Mudança

Estava há mais de uma hora dentro da banheira. Sentia-se melhor, seus músculos pareciam relaxar ao terem contato com a água quente do banho. O cabelo também já estava quase limpo, a cor vermelha estava começando a dar os primeiros sinais de que voltaria. Ginny observou os elfos retirarem a tampa que escorria a água, deixando-a descer turva pelo ralo.

Não se importava de estar nua diante daquelas criaturas. Sabia que os elfos eram discretos e que nem ao menos a olhavam quando o nível da água abaixava a ponto de deixá-la completamente exposta. Quando a água suja foi embora, eles tornaram a encher a banheira e a jogar sais com aromas diversos ali. Depois de alguns minutos, a banheira já estava cheia novamente, e bolhas de todas as cores flutuavam pelo nível da água.

Já era a segunda vez que eles trocavam a água da banheira. A primeira, o líquido cristalino tinha saído em um tom amarronzado. Estava imunda, e lavara a imundice do corpo de Ginny com facilidade. Ela não queria admitir a si mesma, mas estava apreciando o banho. Sentir-se limpa novamente tinha lhe dado até mesmo forças, julgando que ela nem imaginara que um dia se sentiria assim na situação em que estava. Há meses não tomava banho, apenas usava a água dos rios quando o tempo e a segurança a permitiam isso.

Um elfo se aproximou, pegando uma bucha de aspecto fofo e colocando-a sobre as costas dela. Com movimentos circulares, ele esfregou delicadamente a pele pálida da garota. Depois de alguns minutos, o elfo suspirou.

- O mestre pode ser até mesmo razoável se você não o contestar.

Ginny odiava o modo como o elfo falava de Greyback, como se ele fosse um bruxo importantíssimo, e como se ela tivesse a obrigação de colocá-lo em um patamar elevado assim como as criaturas o colocavam. Não respondeu o elfo.

- Não teime com ele, garota. Ah! Está pronta!

O elfo anunciou, e Ginny percebeu que o banho havia acabado. Com um estalar de dedos, o elfo conjurou um roupão felpudo, que flutuou em direção à banheira. Ela emergiu da água, pegando o roupão escuro e colocando-o no corpo. Saiu da banheira e percebeu o outro elfo já carregando duas toalhas dobradas enquanto ela ia até o quarto.

- Vocês podem me dar privacidade?

Ela pediu gentilmente enquanto o elfo menor colocava as toalhas em cima de um móvel por perto. Ela sabia que eles não tinham culpa de enaltecer Greyback. Foram criados para isso, e fazia parte da natureza deles seguir essa conduta. Os dois fizeram uma reverência exagerada, e desapareceram com um estalo.

Ginny respirou fundo e andou até o móvel que o elfo havia colocado as toalhas, pegando uma e enrolando o cabelo ruivo para fazê-lo parar de pingar. Seus olhos correram pelo quarto. Havia um vestido colocado cuidadosamente na cama. Era escuro, e seguia o corte de um vestido medieval. Ela tentou discernir se o tecido era de um tom roxo ou azul, mas as chamas escassas da lareira não a permitiram obter sucesso. Ao lado do vestido, havia uma camisola de um tecido fino e dessa vez claro, mas a peça de roupa era comprida igual ao vestido.

Ela andou até o armário, vasculhando algumas gavetas e procurando as roupas íntimas. Conseguiu achar algumas de algodão branco. Abriu o roupão e o jogou em uma poltrona que ficava ali perto. Não pôde deixar de se olhar no grande espelho, mais como uma curiosidade do que como um costume.

Assustou-se com o que viu.

A Ginny Weasley que ela costumava ser já não existia, disso ela não tinha dúvidas. Mas agora sua convicção havia passado para o físico. Ela não tinha mais as curvas que possuía em sua época em Hogwarts. Conseguiu observar os ossos de sua clavícula pontudos demais para ser saudável. Sua pele, antes pálida e perfeita, possuía cortes e manchas de machucados antigos. O cabelo estava opaco e quebradiço. Seu rosto estava um pouco encovado e abaixo dos olhos, duas sombras arroxeadas indicavam que ela estava com olheiras, símbolo do cansaço.

