Beacon Hills Institute
64 DR - Discussão de relacionamento
Não sabia o que poderia ser pior: Um Derek que rosnava e exibia sua famosa (e patenteada) careta de quem chupou limão ou um Derek que não falava nada e encarava com aquele olhar de peixe morto... Um peixe morto muito furioso. Seria, então, um peixe zumbi? Ou uma piranha assassina? Talvez a comparação não tinha sido adequada, contudo, fato era que o Hale não emitira um rosnadinho sequer durante todo o relato de Stiles, além de manter uma mirada que focava em algum ponto além do adolescente. E isso o estava deixando cada vez mais nervoso...E quando ficava nervoso o índice de tagarelice aleatória alcançava níveis perigosos.
— Olha, sei que tudo parecer meio que perigoso! Mas, o fato de estarmos aqui, inteiros, já prova que o grau de perigosidade pode ter sido superestimado! Sim, lutamos com o Kanima, isso não estava nos planos, afinal, não costumo acrescentar combates com lagartixas-lobisomens em meu planejamento! Além disso, não diria que tenhamos lutado propriamente dito, pois nós meio que fomos massacrados... Digo, não no sentido literal! Afinal, como eu disse e volto ressaltar, estamos inteiros! Além disso, devo enfatizar que vocês não falaram nada sobre o grau de feiura do Kanima! Gente, aquilo é o primo feio do lobisomem? Ele mais parece um cruzamento de Alien e algum dinossauro! Um cruzamento que deu errado, devo frisar! Na verdade, nem parece um lobo! Ainda digo que essa coisa de largatizomen não tem sentido... Alguém pode ter errado na escrita do enredo sobrenatural, sabe? E não pode nos culpar totalmente! Digo, o fato de termos invadido...Não... Essa palavra é muito forte...Digamos que nos esgueiramos no departamento de polícia com finalidades totalmente altruístas e heroicas, se deu porque a segurança do centro de operações de nossos oficiais da lei não era boa! Afinal, não fomos os únicos a invand...Digo...Esgueirar! O Kanima também o fez! Cade vocês indo atrás dele para pedir explicações? Não! Tem que pedir a nós, garotos altruístas e heroicos!
— Stiles... – Scott cutucou o seu amigo, que, por sua vez, fazia gestos mirabolantes com as mãos enquanto tagarelava.
— E pelo visto, esses reles garotos estão na dianteira na investigação! O fato de vocês dois estarem aqui, não deve ser por querem fazer piqueniques nos limites da reserva de Beacon Hills, não é? Isso poderia esperar do Pietro, mas não do Derek. Bem que, as pessoas podem nos surpreender...Mas imaginar o Derek fazendo uma cesta de piquenique e arrumando uma toalha quadriculada sobre a relva não é algo que consigo materializar em minha mente... Talvez se ele tivesse de sunguinha...
— Stiles! – Agora foi a vez de Lydia tentar interromper aquele monólogo, ao invés de cutucar a garota deu uma tremenda cotovelada fazendo Stiles perder parte do ar de seus pulmões.
— O que? – Inqueriu gemendo, segurando a lateral de seu corpo, aquela garota podia ser bem mortífera.
— Cala a boca. – Disse Lydia lentamente.
E um silêncio pesado se instalou no ambiente, silêncio esse cortado pelo o cantar de alguns pássaros e o cricrilar de alguns grilos. Todos pareciam esperar pela a resposta a ser dada pela dupla de rapazes sobrenaturais. Derek ficar todo caladão não era uma grande novidade, mas Pietro também permanecer quieto? Talvez eles tenham mesmo pisado na bola.
— Vocês estão dramatizando demais a situação. – Disse Abraham, quebrando o climão ruim. Bem, ele realmente não “quebrou” o clima, pois a tensão permanecia. Na verdade, parecia que até tinha piorado!
— Dramatizando? Um grupo de adolescentes enfrentando um monstro que não possui a capacidade de sentir empatia ou remorso... Ele não iria hesitar, pois é apenas um fantoche controlado por seu mestre! Esqueceram disso? Além disso, devemos enfatizar o fato destes mesmos adolescentes, em sua maioria, não possuem habilidades de combate? Não se trata apenas de drama e sim de descrever a realidade. Se vocês sobreviveram foi apenas por sorte! E por quanto tempo terão que depender da sorte?
