Beating Heart
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Como ela chegara ali, ninguém sabia. Ela se via deitada noutra cama que não era a dela. Nua.
O cheiro no ar era diferente. Este tinha cheiro de lavanda. Por mais que tentasse lembrar, nada vinha em sua mente.
O barulho do chuveiro era constante havia alguns minutos.
Sua visão ainda estava turva, e os nervos sacudiam dentro de si. Os neurônios pareciam queimados de tanta dor em sua cabeça. Os membros latejavam, e ela tinha certeza que estava de ressaca.
– Can you feel, the love tonight...!– gritou o rádio, fazendo-a sentar, puxando a coberta para que conseguisse cobrir os seios, e pôs a cabeça dentre as mãos.
As músicas repetidas de Elton John eram tocadas ao último volume. Apesar da paixão secreta pelas músicas do britânico, ela queria que o homem que tivera dormido com ela — não precisava ser muito esperto para descobrir o que acontecera ali, de fato — desligasse o som.
Pelo menos por um tempo, até que a cabeça dela parasse de latejar.
O barulho de água escorrendo finalmente cessou, e ela ouviu a tranca da porta. Fechou os olhos e virou de costas para que ele não a visse acordada. Ou, talvez, ela não quisesse vê-lo.
Não ainda.
Por sorte, a música cessou e ela respirou fundo, aliviada. Os passos longos do homem eram característicos, ela não podia negar.
Não conseguia se lembrar de quem eram tais passos. E, certamente, não queria vê-lo. Seria meio difícil para ela olhar para um homem — talvez, até desconhecido — e contar-lhe que não se lembrava de nada.
Constrangedor.
Ouviu o barulho das molas da cama quando ele subiu. Lentamente, ele a envolveu com os braços.
Ei, ela conhecia aqueles braços.
Ei, ela sabia quem era ele.
Virou-se lentamente para ver quem era, e se seus sonhos realmente haviam se tornado reais. Mas ela mal pôde vê-lo. Os lábios furiosos dele abocanharam os dela com uma força estupenda. Não conseguiu reagir a tal ataque.
As mãos dele descobriram o corpo dela, a fim de obter um pouco mais de... satisfação.
Separaram-se somente quando o ar fez-se realmente necessário. Ela conhecia aqueles olhos como conhecia a palma da mão. Conhecia todos aqueles músculos como a si mesma.
– Castle... — começou ela, podendo ver como o azul estava escuro.
Aquilo só podia significar uma coisa: Desejo. Cobiça. Paixão.
– Não vá me falar de regras da polícia agora... — sussurrou ele. Ela riu.
– Que eu saiba, não somos parceiros de verdade — riu novamente. Ele a acompanhou. — Apesar de estar sendo um pouco desconfortável estar nua na frente de um dos meus melhores amigos.
Ele gargalhou, puxando mais as cobertas para si, revelando o corpo perfeito que ela tinha.
Kate corou.
Ele não esperou resposta. Subiu em cima dela — literalmente — e beijou-a com toda a fúria e paixão que existia em seu ser. Kate levou suas mãos ao pescoço dele, e ele sorriu, contra os lábios dela.
••
As respirações descompensadas, arquejantes, os olhos de ambos brilhando.
Pura volúpia.
Ela sorriu, e olhou para ele, que olhou-a curioso.
– O que foi? — perguntou, com palavras entrecortadas. Ela riu novamente.
– Nada... — respirou — Só nunca nos imaginei como um casal.
Mentira.
Ele riu, e concordou; mentiroso.
Deitou-se ao lado da parceira — mesmo que não fossem — e puxou-a para seu peito. Ela deitou a cabeça ali, e sussurrou a coisa mais óbvia de todos os tempos:
– Eu posso ouvir o seu coração.
Ele riu e cobriu seus corpos nus.
Deitou-se por cima dela, coberta pelos lençóis.
– Também posso ouvir o seu. E, te digo uma coisa: o meu bate por você. — riu.
Ela sorriu acanhada, quando ele pôs uma mecha de seu cabelo molhado de suor para trás de sua orelha.
– O meu também bate por você. — sorriram juntos.
Ele aproximou seus lábios, e beijou-a. Não com voracidade, não com desejo, mas com amor. Kate girou os corpos, e colocou-se em cima dele.
A partir de agora, uma nova cena de amor começaria.
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