Ela já desconfiava de que seu estado não estaria bom, mas se ver assim, no espelho, depois de tanto tempo, deixou-a com uma sensação ruim. Ela parecia fitar outra pessoa, e o que mais a incomodava, não eram as marcas dos machucados, fome e guerra, e sim os olhos. Tristes. O brilho havia sumido.

Engoliu em seco e buscou a camisola em cima da cama, colocando-a rapidamente em uma tentativa tola de tampar o seu corpo. Mas a imagem que vira no espelho não sairia de sua mente naquela noite. O tecido fino da camisola desceu com facilidade pela pele dela, caindo suavemente até os pés.

Ginny andou até a mesinha prateada, percebendo o prato de comida que havia ali.

Determinada a se alimentar para ganhar forças a fim de sair daquele lugar, ela levou a primeira garfada à boca. O gosto da comida deliciosa invadiu seu paladar e a fez salivar. Ela tentou comer rapidamente para saciar a fome que ela não conseguia mais ignorar, mas não colocava nada dentro do estômago há tanto tempo, que logo ele começou a protestar. O enjoo foi inevitável, e ela afastou o prato, indo até a cama e deitando-se ali.

O cansaço a invadiu novamente.

Depois de cerca de uma hora, os elfos reapareceram no quarto. Ginny fitou as criaturas.

- O mestre estará aqui pela parte da manhã. – um elfo olhou para o prato. – Não comeu muito. O mestre foi claro de que a quer saudável.

- Desculpe. – ela decidiu ser educada, afinal, eles eram bons para ela. – Não como direito há meses. Não consigo comer.

Os elfos gesticularam afirmativamente com a cabeça e um pegou o prato.

- Amanhã tentaremos fazer um café da manhã mais leve para a senhora.

Depois da costumeira reverência, desapareceram dali.

Ela deitou-se novamente na cama, sentindo seu estômago embrulhar, mas logo depois ele roncou, pedindo por mais comida.

Demorou algumas horas para que ela conseguisse dormir.

[...]

Greyback observava a uma distância considerável os bruxos sentados à mesa. O Lorde das Trevas estava na ponta, como de costume. Todos ali permaneciam com a cabeça abaixada. Fenrir poderia até dizer que era sinal de respeito, se não sentisse o cheiro de medo emanando de cada um ali.

Ele estava encostado em uma parede, os braços largos cruzados e os olhos cinzentos atentos a tudo. Depois de alguns minutos, a mão pálida do homem sentado na ponta se levantou, fazendo até mesmo a respiração menos ruidosa parar. A sala foi preenchida com um silêncio absoluto. Todos agora estavam atentos.

- Meus caros, chamei-os aqui para decidirmos o que fazer com os sangue-puros que distribui entre vocês.

Fenrir sabia que eles não iriam decidir nada. Se o Lorde das Trevas havia convocado essa reunião, era porque já sabia exatamente o que fazer com os bruxos que estavam espalhados entre as casas dos seus Comensais da Morte.

- Vocês devem estar se perguntando por que não os puni, ou simplesmente por que não me livrei de todos eles. – os olhares dos presentes foram percorridos por um brilho curioso. – Todos eles possuem sangue-puro, e mesmo que eles não mereçam isso, ainda fazem parte da única espécie real de bruxo.

Ele olhou para Severo Snape, que retirou um pergaminho enrolado das vestes e gesticulou com a varinha para que esse se abrisse. De onde Fenrir estava, ele não conseguia ler o que estava escrito, mas forçando a vista, ele percebeu que era uma lista.

- Pedi para Snape fazer uma lista de todos os sangue-puros que foram capturados, e onde eles se encontram agora. Não quero que eles morram, tampouco quero que sejam tratados como um de nós. São covardes e foram contra mim, mas ainda assim, se os matarmos, teremos mais sangue-ruins na Inglaterra do que em qualquer parte do mundo.

Ouve um burburinho tímido depois do que ele falara. O pergaminho flutuava pela mesa, permitindo que cada bruxo ali lesse o conteúdo. Fenrir escutou a voz de Bellatrix Lestrange dizer algo como ‘escória’, antes do Lorde das Trevas gesticular novamente com as mãos para pedir silêncio.

