Notas iniciais
Oi, eu queria realmente que as pessoas que acompanhavam essa fanfic deixassem um comentário me dizendo o que estão achando da fanfic. Mas não posso obrigar vocês (infelizmente, muahaha). Aproveitem!

Lua Cheia

Ginny acordou na manhã do dia seguinte. Ou ela achou que estava de manhã. Permanecia de olhos fechados e mesmo assim conseguia perceber a ausência de luz, como se o dia estivesse chuvoso ou escuro. Remexeu-se onde estava, e quando percebeu algo diferente, abriu os olhos de imediato, o seu corpo ficando imóvel no mesmo instante.

Seu rosto estava pousado em algo duro. Demorou alguns segundos para que ela percebesse que seu rosto estava pousado delicadamente no peitoral do lobisomem, a pele dela contra a pele dele, sentindo ali a temperatura elevada que ele possuía. Ela permaneceu imóvel, apenas temendo aquela posição. Com relutância, mexeu-se levemente, retirando com delicadeza o rosto do peito dele. Respirou fundo, e aquela atitude foi a mais idiota que poderia tomar. O cheiro de Greyback invadiu os seus sentidos e ela voltou a fechar os olhos, um pouco zonza com o cheiro peculiar. Um aroma de couro, madeira e algo que ela nunca conseguia distinguir.

Seu corpo se arrepiou por inteiro e ela lembrou tarde demais que aquele cheiro era de Fenrir Greyback, e ela apreciá-lo e aspirá-lo para dentro dos pulmões era no mínimo errado ou doentio.

Afastou-se dele com timidez, deitando ao lado dele na cama, temendo que qualquer movimento mais brusco pudesse acordá-lo. Não sabia como sairia dali. Permaneceu quieta bons cinco minutos, apenas buscando uma alternativa para fugir do quarto dele. Escutava vagamente a respiração ruidosa do lobisomem. Olhava para um ponto fixo do cobertor.

– Hoje será a primeira noite de lua cheia.

A voz dele chegou aos ouvidos dela e Ginny se surpreendeu com aquilo, sentindo seu coração saltar. Poderia jurar que ele estava dormindo. Mas não, ele olhava para o teto, e o que mais a deixou inquieta não foi o fato de estarem lado a lado em uma cama depois de ele ter a tomado a noite inteira, mas o modo como ele falara aquilo, como se quisesse simplesmente jogar conversa fora.

Não havia nenhum traço de maldade em seu rosto, nenhum resquício do Fenrir Greyback que Ginny outrora conhecera. E aquilo era no mínimo estranho e inédito. Ela não sabia como lidar com aquilo.

– Ficarei fora por uma semana.

Ele completou, ainda olhando para o teto, e ela se surpreendeu com o que viu no rosto dele. Durara cerca de cinco segundos, tempo o suficiente para ele dizer o intervalo de sua ausência. Tristeza. Ela vira tristeza no rosto que costumava ser cruel em tempo integral. Remexeu-se na cama, sentando-se no colchão e puxando levemente o cobertor em direção ao seu corpo para tampar os seios.

Ficou ali, apenas o observando de perto. Ele ainda permanecia com os olhos no teto. As orbes estavam muito amareladas, como se a lua cheia próxima estivesse chamando o monstro dentro dele. Seu corpo estava descoberto, apenas um pedaço de um lençol negro tampava um pouco de sua intimidade e parte da coxa grossa. Os braços fortes estavam para trás, os músculos contraídos, como se ele estivesse tenso. Ele estava tenso. Tenso, incomodado, pensativo e levemente triste.

Ginny não sabia o que dizer. Achava aquela nova fisionomia de Greyback assustadora e estranha, mas ao mesmo tempo, tal fisionomia a atraía em demasia, e ela estava começando a ficar incomodada com aquela atração. Ela engoliu em seco.

– Não vejo você empolgado.

Ela disse calmamente, mas o cinismo foi captado com facilidade pela audição aguçada dele. Dessa vez ele desviou os olhos do teto e a fitou. As orbes amareladas pareciam ainda mais assustadoras do que as orbes cinzentas.

– E por que eu estaria empolgado?