A explosão de Derek era esperada, mas ele não foi o único a desferir uma tonelada de críticas.
— Vocês não confiaram em nós. – Disse Pietro cravando a sua mirada em Abraham – Em algo tão importante e perigoso, nem sequer passou na cabeça a ideia de vocês nos informar?
Aby engoliu em seco, não estava acostumado a lidar com um Pietro sério.
— Se fizéssemos isso vocês iriam nos impedir e não é como vocês também não estivesse escondendo parte da investigação...
— Se iriamos impedir era devido o perigo potencial de vocês se machucarem! Isso só mostra que nós nos importamos! Além disso, poderíamos cooperar... Se você pedisse eu te ajudaria, Aby... Sou tão inútil assim para ser descartado como aliado?
Aby sentiu seu coração apertar.
— N-não. Não foi...
Qualquer desculpa a ser formulada por Van Helsing não foi ouvida, pois com sua velocidade vampiresca Pietro despareceu.
— Verrek!! – Praguejou Aby já correndo atrás do seu namorado, mesmo que esse só passasse de um borrão de cor se distanciando por entre as árvores da reserva.
Definitivamente eles tinham pisado na bola.
— Bem... – Cris pigarreou chamando a atenção para si, não estava gostando de ser alvo daquele sermão sendo ele o adulto ali – Eu entendo a sua preocupação, senhor Hale...
— Entende mesmo? – Inqueriu Derek cheio de escárnio.
— Sim, entendo. Quando os meninos falaram o que tinham feito, também compartilhei do seu sentimento de medo e apreensão. Sim, eu devia ter comunicado com a policia, mas devido as informações que eles me trouxeram, achei melhor permanecer calado por enquanto. Afinal, cedo ou tarde eu seria procurado...É por isso que você e seu companheiro vampiro estão aqui, não é mesmo? Me seguindo. Vigiando.
— Isso não é uma boa justificativa para se abster de comunicar as autoridades! Além disso, ao invés de critica-los, você os estimulou a essa...
— A treina-los. Prepara-los para um futuro, pois pelo o pouco que vi destes garotos, presumo que um sermão ou deixá-los de castigo pouco irá impedir que eles sigam com seus planos.
Derek rosnou, isso deixou Stiles meio aliviado, um Derek não-rosnador não era de fato o seu Derek!
— Eu não esperava que um pai falaria algo deste tipo.
Christopher Argent deu um meio sorriso triste.
— Sou pai, mas grande parte de minha vida fui caçador. Deve saber que somos treinados desde a tenra idade no combate e caça. Preparar nossos filhos para enfrentar monstr...Digo... Nossos inimigos era algo normal. Sim, as coisas podem ter mudado, mas os perigos ainda persistem. Não falo de seres sobrenaturais e sim em seres, somente. Ou seja, humanos ou sobrenaturais, que podem vir a atacar adolescentes independente se eles têm capacidade de se defenderem ou não. Ficarei tranquilo em saber que forneci o conhecimento necessário para eles usarem para sobreviverem em nosso mundo.
— Isso não está certo! – Continuou a rosnar Derek, avançando em direção ao humano que não recuou diante da evidente fúria do lobisomem – Eles podem se machucar. Podem morrer!
— Ninguém nasce protegido por uma redoma de vidro, senhor Hale. Para morrer, basta estar vivo. Pode parecer duro, mas essa é a realidade. Prefere protege-los ao ponto de se alienarem e se tornarem presas fáceis em uma situação de crise, ou prepara-los para os obstáculos que, por ventura, eles irão enfrentar?
— Você não entende! – Derek estava quase assumindo a sua forma beta, Allison, se interpôs entre o seu pai e o lobisomem. Scott logo a seguiu, rosnando ameaçador para o Hale.
— Derek! – Stiles segurou o braço do Hale – Não desconte a sua raiva e frustrações no Cris! Ainda mais você está realmente bravo é comigo e não com ele!
Derek paralisou, voltou seu olhar para Stilinski e assentiu lentamente.
