Início

Ginny acordou na manhã do dia seguinte sentindo-se extremamente descansada. Ela espreguiçou levemente, tendo plena consciência do corpo imenso ao seu lado. Ela estava de costas para ele, mesmo que sua cabeça estivesse pousada no braço musculoso. Ela sabia que ele estava acordado. Fenrir não era de dormir muito, e mesmo que eles quisessem se dar ao luxo de descansar por horas, sabiam que não poderiam. A nova guerra estava quase estourando, Comensais da Morte estavam cada vez mais próximos e perigosos, e pessoas que Ginny amava estavam agora distantes dela.

Ela tentou não pensar muito nisso. Sentia-se extremamente ansiosa quando se deparava com questões como aquela. Pois querendo ou não, estava dividida. Seu corpo estava exatamente em cima da linha que separava o lado ruim e errado da guerra do lado bom e certo.

Respirou fundo, virando-se para o lobisomem e passando a perna por cima do corpo dele sem conseguir se conter. Sentiu um forte arrepio correr pelo seu corpo ao fazer isso. O braço passou por cima do tronco dele, os dedos acariciando levemente o peito forte que ele possuía. Fenrir fechou o braço onde ela estava deitada segundos antes, enfiando automaticamente os dedos por entre os fios ruivos.

Depois de alguns segundos se acariciando, ela suspirou levemente.

– O que foi? – ele perguntou.

Ginny temeu responder aquela pergunta, mas depois de tanto tempo de convivência, sabia que o melhor caminho era ser sincera.

– Sempre quando estou com você, me sinto dividida. Nunca parece algo totalmente certo. Mas também nunca parece totalmente errado.

Ele ficou calado por alguns minutos, apenas acariciando os fios longos do cabelo dela. Depois de algum tempo, remexeu-se no colchão.

– É claro que não parece certo. Eu mato por prazer, e uso Artes das Trevas. Eu sou um lobisomem, e já passei a licantropia para muitas crianças...

Ele disse de forma sincera. Ela se afastou brevemente dele e virou-se, olhando-o nos olhos. Fenrir não quebrou o contato.

– Não é isso... seria totalmente errado se você fosse totalmente ruim. Mas não é. Eu consigo enxergar o lado bom em você. – ela olhou para o peito largo dele, no mesmo momento que seus dedos delicados acariciavam a pele daquele lugar. – Eu sei que é uma faceta muito pequena, mas ela existe.

Fenrir não conseguiu achar palavras para o que ela havia dito. Em outra época, daria uma gargalhada e a chamaria de idiota. Mas naquele momento nada lhe passou pela cabeça. Apenas ficou tocado com a consideração dela. Mas inquieto. Muito inquieto.

– Não seja tola, garota. Não sou bom.

Ela não respondeu de imediato, o que o deixou ainda mais inquieto. Depois de alguns minutos, ela se afastou dele para logo depois subir nele, passando uma perna de cada lado do corpo imenso. Abaixou-se novamente e pousou com delicadeza o rosto no peito dele, sentindo ali o coração dele bater levemente. Quase sorriu ao ouvir o som.

– É melhor sair daí. – ele sugeriu.

Ela apenas respirou fundo, fechando os olhos para que conseguisse se concentrar melhor no som das batidas.

– Por quê?

– Digamos que não estou muito empolgado em deixar a parte boa da minha personalidade aparecer.

Ele respondeu, fazendo-a ficar alerta. Mas ela não disse mais nada, apenas murmurou algo incoerente. Fenrir correu as mãos enormes pelas costas dela, sentindo a textura fina da pele, sentiu-a se arrepiar ao toque dele, e deliciou-se com aquela reação.

– Saia daí, garota. Ou vou mantê-la nessa cama a manhã inteira.

Ela levantou o rosto brevemente, fitando-o quase com diversão, mas ele conseguiu facilmente distinguir a malícia nas orbes claras. Ela sorriu para ele, e para ele, aquilo foi praticamente um convite, um gesto que o obrigava a tomá-la novamente, mesmo que tecnicamente ainda nem tivessem acabado de acordar.

Ela levantou o corpo, olhando-o com atenção. Fenrir admirou a beleza peculiar daquela garota. Os olhos estavam mais escuros por causa da falta de luz no quarto, apenas a claridade da manhã chuvosa entrava pela parte fina da cortina, iluminando-os fracamente, mas o suficiente para que eles conseguissem discernir os contornos um do outro. O cabelo dela caía como cascata pelas costas, muitos fios ruivos tampando boa parte do ombro esquerdo, assim como uma parte do seio pequeno. As pernas dela estavam trêmulas, como se ela estivesse na expectativa do que ia acontecer naquele momento.

