Beautifully Grotesque
9 Intuito
Intuito
Ginny acordou na manhã do dia seguinte sentindo uma leve tonteira, como de costume. Não sabia o motivo real daquela reação, já havia tomado o seu café da manhã e consequentemente a sua poção. Ainda faltavam alguns dias para que as consequências da hemorragia se extinguissem do seu corpo para sempre, então ela julgou que a tonteira era um leve cansaço ou talvez sono. Ela espreguiçou-se, sentindo como o seu corpo estava dolorido.
Não precisava pensar muito para saber a origem da dor, então apenas ignorou aquilo, saindo da cama e andando em direção ao banheiro sem se dar o trabalho de abrir as cortinas e colocar alguma luz no quarto.
Quando fechou a porta atrás de si, olhou-se no grande espelho que ficava sobre a pia. E o que viu a surpreendeu em demasia. Ginny havia evitado o espelho desde que pisara naquele castelo, pois sempre se lembrava das suas primeiras noites ali, quando tomou a coragem necessária para olhar seu próprio reflexo.
Na época, a imagem que vira parecia pertencer a outra pessoa. Naquela manhã não. Os cabelos agora estavam mais vermelhos, como se uma boa alimentação e uma boa noite de sono tivessem recuperado a cor dos fios. As curvas do seu corpo já estavam mais harmoniosas, as olheiras haviam sumido.
Mas Ginny tentava ignorar a mudança que seu corpo havia sofrido na noite anterior.
Uma leve dor em seu abdômen estava a incomodando, os músculos estavam doloridos. Os olhos dela capturaram com facilidade as marcas deixadas em sua pele, mais especificamente em sua cintura e em suas coxas, assim como a vermelhidão em certas partes de seu pescoço.
Ela fechou os olhos, lembrando-se da noite anterior, no modo como Greyback a jogara na cama e a tomara para si como se ela fosse um objeto. No modo como as mãos gigantes e fortes dele apertaram a carne de sua cintura, as suas coxas e os seus seios quase possessivamente. No modo como os lábios dele passearam pela sua pele sem pedir permissão, sugando e arranhando-a levemente com os dentes quando ele queria sentir o gosto que ela tinha.
Pensar no toque dele a fez morder o lábio inferior. Seu coração se acelerou um pouco e a respiração ficou mais ruidosa. O corpo dela se arrepiou, e ela sentiu cada músculo esquentar-se. Depois de alguns segundos, abriu os olhos, e perguntou-se mentalmente o motivo de sua reação, e o motivo de estar pensando no que vivera, sendo que o caminho saudável seria excluir tudo de sua mente.
Mas, por mais que se esforçasse, e no seu íntimo sabia que estava fazendo isso de maneira errada, ela não conseguia tirar o toque daquele lobisomem nojento da sua cabeça. O que estava acontecendo? Na certa a loucura e a demência começaram a aparecer. Estar trancada em um castelo do modo como ela estava poderia causar algo daquele tipo.
Certo?
Ela estremeceu, uma ânsia de vômito tomando o seu corpo de forma alarmante. Sem pensar duas vezes, ela correu até o vaso sanitário e ajoelhou-se ali, despejando tudo o que estava no seu estômago.
Aquilo fora um erro. No momento em que vomitara, a tonteira matinal voltara para seu corpo de uma forma mais intensa. Quando vomitara, tinha colocado para fora tanto o seu café da manhã quanto a sua poção. A poção que a deixava forte para aguentar um dia inteiro até que ela tomasse a segunda dose. Sua pressão caiu drasticamente, deixando a garota ainda mais tonta. Sentiu frio.
Ficou ali por alguns minutos. Talvez dez? Quando se sentiu um pouco mais forte, levantou-se do chão frio do banheiro e foi até a pia, escovando os dentes e jogando um pouco de água no rosto. Mas sentia-se fraca.
Saiu do banheiro e caminhou lentamente até a cama, onde ela deitou-se de qualquer maneira. Antes que ela pudesse sentir uma nova onda de tonteira, seus olhos já haviam se fechado e ela já estava imersa na inconsciência.
[...]
– Senhora?
Ela abriu os olhos lentamente quando a voz do elfo chegou aos seus ouvidos, despertando-a. A primeira coisa que Ginny notou, era que o quarto estava mais frio e escuro. A lareira estava acesa, indicando que a noite já havia chegado.
Quando o elfo percebeu que ela havia acordado, voltou a falar.
– A senhora precisa comer algo e se aprontar. O mestre solicitou a sua presença.
Ginny não respondeu. Dizer que Greyback solicitara sua presença era até mesmo um eufemismo. Ele mandava ali. E ponto final. O elfo classificou o silêncio dela como algo incomum, e depois, com um pouco mais de atenção, percebeu que a garota estava muito pálida.