- O que peço é algo simples. Mantenha-os onde estão, deixe-os cativos e longe do contato com a sociedade bruxa. Uma rebelião não pode ocorrer. Eles precisam aceitar que a guerra acabou, e que o líder deles agora sou eu. Eles precisam aceitar o lugar deles na sociedade bruxa.

Todos os Comensais da Morte concordaram. Aquilo seria até mesmo prazeroso. Manter bruxos trancafiados em casa era algo fácil demais para não ser divertido. Fenrir permitiu-se sorrir.

A garota que estava com ele não poderia sofrer. Mas ela também não teria uma vida fácil.

[...]

Ginny acordou na manhã do dia seguinte. Abriu os olhos com relutância, sentindo a claridade do dia bater em seu rosto. Ela piscou algumas vezes para o foco voltar, e depois percebeu que havia dormido de qualquer maneira no colchão, até mesmo descoberta.

Provavelmente o quarto havia esfriado de madrugada, mas estava acostumada demais ao desconforto físico para ter notado e acordado. Ela esfregou os olhos e sentou-se no colchão, espreguiçando-se. De repente sentiu uma pontada ao lado do corpo e estremeceu. Colocou a mão em cima da costela, percebendo que a dor vinha dali, gemeu quando pressionou o local.

Seus olhos correram rapidamente pelo chão do quarto, pousando na mesinha prateada onde normalmente sua comida era servida. Ela percebeu uma bandeja preenchida com as mais diversas comidas servidas em um café da manhã. Seu estômago revirou e ela decidiu ignorar o prato, deitando-se novamente no colchão.

- Você precisa comer.

Uma voz diferente chegou aos ouvidos dela e ela sentou-se rapidamente na cama, a dor na costela voltando. Depois de alguns segundos, percebeu que não estava só no quarto. Greyback estava sentado na poltrona que ficava perto do armário, e parecia um lobisomem prestes a dar o bote em um pedaço de carne.

Sem pensar duas vezes, ela gritou.

E antes que ela desse conta, ele levantou a sua varinha e com apenas um gesto, os lábios de Ginny foram colados, impedindo-a de continuar a gritar. Por mais que ela tentasse, não conseguia abrir a boca. Sua mandíbula simplesmente não a obedecia. Ela olhou de forma furiosa para o homem ali.

- Agora me escute, garota. Preciso de você alimentada e saudável. Você fará algumas tarefas enquanto estiver aqui.

Ele esperou a reação dela, mas Ginny apenas continuou o fitando, seus olhos já não o olhavam mais com fúria, e ela parecia prestar atenção. Ele decidiu continuar.

- Vou retirar o feitiço, e espero que você continue calada. O Lorde das Trevas foi sucinto quanto a uma mordida ou um assassinato, mas ele não disse nada sobre a Cruciatus.

O rosto animalesco dele foi preenchido por um sorriso maldoso. Ela pegou-se observando aquele homem atentamente pela primeira vez. Greyback era enorme em comparação a tudo que estava no quarto, inclusive ela.

Seus olhos eram cinzentos, mas ela conseguiu discernir um leve tom amarelado nas orbes. Os cabelos dele eram levemente ondulados. Os traços do rosto eram grosseiros, e ele possuía uma barba espessa. Barba ou pelo, ela não sabia dizer. Ele levantou-se da poltrona e ela observou agora a sua altura. Talvez um metro e noventa? Seu físico era assustador. Os braços eram largos e o tronco do corpo também. Mesmo que ele estivesse parado e calado em frente a ela, Ginny tinha a impressão de estar diante de um animal enjaulado. Era ameaçador.

Ele gesticulou com a varinha, fazendo o aroma de couro ficar mais forte com esse movimento. Ela sentiu seus lábios descolarem rapidamente, e não ousou voltar a gritar, temendo uma Cruciatus. Sabia que ele não pensaria duas vezes antes de lançar a maldição.

- Agora coma.

