Be Free
2 Capítulo 2
Notas iniciais
Acordar com o barulho extremamente insuportável e irritante do meu querido e amado despertador para poucos nesse mundo. Não sei o porque e da onde, minha mãe arranjou esse troço. Não existe objeto mais estranho e com o som mais enigmático que esse meu despertador. As vezes eu acho que ela comprou isso numa daquelas lojas de objetos místicos.
Olhando para a escrivaninha ao meu lado, vejo que o relógio, marcava sete horas em ponto. E mais um dia que se segue – disse – Acordar, levantar, estudar, dormir, ler e blá blá blá. Essa era a minha maravilhosa rotina de todo o santo dia nesses meus dezoito anos. Gosto disso. Dessa minha vida. Algo que eu sei o que vai acontecer. Nada para me pegar de surpresa ou algo parecido. Isso de monotonia, para mim, é algo normal e aceitável.
- Kathy, seu café está na mesa já! — gritou minha mãe direto da cozinha
- Ok, mãe! — gritei de volta
Aqui em casa é assim, tudo na base do grito. Eu tenho uma ótima relação com a minha mãe. Meu pai? Esse aí não sei quem é, nunca vi o rosto e muito menos sei o nome. Mas eu não faço questão em saber também. Para que? Ele que largou minha mãe grávida aos dezesseis anos e fugiu. Covarde! - disse meu inconsciente – E pela primeira vez ou pela milésima vez, eu concordo.
- Filha! Vem logo! — gritou mais uma vez minha mãe – O seu prato preferido vai esfria
Prato preferido? Yamma! Fui direto para o banheiro. Liguei a água quente, me despir e deixei que a mesma tomasse meu corpo. Fiquei uns minutos, no máximo uns cinco minutos apenas de olhos fechados, sentindo a água quente em minha pele. Enquanto tomava banho, cantarolava Hey, soul sister, do Train. Quase uma hora depois, lá estava eu me olhando no espelho e vendo o resultado da minha escolha de roupa hoje. Calça skinny preta, sapatilhas azul turquesa, blusa branca básica e um cardigã da mesma cor do sapato. Cabelos em uma trança embutida feita por mim mesma, maquiagem a mesma de sempre. Perfume, um suave. Nada muito marcante ou chamativo.
- Até que enfim, Kathy! — disse Ash sentada a mesa junto de minha mãe, tomando café – Achei que ia hibernar lá.
- Bom dia pra você também, Ash – falei me sentando com elas
O café estava perfeito e delicioso. O que era? Simples, panquecas com frutas. Deu sete e quarenta da manhã, eu e Ash fomos para a escola. Me despedir de minha mãe e fomos. Hoje resolvemos ir no meu carro. A gente revesava em que carro iríamos para a escola. Liguei o mesmo e seguimos rumo. Ashley, logo colocou uma música pra tocar. Na rádio tocava alguma música de um dos estilos preferidos de minha amiga.
- Amo essa música! — gritou ela, enquanto tocava We 'll Be Coming Back, do Calvin Harris – letra da música aqui...
Ela cantava alto, como se estivesse sozinha no carro e ninguém pudesse escutá-la da uma de Adele das pistas dançantes.
Quinze minutos depois, estávamos no estacionamento da escola. Desliguei o rádio e mesmo assim, Ash cantava baixo ou não a música.
- Um dia vamos em um show dele – disse ela toda animada – E nem adianta falar pra mim ''mas eu não curto isso, Ashley'' – tentou imitar a minha voz – Porque você vai e pronto
Bufei.
- Já está me levando a força para esse show de rock aí e agora quer me levar para um show de música eletrônica? — ela assentiu na maior cara de pau – Então confessa que está me levando a força? — assentiu de novo – Sabia que você é muito cara de pau? — assentiu mais uma vez – Desisto! Vamos pra sala
Só a vi do meu lado rindo de mim e da minha mania fácil de ser persuadida. Preciso mudar isso – pensei – Já em sala e sentada no meu devido lugar, eu olhava para a janela dali, enquanto Ash ficava papeando com um garoto. Sim, minha amiga não perde tempo mesmo. Olhei a cena e ri sozinha. De repente o professor chega. A primeira aula daquele segundo dia de aula seria matemática. Olhando para os alunos da sala, podíamos ver a expressão de desapontamento e cansaço. E olha que é apenas a primeira aula.
O prefessor fez a famosa e definitiva chamada. Chamou o nome de cada um. E aquele que demorasse meio segundo para responder, com certeza visitaria a sala da diretoria hoje. Confesso que meu professor é meio carrancudo demais para uma pessoa só. Como diz Ashley ''é falta de sexo''. Tudo para ela é falta de sexo. Se uma pessoa acorda de mau humor, é falta de sexo. Se uma pessoa não sorrir, é falta de sexo. Se uma pessoa cai estatelada no chão, de bunda pra cima, é falta de sexo. Resumindo, para Ashley Parker, o mundo é movido a sexo, sexo, sexo e sexo. Sim, minha melhor amiga não é mais virgem. Lembro de quando ela me contou como foi que perdera. A menina me contou com tanta riqueza de detalhes, que naquele mesmo dia eu não conseguir dormir. No dia seguinte, só faltei matá-la depois do trauma psicológico que ela me fez passar.
