Notas iniciais
Entramos na reta final de BYE =)

Jacob.

Caminho pela praia descalço, sentindo a areia sob meus pés. A lua está alta no céu, uma bela lua cheia numa noite sem nuvens. Escolho um lugar aleatório para me sentar e fico observando o mar. Alguns minutos se passam até que eu ouça uma movimentação nas proximidades. Olho para o lugar do barulho e vejo Leah vindo em minha direção. Acompanho cada movimento dela, até que seu rosto esteja iluminado e eu possa olhar melhor suas feições endurecidas. Tento não me contorcer, fingindo calma. Eu não sei que resultados essa conversa vai trazer e meu coração está aflito só de imaginar perder Leah.

-Oi. -cumprimenta ela, sentando ao meu lado na areia, mas mantendo uma pequena distância entre nós.

-Oi Leah. Espero que meu cheiro agora esteja do seu agrado. -falo com minha boca grande demais. Leah torce o nariz e eu suprimo a vontade de bater na minha própria testa tamanha idiotice. -Desculpe.

-Vou falar como nós vamos fazer isso: você vai me contar tudo, cada maldito detalhe e depois vamos conversar. Sem desculpas, apenas a verdade. -Leah toma a frente da situação e eu apenas assinto, concordando.

-Certo, como você quiser.

Respiro fundo.

-Bom, acho que você tem uma ideia do que aconteceu… Não que melhore alguma coisa, mas saiba que foi a única vez. — arfo. Leah está com os olhos fixos no mar e eu olho pra frente também. -Sendo objetivo, Charlie me ligou de manhã, pediu que eu fosse na casa dele buscar algumas caixas de Billy. Ele me disse que a casa estaria vazia, mas eu claramente deveria ter desconfiado. -vejo um pequeno movimento no rosto de Leah, mas ela rapidamente volta a postura impassível. -Depois que eu terminei meu trabalho na oficina, fui até lá. A princípio, a casa realmente estava vazia e eu não sei dizer se foi o imprinting ou o fato da casa estar exalando cheiro de vampiro, mas eu não notei a presença de Renesmee, fazendo com que ela me pegasse de surpresa.

Novamente espiei Leah de canto de olho, ela continuava encarando o horizonte sem expressar nenhuma reação. Respirei fundo e prossegui, sabendo que ali poderia definir tudo.

-Renesmee literalmente pulou sobre mim, me emboscando. A princípio, eu tentei resistir, mas o imprinting fez a parte dele, nublando minha mente, então eu perdi o controle e nos beijamos ou eu a beijei… Demorou um pouco pra que eu entendesse conscientemente o que estava fazendo, mas conforme minha mente foi se recuperando, ela duelou com o imprinting. Sei que pode parecer hipócrita o que vou dizer agora, mas, por mais que o imprinting enevoace meus sentidos, no fundo eu sabia que aquilo estava errado e então eu pensei em você e no quanto a gente se encaixa e tudo parece tão certo ao seu lado. Foi assim que eu venci as amarras, eu pensei em você e no quanto eu quero você, quero nós. -falo num rompante, rasgando meu coração a cada palavra. -Quando eu recuperei o controle, eu me afastei de Renesmee e tivemos uma discussão enquanto eu corria pra fora daquela casa. Como eu sou um grande idiota, eu fui direto até você sem pensar em nada além do fato de que eu finalmente tinha conseguido enfrentar o imprinting. Eu realmente sinto muito que tudo tenha sido assim, eu odeio cada minuto que fiz você passar por essa situação novamente.

Um soluço atravessa meu peito e eu me calo por um momento. Leah continua sem expressar nenhuma reação e eu sinto a derrota começar a me invadir.

-Sei que não posso pedir nada mais, que já esgotei qualquer chance que eu pudesse ter no mundo, eu só… lamento muito, Leah, por tudo. -soluço novamente.

Alguns minutos se passam em completo silêncio e eu sufoco o choro em meu peito, afinal qualquer sofrimento que eu sinta, é mínimo comparado ao que causei a Leah.

-Não sei se consigo seguir em frente e encarar isso apenas como um “momento difícil” do nosso relacionamento, porquê agora, não sou capaz de olhar pra você sem ver a sombra dela. -Leah fala sem me olhar. Eu desmorono dentro de mim.

