Notas iniciais
Últimos capítulos, meninas!

Reencontro

Eles apareceram em uma lareira bem diferente da que Ginny usara com Hermione para fugir de Greyback. Isso a deixou surpresa, e ela tentou raciocinar quantas lareiras e quantas saídas diferentes havia naquele castelo, mas o seu corpo estava tão gelado e ela sentia tanto frio, que percebeu que era incapaz de pensar com coerência naquele momento.

Greyback usara uma lareira que dava quase para o portão do castelo. Isso os obrigou a andar mais um pouco, e em questão de poucos minutos, a chuva havia piorado e estava ainda mais forte. Ginny sentia cada músculo seu protestar à água gelada, e quando entrou no castelo, observando a porta se fechar atrás de si e o vento ser cortado com aquilo, sentiu-se um pouco mais aliviada. Um pouco.

Greyback chamou rapidamente os elfos, que apareceram em questões de segundos, ficando visivelmente felizes ao ver a ruiva novamente ali debaixo daquele teto. Sem conseguir se conter, ela andou até os elfos, beijando o topo da cabeça das criaturas em um gesto claro de saudade e carinho.

– Vejo vocês depois, tudo bem?

Eles praticamente quicaram de felicidade. Ela pensou que aqueles elfos nunca haviam sido beijados, agradecidos ou até mesmo valorizados. Dois deles ficaram ali, mas Greyback logo tratou de despachá-los.

– Preparem um jantar para ela. E um banho quente. Rápido.

Eles assentiram e gesticularam com alegria, antes de desaparecerem em um estalo, deixando Ginny e Greyback a sós novamente. Ela não sabia o que dizer naquele momento, mas antes que pudesse abrir a boca, sentiu a mão enorme do lobisomem a pegar pelo pulso, puxando-a com uma calma surpreendente.

Ela subiu as escadas para o segundo andar, diminuindo o passo e achando que ele estava a levando para o quarto dela, mas ele a puxou para o segundo lance de escadas, e antes que ela pudesse perceber, já estavam dentro do quarto dele, onde ele fechou a porta atrás de si e soltou o pulso dela quase com relutância.

Ficaram em silêncio por um longo momento, Ginny se sentindo extremamente estranha por estar naquele lugar depois de tantos dias, ele apenas admirando em segredo a presença dela ali. Ela evitava olhá-lo nos olhos, sabendo que o lobisomem não parava de olhá-la. Temia o que ele poderia fazer, temia como ele reagiria agora que estavam a sós dentro de um quarto e ele poderia espancá-la para aliviar sua fúria contida por tanto tempo. Mas ele não fez nada, apenas continuou ali, fitando-a como se ela fosse um objeto mágico raro, pensando em como aquele castelo ficava vazio e estranho sem a presença dela ali, perto dele.

Ele andou dois passos em direção a ela e Ginny sentiu-se nervosa, lembrando-se sem conseguir se conter do peso da mão dele. Ele levantou os braços, mas eles não fizeram o trabalho que ela esperava com medo. As mãos foram em direção à nuca dela e Ginny sentiu o colar da Pedra da Lua ficar mais solto no seu pescoço. Percebeu segundos depois que ele estava tirando a joia dela. Olhou-o, sem entender muito o gesto dele.

– É mais saudável.

Ele apenas disse, fechando o pingente entre os dedos grandes. Andou até o quadro, que já estava aberto, como se soubesse da chegada do seu mestre.

– Por que não posso ficar com ele? – ela perguntou.

– O colar tem o poder da lua dentro dele... – ele olhou-a novamente – Você não está acostumada com esse poder.

Ele se aproximou um pouco mais do quadro, fitando o pingente que estava em sua mão.

– Mas o colar é seu. – olhou para o jardim lá fora através da janela, parecendo distraído com seus próprios pensamentos. – Sempre foi.

Ginny não sabia o que dizer, então ficou calada, apenas observando o lobisomem colocar o colar no lugar onde ele estava anteriormente. O quadro se fechou rapidamente, mas o homem que pertencia à pintura não estava lá. Ela vincou a testa, e já ia perguntar como Greyback conseguira aquilo, mas foi interrompida quando o elfo apareceu no quarto.

Fenrir o olhou. Ginny sabia que o lobisomem não gostava quando os elfos apareciam ali.

– O banho dela está preparado.

Ele avisou, saindo rapidamente do quarto, indicando que ele sabia das preferências do seu mestre. Fenrir gesticulou para que Ginny seguisse o elfo, o que ela fez quase com alívio, pois algo lhe dizia que o lobisomem ainda não estava extremamente contente com a fuga dela e a qualquer momento poderia acertar essa diferença.

