Be With Me
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Lá estava eu novamente, que nem um idiota sentando no balcão do Tweak Bros. Ia para lá literalmente todas as tardes depois da escola, fingia fazer meu dever de casa sentando bem no canto.
O que eu gostava? Em mais ou menos dez em dez minutos Tweek vinha perguntar se eu queria mais alguma coisa, mais açúcar no meu café, perguntava se eu precisava de ajuda, ou até como estava indo. Tinha até dias quando estava parado, que ele sentava ao meu lado e fazia comigo.
Não sabia há quanto tempo eu tinha essa mania de ficar que nem um idiota vigiando ele. Eu só queria estar com ele.
Comecei a gostar dele depois de dividir o quarto do hospital com ele. Era uma criança assustada, todo o dia se desculpava comigo e as vezes tinha pesadelos e pedia pra dormir na minha cama. Acho que foi por ai que comecei a perceber o cheiro do seu cabelo, e o quão confortável era ter ele por perto.
Nos últimos anos, ele parou com sua obsessão por café, estava cada dia mais relaxado. Antes de ir trabalhar, meditava por uma hora; e o que eu mais gostava, quando ele ficava nervoso, ele me procurava antes de tudo, e pedia pra eu acalmar ele.
Nós éramos muito amigos. E eu gostava e não gostava disso.
–Craig? – Ele parou na minha frente, ajeitando o bottom com seu nome no avental – Você está há um bom tempo parado na mesma questão. Você quer ajuda?
–Ah, sim, eu não entendi essa questão.
Virou o livro pra frente dele, e leu a questão, logo então pegando meu lápis e me explicando o que fazer, não prestava atenção no que ele dizia, apenas me perdi na proximidade que ele estava de mim; de novo.
–Craig? Você entendeu? – Ele perguntou, deixando o lápis no livro.
–Ah, sim. – Respondi, ainda não havia entendido nada, mas as anotações que ele fez faziam um pouco de sentindo – Obrigado.
Ele sorriu, servindo mais café á minha xícara.
–Por conta da casa – Ele piscou algo que nós sempre fazíamos um pro outro, apenas como brincadeira.
–Tweek! – Bebe, que estava trabalhando por lá alguns dias da semana, chamou ele, que rapidamente foi falar com ela.
Às vezes, eu tinha o medo e a impressão que Tweek gostava dela. Mas ao mesmo tempo, eu sabia que não. Se ele gostasse, ele teria contado pra mim. Pelo menos eu acho que teria, ele nunca me esconde nada.
Sou o único que esconde coisas dele.
O período de Tweek já estava acabando, e tinha que buscar Ruby na aula de balé. Me levantei, guardando minhas coisas na mochila e deixando algum dinheiro embaixo da xícara. $15 dólares, era o que eu sempre pagava; e por mais que Tweek vivesse dizendo que era por conta da casa, sempre pagava as xícaras há mais que ele me dava.
–Craig,você vai buscar a Ruby né? Minha casa é no caminho, espere só um minuto – Ele correu pra dentro, pra trocar de roupa.
–Ei, Craig – Outra menina que também trabalhava por lá, de um ano acima, veio falar comigo – Por que você está aqui todo dia? – Ela olhou pros lados, sussurrando – É por causa da Bebe né? – Ela riu.
–Não. Eu venho porque gosto daqui – Omiti o fato do Tweek.
–Aham, assim como todos os outros caras que só vem aqui pra serem atendidos pela Bebe!
–Nunca fui atendido por ela.
A menina ficou em silencio por um tempo. Eu nem a conhecia, provavelmente ela só sabia meu nome por Bebe ou por Tweek tanto ficar perto de mim. Ele tinha alguma coisa que, sempre que iria falar comigo, não importava a frase, tinha que falar meu nome.
–Pronto – Ele se aproximou, fechando o zíper de seu casaco – Ah, Sue você pode fechar hoje?
–Claro – Ela recusou olhar pra mim, se despedindo com a mão.
Como sempre, South Park era uma cidade completamente fria. Mas agora estava mais variado entre frio com neve, frio com chuva e frio com neblina.
Estávamos na época de chuva, e por sorte naquele final de tarde, não chovia. Tweek não falava muito enquanto andava pra casa; por mais que estivesse perdendo suas fobias e tiques nervosos, ainda tinha bastante medo das coisas.
Havia poucos lugares que ele conseguia se manter calmo; em sua casa, no Tweak Bros., por algum motivo em minha casa e em lugares com pouco barulho e iluminação razoável. E nenhuma dessas características se aplicava na rua. Iluminação fraca e um silêncio assustador.