Fenrir conseguia sentir isso dela. Com o corpo, mas também com a alma.

As mãos dele correram pelas coxas dela, mas ele logo deslizou uma para a cintura, enquanto a outra buscava algo entre as pernas dela, achando facilmente. Os dedos dele tocaram-na quase com reverência. Ginny fechou os olhos, sentindo o trabalho divino que ele estava fazendo. Era incrível o que aquele lobisomem podia fazer quando não estava distribuindo mordidas e ódio pelo mundo. Ela começou a se mexer de acordo com os movimentos da mão dele, sentindo-o melhor com isso.

Fenrir achou que ia enlouquecer, era um prazer quase inexplicável vê-la sucumbir aos poucos ao toque dele, mesmo que o toque fosse praticamente nulo. Ele deixou-a por breves momentos e ela abriu os olhos para procurar o motivo da interrupção, mas logo depois sentiu as mãos dele sobre suas coxas. Com um movimento rápido, ele a virou, colocando-a na cama e subindo no corpo frágil dela com facilidade.

Ele a olhou intensamente. Mas ela não percebeu aquilo por causa da escuridão do quarto. Ginny fechou os olhos quando sentiu os dedos dele novamente sobre ela, tocando-a com maestria. Ele direcionou o membro para a entrada dela, deslizando para dentro dela com uma facilidade absurda. Com calma. Lentamente. Pela primeira vez.

Ficaram assim por breves segundos, até decidirem que não era o suficiente. Fenrir se afastou dela e voltou a encontrá-la. A calma havia se esvaído. Ele agora a queria, com a mesma maldita intensidade de sempre. Um desejo anormal, e que ele nunca sentira por outra mulher. Não era muito de se deitar com várias, e isso era devido à sua aparência e não ao seu apetite. Normalmente precisava pagar para que uma bruxa tivesse que abrir as pernas para ele.

Mas com ela não. Ela o aceitava, indiscutivelmente.

Ginny adorava o modo como o corpo gigante dele dançava sobre ela, adorava o modo como ele mexia o quadril de forma selvagem, como ele parecia perder a noção da força que suas mãos possuíam ao apertar a carne dela, como ele parecia ofegante à medida que ambos os corpos pediam por mais. E adorava ainda mais o modo peculiar com que ele a experimentava, como se tivesse a sorvendo com a boca e com a língua.

Fenrir tomou um dos seios pequenos com a boca, sugando-os à medida que seu quadril aumentava a velocidade. Sentiu as paredes do sexo dela apertar o seu membro, escutou o gemido contido que ela deu ao alcançar o seu clímax, viu-a arquear-se em direção a ele e se aproximou da boca dela dessa vez, beijando-a vorazmente enquanto se derramava dentro dela, praticamente esmagando-a com o peso do seu corpo quando ele a prensou no colchão.

E ficaram ali parados, por alguns minutos. Não conseguiam se enxergar, parte pela escuridão do quarto, parte por estarem em êxtase. Mas se escutavam. Ela conseguia discernir a respiração pesada dele da sua respiração um pouco mais leve, um leve rosnado saiu da garganta dele quando ele deitou-se ao lado dela, puxando-a para si. Ginny aninhou a sua cabeça no braço dele, enfiando o rosto no pescoço dele enquanto Fenrir a abraçava.

Permitiram-se dormir mais algumas horas antes de acordar para o pesadelo que os esperavam.

[...]

Ginny estava na biblioteca, sentada em um sofá e lendo um livro qualquer de romance bruxo, permitindo-se se dedicar à leitura de algo incrivelmente inútil depois de ter passado horas naquele lugar pesquisando sobre a licantropia. Fenrir estava ao lado dela no sofá, mas não tinha nenhum livro nas mãos, seus olhos felinos estavam focados na garota. Ele parecia atento a tudo, até mesmo quando o vento batia mais fortemente no vidro da janela. Ela não parecia ter noção do modo como ele a olhava, dedicava sua atenção total ao livro, enquanto ele parecia ainda mais absorto em cada gesto mínimo que ela fazia.

De repente, um barulho no corredor chamou a atenção de ambos.

O coração de Ginny pulou, mas antes que ela pudesse tomar alguma atitude, ele havia se levantado do sofá em uma velocidade surpreendente e, com um gesto de mãos, olhou-a com atenção.

