Battle Cry
39 Capítulo 38: Fim
Stiles observou os betas na linha das árvores se alongando, e terminou de vestir suas luvas de onça antes de pegar a bola de tênis ao seu lado na varanda e descer a mesma de forma lenta, degrau por degrau, pensando na melhor forma de lançar a bola por cima das árvores.
Derek que o esperava aos pés da escada pra varanda, abriu um sorriso em sua direção, e Stiles sentiu seu peito expandir.
Haviam se passado exatos cinco meses, duas semanas e seis dias desde seu encontro com a Hag. Stiles sabia que ele ainda não estava cem por cento, mas talvez ele nunca esteja totalmente "curado" desse acontecimento, porém, o adolescente podia afirmar que ele, certamente, estava melhor.
Ele dormia a maior parte das noites, e não acordava gritando mais. Ele conseguia conversar sobre o que aconteceu, sobre como ele assistiu sua mãe morrer vezes e vezes e em como, no final, ele teve de matar sua própria mãe para conseguir sair daquele círculo.
O adolescente sabia, ele entendia perfeitamente que tudo o que ele passou naquele coma, foi fruto dos poderes da Hag, que a pessoa a qual ele empurrou da janela daquele quarto de hospital, não era realmente sua mãe, e sim um fragmento alterado de sua própria memória. Ele compreendia tudo isso, mas isso não deixava de o fazer duvidar às vezes.
E se ele realmente pudesse ter recomeçado tudo em um universo alternativo? Quero dizer, não é como se universos paralelos não existissem; ele passou um tempo no purgatório no final das contas. Mas então, o garoto pensa de novo, e se pergunta, será que ele seria realmente feliz nesse universo diferente? Será que seus amigos seriam mais felizes? Será que Derek seria mais feliz?
Hoje, quando Stiles olha para seu pack, e vê a forma com que eles interagem e o jeito com que um depende do outro (não de uma forma exclusiva, mas sim de uma forma familiar), ele pensa se recomeçar e evitar todas as tragédias, realmente deixaria tudo melhor. Tipo, será que se toda aquela desgraça não tivesse acontecido, eles ainda se tornariam amigos no final?
Não. Pensou Stiles de forma firme, eles não seriam amigos. Eles não seriam pack. Eles seriam apenas pessoas que moram na mesma cidade pequena no interior da Califórnia.
É claro que Stiles não está feliz ou aliviado pelas coisas ruins que aconteceram e os levaram até alí, mas ele está extremamente satisfeito com a forma com que tudo terminou. Todos eles passaram por poucas e boas, e são um pouquinho trincados por causa desses acontecimentos, mas tudo isso, toda essa coisa ruim que aconteceu, serviu para os fortalecer não apenas como um pack, mas também como individuais. Todos eles eram melhores pessoas por causa de tudo o que aconteceu, e se tudo o que a Hag colocou em sua cabeça, se toda aquela história de universo paralelo realmente existir, Stiles não quer desistir desse "melhor eu" de seu presente, ele quer continuar evoluindo, e vendo seus amigos evoluíram também.
O adolescente jogou a bola de uma mão para a outra, parando ao lado de seu Alfa antes de deixar um beijo na bochecha deste.
—Pronto? — Questionou Derek em voz baixa, esfregando as costas de Stiles ao notar a tensão nos ombros do mais novo.
Stiles fechou os olhos, respirou fundo, e então olhou para frente, encontrando a atenção dos betas em seu rosto.
Lydia e Allison ainda não estavam alí, mas elas prometeram que viriam mais tarde com comida italiana e um filme para todo mundo assistir.
—Sim. Eu estou pronto. — Afirmou o adolescente, e então ele se concentrou, sentindo sua energia se acumular em sua mão, e viu Derek se transformar pelo canto dos olhos antes de ficar em posição para arremesso.
Os betas todos se prepararam ao ouvirem o latido do Alfa, e um segundo mais tarde, Stiles arremessava a bola de tênis, observando a mesma fazer uma curva nada natural no ar e sumir rapidamente por cima das árvores da reserva enquanto o pack se separava para ir a procura do brinquedo.
**************
Apesar de tudo o que aconteceu, e da sensação lenta que os dias tinham, a vida em Beacon Hills e no resto do mundo, continuou andando pra frente.