— Isso e verdade. – Sussurrou afastando, de forma brusca, as mãos de Stiles de seu braço. O garoto mordeu o lábio inferior, aquele gestou foi como uma verdadeira faca em seu coração. Derek estava mesmo irritado.
— Er... Acho que é melhor a gente vazar. Tipo, é obvio que eles têm que papear um pouco! As vibes estão pra lá de negativas e com plateia só irá piorar mais! – Exclamou o tritão puxando consigo Isaac e Danny, obviamente querendo escapar daquela situação – Vamos! Isso é para o bem de nossa aura!
— Stiles... – Scott parecia relutante em se afastar – Você vai ficar bem?
Stilinski forçou um sorriso e assentiu.
— É como o Ethan disse, eu e Derek temos que “papear”.
McCall, mesmo hesitante, concordou, e lançando um olhar de advertência para Derek, se afastou, com o resto do grupo.
Agora estavam sozinhos. Os pássaros cantavam, os grilos cricrilavam e o Derek rosnava. Perfeito, todos faziam seus sons característicos. O universo estava, por fim, em equilíbrio.
— Então...Acho que um desculpe, não irá colar, não é? – Ousou questionar.
Derek quase rugiu.
— Você deve querer me enlouquecer! Só pode... – O Hale começou a andar para o lado e para o outro, tal como uma fera enjaulada – Enfrentar um Kanima!? Entregar uma prova crucial para nossos inimigos! Confabular com um caçador! Mas de tudo isso o que mais me irrita é o fato de você mentir para mim!
Stiles engoliu em seco.
— Olha, mentir talvez seja uma expressão meio forte...
— E como você descreve o que você fez? – Perguntou Derek parando o seu errático movimentar para encarar o seu namorado.
— Ocultação temporária da verdade? – Tentou o adolescente.
— Temporária, é? Quando pretendia me contar?
— Quando a possibilidade de você surtar fosse menor! Tipo, você parece entrar nesse modo lobo protetor e não escuta nada do que digo e muito menos iria apoiar o que eu fosse fazer!
— Como posso apoiar que você se ponha em perigo?
— Você fala como se eu fizesse de propósito! Eu não pretendia esbarrar no Kanima! E quanto a você?
— Eu? – Derek ergueu a sobrancelha, surpreso.
— Sim. Você. – Stiles cutucou o peitoral musculoso do lobisomem – Todo o dia você se expõe ao perigo!
— Mas...Eu estou trabalhando para a minha alcateia, para a proteção de nosso território e das pessoas que vivem nele, é o meu dever como beta...
— E acha que também não é o meu dever para com os meus amigos? Um vampiro foi morto...Ele podia ter sido o Pietro ou a Elizabeth! E há pouco tempo, um lobisomem foi assassinado! Ele podia ter sido o Scott, Isaac e até mesmo...Você!
Lágrimas escorriam de sua face e toda a raiva que consumia Derek Hale se esvaiu. Stiles se preocupava? Devido as ações meio que inconsequentes do jovem Stilinski, fora levado a crer que Stiles podia não medir os efeitos de seus atos. Derek o subestimou.
— Stiles...
O garoto levantou a mão, indicando que o Hale se calasse. Com as costas da manga da camisa que usava, enxugou o rosto.
— Sei que irá dizer que tem treinamento e tem o seu poder sobrenatural! Mas isso não te faz ser invencível. E se estamos seguindo a mesma linha de raciocínio na investigação, sabemos que são humanos que estão por trás disso...E isso não os torna menos ferozes! Eu quero ajudar, não só por que sou um garoto hiperativo fanático pelo sobrenatural e que não consegue controlar a curiosidade... Não. Quero proteger meus amigos, eles também são a minha família. E por que não dizer alcateia? Pois é isso que uma alcateia é, não mesmo? Uma família! Além disso, sei que posso ajuda-los! Se tenho alguma habilidade que realmente preste é essa...
— Você tem muitas habilidades uteis, Stiles. – Sussurrou Derek – Você é inteligente, corajoso e muito mais valoroso do que...
Eu. Era isso que iria dizer, mas a palavra não conseguiu se formar em seus lábios.
Stiles tocou novamente o braço de Derek, um toque tímido, talvez temendo ser afastado novamente.