-Eu entendo e como eu disse, não poderia pedir nada mais de você. E sei que não adianta, mas saiba que eu gostaria que tivesse sido diferente. Nós estávamos trilhando um caminho tão bonito… eu amei cada segundo. -declaro, ela assente.

-Eu falei que estaria ao seu lado, que lutaria junto com você e eu fiz o que foi possível, mas não posso passar por cima de mim e fingir que está tudo bem. Não posso afirmar sobre o futuro, mas hoje, eu preciso de um tempo. Preciso entender se eu consigo superar isso e se eu realmente quero enfrentar esse processo. -continua ela.

-Tome o tempo que precisar, mesmo que esse tempo seja permanente. Eu estarei aqui, pra você, seja como amante ou amigo. Espero continuar sendo parte da sua vida de alguma forma, porque você é incrível e eu amo muito você, seja como for. -declaro. Ela assente. -Vou te dar o espaço que você precisa, mas não esqueça que pode contar comigo.

Leah finalmente me olha, com lágrimas prontas para serem derramadas. Ela deposita sua mão em minha bochecha por alguns segundos e eu tenho que me segurar para não toca-la de volta, porque sei que ela não gostaria. Então após um breve carinho em meu rosto, ela se levanta num rompante e corre pra longe da praia, pra longe de mim e eu choro como uma criança.

O sol já nasceu no horizonte quando cruzo a porta de casa. Paul está sentado no sofá, vendo tv, como um pai que aguarda seu filho voltar da balada. Me jogo na velha poltrona de Billy e cubro minha cara inchada. Ouço Paul desligar a tv e o silêncio tomar conta da casa.

-Você quer conversar? Ou quer que eu faça algo pra você? -pergunta ele, após alguns minutos. -Caso queira uma companhia silenciosa ou que eu te deixe em paz, é só me falar.

Respiro fundo e deixo a almofada cair no chão, mostrando minha derrota.

-Pra falar a verdade, eu não faço ideia do que eu quero agora. — respondo.

-Que tal começarmos com um café? Ou pode ser uma cerveja. -sugere Paul, me fazendo dar uma risada fraca.

-Um café está ótimo. -falo. Ele assente e se levanta, indo pra cozinha.

Reúno minhas forças e vou atrás. Passei horas sozinho na praia e sinto que passarei mais horas sozinho nos próximos dias, então vou aproveitar a companhia que me foi ofertada. Me acomodo numa cadeira, enquanto Paul prepara o café.

-Cadê a Rachel? -pergunto.

-Está dormindo no seu antigo quarto. Ela não quis ir embora antes de você voltar e começou a cochilar no sofá, então a coloquei na cama. Só não sabia qual delas era a mais indicada, seu quarto antigo com o cheiro da Leah ou o novo com o cheiro da vampira. -explica ele. Suspiro.

-Eu mal comecei a reformar aquele quarto e vou ter que mudar tudo de novo. Sabe o que é pior? Tudo foi planejado junto com a Leah, mas agora só consigo me lembrar do dia em que Renesmee esteve lá, impregnando tudo com o cheiro de sanguessuga. -reclamo. Paul me olha.

-Sei que as coisas não saíram como o planejado, mas não desanime de começar de novo, às vezes dá mais certo na segunda vez. -fala ele.

-Não sabia que você trabalhava como coach nas horas vagas. -zombo, ele dá de ombros.

-Faz parte de amadurecer, um dia você chega lá. -retruca ele, faço uma careta.

O café fica pronto e Paul serve duas canecas para nós.

-Você sabe que pode ficar com a gente, né? Temos quartos de sobra. -convida ele.

-Não quero ouvir minha irmã transando, já basta todos os anos em que vocês namoravam aqui. -dispenso, ele ri.

-Nós não somos barulhentos, não tanto pelo menos. -alfineta ele.

-Meus ouvidos sangram!

-Mas sério, cara, se você precisar, nós estamos à disposição. Afinal, eu tenho a vida toda pra transar com a sua irmã, posso aguentar algumas semanas.

-Porra. -exclamo. Paul ri e bebe seu café. É bom tê-lo por perto.

-Foi um verão agitado, tenho que admitir. A última vez que teve esse burburinho todo, foi quando um certo casal oficializou a união. -comenta ele.

-Pelo menos dessa vez a infestação de pragas foi menor. -faço uma careta, enquanto Paul gargalha.