Leah.
26 de dezembro. Hoje era meu último dia de folga, até o ano novo, então eu e Jenna havíamos preparado um verdadeiro passeio turístico com os meninos pelos arredores da universidade. Após todos acordarem, fizemos uma rápida parada nos dormitórios da UC para que eu e Jenna pudemos ficar apresentáveis, então partimos para a cafeteria.
-Olha quem voltou. -exclamou Izzy, animada.
-Nem é atirada. -debochou Jenna, me fazendo rir.
-Bom dia, rapazes. -cumprimentou Agatha, de um jeito meloso.
-Beijo de bom dia? -implorou Embry, recebendo um tapa de Quil na cabeça.
-Deixa de ser idiota. -falou ele, gargalhei.
-Quando voltarmos e você estiver nos seus momentos com a Claire, eu vou te infernizar, Quil, me aguarde. -ameaçou Embry.
-As mães de vocês não te deram educação não? -perguntou Jacob, fingindo estar horrorizado.
-É só juntar um bando de caras e a 5° série corre solta. -zombou Jenna, gargalhei.
-Bom dia, meninas, o de sempre pra vocês ?- perguntou Noah, surgindo atrás de nós.
-Com certeza! -exclamou Jenna e foi se sentar.
-Bom dia, Noah, tudo bem por aqui? -falei, ele abriu um sorriso.
-Nada de novo com B1 e B2 ali, você sabe. -respondeu e piscou, dei risada. -O sr. Johnsson perguntou de você mais cedo.
-Ele estava bêbado novamente? -perguntei rindo.
-Só um pouquinho. -falou, então se voltou para os meninos. -Café para vocês?
Fizemos nossos pedidos e nos acomodamos na mesa com Jenna.
-Vocês trouxeram blusa xadrez ? -questionou Jenna.
-Eu tenho uma. -respondeu Jake.
-Eu trouxe! -falou Seth.
-Vai ter alguma festa temática na fraternidade? — perguntou Quil, Jenna e eu sorrimos.
-Vai ser temático e é uma festa, mas não na fraternidade. -respondeu ela.
-Senhoritas, suas bebidas! -anunciou Noah, chegando com nossos pedidos.
-Obrigada Noah! -cantarolamos eu e Jenna, como sempre fazíamos.
Peguei meu capuccino e o cupcake de chocolate com brigadeiro amargo. Jenna pegou seu mocha e brownie. Seth quis experimentar um frappuccino e cookies, Jacob optou por um café americano com pão salgado, Embry e Quil quiseram café Latte, Embry pediu torradas e Quil panquecas com mirtilo. Tomamos nosso café animados, falando sobre a programação do dia. Agatha e Izzy vieram várias vezes em nossa mesa, Embry correspondeu aos flertes, Quil parecia querer sair correndo, e Jacob pareceu perder a paciência com as investidas de Izzy.
-A Claire é tão ciumenta assim? -perguntou Jenna, rindo da cara desesperada de Quil.
-A Claire é um amor de pessoa e apesar de quieta, ela é muito segura de si e do relacionamento deles. -respondi. Quil se endireitou e sorriu sem graça.
Terminamos nosso café da manhã e partimos em direção a rua principal, que não estava com seu movimento habitual. Andamos por algumas lojas, compramos camisas xadrez para Embry e Quil e os levamos em alguns pontos legais da cidade. Paramos para almoçar num restaurante que servisse churrasco, precisávamos de algo bem calórico para repor as energia. Eu e os meninos, aguentariamos muitas horas andando sob a neve, mas Jenna estava conosco, e não demorou muito para que logo ela precisasse se abrigar em algum lugar quentinho, então voltamos para o alojamento, nos instalamos nos sofás do salão, próximos a lareira e começamos uma rodada de jogos.
[...]
Quando caiu a noite, mandamos os meninos para a fraternidade para que se trocassem e fomos nos arrumar. Desde que Sam rompeu comigo, eu havia deixado ser tão vaidosa, não me importava tanto com minha aparência, e quando eu me tornei loba, roupas eram o que menos importavam, já que rasgavamos a maioria. Mas, aqui no campus, eu estava curtindo bastante com a galera e, apesar de não ligar para as opiniões alheias, eu não queria parecer desleixada, então revisitei meu antigo guarda roupa, minhas maquiagens e acessórios.
