Battle Cry
5 Capítulo 5
Notas iniciais
—_____________ FLASH BACK ON. ___
Seria mais um dia normal de compras no supermercado para Stiles se não fosse pela estranha sensação de estar sendo seguido. Na verdade, essa sensação de estar sendo vigiado o acompanhava desde o momento em que ele havia acordado. Primeiro Stiles pensou que fosse Derek se esgueirando pelas sombras como ele sempre fazia, era uma mania estranha, mas enfim. E ele até olhou pela janela do seu quarto as árvores em frente a sua casa a procura da sombra familiar, mas não encontrou nada. No fim, Stiles decidiu que essa sensação estranha era coisa de sua cabeça, até porque Derek tinha coisa mais importante pra fazer, tipo, começar de reformar a antiga mansão Hale.
Deixando a sensação estranha de lado, o adolescente resolveu continuar com seu final de semana. Stiles havia prometido ao seu pai que iria ao supermercado, então ele apenas se arrumou de uma vez antes de comer uns biscoitos, beber um copo de leite e sair de casa para seu jeep, ele iria comer mais alguma coisa ates de voltar pra casa.
Chegando ao estacionamento do supermercado, Stiles percebeu o lugar quase vazio. Seu carro era o único no estacionamento, mas ele conseguia ver algumas pessoas andando dentro do supermercado pela porta de vidro do mesmo. Ainda pegou algumas sacolas ecológicas que ele sempre usava pra levar as compras de volta pra casa antes de finalmente entrar no local. A sensação de estar sendo vigiado a cada vez que ele virava alguma sessão no supermercado já o estava deixando nervoso, tanto que ele resolveu que ligaria para Scott vir ao supermercado pra ajudá-lo, seu amigo sempre comia em sua casa, nada mais justo. Stiles quase começou a chorar quando percebeu que havia deixado seu celular dentro do jeep, talvez o aparelho tenha caído de seu bolço quando ele foi sair do carro.
Okay, Stiles estava tentando manter sua respiração, talvez essa sensação realmente seja apenas algo de sua cabeça, quer dizer, ele nem dormiu direito por ter ficado jogando online madrugada a fora, sem falar que ele estava cansado, e com fome. Aliás, ele estava com muita fome, então ele achou melhor apenas terminar de comprar logo o que ele tinha de comprar e ir a alguma lanchonete que sirva café da manhã, com muito bacon e panquecas. O garoto ouviu seu estomago roncar ao pensar em comida, o que apenas o fez andar mais rápido. Ele estava tão distraído com sua barriga cantando havy metal no meio do supermercado que teria dado um pulo pelo susto se não fosse a mão em seu ombro o segurando no chão. E ele não tinha dado um grito, não mesmo.
— Distraído?
Stiles não sabia se ficava aliviado por Peter estar ali, ou se largava suas compras e saia correndo pelo mesmo motivo, então ele apenas resolveu se virar para o lobo mais velho e o encarar com sua melhor cara de "não faço a menor ideia sobre o que você está falando"
— Peter, como é bom te encontrar aqui, — Começou Stiles com seu melhor sorriso falso. — Comprando doces para suas crianças? — Terminou o adolescente vendo o sorriso de Peter aumentar ao puxar Stiles para mais perto.
— Não é como se eu me importasse realmente com você, — Disse Peter em seu tom de quem sabe mais do que diz, ao laçar a cintura de Stiles com um braço, e puxando o garoto para mais perto enquanto começava a empurrar o carrinho do mesmo pelo supermercado. Stiles que estava meio perdido apenas se deixou levar pelo mais velho sem reparar nos olhares curiosos que as poucas pessoas no supermercado estavam deixando em sua direção. — Mas você sabe como Derek é, — Rolou os olhos Peter, ao lembrar de seu sobrinho. — Então apenas me agradeça por ser mais esperto que seu alfa e seus amiguinhos juntos, ao perceber que seu sangue já está começando a atrair criaturas as quais eu tenho certeza de que você não vai querer atrás de você. — Falou Peter sem mudar sua expressão e sem olhar para Stiles que apenas tentava entender o que raios estava acontecendo ali.
Stiles ainda levou alguns bons dois minutos antes de parar de andar e levantar seu olhar para Peter que apenas o observava.
— Meu sangue atraindo criaturas que... Espera... O que?
