Battle Cry
34 capítulo 33
—Mãe?- Tentou Stiles, ignorando sua voz falhada para entrar mais no quarto. A mulher na cama só podia ser sua mãe. E ela estava sorrindo apesar dos lábios ressecados e partidos. Stiles chegou mais perto quando Claudia fez um sinal com a mão para que ele se aproximasse.
—Stiles...- A voz dela era fraca, e ela parecia estar tendo dificuldades para respirar apesar dos aparelhos plugados nela. -Meu garotinho, eu senti tanta saudades de você...- Stiles podia sentir seus olhos se encherem com mais lágrimas, e um segundo mais tarde ele começava a chorar porque sua mãe estava ali. E ele tinha certeza de que era ela. Era o mesmo rosto, o mesmo sorriso, a mesma voz.
—Mãe... Mãe, como... como isso é possível?- Stiles se apressou em parar ao lado dela, agarrando sua mão e a trazendo para mais perto de seu rosto para que ele pudesse deixar um beijo demorado ali. Ela continuou com o mesmo sorriso gentil, o olhando como se ela estivesse achando adorável a forma que Stiles agia.
—Eu sempre estive aqui, Stiles... Esperando por você... Nós não conseguimos nos despedir direito da última vez.- Explicou Claudia, sua voz fraca mas ainda assim carinhosa. Stiles franziu o cenho, sentindo seu peito apertar e um sentimento ruim se acomular em seu estômago. Ele negou com a cabeça antes de se aproximar ainda mais.
—Não, não, eu não quero me despedir.
—Meu garotinho... Eu sinto muito por estar te fazendo passar por isso outra vez... Acredite, eu adoraria ter você e seu pai aqui comigo, mas você não pode ficar aqui...- Stiles negou mais uma vez, apertando os olhos fechados e trazendo a mão pequena e frágil de sua mãe para perto de sua boca para beijar os nós dos dedos dela outra vez.
Stiles não queria abrir os olhos e ver o rosto conformado de sua mãe. Ele queria continuar ali a ouvindo e sentindo o pulso dela abaixo das palmas de suas mãos.
Stiles não queria a perder uma segunda vez, ele passou anos se conformando com o fato de que ele não teria mais sua mãe ao seu lado, mas se ele tivesse uma segunda chance em a ter de volta, ele faria qualquer coisa.
—Stiles... — Sua mãe chamou. -Eu senti muito a sua falta...
—Eu também senti sua falta, mãe... E o pai também, ele sente muito sua falta, nós dois sofremos muito depois que você se foi...
—Eu sei, querido... Me desculpe por não ter estado presente quando sua alquimia começou a se manifestar... Eu queria ter te treinado... Eu tinha tanta coisa para te ensinar...
—Eu, eu achei o seu jornal, e Peter me ajudou muito. Você lembra dele? Peter Hale? Vocês eram amigos. -Sua mãe riu um pouco dessa vez.
—Sim, eu lembro dele. Como eu poderia esquecer a pessoa que me ajudou a ter você? Ele era um de meus melhores amigos, ele e seu pai, eles sempre me ajudaram muito... Eu queria ter ajudado mais eles dois... — Claudia tinha um olhar distante, como se estivesse perdida em alguma lembrança. -Eles eram grandes amigos, eu fico feliz em saber que Peter está te ajudando. — Stiles concordou com um aceno, um sorriso trêmulo nos lábios.
—Eu recebi muita ajuda, e eu consegui fazer vários amigos! Você iria adorar eles... — Cláudia voltou a o olhar com um sorriso suave no rosto.
—Eu tenho certeza de que eles são pessoas maravilhosas...
Stiles estava tentando lembrar de mais coisas para ele dizer a sua mãe, mas ela mudou o olhar para algum lugar na parede perto da tv, e Stiles seguiu o olhar dela até um relógio na parede. Quando ele voltou a olhar sua mãe, ela parecia triste. Stiles franziu o cenho.
—Mãe? — Chamou ele, esperando Cláudia o olhar outra vez. — O que aconteceu?
—Chegou a hora...
—Chegou a hora? O que...! — Claudia soltou sua mão do agarre de Stiles antes de o mandar mais um sorriso carinhoso. E então a porta do quarto abriu, e Stiles se virou para ver quem era e seu coração quase parou.
