos cinzentos dele.
– O que foi?
Ela perguntou, visivelmente curiosa. Fenrir não respondeu de imediato, apenas continuou a fitá-la. Depois de alguns minutos, ele se remexeu inquieto, desviou os olhos por um momento, para logo depois voltar a fitá-la.
– Eu... eu senti a sua falta.
Confessou. Sentiu-se extremamente idiota com aquela confissão, mas também se sentiu bem, como se estivesse pela primeira vez fazendo algo certo sem pensar muito nas consequências. Ele não sentia isso desde a sua infância, antes de ser mordido. Aquilo o deixou leve.
Ginny apenas sorriu, ficando extremamente feliz com as palavras dele. Sabia que não poderia exigir muito daquele lobisomem, e que provavelmente aquilo seria o máximo que ele ia chegar perto de uma declaração.
Ela o abraçou com delicadeza, temendo voltar a machucá-lo, mas ele parecia bem melhor do que no momento em que o reencontrou no campo, como se o corpo dele fosse projetado para se curar de uma forma mais rápida que o normal.
Ela era bem mais baixa que ele, e isso o incomodou. Fenrir não pensou duas vezes antes de pegá-la no colo, ignorando completamente a fisgada no braço enfaixado que sentiu. Ela passou as pernas em volta da cintura dele, sentindo-se tranquila o suficiente para beijá-lo levemente nos lábios.
Ele saiu daquele lugar escuro, andando pelo corredor. Ginny sabia para onde ele estava a levando, e não se surpreendeu quando a porta do quarto dele foi aberta e ele fechou-a com o braço, segurando-a com facilidade com o outro. Ele andou até a cama e jogou-a ali, olhando a garota quase com fome.
Subiu no colchão junto dela e se aproximou do rosto dela. Ginny fechou os olhos em expectativa, e quando sentiu os lábios ásperos dele sobre os seus, não pensou duas vezes em abrir a boca para que a língua dele a encontrasse.
Não havia percebido o quanto sentira falta do gosto dele, o quanto sentira falta do corpo extremamente pesado dele a prensando no colchão. O cheiro dele estava por toda parte, ele estava por toda parte, a cercando de todos os lados.
Aquilo a deixou excitada. Ginny enfiou as mãos por debaixo dele e correu as unhas pelo tecido da blusa dele, fazendo o lobisomem rosnar de satisfação. Ele quebrou o beijo, afastando-se dela para retirar a jaqueta que usava. Não se importava mais com o braço enfaixado, a dor que estava ali era praticamente insignificante comparada ao desejo que ele sentia por aquela ruiva deitada em seu colchão.
Ele voltou a deitar-se sobre ela, provando-a com os lábios, sentindo a textura fina da pele dela com a boca. A língua passou levemente pelo pescoço dela, fazendo com que a garota se contorcesse debaixo de si. Ginny gemeu ao sentir as mãos enormes dele descendo da cintura dela para o cós da calça.
– Odeio essas roupas que você usa.
Ele disse, rasgando rapidamente a calça jeans que ela usava. Ela se surpreendeu com isso. Sabia a força que ele possuía, mas não conseguia acreditar que ele havia estragado um tecido daquele com tanta facilidade. Ele jogou o que restou da calça para o lado, afastando-se da cama para se livrar de suas próprias roupas. Ela se aproveitou disso para retirar a blusa que a cobria, assim como sua lingerie.
Fenrir voltou nu para a cama e Ginny abriu as pernas para recebê-lo como sempre fazia, mas ele não a penetrou, sua mão enorme enfiou-se por debaixo das costas dela e ele a virou com facilidade, puxando-a em direção ao corpo dele.
Ginny sentiu-se estranha com aquilo, mas quando sentiu o membro dele invadi-la com facilidade, não se importou de estar naquela posição. Pelo contrário, aquilo a excitou de uma forma que ela nunca imaginou que a excitaria, pois no mesmo momento em que ele a penetrava de forma selvagem, uma mão enorme dele puxava os fios ruivos, enquanto o outro braço mantinha-a na posição que ele queria.
Quando Fenrir Greyback dissera que um dia a tomaria de todas as maneiras, ele não estava brincando.
A garota gemia a cada estocada, como se estivesse completamente entregue àquele momento, completamente submissa. E estava. Fenrir não a tomava daquela maneira por qualquer motivo, naquele momento, fazia dela um objeto de prazer, um caminho para sentir prazer. E à medida que ele buscava esse prazer primário, ela se sentia cada vez mais completa.
Ela chegou ao clímax primeiro que ele, surpreendendo-se, pois ele estava longe de terminar com aquilo. Ginny empinou-se em direção a ele e ele sentiu as pernas dela ficarem levemente trêmulas, o cheiro da essência dela estava por toda parte, assim como o cheiro da pele, do cabelo e do sangue dela. E aquilo o deixava ainda mais louco. E selvagem.
Ele a virou novamente, deitando-se sobre o corpo frágil e penetrando-a quase com violência. Ginny envolveu-o com as pernas, puxando-o em direção ao corpo dela no mesmo momento em que ele deixava parte do peso dele escapar, fazendo com que ela se sentisse ainda mais possuída por ele.
Os lábios dele encontraram novamente a pele do pescoço dela, no mesmo momento em que ela sentia a mão forte dele fechar-se em volta do seio pequeno. Ele apertou a carne ali sem conseguir conter a força que tinha. Ela sentiu dor, mas não se importou com isso.