– Fique aqui.

Ele praticamente ordenou, e ela acatou a ordem, sabendo que era o mais sábio a se fazer. Fechou o livro com delicadeza e pousou-o no sofá, inclinando-se um pouco ali para tentar escutar algo mais. De onde estava, sua imagem era protegida pela porta, mas ela conseguiu escutar com clareza as vozes que vinham do corredor.

– O que está fazendo aqui? – a voz de Fenrir perguntou.

– Mexa-se, Greyback. Descobrimos o esconderijo principal da escória. Mandamos os Comensais para lá.

Uma voz rouca o respondeu. Ela sentiu um aperto no coração. Algo lhe dizendo que sua família estava novamente em perigo.

– E como vou para lá se não sei a maldita localização do esconderijo?

– Fica naquela rua do subúrbio de Londres. Você conhece, Greyback. Pode localizá-la pela quantidade de prostitutas trouxas e bruxas que ficam ali. A casa oculta não está entre prédios. Fica em um terreno baldio.

Ao ouvir o Comensal da Morte, Ginny sentiu-se enjoada rapidamente. Era o esconderijo onde ela estivera com sua família e amigos dias atrás. Ela percebeu o silêncio de Fenrir, mas não ousou sair dali. O Comensal da Morte ainda ficou alguns segundos ali, dizendo para o lobisomem onde eles estariam e dentro de quanto tempo todos os Comensais iriam atacar.

Logo depois que a voz do homem não foi mais ouvida, ela viu Fenrir entrar na biblioteca. O que o lobisomem encontrou foi uma garota praticamente em pânico. Ele se agachou ao lado dela, olhando-a com atenção. Havia lágrimas nos olhos da ruiva.

– O que você vai fazer? – ela perguntou com a voz embargada.

Ele não respondeu de imediato, até porque realmente não tinha uma resposta para aquela pergunta. Respirou fundo e olhou-a novamente.

– Você precisa ficar aqui. – ele a pediu.

– É claro que não vou ficar aqui! Você não vai fazer isso comigo!

É claro que ela não ia ficar ali. Fenrir sabia disso antes mesmo de fazer o pedido. Ele permaneceu em silêncio, parte querendo amarrá-la ali e acabar logo com aquilo, parte querendo deixá-la ir, porque sabia que ela no castelo poderia ser algo tão perigoso quanto ela nas ruas de Londres.

– Minha família está lá fora, Fenrir. Você sabe o que isso significa? Eu não vou ficar aqui!

Ela começou a brigar e ele sabia que se ela não se calasse, ele poderia perder a paciência. A situação era crítica, e ele descobriu-se sendo extremamente protetor quando o assunto era ela, assim como descobriu odiar aquele tipo de pressão quando se tratava da sua companheira.

Gesticulou brevemente com as duas mãos.

– Tudo bem. Você pode ir. – olhou-a com extrema atenção. – Mas eu sigo ordens, garota. Sabe o que eu preciso fazer.

Aquela última frase deixou-a praticamente em pânico. Ginny ajoelhou-se no sofá, aproximando-se dele. As mãos delicadas pousaram brevemente no pescoço do lobisomem. Ela o fitou com atenção.

– Lute ao meu lado, Fenrir. Eu sei que você pode fazer isso.

Ela praticamente implorou, mas ele não parecia muito apto a lhe dar atenção. Desviou-se do toque dela com experiência, andando até a porta da biblioteca e saindo do cômodo. Ela o seguiu rapidamente, subindo as escadas junto com ele. Fenrir entrou no quarto, indo diretamente até o quadro.

– Abra, seu inútil.

Daquela vez a pintura estava ali, mas não pareceu realmente incomodado com a falta de educação do seu mestre. Na verdade, ele parecia intrigado com o momento. Via-se claramente o nervosismo do lobisomem e da ruiva. Ele abriu-se para os dois, e Fenrir pegou novamente o colar da Pedra da Lua, caminhando para ela e colocando a joia no pescoço da garota.

– Você precisa usar isso. A lua vai fazer com que eu a ache novamente, em qualquer lugar que você esteja. Você conseguirá me achar também. Basta seguir o feixe que a luz da lua vai fazer no chão.

– Você também tem um colar? – ela perguntou, curiosa.

– Não... mas a lua faz parte de mim. Não preciso de um colar para isso.