Para essa noite, eu estava com minha blusa xadrez vermelha, que fazia uma amarração na barriga, calça jeans skinny, botas pretas com salto, uma jaqueta de couro, uma bolsa lateral também de corino e meu chapéu. Fiz uma maquiagem simples, apenas realçando os olhos e um batom vermelho para combinar. Jenna também havia incorporado seu look country, com suas botas bordadas, blusa de franjas e chapéu branco de boiadeiro.
Saímos do dormitório e ficamos no hall de entrada do alojamento esperando os meninos voltarem com a caminhonete. Não demorou muito e eles pararam com o carro próximo a entrada do alojamento. Eles estavam parecendo integrantes de boy band, usando roupas iguais (camisa xadrez, calça jeans e tênis).
-Vocês vão cantar a onde? -falei, sem conter o riso, afinal eu não podia perder a piada.
— Uau Leah, onde você estava escondendo tudo isso ai? -perguntou Embry, que levou uma cotovelada de Seth.
— Já podemos saber onde vamos uniformizados assim? -perguntou Quil, ansioso.
— Não, não podem.- respondeu Jenna. -Chegando lá vocês descobrem, esse é o conceito de S-U-R-P-R-E-S-A! -falou irônica e saiu andando, me fazendo rir, ela já fazia parte do nosso bando.
-”Vambora” rapaziada. -chamei, indo pro carro.
— Mamãe adoraria ver você assim novamente, está linda. -falou Seth, ao meu lado, sorri e baguncei seus cabelos.
Nos acomodamos na caminhonete, desta vez, eu e Jenna fomos atrás, com Quil e Seth, Embry que era mais larguinho foi na frente.
-Acho que devíamos ter pedido um uber. -comentou Jenna, quase no meu colo.
-A gente ainda pode colocar o Seth na caçamba. -sugeriu Embry.
-A gente ainda pode colocar você pra ir correndo atrás do carro. -respondeu Seth, Quil gargalhou.
-Menino, o que aconteceu com você? -perguntei abismada.
-Longa convivência com vocês, “se não pode mudá-los, junte-se a eles”. -filosofou.
-Jacob, quantos anos você tem? Tá dirigindo igual uma idosa. -reclamou Jenna, fazendo todos gargalharem.
-Estou seguindo o limite de velocidade, espertinha. -retrucou ele.
-Meu Deus, esse caminho nunca demorou tanto! -choramingou Jenna.
-Caminho pra onde? -tentou novamente Quil.
-Caminho pra SURPRESA, inferno! -respondeu ela. -A sua namorada deve ser um anjo para aguentar tanto drama.
-Sim, ela é mesmo, meu anjinho. -afirmou Quil, meloso.
-E o Quil é o capetinha desvirtuando a menina. -comentou Seth, arregalei os olhos.
-Caralho, moleque. -exclamou Embry
-Errado ele não está. -falou Quil, malicioso.
-Sue vai ficar muito contente em saber como o filhinho dela está se comportando. -divagou Jacob, zombeteiro.
-A Leah já tem o posto de filha rebelde, não dá pra trocar. -retrucou meu irmão, dei uma cotovelada nele.
-Cala boca, Seth, senão você vai ficar de castigo. -ameacei.
-Ai, Leah, isso é abuso de poder! -reclamou.
-Acostume-se, baby, isso aqui é uma monarquia absolutista comandada por mim. -respondi, ele revirou os olhos.
-CHEGAMOS!- gritou Jenna, dando um susto em todos.
Jacob estacionou a caminhonete e graças a Deus, saímos do carro. O estacionamento estava pouco movimentado, algumas pessoas chegando, alguns indo e vindo. Eu e Jenna fomos na frente e os meninos nos seguiram, como um batalhão de segurança.
-Que lugar é esse? -perguntou Seth.
-Pra onde vocês nos trouxeram, pelo amor de Deus? -questionou Quil, desesperado.
-BAR COUNTRY! -exclamamos eu e Jenna, sorridentes. Quil nos olhou horrorizado, Seth parecia confuso, Embry continuou animado e Jacob, não consegui decifrar sua expressão.