Depois de alguns meses onde ninguém mais conseguia encontrar pistas para saber como exatamente o assassinato de Sílvia aconteceu, o caso foi concluído como uma das casualidades ligadas aos suicídios que começaram a acontecer depois da morte dela, já que apesar dela não ter as mesmas características físicas que as outras vítimas tinham, Sílvia ainda tinha a mesma marca na parte de trás do pescoço. Os policiais no caso também tentaram encontrar algum familiar dela para que este decidisse o que seria feito com a loja e os outros pertences da cartomante, mas ao que tudo indicava, Sílvia teve uma irmã mais velha que morreu a vários anos atrás quando as duas participavam de uma seita que mexia com bruxaria e magia negra. A seita não existia mais, Sílvia era a última sobrevivente do que parecia ser um caso de assassinatos entre os próprios membros, se o que Stiles leu sem querer na ficha policial que ele encontrou por acaso escondida na gaveta da escrivaninha no quarto de seu pai for algo a se levar em conta.
No fim, a loja acabou se tornando ponto turístico, "A Casa da Bruxa" era como estavam chamando a antiga loja de chás, e ninguém tinha muita coragem de entrar lá depois que a coisa com a seita veio a tona. Mas como Stiles sabia como crianças e adolescentes adoravam se mostrar corajosos e sempre acabavam entrando em lugares onde não deveriam (isso aconteceu muito com a antiga mansão Hale, que antes de Derek reformar, era visto como lugar para teste de coragem), então para evitar qualquer tipo de problema, Derek, Lydia e Stiles, entraram na loja em uma noite apenas para retirar lá de dentro tudo o que parecia ser perigoso, como vasos vazios, jóias e objetos antigos, e claro o deck de cartas que ainda estava em cima do balcão no caixa da loja.
Stiles não sabia realmente como ele se sentia depois de descobrir um pouco do passado de Sílvia, porque a Sílvia que ele conheceu não parecia ser uma bruxa sanguinária parte de alguma seita do mal que sacrificava pessoas. A cartomante que Stiles conheceu era uma mulher rígida e correta, se não um pouco irritante quando ficava tirando cartas aleatórias de seu baralho para apontar para Stiles que ele estava tendo uma semana de azar. Sílvia nunca o tratou mau ou tentou algo estranho contra ele, ao contrário, Sílvia sabia quem ele era, o que ele era, e nunca o tratou diferente, ela até mesmo o ajudou algumas vezes! Então seja lá o que aconteceu no passado da cartomante, Stiles tinha certeza de que ela havia mudado e evoluído para alguém melhor, e por esse motivo Stiles continuava acreditando que ela era uma boa pessoas e não esse monstro que as pessoas estavam começando a pintar ela como.
Depois de limpar a loja e a antiga casa de Sílvia dos objetos que poderiam ser ou não mágicos, Derek ficou com algumas caixas com objetos aleatórios e provavelmente amaldiçoados em seu porão, e ninguém sabia realmente como se desfazer daquilo tudo.
Quero dizer, Peter disse que não se importava realmente em guardar todas aquelas coisas em seu apartamento, mas por mais que Stiles confiasse em Peter e até mesmo o tratasse como parte de sua família, ele ainda não queria deixar tantos objetos potencialmente mágicos e poderosos nas mãos curiosas dele, então quem ele poderia consultar sobre isso? Deaton estava fora de questão, e se eles não queriam deixar tudo aquilo nas mãos de Peter, quem mais existia na lista deles de pessoas de inclinação sobrenatural e razoavelmente confiável para ter esse tipo de conversa?
—Val! Hey! Tudo bem? — começou Stiles ao chegar na recepção da Biblioteca municipal e se recostar ao balcão da frente. Val que estava de costas para o balcão guardando alguns papéis nos armários de arquivos antigo, deu um pulo com o susto que levou ao ouvir seu nome chamado tão alto de repente, e se virou de forma brusca com os olhos arregalados e uma expressão assustada no rosto. -Uau, — exclamou Stiles surpreso com a reação exagerada de Val, levantando as mãos e mostrando suas palmas vazias para o outro adolescente antes de dar um passo para trás. — Desculpa o susto, não foi minha intenção.