Alí, passando pela porta com passos pequenos e ombros caídos estava seu eu de vários anos atrás. Os tenis de lona fazendo barulho no piso claro do chão, os jeans gastos e a camiseta do Batman. Stiles se lembrava dessa época, e ele se lembrava daquela roupa. E aí foi quando ele percebeu o que estava acontecendo. Ele se lembrou de sua conversa com Val a alguns dias atrás, sobre como a Hag prendia as pessoas em suas piores lembranças, em como as pessoas ficavam revivendo o momento.
—Não... — Sussurrou Stiles em voz baixa, sentindo suas lágrimas voltarem enquanto observava o garotinho andar até o outro lado da cama para se sentar na cadeira perto da maca. -Não, não, isso não pode estar acontecendo... — Stiles tentou fechar os olhos, mas seu corpo não queria o obedecer. A criança no quarto parecia não o envergar ali enquanto ele olhava de forma triste sua mãe dormir.
Stiles não sabia dizer quanto tempo havia passado, mas tudo parecia estar andando mais rápido. A criança que ele sabia ser ele mesmo, agora conversava com sua mãe que havia acordado e sorria para ele. Stiles não conseguia entender as palavras, mas era como se ele ouvisse um sussurro no ar e ele só queria fechar os olhos e não olhar mais o desenrolar da cena. Infelizmente pra ele, seu corpo estava paralisado, e o tempo continuava a passar. Um momento mais tarde, ele via sua mãe começar a tossir, e a criança pareceu se assustar um pouco e até mesmo se levantou da cadeira para tentar ajudar sua mãe quando ela se virou na cama. Mas o que uma criança podia fazer?
Stiles se lembrava daquela parte, ele iria chamar por ajuda, e os enfermeiros entrariam no quarto seguidos por um médico, mas eles não conseguiriam fazer nada. Sua mãe estava fraca demais e ela não conseguia respeitar direito nem mesmo com a ajuda da máquina. O corpo dela já estava desistindo.
Stiles ficou ali, assistindo exatamente a mesma cena a qual ele se lembrava, detalhe por detalhe. Seu desespero, a pressa do médico, os rostos concentrados dos enfermeiros. Ele se lembrava até mesmo das sensações que ele teve naquele momento. Como ele se sentia inútil e sozinho.
E então, como se o tempo tivesse finalmente voltado a se mover de forma normal, o médico e os enfermeiros se afastavam da cama, todos eles com expressões sérias no rosto.
Sua mãe havia morrido.
Stiles fechou os olhos, sentindo as lágrimas que ficaram em seus cílios molharem seu rosto. Ele tentou engolir o nó que ele sentia em sua garganta antes de voltar a respirar. E então ele abriu os olhos, e ele estava na reserva de novo.
Ele parou. O silêncio estava de volta, e ele olhou para a sua direita. Lá estava a mansão, a alguns metros. A mesma lua crescente, e as luzes continuavam apagadas, sem nenhum sinal de vida além dele mesmo.
Stiles respirou fundo e começou a andar.
Chegando até a mansão, ele subiu os poucos degraus da varanda e parou com a mão na maçaneta. Ele podia ouvir uma segunda respiração além da dele, e ele conseguia ver um vulto em sua visão periférica. Ele olhou para os lados e por cima de seu ombro, mas não havia ninguém alí. Stiles voltou a olhar para frente, e o vulto voltou a aparecer no canto de sua visão, fora de seu foco, mas sempre ali.
Ele endireitou sua postura e abriu a porta.
O barulho da máquina monitorando os batimentos cardíacos do paciente na maca, se fez ouvir. E Stiles apertou os olhos fechados, tentando controlar o tremor em seu corpo. Ele se forçou a respirar devagar, e então entrou no quarto.
—Mãe? — Chamou Stiles com uma voz fraca, e viu a mulher na cama abrir os olhos e virar o rosto para o olhar. O sorriso dela era gentil e frágil.
—Stiles... Meu garotinho... Eu senti tanta saudade de você...- O mesmo tom de voz, a mesma aparência frágil e doente. Era sua mãe ali, a mesma que ele assistiu morrer pela segunda vez a alguns minutos atrás. Ela sorria, mas os olhos dela pareciam saber que aquele não era um momento feliz, como se ela soubesse o que estava acontecendo. Stiles se aproximou de forma lenta.
—Quem é você?- A voz de Stiles estava falhada, mas ele não se importou, no momento ele só queria saber o que estava acontecendo. A mulher na maca o olhou como se estivesse com pena dele.
—Eu sou sua mãe, querido.- Stiles segurou sua vontade de gritar ao levar suas mãos a seu cabelo e agarrar os fios, os puxando e andando em círculos dentro do quarto.