Ela desceu novamente para o segundo andar, entrando no seu quarto. O cômodo estava do mesmo jeito que ela se lembrava. Havia um prato com uma comida de cheiro delicioso pousado na mesa em que o seu jantar costumava ser servido. Ela pensou seriamente em comer antes de tomar o seu banho, mas sentia muito frio e precisava sentir-se aquecida novamente.

Ela andou até o banheiro, retirando as roupas e entrando na banheira vagarosamente. Quando a água quente bateu em seu corpo, deixando-o quente no mesmo segundo, relaxou, sentindo o cheiro delicioso dos sais de banho. Demorou alguns minutos para perceber a presença de Greyback ali.

Ele estava em pé, perto da banheira, e de onde ela estava, ele ficava ainda maior. As mãos estavam enfiadas dentro do bolso da calça surrada, os olhos cinzentos a observavam com extrema atenção. Ela tentou não olhá-lo diretamente, concentrou-se em lavar os cabelos e a pele, sentindo a água quente desatar os nós de tensão dos seus músculos.

Depois de algum tempo, percebeu que ele não sairia dali. Ela se levantou da banheira, pegando a toalha que já estava pendurada ali perto. Fenrir olhou a garota com cobiça, podia pegar cada nuance de curva daquele corpo, podia ver perfeitamente a água escorrendo pela pele clara dela, deixando-a com um brilho diferente. Ela enrolou uma toalha no cabelo grande e outra no próprio corpo, ignorando-o completamente.

Saiu do banheiro, entrando no quarto e sendo seguida por ele. Uma camisola estava na cama, assim como roupas íntimas. Era negra e de seda, com rendas que contornavam o busto. A camisola era uma das peças de roupas mais lindas que Ginny já havia visto, mas ela sentiu-se extremamente desanimada em vesti-la. Com o frio que estava no castelo, rezava a Merlin por um pijama confortável de flanela, mas ela sabia que não havia nada do tipo ali perto.

Sem questionar ou reclamar, aproximou-se da cama e vestiu a lingerie também negra, deslizando a camisola pelo corpo logo depois, tendo plena consciência dos olhos do lobisomem cravados no corpo dela.

Andou até o prato de comida, sentindo de repente uma fome extrema. Comeu tudo com calma. Por minutos, evitou olhar para o homem que estava apoiado na parede em frente a ela, mas logo seus olhos azuis desviaram-se para ele, como se tivessem vida própria. Greyback estava diferente. Minimamente diferente. Mas ela conseguiu notar. Os pelos do rosto dele haviam diminuído um pouco, e o modo como ele a olhava também havia se modificado. Mas ele ainda era Fenrir Greyback, um dos lobisomens mais temidos do mundo bruxo. Os olhos acinzentados ainda possuíam o brilho incomum, o contorno das orbes estava ficando um pouco mais amarelado, indicando que a próxima lua cheia se aproximava aos poucos.

Fenrir Greyback representava perfeitamente o medo. Mas para Ginny, ele era algo mais.

Ela terminou de comer minutos depois, levantando-se a andando até o banheiro novamente para escovar os dentes. Greyback não a impediu. Ao bochechar a água na boca, um raio riscou o céu, deixando o banheiro e o quarto um pouco mais iluminado por questões de segundos. Ela estremeceu.

A chuva havia piorado, fazendo o quarto ficar ainda mais frio. Ela percebeu Greyback chamar um elfo.

– Acenda a lareira do meu quarto. Deixe-me a sós com ela.

O elfo fez uma reverência e desapareceu. Ginny tentou ignorar a última ordem do lobisomem. Ela andou até a cama, sonhando em deitar-se no colchão debaixo do cobertor grosso. Já afastava o cobertor quando sentiu seu corpo ser facilmente içado do chão.

Fenrir a pegou no colo, andando diretamente para a porta. Ela ficou inquieta. Ele estava subindo as escadas quando ela decidiu fazer a pergunta.

– Para onde está me levando?

– Para meu quarto.

A resposta óbvia saiu dos lábios dele facilmente. Ele terminou de subir as escadas, caminhando vagarosamente em direção à porta do quarto dele. Ele abriu-a com uma mão, conseguindo deixá-la aninhada ao colo dele facilmente com apenas um braço.

– Por que seu quarto?

– Porque eu quero tomar você na minha cama.

Ele fechou a porta com o pé. O quarto estava com uma iluminação perfeita para que ela caísse na cama e dormisse. Apenas a luz da lareira baixa iluminava o quarto. O barulho da chuva estava forte e de tempo em tempo um raio riscava novamente o céu. Ela se remexeu ali, inquieta.