Val pareceu relaxar com a voz de Stiles, e este abaixou as mãos antes de erguer uma sobrancelha questionadora na direção do outro garoto. Val então soltou um suspiro cansado antes de andar até o balcão e se dobrar ali para descansar os cotovelos sobre a madeira amarelada do balcão.
Stiles notou que o adolescente parecia mais cansado que o normal, suas roupas estavam meio desarrumadas, e o cabelo comprido que ele geralmente usava solto sobre os ombros, estava preso num rabo de cavalo torto e seus óculos pareciam estar remendados com fita adesiva em uma das pernas.
—Aconteceu alguma coisa? — questionou Stiles de forma receosa, olhando Val erguer o óculos com uma mão e coçar os olhos com a outra. -Tipo, sem querer ofender, mas você está horrível hoje… — terminou Stiles, ouvindo Val bufar uma risada antes de arrumar seus óculos na ponte do nariz e voltar sua atenção para Stiles.
—Bom, eu estou me sentindo horrível hoje, então… — trilhou Val, dando de ombros antes de olhar para o relógio em seu pulso e então avisar uma moça que estava na outra ponta da recepção que ele estava tirando seu tempo de descanso.
Os dois adolescentes saíram da recepção e seguiram para um lugar mais isolado na biblioteca. Eles estavam num sábado de manhã, então não foi realmente difícil achar uma mesa vazia nos fundos perto dos livros de literatura internacional.
—Então… — começou Val, empurrando seu óculos mais para cima antes de arrumar uma mecha de cabelo atrás da orelha. — Em que posso ajudá-lo hoje?
Stiles pensou seriamente em apenas falar alguma coisa aleatória e deixar a conversa sobre os objetos talvez mágicos de lado porque Val parecia realmente cansado, mas, bom, Stiles não tinha mais quem procurar. Então ele respirou fundo e chegou mais perto da mesa entre eles para conseguir apoiar os braços na madeira antes de olhar de forma suspeita, para os lados.
—Eu preciso saber como eu faço para me desfazer de artefatos mágicos. — Confessou Stiles, observando a expressão de Val mudar para uma de surpresa.
—Artefatos mágicos? — Questionou o garoto num tom quase incrédulo, e Stiles concordou de forma animada com a cabeça antes de tentar chegar ainda mais perto da mesa.
—Meu pack e eu retirarmos algumas coisas da loja da Sílvia, e nós não queríamos manter essas coisas aqui caso algum maluco por poder apareça e tente usar algo. — Explicou Stiles, e Val concordou com um menear de cabeça, desviando o olhar para o lado de forma pensativa antes de cruzar os braços.
Se passaram alguns longos segundos onde Stiles ficava cada vez mais ansioso, e sem nem perceber ele começou a mexer sua perna de forma rápida para cima e para baixo num hábito nervoso, e então Val finalmente pareceu chegar a uma conclusão.
—Eu acho que o melhor a se fazer nesse caso, é você lavar os objetos num rio, -começou Val, vendo a expressão confusa no rosto de Stiles, e abrindo um sorriso divertido com a falta de conhecimento básico do adolescente à sua frente. — Você precisa lavar os objetos num rio por causa da água corrente, a correnteza leva as más intenções embora. Bom, lavar tudo no mar seria melhor, mas eu acho que vocês estão com pressa, não é? Então água corrente já quebra o galho. — Explicou Val, e Stiles concordou de forma lenta, tentando guardar todas as informações em sua mente. — Depois de lavados, você deve colocá-los num buraco, cobrí-los com sal e então colocar fogo. Você não precisa se preocupar com álcool ou gasolina, se os objetos forem mesmo mágicos, eles pegaram fogo e derreteram. Depois disso é só enterrar e eu acho que ficará tudo bem.
Stiles assentiu, e então se afastou um pouco da mesa antes de cruzar os braços.
Felizmente não eram muitos objetos e o rio que cortava a reserva não ficava tão longe da nova mansão. Derek ainda tinha o sal da vez que eles estavam criando barreiras contra as fadas que queriam construir uma colônia no Nemeton, então isso também não seria problema. Mas onde eles fariam esse buraco? Será que alguém perceberia se eles fizessem mais um buraco no cemitério?