Embry agarrou Quil pelos ombros e o arrastou para a entrada, com Jacob rindo atrás. Acompanhei Seth, o segurança colocou uma pulseira em seu pulso, indicando que ele não poderia ingerir nada alcóolico. Adentramos o lugar, e a música alta explodiu na nossa cara quando passamos pela porta. O barzinho era composto por uma pista de dança central, onde uma professora ensinava passos de dança para todos dançarmos sincronizadamente, também havia a área do bar e algumas mesas ao redor da pista. Nos acomodamos numa mesa e pedimos nossas bebidas.
-Seth, você será o motorista da noite. -informei. Meu irmão inflou o peito, se sentindo importante.
-Nós vamos morrer! -dramatizou Quil.
-Quanta gatinha, rapaziada! -exclamou Embry, vibrando de felicidade.
-Olha só, o objetivo aqui é todo mundo participar das danças. -avisei. -E não, ninguém escapa!
Nossas bebidas chegaram, apresentamos o lugar pros meninos e assistimos o pessoal dançar, até que a professora anunciou que a próxima música seria da Shania Twain. Jenna e eu nos olhamos e sorrimos.
-Vocês vem? -chamei os meninos, que prontamente negaram.
— Nós vamos assistir vocês primeiro. -respondeu Jacob.
Jenna e eu fomos pra pista, acompanhamos a aula da professora, mesmo já sabendo os passos, então a música começou de verdade e nós fizemos nosso show. Os meninos se posicionaram na grade que havia ao redor de alguns pontos da pista, eles assobiavam, batiam palmas e jogavam beijos pra nós, além de rirem muito. Quando a música acabou, joguei um beijo pra eles, e os quatro se juntaram a nós na pista de dança pra próxima música. Todos aprenderam o passinho e formamos um sexteto de respeito. Fizemos as sequências de música com a professora até que ela se retirou para o momento de dança "livre". Seth e Embry arrumaram duas parceiras de dança rapidamente, Jenna tirou Quil para dançar e foi engraçado vê-los disputando o comando da dança. Então Jacob me rodopiou e colou seu corpo ao meu.
-Você está linda. -sussurrou para mim. -Acho que nunca te vi assim.
-É porque você nunca reparou em mim antes de tudo o que aconteceu. -respondi, ele deu de ombros.
-Para todos da tribo, você e Sam estavam "de casamento marcado", então não havia porque olhar. -falou.
-Fora o fato de que você estava tentando pegar a amiguinha dos sanguessugas.-alfinetei, ele riu.
-É, tinha isso também. -concordou.
Giramos pela pista, num ritmo que não condizia com a música que estava tocando.
-Jenna e Quil são engraçados juntos. -comentou Jacob, concordei, rindo da dança desengonçada deles. -Acha que a Claire vai ficar chateada quando souber disso?
— Impossível! Aliás, ela vai querer provas de que esse momento realmente aconteceu. -respondi e peguei meu celular. Filmei e tirei algumas fotos de Quil e Jenna, assim como de Embry pé de valsa e Seth, o namorador. Jacob ria. -Ele realmente está com a mão na bunda daquele garota? -perguntei, abismada com a cena de pegação do meu irmãozinho. Jacob gargalhou.
— Alguém sabe o que está fazendo. -comentou Jacob, rindo. O encarei.
— O que vocês tem ensinado pra ele? -questionei, fingindo indignação.
Jacob me conduziu para mais alguns passos na pista.
-Por que acha que a Claire não vai ligar?
Dei de ombros.
-Porque ela sabe que o coração do Quil só bate porque ela respira. -respondi.
Jacob me encarou, nossos olhares presos um no outro. Ainda estávamos dançando, mas parecia que tudo estava em câmera lenta. Eu podia ouvir nossas respirações, e parecia poder sentir seu coração bater. Então o beijei, no meio da pista, cercados por desconhecidos e nossos amigos em algum lugar do bar.
Nós dançamos muito! Jacob e eu formamos uma dupla realmente promissora na pista, Jenna foi responsável por Quil ter uma noite sem autopiedade, Seth se mostrou um beijoqueiro e Embry se jogou na pista de dança e nas mulheres. Fomos embora, às 3 da manhã, direto pra fraternidade. Jenna se jogou no sofá, e eu me joguei na cama com Jacob.
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