—Você não é a minha mãe... Você não pode ser... Você morreu quando eu tinha oito anos... Eu vi! Eu estava aqui!- Stiles podia sentir tantas coisas diferentes ferverem dentro dele, raiva, ódio, tristeza, desespero, cansaço, Stiles queria arrancar seus próprios cabelos. Por que aquilo estava acontecendo?
—Stiles...- Stiles parou de andar pra olhar a mulher na cama. -Eu sou sua mãe... Você sabe que eu sou."
—Mas por quê...? — A mulher sorriu triste mais uma vez antes de olhar o relógio na parede.
— Já está na hora...
Stiles ficou ali, sem reação, apenas assistindo a mesma cena se desenrolar a sua frente. Seu 'eu' de anos atrás entrando no quarto para se sentar perto da cama e um momento mais tarde o médico e alguns enfermeiros entravam no quarto para tentar reanimar sua mãe que havia acabado de morrer.
Stiles fechou os olhos, respirou fundo, e quando ele abriu os olhos de novo, ele estava na reserva. O silêncio estava de volta, e ele olhou para a sua direita. Lá estava a mansão, a alguns metros. A mesma lua crescente, e as luzes continuavam apagadas, sem nenhum sinal de vida além dele mesmo.
Stiles sentiu sua raiva subir, ficando maior do que todos os outros sentimentos dentro dele, e então ele começou a andar na direção da mansão. Seus paços quase numa marcha, as mãos apertadas em punho. Ele podia ouvir sua própria respiração pesada saindo de sua boca.
Ele ignorou o vulto que ele podia quase enxergar pelo canto dos olhos, e abriu a porta da mansão. Ele estava no quarto hospitalar mais uma vez. Sua mãe virou o rosto para o olhar com um sorriso que mais parecia um pedido de desculpa, e Stiles andou até ela.
—O que está acontecendo aqui?
—Você sabe o que está acontecendo, querido...
—Isso tudo é um sonho, não é? Eu estou preso nessa... Nessa lembrança. É a Hag, não é? Onde está ela?- Stiles estava se contendo para não gritar ali, ele podia sentir seu corpo vibrar com sua raiva.
—Você não pode a encontrar aqui, querido, eu sinto muito... Eu não gosto de te ver sofrer... -Stiles apertou mais suas mãos.
—O que é você? — Rissou Stiles, se segurando para não fazer nada além de olhar a mulher na cama.
—Eu sou sua mãe... Uma lembrança dela, eu sinto e sei tudo o que ela sentiu e conheceu.- Explicou numa voz cansada a mulher.
—Por que você está me explicando tudo isso?
—Porque você é meu filho... Eu não gosto de te ver sofrer. — Stiles apertou os olhos, se virando bruscamente para voltar a andar pelo quarto. O que ele faria? Ele tem de sair daquele sonho, ele tem de achar a Hag e matar ela. Stiles nunca imaginou que sentiria essa vontade de matar alguém, mas era isso o que ele estava sentindo. Ele queria matar a Hag. Ele queria que ela sofresse por estar o fazendo passar por isso. Ele nem podia imaginar o tipo de lembrança em que os outros alvos da Hag ficaram presos.
Stiles parou de andar.
Os outros alvos da Hag. Todos eles cometeram suicídio. Por que eles fizeram aquilo? Quer dizer, Stiles entendia que eles devem ter sofrido muito assistindo coisas ruins acontecerem de novo e de novo, repetidamente na mente deles, mas suicídio? Não fazia sentido.
Stiles se virou de forma lenta para sua suposta mãe, e ela já o encarava como se estivesse apenas esperando ele perguntar. Stiles chegou mais perto da cama.
—Como eu saio dessa lembrança? — Perguntou Stiles calmamente, observando sua mãe o sorrir antes de olhar para o relógio na parede. Stiles seguiu os olhos dela para o relógio, e ele sabia o que iria acontecer agora.
Ele tentou voltar a falar, mas seu corpo não o responda. Sua mãe já estava dormindo, e alguns segundos mais tarde seu 'eu' criança entrava pela porta. Tênis fazendo barulho no chão, ombros caídos, jeans e camiseta do Batman. A criança se sentou perto da maca, sua mãe acordou, eles conversaram por um curto tempo, sua mãe começa a tossir, a criança tenta chamar ajuda, os enfermeiros e o médico tentam salvar sua mãe, mas ela já está morta. E então Stiles fecha os olhos, e quando ele os abre de volta, ele está na reserva.
—----------sterek end cap 33-------
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