- Então comecemos a falar de números complexos hoje... — e ele começou a aula
Longos cinquenta minutos. Olhei para Ash ao meu lado, e só faltou ela ter trazido o seu travesseiro de penas de ganso, seu edredom de linha egípcia e seu pijama e simplesmente dormir. Ri com a situação dela e dos demais ali.
- Aleluia!! — gritou um dos alunos ao ouvir o sinal para a próxima aula que seria educação física – Mulheres seminuas a caminho! — revirei os olhos
Meninos nessa idade de dezoito anos deveria ter amadurecido o cérebro deles e os hormônios também. Parece que continuam com quatorze anos e não cresceram.
- Acorda, Ash! — cutuquei ela que gemia algo indecifrável – Acorda! — gritei a fazendo cair da cadeira de bunda no chão
- Porra, Kathy! — falou ainda no chão, com uma cara de assustada – Quer me matar é? Poderia ter um ataque cardíaco agora, sabia? — resmungou enquanto levantava e ajeitava a roupa dela
- Menos, Ashley. Menos! — falei rindo de sua expressão
Fomos direto para o vestiário. Lá eu coloquei a minha recatada e comportada roupa de ginástica. Já as outras meninas, pareciam usar calcinha e sutiã para fazer exercícios.
- Ridículas elas, não? — disse Ash aparecendo ao meu lado, falando das meninas vestidas de langerie
- Muito! — concordei
Já estávamos na metade da aula de educação física. Jogávamos vôlei. Eu não sou muito boa em esportes. Para falar a verdade, o esporte e eu somos inimigos de longa data.
Bateu o sinal e todos voltamos ao vestiário. Meia hora depois, estávamos indo para o refeitório. Eu e Ash sentamos e ficamos conversando e comendo. Quando deu dez horas em ponto, voltamos para a sala de aula.
O resto das aulas passaram normalmente. Nem muito rápido e nem muito devagar. Quando deu meio-dia fomos para casa. Deixei Ashley em sua casa e eu fui para a minha. Chegando lá vi que o almoço estava pronto. Almocei com a minha mãe, depois fui para o meu quarto e ela foi para o trabalho.
[...]
Hoje era sexta-feira. O tão esperado dia da semana pelos alunos que odeiam a escola e veneram o final de semana. E também o tão esperado dia do show da banda Foo Fighters. Durante a semana toda, Ash ficou me atazanando em relação a esse show. Ficava cantando músicas deles toda a hora. Durante o nosso caminho de carro até a escola, ela colocava o cd deles para tocar. Se perguntarem quantos minutos tem cada música do cd, Ash responde na hora.
Era seis e meia da tarde. O show começava as nove horas. Ashley viria aqui para casa as sete horas para se arrumar e me ajudar a escolher uma roupa menos recatada, como ela tem mania de dizer. Enquanto ela não chega, eu fico aqui, em meu quarto, escutando uma boa música. 93 Million Miles, do Jason Mraz, tocava no meu aparelho de som. Tenho que aproveitar, já que vou passar quase duas horas e meia escutando aqueles acordes de guitarra, aqueles batuques da bateria, aqueles gritos dados pelo vocalista.
- Nem demorei tanto assim. — disse Ash me fazendo acordar
Abri meus olhos e vi que tinha pegado no sono. Olhei no relógio e era sete e cinco.
- Acho que peguei no sono. — disse meio grogue
- Ah vá, sério? Nem percebi. — disse sarcástica
- Há há há! — falei rindo irônica
- Ok, sem mais delongas. Bora escolher sua roupa — falou indo em direção ao meu armário
Ficamos quase uma hora e meia escolhendo a roupa menos recatada certa para mim. Quando olhamos o relógio, marcava oito horas.
- Temos menos de meia hora para nos arrumarmos e partir. — falou Ash indo ao banheiro
Oito e meia, lá estávamos nós duas estacionando o meu carro no local do show. Quando saí, vi aquele amontoado de pessoas gritando, rindo, fumando, bebendo. Olhei para Ash que tinha os olhos brilhando. Minha amiga é louco - pensei para mim mesma.
Fomos até a entrada, entregamos nossos ingressos e fomos para os nossos lugares.
- Ótimo lugar, ótima visão do palco. Que perfeito! — disse Ash animada
Eu olhava aquilo tudo a minha volta e me arrependi de ter vindo. -Será que se eu sair de fininho ela vai perceber? — disse meu inconsciente — É, vai! - respondi a mim mesma.