Pois sabia que ele sempre seria assim. Sempre a trataria com vulgaridade naqueles momentos, sempre a tomaria de forma selvagem, possessiva. Da forma dele.
Ele subiu os lábios e encontrou a boca dela, beijando-a com um desejo absurdo no mesmo momento que a penetrava. Mas logo depois se afastou, olhando-a com extrema intensidade. As orbes acinzentadas brilhavam. Ela achou que aquele seria o momento para dizer o que sentia.
– Eu amo você. Sabe?
Ele parou os movimentos do quadril quase que instantaneamente. Ela conseguia escutar o coração dele bater naquele momento, ele parecia com um pouco de dificuldade de respirar, e ela sabia que não era por causa do esforço físico que ele estava fazendo. O lobisomem parecia perdido. Completamente perdido. Pela primeira vez.
Ela pousou a mão delicada no rosto dele.
– Amo. E muito.
Ele não respondeu, apenas correu a mão enorme da cintura até o braço dela, indo para o ombro e alcançando o pescoço dela rapidamente. Ele apertou levemente a carne ali, não para machucá-la, mas para deixar uma mensagem. O rosto dele aproximou-se do dela, a boca quase colada ao ouvido dela.
– Você ama o perigo, garota.
Ginny sorriu ao escutar aquilo. Ele voltou a movimentar os quadris, primeiro de forma vagarosa, mas depois achou que aquilo era insuficiente e aumentou a velocidade das estocadas.
– Eu amo os dois. – ela confessou.
Para Fenrir, aquilo foi o fim. Ele mordiscou levemente o pescoço dela, apertando novamente a carne ali. Antes que pudesse se refrear, abriu a boca para dizer o nome dela, o nome da pessoa que mudara a vida dele. Ginny fechou os olhos quando escutou seu nome saindo em um rosnado. Sabia que não ia conseguir mais nada dele. As palavras não eram o forte dele, e ele não precisava dizer nada. O modo como ele mexeu o quadril pela última vez, derramando-se dentro dela, o modo como ele a abraçou naquele momento, o modo como o coração dele batia freneticamente dentro do peito, dizia para Ginny que mesmo que ele nunca abrisse a boca para dizer as palavras em voz alta, ele a amava, sim.
E o modo como ele a olhou quando se afastou apenas lhe confirmou isso.
[...]
Estavam deitados por quase duas horas. Ela sentindo o coração dele bater dentro do peito, enquanto a mão enorme dele acariciava levemente o ombro dela. Ele apenas escutava a respiração calma dela, sentindo o cheiro adocicado e delicioso que ela possuía, o aroma que o tentou desde o primeiro, e que foi o responsável por ele escolhê-la dentre diversas pessoas.
Algum tempo havia se passado desde aquele dia, e tudo na vida dos dois tinha mudado radicalmente. Agora pertenciam um ao outro. Fenrir sempre teria esse instinto de proteção em relação a ela, e fez questão de dizer isso em voz alta.
– Você sabe que sempre vou te proteger, não é?
Ginny sorriu às palavras dele. Ela assentiu brevemente com a cabeça, acariciando com leveza o peito forte dele.
– Terá que se acostumar com isso. Lobisomens são extremamente instintivos e possessivos.
– Eu me acostumo com isso facilmente. – ela respondeu.
Ficaram calados por alguns minutos, até Fenrir se remexer na cama, inquieto.
– Obrigado por tudo o que fez por mim, garota.
E ali estava. A maior declaração que ela teria em relação a ele, e por qual nunca esperava vir tão rapidamente em um momento como aquele. Soou de forma sincera e calma, como se ele tivesse pensado muito antes de dizer aquilo. Mas ela não se importou, ele havia dito. Para ela, aquilo era o suficiente.
– Às vezes procuro os motivos de o destino escolher você como minha companheira... – ele voltou a falar, relutante. – Eu pensava que ela seria alguém ruim como eu sou. Mas não é. Você é pura em todos os sentidos... – ele pensou em voz alta. – Parece que não mereço você. Eu te espanquei... duas vezes.
Ginny se levantou de onde estava, olhando-o com atenção.
– Isso é passado, Fenrir.
– Não conseguimos mudar o passado.
Ela respirou fundo. Conseguia ver pelo ponto de vista dele. Ele fora ruim a vida toda. Era um monstro. Sempre seria. Estava na sua essência. Como ele mesmo disse, ele não era puro como ela. Eles eram completamente opostos, mas, por ironia do destino ou até mesmo por sorte, estavam juntos.
– Esqueça o passado... somos só nós dois agora. – ela beijou-o levemente. – Eu o encontrei, Fenrir. E não foi por acaso. Encontrei-o para que ficássemos juntos.
Ele não disse mais nada, apenas assentiu. Ela sorriu para ele e voltou a deitar-se no peito dele. Aquele peito largo e forte que tantas vezes ela sentira em abraços. Sentiu os braços dele em torno de si. Aqueles braços que tantas vezes a pegaram no colo e que passavam uma sensação deliciosa de proteção. A mão dele correu levemente pelas costas dela. A mão que um dia a machucara, mas que agora a tocava quase com reverência.
Ginny se sentia completa ao lado dele. Pois descobrira nele uma parte que ninguém havia descoberto e que ousaram dizer que não existia. Descobrira nele o homem que ele era. Não um homem bom, mas um homem, e não uma besta.
Mas não se importava.
Ela também amava a besta.
“Sentimentos são fáceis de mudar...”
A Bela e a Fera
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