Ela não queria responder aquela pergunta. Temia a reação dele. Mas ele a olhava, esperando pela resposta. Ela respirou fundo, tentando buscar coragem por meio desse gesto.

– Porque você se transformará em um monstro, que é o que você é. Não? Você estará em sua forma mais perigosa, mais forte...

Ela esperou pela reação dele, algo violento, um sorriso malicioso ou até mesmo uma resposta ácida. Mas ele não disse nada. Apenas desviou os olhos dos dela e fitou novamente o teto.

– Nenhum lobisomem gosta de lua cheia. Nem mesmo eu. – ela não sabia o que dizer, então permaneceu em silêncio. Ele voltou a fitá-la depois de um tempo. – Sou apenas um lobo. E não Fenrir. É como se eu estivesse possuído. Ninguém gosta da sensação de perder o controle do seu próprio corpo e de sua mente.

Ela estremeceu. Não por ele, mas porque uma sensação horrível percorreu o seu corpo. Ela sabia exatamente do que ele estava falando. E compartilhava do temor dele. Lembrou-se de como fora possuída por Tom Riddle na época em que cursava seu primeiro ano em Hogwarts. A sensação de não lembrar-se de nada, e acordar na manhã do dia seguinte com sangue nos dedos e acontecimentos estranhos e sinistros na escola. Lembrou-se como se aquilo tivesse acontecido na noite anterior. Uma lembrança viva que ela nunca conseguiria apagar de sua mente, por mais que tentasse.

Remexeu-se na cama, de repente sentindo como o quarto parecia abafado, mesmo que ela soubesse que ali era um dos lugares mais frios do castelo. Seus olhos lacrimejaram, mas ela esforçou-se para não deixar as lágrimas caírem. Fenrir percebeu o brilho nos olhos da garota. Ela ia chorar?

– Eu compartilho do seu medo.

Ela disse, virando o rosto em direção à janela. Ginny buscava alguma entrada de ar, mas não achou. Fenrir percebeu como ela estava estranha. Ela compartilhava do medo dele? Não entendeu o que a garota quis dizer, e nem perguntou sobre aquilo também. De repente ela se apoiou na cama, e ele percebeu que ela ia sair dali. Antes que ela pudesse se impulsionar para frente, sentiu uma mão quente e enorme lhe segurar o pulso com determinação.

Ela virou-se para ele, tempo o suficiente para que Fenrir a puxasse novamente para perto dele e a beijasse. Calmamente. Outra quebra de parâmetros ali. Os lábios ficaram próximos por alguns segundos, apenas sentindo a temperatura um do outro e a textura que eles possuíam. Até ele mordiscar levemente o lábio inferior dela, afastando-se logo depois.

– Ficarei uma semana sem seu corpo, garota. Compense isso agora.

Ele tomou os lábios dela novamente, dessa vez a língua invadindo a boca dela sem pedir autorização. Ginny percebeu tarde demais que suas próprias mãos já iam de encontro ao corpo dele, espalmando-se no peito forte e definido, sentindo os músculos retesados ali, onde ela correu as mãos lentamente, subindo até o pescoço dele.

Fenrir praticamente rosnou dentro da boca dela. Ela estava reagindo. Reagindo ao toque dele, sem nem ao menos ele dar uma ordem ou exigir que ela o fizesse. Ela estava o puxando de encontro ao corpo dela de livre e espontânea vontade.

As mãos dele foram em direção ao cobertor que a cobria, retirando-o do caminho para que ele pudesse tomar os seios com as mãos, apertando-os com um pouco de violência. Ela gemeu, de dor e de prazer. Uma dor diferente das que ela já havia sentido. Ela gostava até mesmo daquilo.

Ele a deitou calmamente na cama, apenas encaixando-se entre as pernas dela. Ela não queria olhar, mas algo nos olhos amarelados dele a chamava, e ele a fitava, intensamente, como se quisesse dizer algo importante por meio da troca de olhares, mas que tivesse sendo impedido por uma força maior. E foi olhando-a daquela maneira que ele empurrou quase com delicadeza o corpo em direção ao dela, penetrando-a facilmente.