— Der... Eu realmente peço desculpas, mas...Eu não irei parar o que estou fazendo. Pode contar ao meu pai. Pode contar para a sua mãe... V-você pode até terminar comigo, mas eu não irei abandonar meus amigos.
Derek soltou um som muito semelhante a um ganido.
— Eu nunca iria terminar com você. – Falou isso enquanto puxava o menor para perto de si o abraçando. Seu coração estava acelerado, só de imaginar o que o Kanima poderia ter feito. Que poderia ter perdido Stiles, sem ao menos revelar que ele era o seu Mate. Sem ao menos ter aproveitado aquele momento maravilhoso que estava tendo. Ademais, a perda poderia o enlouquecer. Além disso, seria hipocrisia de sua parte afirmar que não tinha pensado na possibilidade de Stiles e seus amigos estarem investigando por conta própria. Ele conhecia seu namorado. Sabia de sua obstinação. Afinal, foi essa característica, além de muitas outras, que fizeram que Derek se apaixonasse por Stiles Stilinski.
— Sério? Nunca? Isso significa que posso fazer qualquer coisa que você não irá...Ai! Você me mordeu?
Derek tinha mordiscado o pescoço de Stiles e não tinha se arrependido deste ato.
— Não irei terminar com você, mas não significa que não irei me irritar e que irei sempre perdoar.
Stiles assentiu, com lentidão.
— Desculpa... – Murmurou.
Derek soltou um suspiro e acariciou os cabelos castanhos de seu humano.
— Eu também devo me desculpar... Eu não deixei espaço para que você confiasse em mim.
— O que? – Stiles levantou a cabeça quase colidindo com a sua testa com o queixo do Hale, já que eles ainda estavam abraçados – Eu confio em você! Digo, posso ter mentind...Er...Ocultado temporariamente a verdade, mas eu confio em você! A questão é: você confia em mim, sour—wolf?
Derek foi pego novamente de surpresa com a pergunta e com o olhar firme do humano.
— Eu confio. – Se ouviu dizendo, não sequer hesitou ao falar aquilo. De fato, confiava em Stiles. E tinha quase certeza que aquilo não era consequência da ligação que eles compartilhavam como mates...
— Ótimo. Então, ao invés de sermos “rivais” na investigação, deveríamos nos unir, não é mesmo?
Derek rosnou. Tanto ele como sua parte lobo não apreciavam ideia de Stiles se expor a perigos, mas pelo visto (apesar de não querer admitir em voz alta) o caçador Argent estava correto. Ao invés de tentar limitar Stiles deveria estar ao seu lado, só assim poderia protege-lo de forma mais eficiente!
— Haverá regras e você terá que cumpri-las. – Disse, por fim.
— Céus! Você está parecendo o meu pai! – Resmungou o menor.
Derek optou por ignorar tal comentário.
— E o Argent não será o único a treinar vocês...Eu também vou.
Stiles ergueu as sobrancelhas, pelo visto, as aulas de defesa pessoal acabaram de se tornar ainda mais interessantes.
~**~
Pietro continuaria fugindo se algo não tivesse prendido as suas pernas. Ele caiu para frente, colidindo com um monte de folhas amareladas. Ao se virar, sentiu que suas pernas estavam imobilizadas, havia uma espécie de corrente de metal, cujas extremidades apresentavam esferas de chumbo pesadas, enrolada seus calcanhares.
— Mas...O que...
— Finalmente. – Arfou Abraham que se apoiava em um tronco de árvore. O holandês estava ofegante, rosto avermelhado e suado. Algo bonito de apreciar, não que Pietro estivesse relacionando aquela expressão de Abraham com outro contexto em particular...Lógico que não era isso.
Além disso, Pietro estava chateado, n]ao devia deixar margens para fantasias.
— Aonde você escondeu uma arma como essa? – Inqueriu apontando para suas pernas.
Como respostas Aby deu os ombros. O vampiro rolou os olhos, mas antes que fizesse qualquer movimento, foi atacado. Talvez atacado não fosse a melhor palavra para definir o que ocorreu. Abraham saltou para cima dele, posicionando os seus joelhos sobre os braços de Pietro, sentando sobre o peitoral do vampiro.
— Não pense que me seduzindo irá me fazer esquecer os seus erros. – Resmungou Beaumont.
— Seduzindo? Eu estou te imobilizando!