Stiles sentiu um calafrio subir por seu pescoço, e um segundo mais tarde, uma mão enluvada em cetim preto descansava em seu ombro, o fazendo pular de susto e olhar para trás para ver quem era.
Uma moça em um vestido longo preto, de manga comprida e renda por cima do tecido na parte dos ombros estava em pé logo alí. Ela usava um chapéu também preto com uma aba ampla que fazia sombra sobre seu rosto pequeno.
Ela ergueu a cabeça, e Stiles se surpreendeu com o quão escuro os olhos dela eram. A moça então abriu um sorriso, e as presas avantajadas dela pareciam ficar mais expostas contra o vermelho do batom.
—Você deve ser Stiles, o novo amiguinho do meu filho, é tão bom finalmente te conhecer! — Anunciou a moça num tom carinhoso e uma voz suave quase aguda, e Stiles… Stiles apenas ficou alí parado a encarando de olhos arregalados.
Uma vampira. Stiles tinha certeza de que ela era uma vampira. Era como se ele estivesse olhando para Morticia Adams pela primeira vez em sua vida, a diferença sendo que Morticia era humana, e essa moça vestida de preto dos pés a cabeça, definitivamente não era humana. Definitivamente.
Stiles se voltou para Val quando este deixou um grunhido desanimado escapar, e viu o outro adolescente esconder o rosto nas mãos como se estivesse com vergonha.
—Mãe! — Reclamou Val antes de levantar o rosto e mandar um olhar quase dolorido na direção da moça que aparentemente era sua mãe.
Stiles sentiu seu queixo cair. "Mãe"? Aquela era a mãe de Val? Mas ela parecia tão nova!
—Não use esse tom comigo, mocinho! — Apontou a moça de um jeito reprovador, apertando levemente o ombro de Stiles antes de soltá-lo. Val estava fazendo uma careta desconfortável, se remexendo na cadeira e evitando os olhos de Stiles. Este então voltou sua atenção a moça que agora puxava uma cadeira para se sentar junto deles a mesa. Ela arrumou a postura assim que sentou, ficando meio de lado na cadeira para poder cruzar as pernas, e só então Stiles percebeu a sombrinha fechada que ela carregava e estava usando como bengala ao descansar as mãos sobre o cabo torcido e curvado do objeto que também era preto e de renda. Ela pigarreou de forma quase delicada, e voltou a sorrir na direção de Stiles. — Como eu estava dizendo, é tão bom te conhecer, eu fico aliviada em saber que meu bebê está conseguindo fazer amigos fora da comunidade.- Continuou ela, parecendo realmente feliz, e Stiles piscou seus olhos algumas vezes, tentando entender o que estava acontecendo.
Stiles sacudiu um pouco a cabeça, fechando sua boca e finalmente conseguindo recuperar sua habilidade de falar.
—Hmm… Comunidade…?
—Oh? Vlad não te explicou?
—Vlad? — Questionou Stiles, voltando um olhar confuso para Val, e este voltou a esconder o rosto nas mãos. Stiles tornou sua atenção a moça, e a mesma olhou para Val de forma confusa antes de seu rosto clarear em entendimento.
—Oh! Eu já entendi! — Anunciou ela de forma animada ao levantar um dedo. -Bebê, você não está usando aquele apelido ridículo de novo, não é? Quantas vezes eu terei de te dizer que seu nome não é estranho? Seu nome é muito importante, e ele está a séculos em nosso família!
—Por que nenhum de meus irmãos mais velhos receberam esse nome então? — Questionou Val de repente, olhando para sua mãe de forma desconfiada, e a moça bufou uma risada antes de erguer o nariz e ignorar o tom de voz de Val.
—Porque seu pai e eu não achávamos que era a hora! Seus irmãos não tinham cara de "Vlad", você tem!
—Espera, espera, espera! — Interrompeu a discussão, Stiles. — Seu nome é Vlad? Sério?
—Vlad James Tepes, o primeiro em sua geração. — Disse a moça com um tom de orgulho, e era como se um novo universo tivesse se aberto dentro da mente de Stiles. O adolescente se virou para seu amigo com uma expressão tão animada que Val apenas jogou os braços pra cima, desistindo da conversa.