Peter apenas rolou os olhos mais uma vez, e Stiles segurou a vontade de dar um soco na cara do lobo, porque né, lobisomens. O mais velho apenas ignorou a cara de constipado de Stiles e voltou a andar levando o mais novo junto dele, dessa vez direcionando-se para o caixa.
Stiles nem percebeu quando eles passaram todas as suas compras do caixa para o jeep, tão ocupado estava ele em tentar fazer algum sentido no que Peter havia falado, apenas voltando a si quando percebeu Peter entrando em seu jeep e se arrumar no banco do passageiro. Ele ainda piscou algumas vezes pra ter certeza de que estava acordado.
— O que você está fazendo? — Perguntou Stiles apenas para ver Peter olhá-lo como se ele fosse idiota. — Quer dizer, — Tentou de novo, gesticulando dessa vez. — Por que você está aqui? O que você está fazendo aqui? — Questionou vendo Peter apenas o encarar por mais algum tempo.
— Apenas dirija logo, vamos para sua casa. — Disse Peter sem responder suas perguntas enquanto cruzava os braços e olhava pra frente.
Stiles ainda respirou fundo procurando paciência antes de ligar o jeep. Por algum motivo bizarro, Stiles resolveu olhar para o cambio antes de mudar e marcha e viu seu celular no porta copos, por reflexo ele pegou o celular e desbloqueou a tela pra ver se tinha alguma mensagem e viu que seu pai havia deixado um sms em sua caixa de mensagens.
"venha pra casa. AGORA"
Leu Stiles franzindo a testa em confusão antes de olhar uma última vez para Peter e finalmente sair do estacionamento.
Stiles estava notoriamente nervoso, ele não conseguia parar de morder seu lábio inferior e a parte de dento de sua bochecha, as vezes tamborilando os dedos no volante quando parado em algum semáforo, Peter filosofando silenciosamente ao seu lado não ajudava em nada. Ele suspirou em alívio quando chegou a rua de sua casa, logo voltando a ficar nervoso ao ver seu pai parado a porta da frente. Stiles ainda mandou mais um olhar desesperado para Peter que se resumiu a descer do carro sem olhá-lo para pegar as compras na parte de trás do jeep.
O xerife estava com os braços cruzados sobre o peito, encarando seu filho com uma expressão séria e olhos cheios de preocupação e uma certeza que estava preocupando ainda mas o garoto, principalmente quando o xerife descruzou os braços para abraçar Peter meio de lado por conta das sacolas que o mesmo carregava. Toda a seriedade sumiu do rosto do xerife quando o mesmo rolou seus olhos para seu filho ao desfazer seu abraço com o lobo mais velho.
— Não faça essa cara. — Disse o xerife apontando com um dedo para Stiles que havia parado com um pé no ar e os encarava com os olhos tão abertos que Peter parabenizou mentalmente o garoto por seus glóbulos oculares não terem caído de suas cavidades. — Ande logo garoto, nós temos algo sério para discutir, e é melhor fazer isso dentro de casa. — Terminou acenando com uma mão para Stiles o seguir, o que ele o fez após de se recuperar de seu choque ao ver seu pai, o xerife, abraçando Peter, tipo, Peter Hale, Peter. Lobisomem. Hale.
O adolescente percebeu que o assunto era realmente sério quando tropeçou no tapete da sala ao ver Dr. Deaton sentado em seu sofá tomando uma xícara de café.
— Stiles, — Começou Deaton ao sorrir seu sorriso calmo, que sempre dava nos nervos de Stiles. — É bom vê-lo novamente.
— Err... — Stiles não sabia exatamente como esperavam que ele reagisse, e ele próprio não sabia como se sentia, quer dizer, seu pai, Peter e Dr. Deaton, todos em sua sala querendo ter uma conversa séria com Stiles. O adolescente não fazia ideia do que ele tinha feito de errado dessa vez, mas deve ter sido algo muito tenso.
— Você não fez nada de errado, Stiles... — Suspirou cansado o xerife como se lesse a mente do garoto enquanto desabava no sofá de dois lugares antes de voltar um olhar curioso para Stiles. — Fez?
