Notas iniciais
JACOB.
Mais um dia de tempo ameno na Reserva. Encaro as ondas quebrando na praia. Hoje a noite é dia de fogueira, onde ambas as matilhas estarão reunidas, frente a frente, para uma rodada de decisões. Antes de eu falar sobre os assuntos que pairam no ar, acho que deveria lhes dar um breve resumo dos últimos dias:
Após o parto de Bella, por um momento, achei que eu mesmo mataria a “criatura”, porém, algo dentro de mim, me fez ver o quanto eu estava cego pela raiva e que aquilo era errado. Infelizmente isso não impediu uma luta contra a matilha de Sam, o que não ajudou a amenizar a discórdia entre nós, mas, após os ânimos terem se acalmado, pudemos provar a todos, que a filha de Bella, não era uma ameaça a ninguém, assim como a mãe, a criança provou possuir um alto controle em relação a “sede”, além do fato, de ser meia humana. Apesar de toda a briga, Carlisle manteve sua essência apaziguadora e resolveu não considerar aquilo como uma quebra no Acordo, Sam, mesmo a contragosto, não teve muito o que argumentar diante dos fatos e aceitou a paz novamente.
Com tudo voltando ao normal, para os vampiros, decidi que era a hora de eu me afastar definitivamente daquela família, Bella agora era uma deles e tinha construído não apenas um matrimônio com Edward, mas uma família completa. Todos aqueles dias em que passei ao seu lado, eu pude ver o quanto eles haviam sido feitos um para o outro, que eles haviam, realmente, encontrado seu final feliz, e não cabia a mim, atrapalhar mais.
Retornar para a Reserva, para a casa do meu pai, mesmo sabendo que nunca havia sido expulso de fato, não foi assim tão fácil. Paul era frequentador constante, e mesmo não querendo magoar minha irmã ou causar desaprovação em meu pai, ele carregava a amargura por eu ter “humilhado” Sam, seu alfa. Sempre que eu, ou algum integrante da minha matilha encontrava com os outros, havia uma tensão no ar, rancores não ditos e todos os moradores estavam sentindo a turbulência. Ninguém sabia o que fazer, nunca houveram tantos lobos, muito menos, duas matilhas no mesmo lugar, por esse motivo, iriamos nos reunir esta noite, para tentar, trazer paz a nossas casas também.
E quanto a minha matilha? Éramos em cinco, eu, Leah, Seth, Quil e Embry, porém, não por muito tempo. A maioria de nós iria ficar, eram muitas as coisas que nos prendiam aqui, mas Leah, ela finalmente estava livre para ir. Eu nunca quis liderar ninguém, e quando ela decidiu se juntar a minha matilha, estava muito claro, que aquela era a escapatória dela, de Sam, o que trouxe uma certa leveza para sua vida novamente. Agora com a paz selada novamente, ela havia falado sobre sua vontade de ir estudar em qualquer lugar, bem distante daqui, apesar dela ter ocupado o lugar ao meu lado, como minha beta, e eu não via nenhum motivo para que ela não fosse, então foi isso que ela fez, hoje, na fogueira, seria sua despedida, ao menos por um tempo. Seth se fazia de durão, fingindo estar feliz por “ser filho único”, mas todos sabiam, que ele já estava sentindo falta da irmã. Quil e Embry seguiam suas vidas normalmente, a sensação era a de que eles haviam feito parte da matilha desde o primeiro momento.
Eu também estava seguindo minha vida, assumindo responsabilidades com os garotos e com a comunidade local, enquanto tento estabelecer a paz com Sam, mas sem planos futuros definitivos.
…
Não demorou muito para que a noite chegasse. Era uma noite agradável, com um pouco de ventania, e apesar da tensão evidente entre as duas matilhas, era possível ver alegria irradiando de alguns membros por estarmos juntos novamente. A minha matilha estava incrivelmente barulhenta esta noite, o que estava se tornando frequente, todos pudemos perceber, com o passar dos dias, que cada vez mais um peso era tirado dos ombros de Leah e ela finalmente estava re-assumindo sua antiga personalidade, ou o mais próximo que conseguia chegar dela. Não haviam mais momentos de desconforto e nem brigas constantes, como era antes na matilha de Sam, agora haviam muitas risadas e momentos de tranquilidade em bando, como Seth gostava de falar. Alguns dos garotos mais novos, os quais não tinham uma grande questão sobre a separação da matilha, interagiam livremente com os membros do meu grupo, fazendo uma algazarra ainda maior.
Isso me deixava feliz, mesmo vendo as expressões de Jared e Paul a distância, que claramente não aprovavam esses momentos de trégua. Sam parecia analisar a situação com curiosidade, como se aquele pequeno amontoado de pessoas fossem alvo de um estudo muito interessante. Parei de observar tudo como um mero expectador e juntei aquele bando barulhento, brincando com os mais novos e me acotovelando com os mais velhos. Ficamos nessa combinação bizarra até que a voz do meu pai chamou nossa atenção, ele estava acompanhado de Sue e o velho Quil, estavam prontos para começar as negociações na fogueira. Todos imediatamente tomaram seus lugares, formando um círculo ao redor do fogo, mesmo assim, ainda era possível ver a clara divisão das matilhas.
-Muito bem, acho que essa rixa entre alfas já durou tempo demais. Os vampiros estão se mantendo distantes, nossas terras estão em paz, o Tratado se mantém, é hora de por ordem na nossa família. — começou meu pai. Sue concordou.