—Mano! Você tem o nome do Drácula! Por que você nunca me disse isso? Você tem noção do quão legal isso é?! — Exclamou Stiles animado, perdendo a expressão emocionada que apareceu no rosto da moça ao seu lado. Ele se voltou para ela quando esta se inclinou para segurar suas mãos por entre as delas. E os dois trocaram olhares animados, se não um pouco molhado por algumas lágrimas no caso da moça.
—Eu estou tão feliz que meu Vlad tenha encontrado alguém que entende a importância do nome… — Começou a moça com um sorriso trêmulo, e Stiles ignorou Val resmungando e reclamando do outro lado da mesa para sorrir de forma mais aberta a moça a sua frente. — Oh, mas que bela surpresa essa, saber que jovens como você ainda existem… diga, querido, você por acaso é casado?
—Mãe!
—Desculpe senhora…
—Tepes, querido, Alícia Tepes.
—Senhora Tepes, me desculpe, mas eu já tenho um namorado, e ele pode ser… ciumento, às vezes… — Explicou Stiles com um sorriso sem graça ao lembrar de Derek mandando um olhar assassino ao caixa do cinema outro dia quando o mesmo tentou flertar com Stiles. Ele viu a senhora Tepes o olhar nos olhos por alguns segundos antes de farejar o ar de forma delicada e rápida, e os olhos dela se arregalaram em surpresa.
—Oh! Lobisomem! Eu entendo… ouvi dizer que eles são extremamente superprotetores quando acham que seu pack ou companheiro estão em perigo. — Comentou ela num tom carinhoso, meneando com a cabeça como se estivesse concordando consigo mesma. E então um brilho animado apareceu nos olhos dela, sua expressão curiosa e empolgada enquanto ela descruzava as pernas para tentar chegar mais perto de Stiles, como se quisesse o confessar algo em voz baixa, e Stiles se aproximou mais dela, curioso com o que sairia da boca dela agora. — É verdade que lobisomens tem um bulbo igual aos lobos na hora do sexo?
—MÃE! — Exclamou horrorizado Val enquanto Stiles jogava a cabeça pra trás e ria de um jeito que ele não ria a muito tempo. Seu rosto estava vermelho por vergonha da pergunta, mas ele não conseguia não achar a curiosidade genuína dela adorável e a cara de mortificado que Val estava fazendo era impagável. -Meu Deus, que vergonha! Mãe, como a senhora tem coragem de perguntar um negócio desses?
A senhora Tepes apenas ergueu as sobrancelhas de forma despreocupada, olhando para Val como se ele fosse o único fazendo perguntas estranhas alí.
—Eu sempre tive essa curiosidade, e nunca conheci outra pessoa que estivesse em uma relação com um lobisomem e não fosse um outro lobisomem! — Ela fungou um pouco antes de arrumar a postura, cruzar os braços e erguer o nariz mais uma vez. — Para quem vive correndo seminu no meio da floresta, lobisomens são surpreendentemente secretivos sobre suas vidas sexuais. — Explicou ela de forma objetiva, e Val cobriu o rosto com um mão antes de grunhir desanimado, quase derrubando seus óculos ao tentar esfregar o rosto com a mesma mão.
—Isso se chama "senso comum"! — Explicou Val exasperado com a personalidade de sua mãe, a mesma apenas o mostrou a língua antes de voltar a empinar o nariz, e Stiles voltou a rir da cena a sua frente.
—Desculpe mas, a senhora estava falando sobre uma comunidade…? — Relembrou Stiles ainda sorrindo, e a senhora Tepes o olhou confusa por um momento antes de voltar a sorrir ao lembrar da conversa deles.
—Oh! Sim! Nossa comunidade seria algo como um pack, caso isso te ajude a entender. — Começou a explicar ela, voltando a cruzar as pernas e apoiar as mãos na sombrinha que descansava a sua lateral na cadeira. — Nós dificilmente saímos de nossa comunidade, então não interagimos muito com humanos ou outros seres sobrenaturais, até porque hoje em dia existe internet e nós podemos fazer tudo desde compras a pagar contas por meio desta! Não é maravilhoso? Toda esse avanço na tecnologia? — Perguntou ela com um suspiro sonhador. — Ah, eu ainda lembro de quando eu tinha a sua idade! Todas aquelas pessoas morrendo por causa da praga, o cheiro de urina e medo nas ruas, todas aquelas tochas e arpões apontados para mim quando eu tentava ir a cidade comprar tecido… " ela deixou um sorriso nostálgico tomar seus lábios, — bons tempos…
Fez-se um silêncio estranho por alguns segundos onde Stiles apenas ergueu uma sobrancelha na direção de Val, vendo o mesmo fechar os olhos e uma expressão desanimada tomar conta de seu rosto. O outro adolescente apenas negou com a cabeça antes de abrir os olhos e voltar sua atenção para sua mãe que parecia perdida em suas lembranças.