Stiles mais negou com a cabeça do que falou exatamente, mas parece que isso também funcionou para acalmar seu pai, se o suspiro aliviado que ele deixou escapar era algo a se levar em consideração. O adolescente ainda viu Peter voltar da cozinha, agora sem sacolas, e se sentar ao lado do xerife, cruzar um perna sobre a outra e voltar a cruzar os braços. Ele não sabia se deveria se sentar também, ou se ele deveria continuar em pé. Na verdade ele só queria dormir, comer alguma coisa muito gordurosa e jogar vídeo game. Não necessariamente nessa ordem, mas ele era um adolescente, ele fazia coisas estranhas as vezes.
— Stiles, — Deaton chamou por cima de sua xícara de café. — Acho que seria melhor se você se sentasse. — Terminou ele colocando sua xícara agora vazia em cima da mesinha de centro
— A conversa vai ser longa, filho, — O xerife ainda apoiou seus cotovelos sobre seu joelhos antes de apontar o espaço vazio ao lado de Deaton no outro sofá. — Sente-se.
Stiles achou melhor não questionar e apenas obedecer de uma vez, até porque ele ainda não tinha uma opinião sobre o que estava acontecendo, então ele não tinha exatamente o que falar.
Naquele dia, Stiles descobriu como seus pais haviam se conhecido através de Peter, de como seu pai e Peter estavam tentando reconstruir a amizade que eles tinham antigamente (Stiles percebeu o olhar meio estranho que Peter e seu pai trocaram, mas não falou nada), e de como todos os membros de sua família por parte de mãe, haviam sido assassinados. A história se resumia em, a família de sua mãe sendo uma antiga família de Alquimistas. Stiles obviamente surtou um pouco (ou surtou muito), mas depois de um tempo sendo histérico e dois copos de água mais tarde, ele finalmente se acalmou e deixou seu pai pedir para Peter finalmente contar a história de sua mãe.... É, Stiles também estranhou Peter ser quem sabe de toda a história, mas achou melhor não comentar nada, até porque, pela primeira vez, Stiles estava vendo Peter demonstras algum tipo de sentimento no rosto que de repente, parecia muito cansado. O xerife apertou o joelho de Peter em uma forma de demonstração de apoio antes do lobo começar a falar.
—Eu só irei contar essa história uma vez, então preste atenção.... — Avisou Peter finalmente olhando para Stiles, e Stiles então entendeu que aquilo era realmente sério. — Eu irei contar isso, nas mesmas palavras que sua mãe me contou no passado....
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Eles eram perseguidos por sua força e pela lenda de que seu sangue traria vida eterna. Seus avós, tios, primos, e sua mãe eram obrigados a mudarem-se de cidade constantemente. Eles vieram originalmente do Iraque, passaram algumas gerações na Polônia, e lentamente pararam nos Estados Unidos da América.
Mais alguns vários anos mais tarde, o que restou do que um dia foi a maior família de Alquimistas conhecido no mundo, terminou em uma armadilha criada por um grupo de bruxas.
A família acabou sendo assassinada depois de feitas como reféns e usadas em experiências para tentar extrair todo o sangue deles e transformar tudo em, na tão almejada, Pedra Filosofal. Porém, nenhuma das bruxas sabia exatamente como transformar todo aquele líquido na pedra. Mal sabiam elas de que para se criar uma pedra filosofal, você precisava não apenas do sangue do Alquimista, mas também de um Alquimista para conseguir transmutar o liquido.
As bruxas decepcionadas acabaram desistindo da pedra depois de perceber que elas não conseguiriam nada com sua magia negra. Por sorte, Światło, a qual preferia ser chamada de Cláudia, tinha conseguido escapar viva, ou quase isso. Ela estava muito fraca quando as bruxas a deixaram para morrer depois de terem parado de remover o sangue do corpo dela. A jovem estava cançada, e precisava de uma transfusão de sangue.
Claudia depois de andar um pouco em voltas dentro da sala de pedra e terra mal iluminado em que ela se encontrava, conseguiu, finalmente, encontrar a entrada estreita que ficava estranhamente alta, para o esconderijo já vazio de bruxas e mal cheiroso por causa dos corpos de seus familiares. Ela não chorava, porque suas lágrimas não trariam seus pais, seus tios e nem sua prima de volta. Ela tinha de sobreviver, assim como seus pais a ensinaram quando criança. Então, assim como era tradição, Claudia despejou o pequeno restante do sangue de seus familiares que estavam em uma jarra prateada, juntando moscas em cima de uma mesa de pedra, na parte de fora do esconderijo (que ela percebeu não ser uma sala como ela pensava, e sim um espaço subterrâneo abaixo de uma arvore que parecia ter tantos anos quanto o do medalhão que Claudia usava em volta do pescoço), para que a energia no sangue deles, pudessem continuar vivos através da floresta.