Deu oito e cinquenta e nove, a contagem regressiva começou. Parecia final de ano, na hora da virada. Ri com aquilo. Quando o relógio marcou nove horas em ponto, a fumaça começou a aparecer no palco, os acordes da guitarra começaram e o grito. E pimba o show começa.
A banda começou a tocar Walk. Bom, essa música eu conheço, pois quando fui ver Thor no cinema, ela apareceu enquanto subia os créditos. Logo depois tocaram Best Of You. Ashley ficava cantando todas.
A playlist do show foi até que escutável, tirando, é claro, alguns gritos do nada que o vocalista dava e me fazia gritar de susto. Quando deu onze e meia, o show acabou. Eles fizeram alguns covers. No caminho até o estacionamento, via alguns casais se pegando, alguns estavam praticamente fazendo sexo ali mesmo, em público. Eu continuei olhando para o lado e vendo aquela cena, quando eu derrepente esbarrei em alguém e cai de bunda naquele barro todo.
- Kathy, está bem? — perguntou Ash me ajudando a levantar
- To sim. Foi mal é que eu não te vi. — falei pro carinha que estava a minha frente
Ele se virou e me olhou de cima a baixo, com um sorrisinho no rosto.
- Que isso, pode esbarrar em mim, quando quiser princesa! — disse o cara com uma voz rouca e um pouco grave
Revirei os olhos com a cantada sem graça dele.
- Ei, Ben! — gritou um cara vindo em nossa direção — Acabei de conseguir uma caron... Ashley?
Hã? O carinha conhecia a Ashley? — pensei
- Sam! — gritou Ash pulando no pescoço dele — Achei que nunca mais iríamos nos encontrar. — falou rindo, ainda no pescoço dele
- Digo o mesmo, gata! — falou
Eu fiquei olhando aquela cena tão pasma, quanto o carinha que me cantou. Acho que o nome dele é Ben.
- Sam, essa aqui é a minha amiga, Kathy. Kathy esse é o Sam, o carinha que conheci na festa. — piscou para mim
Ah sim, lembrei — disse em pensamento — Sorri para ele estendendo a mão achando que ele iria cumprimentar, mas ao contrário ele apenas me abraçou e deu um beijo em minha bochecha.
- Prazer, Kathy. A Ash falou muito de você na festa. E por isso to achando estranho você aqui. — falou franzindo o cenho
- Longa história — falei
- Ah sim, meninas, esse aqui é o Ben. Meu melhor amigo. — disse apontando para o cara de cabelos pretos, de olhos azuis, com roupas que me lembrava um pouco o modo de se vestir do Justin Timberlake com Jared Leto.
Gato! — disse meu inconsciente a mim.
- Prazer, Ash! — disse pegando a mãe dela e a beijando. Ele pegou a minha mão logo em seguida e fez o mesmo gesto, porém demorou mais ali e eu pude sentir um pouco da pontinha de sua língua lá. Aquilo em fez puxar a minha mão na mesma hora. Sorri meio sem graça.
- Vamos, Ash? — a chamei, ela assentiu
- Ei, meninos, não querem pegar carona com a gente? — disse a Ash
Eu mato ela, simplesmente eu vou matá-la. — pensei — Acabamos de conhecer eles e ela já quer dá carona e enfiá-los em meu carro?
- Acho que sim. — disse Sam — Esperem aí que eu vou avisar que vou com vocês para os meus amigos.
Minutos depois ele voltou. Fomos para o meu carro.
- Eu vou atrás com o Sam, e você Ben, vai na frente com a Kathy. — disse ela já entrando no banco de trás com o tal de Sam
Aquela hora eu queria matá-la sim. Liguei o rádio e fomos. No meio do caminho, eu podia sentir os olhos de Ben em mim, ou melhor, em minhas pernas. Aquilo estava meio constrangedor para mim. Pelo retrovisor, vi Ash e Sam aos beijos. Beleza, que beleza! — pensei. Ben olhou para trás e riu.
- Sam nunca perde uma. — disse ele rindo
- E a Ash também não. — sorri
Ele me olhou.
- A gente podia não perder uma também, né? — disse ele mais direto possível para mim
- Olha, eu não...
- Bora no subway? Bateu fome! — disse Ash e Sam juntos
Salva pelo gongo — falei a mim mesma. Fomos para o subway, pedimos o nossos pedidos. Logo depois os levei para casa. Ash se despediu de Sam com beijos. Já Ben, veio em minha direção, parou na minha frente.
- Você não respondeu a minha pergunta. — disse ele
- Vamos, Ash! — saí em direção ao carro — Bora, Ashley Parker! — gritei
Já dentro do carro, vi Ben ri para mim. Um sorriso de lado, meio sacana, presumo eu. Ignorei aquilo. Ashley entrou no carro e eu cantei pneu, como diz a minha avó. Deixei Ash em sua casa e fui para a minha em seguida. Fui direto para o meu quarto, tomei um banho e coloquei meu pijama. Deitei em minha cama e adormeci.
Notas finais
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