—Mãe, o que você veio fazer aqui hoje? Eu pensei que você não gostasse de sair de dia.
—Eu eu não gosto! — Retrucou a senhora Tepes voltando a sua postura com um ar superior antes de perceber que seu filho não estava tentando discutir dessa vez, e então relaxar os ombros antes de abrir um sorriso carinhoso na direção de Val. -Bom, eu tive de vir aqui para te lembrar que sua graduação será nesse final de semana, então por favor não invente desculpas dessa vez! Você sabe que não pode ficar muito tempo nesse corpo mortal se não pretende formar uma família, querido. -Explicou ela, dando uns tapinhas reconfortantes na mão de Val em cima da mesa mais perto dela, e o outro adolescente suspirou cansado, mas parecia estar de acordo. — Eu sei que você queria esperar mais, mas nós estamos preocupados…
—Os Vânators de novo?
—Infelizmente, eles estão agitados porque um deles foi morto por um vampiro, e estão colocando a culpa em nossa Comunidade.
—De novo?
Stiles ficou momentaneamente perdido na conversa entre mãe e filho, sentindo o repentino peso que a conversa trazia.
—Com licença, — interrompeu Stiles. — Eu sei que eu não tenho nada haver com o assunto, mas eu posso ajudar em alguma coisa?
Mãe e filho o olharam como se Stiles fosse algum tipo de criatura estranha, antes da senhora Tepes arrulhar em sua direção.
—Oh, ele é tão adorável, Vlad! Por que você não nos apresentou antes? Não se preocupe conosco querido, tudo isso é apenas parte da guerra entre nossa família e essa família de caçadores, nós brigamos a séculos, não tem com o que se preocupar!
—Espera, caçadores? Então vocês realmente são…
—Vampiros? Sim, querido, nós somos todos vampiros! — Esclareceu ela com um sorriso no rosto antes de mandar um olhar julgador para seu filho. — Quero dizer, quase todos, não é mesmo Vlad? — Apontou ela, e Val fez uma careta sem graça.
Stiles observou a interação deles de forma curiosa tentando entender o que estava acontecendo ali.
—O Val não é um vampiro?
—Oh querido, não é isso. — Riu a senhora Tepes. — É só que nós vampiros amadurecemos de um jeito diferente, e de acordo com nossas tradições, Vlad ainda é considerado uma criança desprotegida. Mas isso não é importante agora, o que realmente importa é que ele não evite mais o chamado de sua família, e eu tenho certeza de que isso não irá acontecer de novo, não é mesmo Vlad? — Questionou a senhora Tepes num tom que implicava que a resposta de Val deveria ser sim ou ele teria terríveis consequências as quais sofrer.
—Sim, mãe… — Rolou os olhos Val, e Stiles riu da situação, mesmo não entendendo realmente o que estava acontecendo.
Depois disso, a mãe de Val se despediu, puxando Stiles para um abraço que quase quebrou seus ossos antes de simplesmente desaparecer entre a sombra de uma prateleira e outra.
Val ainda se desculpou pelo comportamento estranho de sua mãe, explicando para Stiles que sua mãe não é acostumada a conversar com humanos já que ela e seu pai evitam sair fora da área onde a comunidade deles fica, então quando um dos dois encontra com humanos que sabem sobre o mundo sobrenatural, eles sempre ficam super animados. Stiles insistiu que não tinha problema, na verdade ele havia adorado conhecer a senhora Tepes.
Depois de ter certeza de que ele havia decorado tudo o que precisava para se livrar dos objetos mágicos, Stiles agradeceu e se despediu, desejando boa sorte a Val em sua viagem de volta para casa que aparentemente ficava na Transilvânia.