A jovem voltou cambaleando pela pequena entrada que ela usou para sair mais cedo, e procurou por algo que ela pudesse usar em seu braço que só agora ela percebeu estar sangrando ainda. Claudia amarrou um trapo que ela encontrou em uma das bancadas de pedras perto da parede em seu braço para parar o sangramento, e olhou mais uma vez a sua volta.
Ela não queria deixar os corpos de sua família ali, amontoados no chão do outro lado daquela desculpa de laboratório. Claudia nunca deixaria seus familiares apodrecerem em um lugar tão imundo e arruinado por magia negra. Então ela respirou fundo, ignorando o fedor que os corpos estavam começando a exalar e o cheiro forte de sangue, concentrou-se em sua própria força, e percebeu que ela ainda tinha energia para realizar o que ela queria.
Claudia então andou de volta para a mesa de pedra, pegou um dos vários frascos que jaziam ali, e quebrou o mesmo com um pancada contra a mesa. A jovem apanhou um dos pedaços de caco que caíram no chão, e voltou para a pilha de corpos.
Os olhos de sua mãe encaravam o nada com o corpo imóvel em cima da pilha, sua prima e tios estavam tortos abaixo do corpo de sua mãe, como se tivessem apenas os jogado ali sem se importar que eles eram humanos e que um dia foram grandes pessoas dignas de respeito. O corpo de seu pai, o último na pilha, era o único que tinha os olhos fechados, e não demostrava que havia sentido dor pouco antes de morrer. Claudia não iria conseguir arrumar os corpos um ao lado do outro, pois ela já não tinha a força necessária para erguê-los, então ela não os moveu.
Depois de alisar um pouco o chão de terra batida com um pé, ela se agachou e começou a desenhar com o caco de vidro no chão. Primeiro ela fez um circulo, depois dentro do círculo ela desenhou um grande triangulo, e no meio do triangulo ela fez os contornos de uma salamandra. Claudia jogou o pedaço quebrado de vidro pro lado depois de furar um dedo e deixar uma gota de seu sangue cair em cima do desenho da salamandra que rapidamente absorveu a oferenda. Ela respirou fundo mais uma vez, antes de apoiar a mão direita no centro do desenho.
—Que a alma de seus filhos, voltem para os braços da Mãe. — Sussurrou ela a prece que era comum em funerais de alquimistas, e levantou a mão que estava em cima do desenho quando sentiu algo se mexer sob sua palma. Assim que ergueu a mão ela viu que o desenho da salamandra havia sumido, e em seu lugar estava uma salamandra viva, mas ao invés das manchas amarelas no pequeno corpo negro como seria normal, essa tinha manchas vermelhas por todo o corpo, e parecia estar soltando fumaça pelas narinas. As linhas que dividiam uma mancha vermelha da outra, pareciam ser rachaduras no corpinho que era pouco maior que uma lagartixa, e entre as rachaduras no corpo do animal, era possível perceber uma luz avermelhada que saía de dentro da salamandra, dando a impressão de que, ao invés de órgãos vitais, o animal tinha lava vulcânica do lado de dentro.
Claudia ainda viu o bicho dar uma sacudida e soltar mais fumaça antes do mesmo começar a andar para fora do círculo e subir rapidamente a pilha de corpos a sua frente. Ela voltou a ficar em pé quando a salamandra parou em cima do corpo de sua mãe. A jovem observou sem piscar, quando o animal começou a cuspir lava por todo lado na pilha, e então começar a soltar fumaça pelas rachaduras no corpo e explodir terminando de espalhar a lava nos mortos. Logo depois, a lava fumegante começou a pegar fogo, fazendo Claudia dar um passo para trás quando as chamas ficaram mais altas e engolfaram o que restara de seus familiares.