Ele ordenou e ela saiu da cama vagarosamente, indo em direção à mesinha prateada e tentando ignorar que estava de camisola em frente a ele. Mas ele não parecia interessado nas vestes dela, mesmo que o tecido fosse fino e marcasse cada curva ínfima e desnutrida do seu corpo.

Ela sentou-se e começou a comer o café da manhã. Como na noite anterior, ela quase gemeu ao sentir o gosto da geleia em sua boca, seu estômago vibrou com o alimento. Mas logo depois ela sentiu o enjoo, e deixou cair uma torrada no prato.

- O que há?

Ela estremeceu quando ele perguntou, mas tomou coragem para responder.

- Não consigo comer. Fico enjoada.

Ele não respondeu nada, apenas continuou a fitá-la. Ela não precisou pensar muito para saber que ele não iria sair do quarto enquanto ela não comesse tudo que estava na bandeja. Com relutância e um pouco de esforço, ela terminou o café da manhã, sentindo que a comida já queria sair do seu estômago. Fez força para não vomitar.

Greyback andou em direção à porta.

- Os elfos virão pegá-la para dizer a você as suas obrigações. Vista-se.

Ele mandou, antes de fechar a porta.

[...]

Fazia quase uma hora que ela andava por aquele castelo com dois elfos a sua frente lhe dizendo como era a rotina daquele lugar. Ginny prestava atenção, mas seus olhos corriam por cada corredor que ela passava. Ela conseguiu descobrir que o castelo possuía três andares. O quarto em que ela dormia ficava no segundo. Havia muitas portas pelos corredores, e todas elas estavam fechadas. Ela perguntou-se o que teria ali dentro. Prisões? Salas de torturas? Portais?

Não perguntou nada disso aos elfos. As criaturas eram educadas demais e ela sabia que a lealdade deles era pelo lobisomem. Fazer perguntas inconvenientes apenas iria torturá-los.

Pelo que ela conseguira captar, ela teria que limpar todo o piso do primeiro andar três vezes por semana, e diariamente ajudar na cozinha. Aquilo não era difícil, por mais que o primeiro andar fosse imenso, ela preferia lavar o piso a ficar trancada dentro de um quarto esperando a visita de Greyback. E ela sempre ajudava sua mãe na cozinha, então julgou que seria tranquilo.

- Você sabe mexer com plantas?

Um elfo perguntou enquanto a levava para fora do castelo. A luz do sol invadiu as orbes claras de Ginny e ela semicerrou os olhos. O calor do dia pinicava a sua pele, mas era algo agradável de sentir depois de tanto tempo. Ela gesticulou afirmativamente com a cabeça para o elfo, que deu um pequeno sorriso.

- Então você poderá cuidar do jardim! – ele deu passinhos mais apressados e apontou para um jardim mal cuidado por perto. – Ele está precisando de alguém que saiba plantar.

Ela foi em direção ao jardim e percebeu resquícios de uma tentativa de flores na terra. Tudo ali estava amarelado e mal cuidado. Até mesmo uma grande árvore que ficava por perto possuía suas folhas em um tom acobreado. Correu os olhos pelo lugar, observando uma grade alta que ficava atrás daquela árvore. Uma planta havia tomado conta da grade, enroscando-se nas peças de ferro. Mas não foi isso que chamou a sua atenção.

Uma grade podia ser algo para ajudá-la em sua fuga. Ela perguntou-se se conseguiria escalar aquela grade imensa e pular, mas não conseguiu chegar a uma resposta. De qualquer maneira, guardou a informação para si, empolgando-se no mesmo momento com a descoberta. Os elfos a deixariam trabalhar no jardim sozinha? Se isso acontecesse, seria ainda mais fácil.

Quando voltaram para a mansão e estavam andando pelos corredores novamente, Ginny percebeu que o castelo estava silencioso demais. Greyback nunca se encontrava ali durante o dia. Ela agradeceu mentalmente por isso.

Depois de alguns minutos, percebeu que os elfos estavam a levando diretamente para a cozinha, onde ela entrou junto deles e percebeu que mais três elfos ficavam ali. Eles preparavam a comida para o fim do dia, e a saudaram com entusiasmo.

O elfo pequeno puxou a sua manga para ganhar a sua atenção novamente.