– Estou cansada, Fenrir.

Foi a primeira vez que ela disse o nome dele, e sentiu um prazer enorme em dizê-lo, como se uma parede que separava certos paradigmas tivesse quebrado entre os dois. O lobisomem a colocou na cama dele, subindo facilmente no colchão e pousando os braços fortes ao lado do corpo frágil dela. Ele a olhou por breves segundos.

– Você pode descansar depois. – beijou com uma leveza surpreendente o colo dela, sentindo a pele sedosa com os lábios. Olhou-a logo em seguida. – Diga meu nome novamente.

– Fenrir...

Ela disse em um sussurro sem pensar duas vezes. Logo depois, lábios quentes tocaram os dela. E ela sentiu. Sentiu novamente, depois de tantos dias longe daquele homem. O corpo dele a prensou ainda mais na cama, as mãos enormes dele correram avidamente pela cintura dela, descendo até as coxas e subindo a camisola negra com aquele gesto. As mãos dele deslizaram pela pele quente das coxas dela, fazendo com que Ginny se arrepiasse por inteiro.

Ele encontrou o tecido da lingerie dela e deslizou-o também pelas coxas frágeis e trêmulas, sentindo o cheiro dela invadir o olfato dele, sentindo a boca dela o beijando com luxúria, sentindo as mãos um pouco inseguras correndo pelos ombros largos dele, retirando ali a jaqueta pesada que ele usava. Fenrir a ajudou, sabendo que ela não parecia ter condições e força para arrancar a roupa do corpo dele.

Ele a puxou para si, fazendo com que ela se sentasse, retirando a camisola dela naquele processo, deixando-a nua diante dele em questão de segundos. Ele a empurrou bruscamente em direção ao colchão, se levantando da cama e retirando sua própria roupa. Os olhos cinzentos não deixavam o corpo dela. Ele a desejava com uma intensidade sobrenatural, sabendo que uma parte era devido à ligação que eles compartilhavam, mas tendo plena consciência de que boa parte era porque aquela ruiva representava algo mais do que uma simples companheira. E ela era linda.

Já os olhos de Ginny não conseguiam desviar-se do corpo enorme daquele lobisomem. O medo, o cansaço e até mesmo os dias que ela passara afastada dali apagaram-se de sua mente em questão de segundos, e no momento em que ele se aproximou, ela abriu as pernas para recebê-lo de bom grado, sentindo novamente como a pele daquele homem era quente, como o toque dele era selvagem, como o modo como ele a explorava com as mãos e boca era possessivo.

E ele a penetrou com brusquidão, deixando bem claro que sempre seria assim, mesmo que desejasse ser mais tranquilo, mesmo que soubesse que ela merecia algo melhor do que ele. No íntimo sabia, mas não gostava muito de pensar naquele assunto. Não precisava. De alguma forma, sabia que Ginny Weasley sempre seria dele.

Ginny sentiu o quadril dele bater no seu com violência, enlaçou-o pela cintura para segurá-lo ali. Os lábios dele foram em direção ao pescoço dela, sugando a pele avidamente enquanto ele se movimentava de forma experiente e quase sedenta. Não a mordeu. Naquele momento, não poderia. Pois sabia que não iria conseguir se controlar, e caso o fizesse poderia até mesmo arrancar sangue da garota. Mas a tomou de todas as formas que podia, sentiu-a com as mãos, com o membro, com os lábios e principalmente com a língua, onde ele passou pela pele dela, tentando experimentar o gosto único que ela possuía. O gosto que o deixava louco, ávido por mais.

Sempre mais.

Ele a fitou diretamente nos olhos, algo raríssimo quando os dois estavam juntos. Ela sentiu uma corrente elétrica passar por todo o seu corpo ao ver o modo como ele a olhava, mas manteve o contato, sentindo-se ainda mais atraída por aquele homem e criatura que a consumia. Violentamente. Possessivamente.

E foi nesse momento que ambos chegaram ao próprio prazer. Ele rosnando levemente e travando o seu corpo ao dela. Ela fechando os olhos e arqueando o seu corpo em direção a ele, sentindo o modo como ele a tomava. E a tomaria sempre. Daquele mesmo jeito.

Ele era assim. Um homem, mas também um animal, e ela teria que se acostumar a ser tomada daquela maneira. Pois quando ele a possuía, ele estava tomando o seu corpo, mas também buscava sua alma, buscava nela o que ela tinha de mais precioso para oferecer.

E ela oferecia. De bom grado.