-Todos sabemos que nunca houve uma questão como essa antes, porque o princípio da nossa tribo, é a união, somos uma família e uma única matilha. -continuou o velho Quil. -Apesar desta separação, ainda somos um único povo, é preciso que os ressentimentos sejam deixados de lado e pensarmos no que é melhor para nossa comunidade daqui pra frente. Não acho que vocês, Jacob e Sam, possam dividir o comando e voltar a ser apenas uma matilha, mas vocês tem o dever de coexistir em união. Ambas as matilhas tem uma obrigação com nosso povo e assim deve ser.
Todos ficamos em silêncio por um momento, absorvendo as palavras do velho Quil. Afinal, todos sabíamos que nosso dever era maior do que qualquer briga interna.
-Jacob, Sam, vocês desejam falar algo? Agora é o momento. -perguntou Sue.
Encarei Sam por um momento, ele também me olhava pensativo. Respirei fundo.
-Acho que eu deveria começar, visto que eu que causei toda a confusão. -falei, Leah e Seth bufaram com minhas palavras, mas ignorei. -Eu nunca quis comandar a matilha, muito menos dar ordens pra alguém e todos sabem disso. Eu, por muitas vezes, estive confortável com a liderança de Sam e, senão fosse por aquele fatídico dia, acho que estaria confortável até agora, porque era fácil pra mim, não precisar tomar decisões e reclamar quando discordava, mas naquele dia, eu não pude ignorar meus instintos e usei a vantagem que me foi dada: poder resistir aos comandos de Sam, inevitavelmente me tornando um alfa. Mas acreditem, eu não fiz aquilo para desafia-lo ou por me achar superior. Sam achava que estava tomando a melhor decisão, para a matilha e para a tribo, eu apenas agi, para fazer o que eu achava ser correto. Eu entendo que isso tenha causado um enorme rompimento em nossas ligações como irmãos, mas eu acho que podemos seguir em frente e chegar a um acordo de benefício mútuo.
Algumas cabeças assentiram com minhas palavras. Paul e Jared ainda pareciam carrancudos. Os anciãos pareciam ter aprovado meu pequeno discurso. Agora todas as cabeças se viraram na direção de Sam Uley.
-Talvez tenhamos sido tolos em achar que os genes de alfa em Jacob não se sobressairiam em algum momento. Jacob, você nunca foi muito bom em seguir ordens, talvez seja seu lado rebelde ou então o gene de alfa em você, mas confesso que conseguimos manter uma boa relação por muito tempo. -falou Sam. -Infelizmente, os laços que foram rompidos parecem não poder ser recuperados como antes. Mas, ainda somos irmãos-lobo e temos um dever a cumprir com a tribo.
Assenti. Ambos tínhamos noção das nossas responsabilidades, só precisávamos encontrar uma maneira de coexistir em harmonia.
-Muito bem, após essa conversa, espero que todas as desavenças entre os membros de ambas as matilhas tenham chegado ao fim e que vocês possam encontrar uma maneira de se comunicar e dividir as responsabilidades que carregam. -finalizou meu pai.
— Ihuul, é hora do rango! — gritou Seth animado, acompanhado pelos outros garotos mais jovens. Revirei os olhos.
Aos poucos, todos foram deixando o círculo e se encaminhando para a mesa de comida. Quando eu estava me encaminhando para lá, Sam me parou.
-Jacob, gostaria que discutissemos como iremos nos comunicar e também organizar patrulhas alternadas. -falou. — Você pode ir lá em casa mais tarde?
— Hoje não vai dar, Sam, tenho uma pequena reunião com a minha matilha, mas amanhã podemos conversar, a qualquer horário. -respondi, ele assentiu.
Quando finalmente cheguei perto das comidas, boa parte já havia sido engolida por aqueles mortos de fome. Após as discussões na fogueira, todos pareciam estar com um ar mais leve e descontraído, interagindo uns com os outros como a grande família que já fomos.
-Admita Leah, você vai sentir falta das noites de fogueira, aposto que na Califórnia não tem isso. -provocou Seth.
-Deixa ela ir, assim sobra mais comida nas próximas reuniões da matilha. -respondeu Quil.
-Vocês vão morrer de saudades de mim. -zombou Leah.
-Não vamos não, agora seremos uma matilha só de homens! — vangloriou-se Embry.
-De homens mais o Seth. — falei, entrando na brincadeira.
— Qual é pessoal? — reclamou ele.
— Agora algum dos fracotes vai poder ganhar, além de mim, a competição de arroto. — falou Leah, fazendo todos gargalharmos.
— Você vai embora? — perguntou Sam, atrás de Leah, aparentemente, ele havia prestado atenção na nossa conversa e sua pergunta despertou a curiosidade de todos os outros presentes.
Leah torceu o nariz e se virou pra encara-lo.
-Sim, eu vou, e que eu me lembre. Você não tem nada a ver com isso. — respondeu ela. Ele bufou.
-Leah, venha ficar um pouco com a sua mãe, eu vou sentir sua falta querida! — interveio Sue, ao que prontamente Leah seguiu.
O restante da noite se seguiu sem problemas. Aos poucos, cada um foi indo embora, restando no fim, apenas minha matilha. Apesar das provocações constantes, havíamos aprendido a conviver muito bem uns com os outros, e todos sentiríamos um pouco a falta de Leah. Estendemos nossa despedida até o sol raiar, então Sue apareceu com a caminhonete pronta para levar Leah para sua nova jornada. Todos se despediram, e os Clearwater partiram.
Fale com o autor