- O mestre sempre janta em casa. E todos os dias ele come carne mal passada.

Ginny não precisou perguntar o motivo da predileção do lobisomem, mas o elfo continuou a falar.

- Você irá servi-lo todas as noites, mas não jantará com ele. Sua comida sempre será servida dentro do seu quarto, para onde você irá assim que servi-lo. Você será trancada depois.

Ela não gostou da ideia de servir Fenrir Greyback, mas depois ficou um pouco mais aliviada ao saber que não precisaria jantar na presença dele. Estar trancada dentro de um quarto era até mesmo delicioso ante a ideia de ver aquela criatura comer carne mal passada.

Quanto menos contato, melhor.

[...]

Ginny estava sovando uma massa durante alguns minutos. Fazer aquilo a fazia se lembrar de sua mãe. Era inevitável. Ninguém conseguia sovar uma massa igual a Molly Weasley. E julgando a consistência que a massa estava ficando, ela havia ensinado a prática para a filha com primazia.

Lembrar-se da mãe fez com que ela se lembrasse também dos dias d’A Toca, de seus irmãos e do tempo em que era feliz. Seus olhos encheram-se de água e uma lágrima deslizou facilmente pelo rosto dela, morrendo em sua boca.

- Por que chora, senhora?

Uma pequena elfa perguntou, visivelmente preocupada com a tristeza da garota. Ginny passou a manga do vestido pelo rosto, limpando as lágrimas rapidamente.

- Saudades.

Respondeu. A fisionomia da elfa passou de preocupada para temerosa em apenas um segundo.

- Não fique assim, senhora. Saudade é algo que nunca é tolerado nesse castelo. Assim como as lágrimas.

Horrorizada, Ginny assentiu, controlando-se e focando sua atenção em fazer bolinhos pequenos com a massa. Depois de algum tempo, percebeu os elfos arrumarem um prato. Não precisava perguntar para saber que aquele era o jantar do mestre deles.

Ela terminou de fazer os bolinhos e perguntou se podia subir para o quarto. Estava um pouco tonta e cansada, e a dor em sua costela não havia diminuído. A cada respirada aquilo piorava. Um elfo negou com a cabeça.

- O mestre já está no castelo e logo será servido. Você precisa servi-lo antes de subir para o quarto.

Ela assentiu e sentou-se em um banco de madeira que ficava por perto, tentando não mexer-se muito por causa da dor. Não disse nada em relação a isso para os elfos. Sabia que ninguém ali se importaria muito, de qualquer maneira, a dor poderia ser apenas cansaço ou tensão do dia. Um elfo apareceu.

- O mestre espera seu jantar.

Ela se levantou e pegou a bandeja, indo em direção à porta. Permitiu-se olhar para o prato e observou ali um grande bife mal passado, praticamente cru. Ela sentiu ânsia de vômito ante aquela comida, mas tentou se controlar quando entrou na sala de jantar e o viu.

Fenrir estava sentado na mesa esperando ser servido. Ginny percebeu que ela tremia um pouco. A figura daquele homem lhe dava medo. Com relutância e visível temor, ela andou até a mesa e colocou delicadamente a bandeja em frente a ele, sentindo-se mais aliviada ao afastar-se.

Não sabia se podia dar as costas e ir embora, e decidiu ficar ali até que ele a dispensasse. Fenrir nem ao menos a olhou. Ele cortou o pedaço de bife do prato. O sangue saiu do pedaço de carne e espalhou-se pela porcelana branca. Ginny desviou os olhos rapidamente.

Fenrir percebeu isso.

- O sangue lhe dá nojo, garota?

Ele perguntou, visivelmente divertido com a repulsa dela. Mas ela não respondeu.

- Eu lhe fiz uma pergunta. Responda.

Aquilo era uma ordem. Ginny respirou fundo.

- Não sinto nojo. Sangue me lembra morte.

Ele sorriu levemente e voltou a comer com avidez, dispensando-a com um gesto. Ela andou até a porta, e quando estava prestes a sair da sala, escutou a voz de Fenrir, dessa vez mais séria.

- Terá que se acostumar com sangue, garota. Sangue é algo que me move.