Agora ela não tinha mais o que fazer ali, então ignorando o resto do lugar poeirento, ela voltou a subir pela entrada estreita e saiu no pé da antiga árvore. Ela começou a andar a esmo, e para todos os lados que ela olhava apenas arvores e mais arvores. Claudia se apoiava nos troncos, e sentia seu corpo pesado demais, a visão embaçando de tempo em tempo, e uma dor fina na cabeça que a fazia querer deitar no chão e nunca mais acordar. Mas ela se forçou a andar, ela tinha de sobreviver, ela não deixaria sua linhagem acabar dessa forma.
A jovem agora órfã, ainda caminhou por mais três ou quatro minutos antes de suas pernas cederem finalmente. Ela nem sentiu direito quando caiu sentada no chão, apenas se arrastou para mais perto da arvore à sua esquerda, se encolhendo e tentando fazer sua cabeça parar de doer enquanto sua respiração voltava ao normal.
Claudia não sabia dizer se haviam se passados horas ou segundos quando ouviu algo se mexer a sua frente. Ela ergueu rápido a cabeça, logo se arrependendo ao sentir enjoo. Claudia prendeu a respiração por uns segundos tentando não vomitar enquanto vasculhava com os olhos a floresta, não conseguindo ver nada além das arvores que agora pareciam ainda maiores. Ela estava cansada, e precisava sair dali para poder ir a um hospital, mas ela nem conseguia mexer suas mãos direito, e também não fazia ideia de que lugar ela estava. O que a fez repensar no que fez a alguns minutos atrás. Ela tinha acabado de "abençoar" um território desconhecido com o sangue de sua falecida família. Claudia estava tão acabada, que não tinha nem energia para suspirar sua própria idiotice.
Com algum esforço, ela conseguiu tirar suas mãos de seu colo, e coloca-las no chão ao lado de seu corpo. Claudia sentia a terra húmida em seus dedos e isso a confortava, ela ainda deixou sua cabeça descansar no tronco da árvore antes de fechar os olhos e começar a pedir ajuda as forças e energias que ela conseguia sentir naquele lugar. Claudia conseguia sentir a energia da terra abaixo dela entrando em seu corpo e aliviando sua dor de cabeça, ela conseguia ouvir o vento e as folhas que se soltavam de seus galhos e caiam lentamente no chão, ela conseguia ouvir os animais da floresta assim como conseguia ouvir o som de pessoas correndo por entre as arvores. Ela sentia a aura deles e ela percebeu que essas pessoas não eram exatamente humanas.
Claudia abriu os olhos lentamente, olhando a mulher de cabelo escuro e pele clara se aproximar observando-a atentamente. A mulher parecia dizer alguma coisa, mas Claudia já não ouvia mais, assim como também não sentia a energia da floresta, a última coisa de que ela se lembrava de ter visto, eram os olhos da mulher a sua frente, que brilhavam um vermelho tão vibrante que faziam as íris dela parecerem duas pedras preciosas.
O barulho incessante da máquina monitorando seu batimento cardíaco foi o que a acordou. Ela ainda respirou fundo antes de lentamente começar a olhar a seu redor.
Claudia estava em uma sala de hospital que a fazia lembrar de uma sala de um consultório veterinário, ela ainda não tinha certeza se isso era por causa da bancada grande a sua direita que lembrava muito os lugares onde veterinários davam banho nos animais, ou se tinha sido por causa do armário cheio de remédio a sua frente, ou quem sabe foi apenas todos aqueles pôsteres com imagens de cachorros e gatos. Ela ainda ficou alguns segundos olhando a gaiola com um coelho em cima da mesa encostada na parede a sua esquerda, e demorou um pouco para perceber que sua maca era a única no meio da sala, além de também notar que ela estava em cima de uma mesa de metal e não em uma cama de hospital.
A porta ao lado da mesa com o coelho, se abriu e chamou sua atenção. Ela se focou ao homem careca de pele morena que entrava na sala vestindo um jaleco branco e sorrindo pequeno em sua direção.
— Vejo que a senhorita acordou, — Começou o estranho chegando mais perto da maca. — Como se sente? Alguma dor ou tontura? — Questionou numa voz calma olhando-a nos olhos.
— Quem é você? — Perguntou Claudia ouvindo sua própria voz sair rouca, o que a fez franzir o cenho em confusão, se perguntando mentalmente a quanto tempo ela estava ali desacordada.