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Primeiro de Abril, quinta-feira, dia de seu aniversário, e Stiles estava mais animado que criança em noite de Natal, porque Derek, seu belo e querido Alfa e namorado, prometeu que levaria Stiles viajar em seu aniversário de 18 anos. E adivinha só quantos anos Stiles está fazendo nesse belo e caloroso dia de primavera : 18!
O adolescente já havia tomado café com seu pai e Peter na lanchonete a qual os dois Stilinskis visitam desde que Stiles era uma criança, era um ritual que eles faziam todos os anos, se empanturrando com panquecas encharcadas de mel e cobertas com chantilly, e comendo uma quantidade nada saudável de bacon e ovos com queijo e torradas. A coisa mais saudável naquilo tudo, era o copo de água que eles bebiam enquanto esperavam a garçonete trazer o café. Peter pareceu se divertir em assistir pai e filho comerem até suar, mas como a ótima pessoa que ele não era, ele tirou algumas fotos dos dois sofrendo para terminar a pilha de panquecas e a colou como plano de fundo em seu celular.
Depois do café da manhã e um abraço apertado de seu pai e um beijo na testa por parte de Peter, Stiles correu para a escola, ou pelo menos tentou andar o mais rápido possível com seu estômago cheio do jeito que estava.
O dia de aula passou como qualquer outro, com algumas pessoas contando mentiras para entrar no clima de "primeiro de abril", e Lydia avisando Stiles que logo após o término do treino de lacrosse, todos eles no pack iriam comemorar o aniversário dele no boliche. O que aconteceu, e foi engraçado pra cacete. Ver Isaac escorregando ao jogar a bola, e Lydia discutindo com o atendente por causa dos sapatos que ela trouxe de casa e queria usar, realmente marcou bem o início da noite. Derek havia decidido que apenas observaria todo mundo jogando, e Stiles estava feliz em apenas o fazer companhia ao ficar sentado em seu colo, mas seus amigos não admitiam que o próprio aniversariante ficasse sentado sem jogar uma rodada que fosse. Então eles resolveram dividir times, dos garotos contra as garotas, com Isaac indo para o time feminino para poder ficar com os times iguais em número. Óbvio que o time das garotas ganhou, com Allison e sua pontaria perfeita, e Lydia usando matemática para calcular os trajetos e velocidade da bola, Erica aparentemente era uma natural com boliche, e Isaac não era exatamente exemplar, porém diferente de Stiles, a bola dele ia reto ao invés de sempre cair nas canaletas nas laterais da pista. No final da noite, o mesmo atendente que discutiu com Lydia, trouxe para a mesa deles um bolo com uma vela acesa em cima, e Stiles não conseguia segurar o sorriso ao ouvir seus amigos cantarem e baterem palmas enquanto Derek o abraçava pela cintura e deixava um beijo em seu pescoço.
Stiles já havia conversado com seu pai sobre a viagem, e eles decidiram que Stiles não iria para a escola na sexta, para que ele e Derek pudessem viajar e aproveitar o final de semana na praia.
Stiles estava tão animado com a ideia de sair um pouco daquela cidade, de deixar Beacon Hills para trás por pelo menos três dias, que ele estava sorrindo sozinho a cantando enquanto limpava sua casa.
Eu quero dizer, não é como se Stiles não gostasse de BH, é só que aconteceram tantas coisas alí em tão pouco tempo, que ele tinha certeza de que esse tempo fora da cidade seria maravilhoso para sua saúde mental. Derek dizia que seria bom para eles se afastarem um pouco e realmente descansar, esquecer um pouco dos problemas e só aproveitar o momento. E Stiles sabia que ele aproveitaria muito seu tempo sozinho com seu Alfa em uma casa de praia afastada de tudo e de todos. Apenas os dois e o mar e o céu azul indo embora pro horizonte.
Então assim que Stiles chegou em sua casa na quinta, ele subiu direto para seu quarto fazer suas malas porque Derek queria sair amanhã bem cedinho. E ele estava tão concentrado em escolher entre uma sunga azul ou uma roxa, que quase quase pulou de susto ao ouvir a voz a suas costas.
—Você fica melhor de azul. — Stiles sorriu e se virou para olhar de forma julgadora Derek. Este parecia estar segurando um sorriso, parado perto da janela e o olhando como se apenas ver Stiles estivesse o fazendo feliz.