— Sentando com as pernas abertas bem na frente da minha cara?
Aby corou.
— Não mudemos de assunto, sim? Você fugiu!
Pietro queria poder dar os ombros, mas tal ato era meio difícil de fazer com o seu namorado pressionando os seus braços. Talvez realmente estivesse imobilizado...Talvez Abraham não tinha intensão de seduzi-lo. Só talvez.
— Eu não fugi, só... – Era difícil explicar, na verdade, analisando agora, sua atitude parecia ser algo muito infantil, mas não podia evitar...Se sentira ferido, traído, não queria encarar Abraham, mas pelo visto, teria que encara-lo, querendo ou não.
— Você estava certo.
O vampiro ergueu as sobrancelhas.
— Estava é?
— Eu... – Aby mordia o lábio inferior, algo que Pietro reconheceu como uma demonstração de insegurança do humano – Eu não fui correto em não te contar. Você não é neurótico como o Derek...
— Ele não é tão neurótico assim...
— A questão é: não havia um motivo plausível para eu não ter te contato sobre nossos planos! Isso foi errado...Mas não foi por você ser inútil! Isso não! Você já analisou bem o meu grupo de amigos? Eles não são guerreiros e tão pouco gênios táticos! Não é pelas habilidades deles que escolhi como companheiros...Parceiros...Foi por serem meus amigos...Por querer me ajudar, apesar de tudo. Por isso...Peço perdão...Eu fui muito estúpido em não ter te contado! Eu...
— Ei... – Pietro sorriu, querendo amenizar o clima. Podia estar chateado com o Abraham, mas não queria vê-lo chorar. Não de novo – Está tudo bem.
— Não está. – Insistiu Aby – Eu prometi que iria confiar mais... E acabei traindo a sua confiança.
— Olha, Aby, ninguém muda de uma hora para outra. Sim, você pode ter errado, mas eu também não devia ter dado aquele chilique... Devia saber que você não fez intencionalmente. Acho que estamos meio que quites, o que acha?
Abraham apoiou suas mãos, uma de cada lado do rosto de Pietro, deixando que seu rosto se aproximasse do vampiro.
— Você não pode me perdoar com tanta facilidade, digo... Eu devia ser punido. – Sussurrou, havia medo em seu olhar e também resignação, algo que causou repulsa em Pietro, pois sabia que tal atitude era vestígio de anos de abusos decorrentes da “educação” de Arkadius Van Helsing.
— Eu gosto de você, Abraham. E quando gostamos, perdoamos, damos outra chance. – Disse o vampiro que, em um movimento brusco, se libertou de Aby, além de inverter suas posições. Agora era Pietro que estava por cima, segurando os pulsos de Abraham de encontro ao chão forrado por folhas.
— E quanto a punição...Existem outras formas de punir que não envolvem dor. Se é que me entende. – Sorriu, travesso, Beaumont.
— Uau...Desde quando você se tornou tão forte? – Inqueriu Aby entrelaçando suas pernas na cintura do seu namorado e o puxando para si. Quadris se roçaram, um gostoso atrito ocorreu.
— Tive um ótimo mestre. – Falou isso enquanto se aproximava do rosto avermelhado de Abraham, desta vez, a vermelhidão não foi causada pelo esforço de uma corrida e sim por excitação.
— Sério? Que interessante... Acho que deve recomeça-lo. – Aby abocanhou o lábio inferior de Pietro, adorando ouvir o rosnado do outro. Observou, fascinado, as presas de Beaumont aumentarem de tamanho...E elas não eram a única parte do corpo do vampiro a crescer.
— É o que pretendo fazer...
— Ora, você não iria me punir? Está sendo contraditório... Ou você irá me punir, ou me recompensar, senão irá criar um paradoxo e...
— Aby...Shh...Nada de conversas intelectuais nas preliminares, Ok? O sangue do meu corpo, meio que está sendo direcionado para outra parte e não oxigena meu cérebro...Logo, não estou pensando.
— E isso ocorre só agora? Pensei que fosse algo recorrente. – Sorriu de forma arrogante, o holandês.
— Punir...Já decidi, irei te punir! – Rosnou Pietro tomando, por fim, os lábios de Abraham, para si.
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