— Você está aqui a alguns dias, — Continuou o homem vendo Claudia erguer uma sobrancelha em sua direção. — Eu sou Deaton, o veterinário da cidade.
— Eu não sou um animal. — Concluiu Claudia estranhando o homem a sua frente ao ouvi-lo rir baixou antes de dessa vez, quase pular na maca pelo susto ao ouvir outra voz na sala.
— Parece que nossa senhorita misteriosa está bem, — Disse a mulher de cabelo escuro e pele clara num tom divertido enquanto olhava curiosa todas as tatuagens que se podiam ser vistas nos braços e mãos de Claudia, que estavam expostos pelo jaleco hospitalar que ela ainda vestia. Claudia se perguntou mentalmente, de onde o jaleco havia sido pego, mas ignorou isso rapidamente para encarar por mais uns segundos a estranha, antes de perceber que era a mesma mulher que a havia encontrado na floresta. Tinha algo diferente nessa mulher, Claudia não sabia dizer o que, mas ela sabia de uma coisa, essa mulher não era humana. — Sabe, eu estou realmente curiosa para saber como você foi parar ali... — Continuou dobrando um braço para poder apoiar o cotovelo do outro braço sobre esse, e cobriu o queixo com uma mão em uma pose pensativa. — Quem é você? — Perguntou inclinando a cabeça para o lado. Claudia demorou alguns segundos para responder pensando se havia algum forma de ela conseguir fugir sem ser pega.
— Meu nome é Claudia. — Começou recebendo um aceno afirmativo para que continuasse. — Eu e meus familiares fomos sequestrados e eu consegui escapar, eu estava fraca e não sabia onde estava, eu teria ficado ali se você não tivesse aparecido, aliás, obrigada por salvar minha vida. — Concluiu Claudia tentando entender o que se passava no rosto curioso da outra mulher na sala.
— Hnn, entendo... — Disse a mulher ao trocar o peso de uma perna para a outra e cruzar os braços. — Você sabe que invadiu meu território não sabe? Eu e meu irmão estávamos tentando encontrar algumas pessoas que estavam bagunçando em nossa propriedade quando encontramos você, — Falou calma encarando Claudia enquanto descruzava os baços se inclinado para frente, para poder apoiar as mãos na maca. — Você estava quase morta por falta de sangue e estava cheirando a fumaça, morte e magia negra, — Claudia viu os olhos escuros se tornarem vermelhos mas não demonstrou nenhuma reação. — Eu vou perguntar de novo, então não minta dessa vez... — Respirou fundo antes de voltar a falar. — Quem é você?
Claudia sentia seus dedos formigando em vontade de transmutar a maca abaixo dela em alguma arma para que ela pudesse lutar. Ele queria sair dali o quanto antes, aquela mulher estava começando a causar-lhe arrepios na espinha.
— Eu já disse quem sou, e eu não estava mentindo, — Claudia começou a dizer parando para respirar antes de continuar. — Meu nome verdadeiro é meio complicado e as pessoas tem dificuldade em pronunciá-lo, por isso eu prefiro que me chamem de Claudia. — Terminou ela vendo a mulher ainda apoiada na maca encarando-a como se procurasse algo no rosto dela.
— Para alguém que foi sequestrada você está bem calma, — Constatou a mulher desencostando da maca para voltar a cruzar os braços. — Desculpe, deixe-me refazer minha pergunta, — Sorriu acenando com a cabeça para Deaton, que começou a desconectar Claudia da máquina cardíaca, e ajudava-a a se sentar na maca, trazendo para o lado dela o tripé com a bolça de soro que ela nem havia reparado que estava conectado ao seu braço. — O que é você? — Perguntou calma olhando como Claudia colocava uma mecha de seu cabelo longo e castanho atrás da orelha enfeitada de brincos com uma mão enquanto a outra descansava em seu colo. Claudia ainda agradeceu Deaton antes de responder.
— Eu sou... — Claudia fechou os olhos e respirou fundo, ele não conseguia sentir hostilidade vindo de nenhum dos outros dois habitantes na sala, na verdade, tinha alguma coisa no olhar vermelho daquela mulher que passava segurança a ela e isso estava começando a deixar Claudia nervosa. Ela abriu os olhos quando sentiu alguém segurar uma de suas mãos num aperto, chamando a atenção dela para a mulher que a encarava segura.