– Você está bem, senhora?
Ela se remexeu na cama.
– Não... vomitei muito pela manhã. Sinto-me tonta e cansada... e sinto dor.
O elfo não precisava saber que ela sentia dor, pois tal dor não fazia muito sentido, julgando que ela não estava mais fazendo trabalhos pesados e agora se cuidava melhor. Aquilo era quase irônico. Ele olhou de um lado para o outro, como se a qualquer momento alguém fosse entrar pela porta e aparecer ali. Com relutância, retirou das vestes imundas um frasquinho com um líquido azulado e entregou com mãos trêmulas para a garota, olhando-a com atenção.
– Beba logo, isso vai ajudá-la.
Por causa da ansiedade do elfo, ela nem ao menos perguntou qual poção era aquela, apenas jogou o líquido na boca e engoliu, sentindo a dor passar em um segundo, a tonteira também aliviou consideravelmente e o cansaço começava a diminuir.
Ela olhou para o elfo com gratidão.
– Obrigada. – agradeceu.
– Não precisa agradecer... só estou lhe poupando de um castigo maior. O mestre não iria gostar de vê-la assim. – ele olhou novamente para a porta. – Não diga nada a ele. Sou proibido de te dar poções sem o consentimento dele.
Ginny acenou afirmativamente. Não era nem mesmo necessário o elfo fazer tal pedido. Nunca iria colocar aquela criatura na linha de risco, no alcance da fúria de Greyback.
– Eu vou comer algo e tomar um banho.
O elfo assentiu, fazendo uma reverência e saindo do quarto dela.
[...]
Ela entrou no quarto frio sem fazer barulho, fechando a porta atrás de si. Antes de se virar, respirou fundo e fechou os olhos, tentando manter a calma. Ele estava na mesma poltrona, a luz da lareira batia no corpo forte como sempre. Mas ao se aproximar, ela percebeu que havia algo de diferente ali. Ele não estava vestido. Usava apenas uma roupa íntima negra, o tecido nas pernas era um pouco menor do que o short que ele estava habituado a usar, e mais justo ao corpo.
Ginny corou levemente ao perceber aquilo, mas nada disse. Apenas focou-se em iniciar a massagem. Ajoelhou-se perto dele como de costume, e no momento em que suas mãos fizeram contato com a panturrilha dele, sentiu os músculos relaxarem.
Não o olhava. Apenas deslizava as palmas das mãos na pele quente que ele possuía. Ela sentia uma leve dor no abdômen, e lembrou-se do modo como ele a jogou na cama, penetrando-a sem deixá-la acostumar-se a ele. Aquilo podia ser considerado estupro. E foi isso que havia acontecido na noite anterior. Um estupro.
Não fora?
E ele faria isso novamente?
A última pergunta invadiu sua mente sem pedir licença. Ginny não queria sentir medo, e não queria sequer pensar na possibilidade dele fazer o que fez com ela novamente. Estremeceu.
– Olhe para mim, garota.
Com relutância, ela o fitou. Os olhos cinzentos dele estavam atentos a cada movimento dela, e pareciam ler até mesmos os pensamentos que Ginny estava tendo.
– Por que está evitando olhar para mim?
Ele perguntou. Ela percebeu que ele era atento a tudo. Atento até demais. Ela teria que tomar cuidado. Ele parecia captar até mesmo quando ela mudava o rumo de seus pensamentos. Ginny decidiu responder.
– Você me estuprou ontem. É o mínimo que posso fazer, já que não posso matá-lo.
Dizer aquilo a deixou com raiva. Consequentemente, ela aumentou a pressão das mãos, tentando causar alguma dor àquele homem. Mas depois se lembrou do que ele havia dito a ela na noite anterior. A dor o excitava. Ela suavizou o toque no mesmo segundo.
Fenrir percebeu aquilo. Ela parecia ser um turbilhão de sentimentos divergentes. A cada segundo ela se mostrava de algum jeito. Quando entrara no quarto, estava trêmula e parecia sentir medo. Ao ajoelhar-se, estava pensativa. Ele sentira a raiva dela. O toque dela tinha começado a ficar violento. Agora ela estava calma.
Observou-a por longos minutos, apenas sentindo as mãos delicadas correrem de forma quase sedutora pelas pernas dele, deixando ali um rastro quente e uma sensação inexplicável de excitação.
– Sabe por que a escolhi? – ele perguntou.
Ginny não respondeu. Fenrir sabia que ela não responderia, mas decidiu por continuar a conversa.