Ele tentava andar o mais perto possível de mim. As vezes até segurava a ponta do meu casaco, mas só fazia isso quando voltávamos da casa do Clyde depois de ver um filme de terror ou algo assim. Eu poderia considerar que ele gostava de mim ou algo assim, mas ele faz isso com todos. Clyde, Token, Kyle, Butters, Kenny e até mesmo com Bebe. Era o que eu mais odiava ver.
Por mais que não tivesse nenhum motivo pra se assustar, ele segurou na ponta do meu casaco, se aproximando de mim.
–O que houve? – Sussurrei. Quando ele estava assustado e em publico, falávamos sussurrando, para lhe dar certeza que se alguém estivesse nos seguindo (coisa que nunca estaria acontecendo) não nos ouviria.
–Está muito silêncio, eu acho que tem alguém nos seguindo – Ele sussurrou de volta, quase não deu para escuta-lo.
–Quer correr? O prédio do balé da Ruby esta perto – Continuei sussurrando, me virando para ele sorrindo.
Ele balançou a cabeça, e soltou a manga do meu casaco. Ele tinha vários jeitos de ficar mais calmo, e um deles era correr. Tweek era o garoto mais rápido da nossa sala. O que era engraçado, porque desde que me lembro por pessoa, sempre foi também a pessoa mais baixa, e isso o tornava extramente adorável.
Quando vi ele estava se preparando para correr, e olhou para mim, esperando um sinal de aprovação, e lhe concedi. Ele saiu correndo, tentei acompanhar, o que não deu muito certo, sou respectivamente considerado lento.
Quando consegui alcançar ele, ele já estava parado na porta do estúdio de balé da Ruby, rindo baixo enquanto eu chegava ofegante.
–Péssima ideia – Bufei.
Ele riu, abrindo a porta. Nunca gostei muito daquele lugar, mas tinha que entrar para chamar Ruby, que não tinha noção do tempo.
Mas eu gostava de ir com Tweek. Sentia-me como se fossemos uma família.
–Twe! – Ouvi Ruby gritar, enquanto vinha correndo abraçar ele. As amiguinhas dela sempre ficavam olhando com cara feia; não entendia se elas queriam ter um irmão com um amigo como Tweek ou se só não gostassem dele.
Tweek se abaixou abraçando ela de volta, que olhou para mim e me deu língua, como um “sua irmã gosta mais de mim”.
–Vai logo se trocar. Temos que deixar o Tweek em casa antes de anoitecer. – Falei, bagunçado o cabelo todo arrumado dela, que mostrou seu dedo médio para mim, voltando para dentro.
–Não sei como você gosta tanto dela. Ela é tão insuportável.
–Não sei como você não gosta dela. – Ele sorriu, tirando minha touca e, nas pontas do pé apenas para parecer quase do meu tamanho, bagunçou meu cabelo.
Sorri, coisa que ele estranho um tanto. Se eu não gostasse tanto dele como estou esses dias, teria dito a mesma atitude de Ruby, mas a única coisa que vinha a minha cabeça era o quanto que eu queria beija-lo e todas essas coisas. Mas eu não podia.
–Você está bem? – Ele perguntou, com uma cara fechada.
–Sim – Coloquei a mão em seu cabelo, bagunçando-o também.
Ele riu, puxando minha mão, e logo que Ruby chegou dando bronca em mim, ele deu a touca pra ela e ambos começaram a correr de mim.
Isso não era ruim, nem me irritava, mas acho que eles gostam mais quando eu fico irritado. Corri atrás deles, gritando seus nomes, até chegarmos à casa de Tweek.
–Caralho. Vocês dois – Mostrei meu dedo médio para eles, agachando para ofegar.
Os dois riram, e Tweek colocou minha touca na cabeça de Ruby, abraçando ela e se despedindo de mim, entrando em sua casa.
Enquanto ia embora com Ruby, ela se recusava a me entregar minha touca, andando mais rápido e rindo de minha cara, até uma hora ela se aproximar segurar minha mão.
–Craig. Algum dia, você e o Twe vão se casar? – Ela perguntou, olhando para mim.
–O que? – Olhei para ela – Acredito que não.
–Mas você quer se casar com ele? – Ela me perguntou de novo, agora com suas duas pequenas mãos segurando a minha.
–Acho que sim, por quê?
–Hmmm... Porque eu vou me casar com ele! – Ela mostrou sua língua pra ele – Mas se você for bonzinho comigo eu deixo você se casar com ele – Ela sorriu.
Tirei a touca da cabeça dela, colocando de volta a minha cabeça.
–Vou tentar ser o mais bonzinho contigo então, mas só pra você deixar eu me casar com ele – Sorri de volta.
Quem me dera, se isso fosse o suficiente para poder me casar com Tweek Tweak.
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