Ela assentiu, no mesmo momento em que ele se virava e pegava uma varinha de um estojo que estava ali. Ele retirara o estojo de uma gaveta falsa. Ginny se sentiu estúpida no mesmo momento. Se tivesse em posse de uma varinha antigamente, tudo poderia ser diferente. Mas ela realmente queria que tudo fosse diferente?

Antes que pudesse responder a pergunta que estava em sua mente, ele entregou a varinha para ela, obrigando-a a fechar a mão no objeto.

– A quem pertenceu essa varinha?

Ela perguntou. Não queria possuir uma varinha que já matara vários inocentes, talvez até crianças. Também não queria ter uma varinha de alguém que já morrera pelas mãos de Fenrir. Mesmo ela sabendo que não tinha muita opção de escolha.

Pertence a mim. Nunca a usei. Comprei na época em que fui mordido... as duas possuem quase as mesmas características.

Ela assentiu, anotando mentalmente a informação que ele lhe dera sem perceber. Então ele fora mordido, o que acabava com a sua teoria sobre a licantropia passar de pai para filho. Mas se o colar que ela usava pertencia a uma família de licantropos, o que aquilo significava? Fenrir poderia ter sido mordido pelo pai? Aquilo era absurdo!

Ela não teve tempo de pensar muito sobre aquelas perguntas, logo ele saiu do quarto, indo em direção ao cômodo que ela antes entrara com Hermione para fugir dali. Ele abriu a porta calmamente, lançando um feitiço sobre a lareira, que foi percorrida por uma espécie de véu prateado, que logo depois sumiu.

Ele não perguntou nada a ela. Ginny desconfiava fortemente de que Fenrir sabia que ela havia fugido por ali. Mas algo em seu íntimo também sabia que aquela não era a hora de falar sobre aquilo. O mundo lá fora estava em guerra, e ela agora estava em perigo.

Sem conseguir se conter, ele se aproximou dela, a mão enorme a pegando pela nuca e fazendo-a se aproximar também. Beijou-a com paixão, um beijo rápido, mas intenso. Um tocar de lábios rude, mas prazeroso.

– Tome cuidado.

Foi a última coisa que ele disse a ela antes de entrar na lareira. As chamas verdes o engoliram, levando-o para longe dela. Ginny ficou parada alguns segundos ali, sentindo seus lábios quentes por causa do beijo que ele lhe dera.

Com relutância e extremo medo, entrou ela mesma na lareira, sabendo que ela era encantada e que não precisaria de Pó de Flu como Hermione precisara daquela vez. Fechou os olhos, pensando mais ou menos no lugar em que gostaria de estar.

[...]

Ela estava quase perdida. Apenas algumas ruas eram familiares aos olhos dela. Ela sabia disso. Havia estado com Hermione ali dias atrás, mas as circunstâncias eram extremas e ela na época focou-se apenas em seguir a amiga, e não decorar o caminho. Mas precisava procurar o local certo, e ao mesmo tempo esconder-se para não ser vista. Sentia medo, mas a adrenalina não a deixava parar.

De repente lembrou-se das instruções que aquele Comensal da Morte que estivera no castelo dissera a Fenrir. Conseguiu achar com facilidade as ruelas do subúrbio, as prostitutas a olharam com visível curiosidade, algumas percebendo a varinha que ela estava na mão e se afastando. Ginny julgou que aquelas eram prostitutas bruxas, e sentiu-se burra por não ter jogado algum feitiço no cabelo ou no rosto para se modificar.

E foi depois de muito tempo que achou. As ruelas começaram a ficar mais espaçadas e as prostitutas foram sumindo aos poucos. Ela lembrou-se daquele lugar, e sem conseguir se refrear, sem pensar muito se estava sendo seguida, correu desesperadamente pelo beco, saindo de uma vez em um terreno baldio. Ela conseguiu enxergar um feixe estranho, como se uma porta estivesse se abrindo ali. E estava.

Ginny era conhecida ali, e a porta iria aparecer para ela quando a garota entrasse no limite do esconderijo.

Ela entrou correndo pela porta, assustando a todos que estavam ali. A família dela a olhou com um misto de surpresa e desconfiança. Ginny estava ofegante, tentou falar naquele momento, mas não conseguiu.

– Ginny? O que está fazendo aqui?

Molly perguntou, aproximando-se da garota, que gesticulou para que a mãe não a abraçasse. Ela colocou a mão no peito, sentindo o coração bater fortemente ali dentro.

– São os Comensais da Morte. Eles estão vindo.