– Um dos fatores foi a cor dos seus cabelos. Vermelhos... a cor vermelha me lembra fogo. Fogo me lembra destruição.
Ela estremeceu levemente, mas permaneceu calada.
– Mas o principal fator foi o seu cheiro. – ele continuou. – Um cheiro doce, como de uma virgem. Mas eu consegui sentir algo diferente no seu aroma. Desafio.
Dessa vez ela começou a dedicar mais de sua atenção ao monólogo dele. Fenrir percebeu isso. As mãos dela pararam breves segundos sobre as coxas dele, mas logo ela voltou os movimentos.
– Querendo ou não, você é uma garota corajosa. Do tipo que luta até o fim pelo que quer. O tipo de pessoa que não tem muito medo. – ele a olhou atentamente, esperando uma reação. – Eu gosto de pessoas assim. Normalmente elas possuem um lado ruim interessante, e fazem de tudo para escondê-lo.
– Eu não tenho um lado ruim.
Dessa vez ela respondeu e ele sorriu maliciosamente. Ginny parou o movimento das mãos calmamente, como se tivesse terminado com a massagem por vontade própria, quebrando a regra de que era ele que teria que dar a ordem para que ela parasse. Levantou-se, olhando-o com o que ela julgava ser calma, mas Fenrir conseguiu captar a indignação nas orbes claras.
– Dê-me logo essa poção e pare com essa tortura. Eu preciso dormir.
Quase disse ao lobisomem que havia passado mal o dia inteiro e que não estava com muita paciência para os jogos verbais. Mas pensou no elfo e em como Greyback não demoraria a juntar as peças. Calou-se, olhando-o e esperando uma reação dele.
Fenrir apenas sorriu. Desafio. Justamente o que ele havia dito a ela minutos antes. Ele conseguia sentir o cheiro do desafio impregnado no corpo dela assim como conseguia sentir o cheiro do medo.
Levantou-se da poltrona, ficando em frente a ela. Ginny engoliu em seco. Ele era muito mais alto do que ela, e isso ficava ainda mais evidente quando ele estava tão perto. Ele colocou alguns dedos no colo dela, empurrando-a para trás. Ela cedeu, dando passos acuados.
– Sabe o que lhe deixa inquieta, garota? – ele perguntou. – Não é o fato de eu tê-la estuprado...
Ele continuou a empurrá-la. Ginny deixou-se ser conduzida, sabendo que não conseguiria sair dali. Ele parecia uma muralha.
– Você está inquieta porque gostou do que houve aqui. E você sente medo e culpa por ter sentido prazer comigo.
Ela sentiu seu rosto arder. Sua vontade era de bater nele, já que não possuía varinha para tentar um feitiço mais homicida. Sua vontade era de plantar as mãos nele e empurrá-lo com toda a sua força. Mas sabia que ele nem se mexeria.
– Você é ruim. – ela declarou.
– Todos somos. – ele deu de ombros. – Eu apenas deixo meu lado ruim aparecer mais. Cada um tem seu lado ruim, e cada um exerce esse lado de uma maneira.
Fenrir empurrou-a novamente, dessa vez com mais violência. Ginny sentiu suas pernas baterem em algo concreto, e tarde demais percebeu que era a madeira da cama. Ela caiu, o corpo jogado no colchão. Fenrir não permitiu que ela corresse dali igual tentara na noite anterior. Subiu na cama junto dela, se aproximando mais.
– Todos temos desejos obscuros. – a mão dele passou suavemente pela coxa dela, sentindo a textura macia da pele. – Há algo de ruim dentro de você também, garota. Deixe isso sair.
A mão dele subiu o vestido dela e a encontrou com facilidade. Os dedos fizeram uma pressão quase vulgar na roupa íntima que ela vestia. Ela fechou os olhos quando ele começou a movimentar os dedos ali, acariciando-se sensualmente.
– Se entregue a mim sem medo de gostar... – ele colocou o tecido para o lado, penetrando-a com um dedo. – Você não irá machucar ninguém com isso... apenas você mesma...
Era como se ele estivesse a obrigando a sentir prazer. Por mais que não quisesse, os dedos dele faziam um belo trabalho entre as pernas dela, e ela começou a sentir que ele a penetrava com mais facilidade. A umidade do seu sexo era evidente, e ele sentia isso facilmente. Era vergonhoso.
Ele permaneceu alguns segundos ali, até sentir que era o suficiente. O modo como ela arqueava-se de encontro ao corpo dele, o modo como os olhos dela estavam fechados e os lábios levemente entreabertos indicava que finalmente a garota iria se entregar. Com medo? Sem medo? Ele não sabia. E não se importava muito. A desejaria de qualquer forma.