—E você não deveria estar entrando pela janela. — Apontou Stiles, vendo Derek finalmente sorrir e andar para mais perto.
Stiles abriu os braços, recebendo o abraço e suspirando satisfeito com o beijo que também recebeu.
Os dois se separaram para poder olhar o rosto um do outro, e Stiles nunca se sentiu tão livre e nervoso ao mesmo tempo. Stiles adorava todas essas sensações e sentimentos confusos que estar em uma relação com Derek trazia. Ele se sentia vivo, como se ele pudesse fazer qualquer coisa, era incrível.
—Eu estava pensando… — Começou Derek, e Stiles abriu um sorriso travesso.
—Nunca uma boa ideia.
—Eu estava pensando, — Repetiu Derek, ignorando Stiles, e o mesmo riu um pouco de um jeito satisfeito que só fez Derek o olhar com ainda mais carinho. — E cheguei a conclusão de que nós deveríamos ir hoje para praia. — Terminou Derek, esperando pela reação de Stiles.
Stiles passou alguns segundos apenas olhando o rosto de Derek, tentando ver ali o que fez o Alfa vir e propor a mudança nos planos deles.
O adolescente desviou os olhos para a janela, vendo o céu já escurecendo para um azul arroxeado lá fora antes de voltar sua atenção para Derek.
—Já é praticamente noite, senhor Alfa. Por que a pressa? — Questionou Stiles, passando uma mão pelo cabelo na nuca de Derek, e sentindo o mesmo acariciar sua cintura com os polegares de uma forma lenta e calma.
—Eu só acho que quanto mais rápido nós sairmos daqui, melhor… Eu também quero um tempo fora da cidade…
Stiles observou a expressão no rosto de Derek, vendo como o Alfa estava se esforçando em se manter aberto.
Stiles não era o único tentando se recuperar, ou tentando seguir em frente alí. Derek também havia passado por poucas e boas naquela cidade. Descobrir que seu tio matou sua irmã, matar este tio e depois vê-lo voltar dos mortos e então ter de reaprender a conviver com esse tio, e então todas aquelas coisas sobre Kate e os caçadores, a dificuldade que ele teve com seu pack, e agora o problema que Cora também teve com a Hag. Derek ficou tão preocupado, ele mal dormiu durante aquele episódio. Stiles não era o único que estava conversando com um psiquiatra toda semana.
Os dois tinham seus próprios problemas para resolver internamente, e os dois precisavam desse descanso de Beacon Hills. E os dois obviamente queriam descansar juntos.
Stiles deixou um beijo demorado na boca de Derek, e então se afastou, voltando para seu guarda roupas. Ignorando o levantar de sobrancelhas de Derek para procurar por uma muda de roupas.
—Okay, eu só vou tomar um banho, e então nós podemos ir.
—Eu já avisei seu pai. — Apontou Derek, olhando Stiles pegar a toalha que estava pendurada na porta do guarda roupas enquanto concordava com a cabeça.
—Bom, minha mala já está pronta de qualquer jeito, e eu odeio esperar, me deixa inquieto. — Explicou Stiles enquanto andava até a porta do quarto e parava no batente para poder olhar para Derek por cima do ombro. Um sorriso nada inocente nos lábios. — Quer vir comigo? Quero dizer, eu poderia me afogar de alguma forma mágica no meu chuveiro, e se você estivesse comigo, você poderia me salvar… você sabe… respiração boca a boca e tals… poderia ser um treino para o caso de algo acontecer na praia, nunca se sabe, não é?
—Stiles… — Advertiu Derek, e Stiles aumentou ainda mais seu sorriso ao ver os olhos do Alfa piscarem em vermelho antes de voltar a sua cor normal. O adolescente ergueu as mãos, se rendendo.
—Foi apenas uma ideia! Não custa nada perguntar…
Stiles saiu de seu quarto, mordendo o lábio inferior para tentar segurar seu sorriso ao ouvir Derek resmungar e xingar a suas costas, antes de ouvir o Alfa começar a andar para fora do quarto também, e ele nem se importou mais em tentar suprir seu sorriso ao sentir os braços de Derek o abraçarem pela cintura e o apressar para dentro do banheiro.
Ah mas essa viagem seria maravilhosa.
—__________ end of Battle Cry.
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