Ele fechou os olhos, sentindo as paredes úmidas do sexo dela o receber, assim como aqueles braços delicados em torno do corpo anormalmente grande dele. Ele enfiou o nariz por entre os fios do cabelo ruivo, inalando o cheiro adocicado e peculiar que ela possuía. E foi ali que ela o sentiu ficar mais violento, como se o aroma dela o fizesse se lembrar de quem ele realmente era.

Fenrir começou a mover os quadris de forma rude, as estocadas preenchendo-a. Ela gemeu, arqueando-se de encontro ao corpo dele. Ginny o envolveu ainda mais com os braços e o puxou totalmente para si. Pela primeira vez ele cedeu, e ela sentiu o peso que o corpo daquele lobisomem possuía. E adorou aquilo. Adorou senti-lo ali, prensando-a na cama no mesmo momento em que a penetrava. As mãos enormes passeavam pelo corpo delicado, apertando quase com urgência qualquer pedaço de carne que conseguiam alcançar. Ela não se preocupava com marcas, sentia-se inteira quando as mãos dele a descobriam, quando ele a preenchia completamente, quando ele inalava o cheiro dela como se ela fosse o perfume mais caro do mundo bruxo.

E quando ele enfiava a mão por debaixo da nuca dela, levantando-a para que ela tombasse a cabeça e o pescoço ficasse mais exposto, lambendo aquela parte do seu corpo no processo, Ginny achava que ia enlouquecer. Pois era como se Greyback estivesse a marcando como algo só dele.

Ele travou o quadril ao dela, soltando um rosnado mais animalesco quando se derramou dentro dela, os braços institivamente a apertando mais de encontro a si. Ela chegou ao seu orgasmo no mesmo momento que ele. Sentia seus músculos arderem devido ao esforço, sentia seu corpo totalmente leve e ao mesmo tempo devastado. Porque ele tomava o seu corpo e a sua alma no mesmo momento.

E ela não se importava mais com isso.

[...]

Depois de uma longa hora dentro da banheira do seu próprio banheiro, Ginny estava devidamente vestida e com os cabelos secos. Descia as escadas vagarosamente, sentindo seu corpo um pouco dolorido onde Greyback havia corrido suas mãos enormes, assim como um pouco de dor entre suas pernas.

Mas aquilo não a incomodava. O que estava a deixando inquieta era a agitação dos elfos na casa. Mesmo que eles tentassem disfarçar, ela conseguiu captar o nervosismo vindo deles. Mas não disse nada. Sabia o motivo de todos estarem daquele jeito. Era a primeira noite de lua cheia do mês. Fenrir Greyback ainda estava na mansão. Ela sabia disso. E depois de algumas horas, o mestre deles iria se transformar em uma besta, e assim ficaria por uma semana, todas as noites.

Ela entrou na cozinha, colocando o avental. Mas antes que suas mãos pudessem alcançar a massa do pão, um elfo gesticulou para que ela parasse. Ginny o olhou interrogativamente.

– O que foi?

– Mestre não quer que você mexa mais na cozinha e na limpeza do castelo. Ele ordenou que você cuidasse apenas dos jardins.

O rosto de Ginny foi percorrido por um sorriso satisfeito. O elfo sorriu também, no mesmo momento em que ela tirava o avental e beijava o topo da cabeça da criatura, que quase enfartou devido ao gesto da garota. Ela foi até o armário e pegou rapidamente a cesta que continha as ferramentas de jardinagem. Andou a passos largos até a escada principal, saindo do castelo.

O céu estava alaranjado, indicando que o crepúsculo se aproximava. Mas ela ainda conseguia sentir os raios solares tocarem a sua pele, aquecendo-a levemente. Ela colocou a cesta na grama, ajoelhando-se e começando a mexer nas plantas ali. Seus dedos ágeis retiravam os matinhos que prejudicavam o crescimento das rosas que estavam plantadas. Ela afofou a terra, jogando um pouco de água e podando algumas flores que já estavam grandes.