As mãos enormes foram para a cintura, onde ele a puxou com facilidade para que ela se sentasse e retirasse o vestido que ela usava. Fenrir empurrou-a novamente para a cama e com um rápido movimento rasgou a roupa íntima da garota, jogando o resto do tecido para o lado.
Ele deitou o corpo sobre o dela, sentindo-a trêmula sob ele. Ginny esperou a dor, esperou que ele a invadisse sem pudores como fizera. Mas ele parecia disposto a ir com calma daquela fez. E estava. Fenrir queria experimentá-la mais. Senti-la mais.
As mãos correram pelo corpo dela, arrepiando-a por onde passavam. O membro dele estava duro contra ela, e ela tentava ignorar aquilo, e tentava ignorar o modo como o seu coração batia descompassadamente dentro do peito ao senti-lo daquela maneira. Ele se aproximou do rosto dela, correndo o nariz pela linha do maxilar dela, sentindo o cheiro adocicado dela ali. Ginny permaneceu quieta, apenas o temendo.
Ele beijou-a calmamente no queixo, para depois tomar a boca dela com voracidade. Ela não objetou dessa vez. Beijá-lo a primeira vez fora uma experiência diferente e grotesca, mas agora não sentia o asco que ela sentira anteriormente. Pelo contrário, os lábios dele estavam quentes, e passavam uma sensação de ardor que ela nunca experimentara em nenhum lábio masculino.
A língua dele a invadiu quase com pressa, como se ele estivesse ansiando por buscar a língua dela. Iniciaram uma dança prazerosa, e ela sentiu o membro dele endurecer ainda mais de encontro ao seu estômago. Fenrir a queria, de todas as formas que ele poderia usufruir.
A mão dele correu pela coxa dela, subindo levemente e começando a tocá-la novamente. Ginny gemeu dentro dos lábios dele, e para ele aquilo foi o suficiente.
Afastou-se bruscamente, retirando sua roupa íntima e ficando nu em frente a ela. Ginny tentou conter seus olhos, mas esses pareciam ter vida própria, e vagaram livremente pelo corpo dele, deliciando-se com cada músculo que estava em seu devido lugar. Deliciando-se?
Antes que ela pudesse sair de sua confusão mental, ele juntou-se a ela novamente, empurrando o seu membro dessa vez com menos violência para dentro da garota. Ela não sentiu dor como na noite anterior, mas um leve prazer de ser preenchida de uma forma puramente carnal e carregada de luxúria.
Ele se aproximou dela, lambendo o seu pescoço. Ginny fechou os olhos. Aquilo... Aquilo beirava à obsessão. Ele a experimentava literalmente com o paladar. E senti-lo fazer isso apenas a deixava em fogo. Era doentio, sim. Mas era prazeroso demais para que ela conseguisse ignorar. Sentia-se desejada de uma forma anormal. Pois Fenrir a desejava assim. Desejava a sua carne das duas formas possíveis. E queria devorá-la de duas maneiras diferentes.
Infelizmente ele só podia devorá-la de uma maneira.
E foi com isso em mente que ele começou os movimentos, afastando os quadris e empurrando-se dentro dela com rapidez e força. Ela fechou os olhos ao senti-lo invadi-la. Não pensou muito no que estava fazendo, apenas enlaçou a cintura dele com as pernas, correndo timidamente as mãos nos braços fortes, sentindo ali os músculos comprimidos. Ela passou os braços pelo pescoço dele, puxando-o de encontro a si.
Fenrir assustou-se com a atitude dela. Ginny também. Mas ele não relutou em atender ao pedido dela. Aproximou-se, beijando-a novamente enquanto a penetrava sem pudor.
E chegaram no mesmo momento ao prazer. Ela contraindo-se e arqueando-se em direção ao corpo dele. Deixou escapar um gemido de redenção que ela não se permitiu soltar na noite anterior. Ele derramando-se dentro dela e sentindo uma corrente elétrica incomum percorrer o seu corpo imenso.
O que fora aquilo?
Ele se sentiu desnorteado momentaneamente. Ela também. Mas nada falaram. Fenrir apenas se afastou, caindo ao lado dela.
Ficaram bons minutos ali, apenas escutando as respirações pesadas. A dela estava acelerada. A dele nem tanto. Ele virou-se para ela e a olhou com os olhos cinzentos. Ginny percebeu um brilho amarelado nas orbes quando ele sorriu maliciosamente.
– Você precisa tomar a sua poção. – ele correu os olhos pelo corpo nu dela. – Do jeito que está, se não bebê-la, irá desmaiar.
Ela queria amaldiçoá-lo, mas sabia que aquilo não seria possível. Então se contentou em assentir, sentindo seus olhos lacrimejarem no processo.
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