Ficou por muitos minutos ali, imersa em pensamentos. Depois de algum tempo, levantou-se e passou as mãos sujas de terra no vestido. Seus olhos pousaram na parede que antes ficava a grade. A grade que ela escalara e tentara assim, escapar daquele lugar. Parecia que anos tinham se passado depois daquele momento. Ela correu os dedos pelas pedras da parede, lamentando profundamente que Greyback tivesse jogado fora as flores que estavam brotando ali.

Pegou a cesta e começou a andar pelo vasto campo que compunha os jardins da frente do castelo. O vento batia em sua pele suavemente, e a brisa começava a ficar fria. O sol começava a se pôr, deixando o céu ainda mais alaranjado. De repente ela percebeu um jardim um pouco mais escondido. Caminhou até ali e percebeu as mesmas flores que estavam na grade, replantadas agora naquele jardim, do mesmo jeito que ela se lembrava.

Sorriu de forma sincera e agachou-se, tocando as pétalas delicadamente com os dedos. Adorava aquelas flores. Elas possuíam um significado maior para Ginny, pois começaram a crescer desde que ela colocara os pés naquela prisão.

– A noite está chegando, garota.

Ela escutou a voz dele bem próxima de si. Sabia que ele estava atrás dela. Mas não se virou, apenas deu de ombros, continuando a afofar a terra.

– Ainda faltam quase duas horas para o início da noite. E eu preciso cuidar dessas flores.

Ele apenas continuou a observando, enfiando as mãos nos bolsos.

– Você gosta mesmo dessas flores, não é? Por quê?

Perguntou, visivelmente curioso. Ela deu de ombros novamente.

– Elas começaram a crescer quando comecei a cuidar delas. – respondeu. – Me sinto responsável. E gosto. Acompanho o crescimento delas – ela finalmente virou-se para ele. – É como se eu tivesse um pedacinho meu aqui. Algo meu.

Ela desviou os olhos, e parecia um pouco pensativa. Fenrir observou-a com cuidado. Os cabelos ficavam ainda mais belos naquela hora do dia, como se o sol avivasse a cor dos fios. Ela não estava muito pálida. O vestido estava um pouco sujo de terra, e o cheiro da terra misturado ao cheiro dela formava uma combinação deliciosa. Mas os olhos claros o fitavam com intensidade, deixando-o um pouco inquieto.

– Por que as manteve?

Ela perguntou, como se o desafiasse a responder. E ele não parecia nem um pouco à vontade para responder aquela pergunta. Deixar que as plantas vivessem quando ele praticamente arrancou aquela grade e levantou um muro de pedra no lugar fora uma atitude bastante incomum. Ela o fitava com atenção, observando algo diferente nele. O rosto dele estava com menos pelos.

Ela franziu o cenho.

– O que aconteceu com o seu rosto?

Perguntou sem conseguir se conter. Ele não parecia saber do que ela estava falando. Ele virou-se de costas, começando a caminhar em direção ao castelo.

– Obrigada, Greyback.

Ela o agradeceu de forma sincera e espontânea. Ele parou de andar por um momento, mas depois seus passos ficaram mais decididos, e momentos depois, ele estava entrando no castelo.

[...]

Ela deitou-se em sua cama, sentindo o colchão fofo debaixo de si e os cobertores quentes a envolver. Era uma noite particularmente fria, e mesmo que a lareira estivesse acesa, o quarto ainda estava com uma temperatura estranha. A luz da lua cheia banhava parte da sua cama. Ela decidira por deixar as cortinas abertas naquela noite, mas não sabia o real motivo daquilo.

Ela se sentiu mal no momento em que fitou a lua. Sentiu-se mal por ele. Sabia como era horrível não ter o controle do próprio corpo. Compartilhara da sensação de estar possuída e de todas, essa foi a experiência mais terrível para ela. Mas logo depois se repreendeu. Não podia se sentir mal foi Fenrir Greyback. Ele era um monstro, e matara muitos de seus amigos naquela forma e na forma humana.

Então por que se sentia culpada quando não sentia nenhuma compaixão?

Não soube responder. Um uivo vindo de longe cortou o silêncio do castelo. Ela estremeceu levemente sob as cobertas, fechando os olhos e procurando o sono, que não queria vir.

Demorou horas para conseguir dormir.