— Ninguém vai te machucar aqui, esse é meu território e você provavelmente foi uma vitima dessas pessoas as quais eu procuro, então não se preocupe, ninguém aqui irá te machucar. — Afirmou a mulher ainda segurando sua mão, não deixando nunca de olhar Claudia nos olhos.
— Eu sou uma Alquimista... — Claudia confessou com a voz baixa, e não perdeu o olhar surpreso de nenhum dos dois a sua frente que logo se recompuseram. — Minha família e eu fomos pegos em uma armadilha feita por um grupo de bruxas que queriam nosso sangue. Eu não me lembro direito de como tudo aconteceu, quer dizer, uma hora nós estávamos todos em casa comemorando o aniversário da minha tia e rindo das piadas do meu pai, e na outra hora todo mundo estava começando a desmaiar e quando eu acordei, eu estava sangrando em uma mesa que mais parecia um altar pra ritual, e os corpos da minha família estavam numa pilha no canto, como se eles não importassem, — Claudia parou para engolir um nó que estava se formando em sua garganta e sentiu seu olhos queimando com lagrimas, mas ela estava decidida a não chorar, ela ainda respirou fundo pra se acalmar antes de voltar a falar. — Eu consegui me levantar da mesa, tentei fazer meu braço parar sangrar com um pano que eu achei e depois eu olhei todos o corpos de meus familiares para ter certeza de que eles estavam mesmo... mortos. Depois disso eu juntei todo o restante do sangue deles em um balde e o despejei no chão da floresta... — Ela fungou um pouco. — Me desculpe por isso aliás, eu acabei marcando seu território com o sangue da minha família, mas meus pais sempre me disseram que nós nascemos da floresta e é para a florestas que temos de voltar quando morremos, — Continuou num tom mais baixo Claudia vendo Deaton e a outra mulher a olharem como se entendessem sobre o que ela estava falando. — Depois disso eu queimei os corpos como eles deveriam tê-los feito antes... — Claudia ficou uns segundos em silêncio, lembrando do fogo queimando o que um dia foi o mais precioso para ela. — E então eu andei um pouco pela floresta, mas eu estava muito fraca e tinha me esforçado demais, e eu também tinha perdido muito sangue- Ela deu de ombros como quem se conforma com seu destino. — Aí eu acabei não aguentando mais e caí ali... Foi quando você apareceu, aí eu pisquei, e quando abri meus olhos de novo, eu estava aqui. — Terminou Claudia apontando com o queixo a maca em que ela estava sentada.
Claudia estava tremendo um pouco e sua cabeça tinha voltado a doer, ela sentia a garganta seca e tinha vontade de voltar a dormir pra poder acordar amanhã e descobri que tudo isso não tinha passado de um pesadelo.
Os três ficaram em silêncio por mais um minuto, Claudia com a cabeça baixa tentando parar de tremer, enquanto Deaton parecia pensar sobre alguma coisa séria, e a outra mulher apenas encarava a primeira.
— Eu sinto muito por sua família, e eu não me importo com a marcação, eu sei o quanto isso é importante, e me sinto honrada por meu território ter recebido a energia e proteção de sua família. Eu lamento termos nos conhecido nessas circunstâncias, mas saiba que sua presença é bem recebida por mim e meu pack. — Começou a mulher fazendo Claudia levantar a cabeça para olhá-la no olhos. — Meu nome é Talia, Talia Hale. — Estendeu a mão para que Claudia a apertasse, o que ela fez meio hesitante após ouvir o sobrenome da mulher. Os Hale's eram bem conhecidos na Califórnia por outros seres sobrenaturais, eles tinham vários aliados e seu alfa era conhecido por ser sério e tradicional, o que não era muito estranho entre pack's tão antigos como os Hale's. — Eu sou a atual Alfa do pack Hale, e irei ajudá-la caso esse seja o caso, e já que você está em meu território, eu espero sua ajuda para encontrar esse grupo de bruxas ao qual você se referiu, acho eu que, esse grupo de bruxas é o mesmo grupo o qual procuramos. Elas chegaram e invadiram meu território a uma semana atrás, e nem se preocuparam em pedir uma reunião para esclarecer o porque de elas estarem aqui. Como eu já disse, eu e meu irmão estávamos atrás delas quando te encontramos, nós achamos que elas estão usando algum encantamento para nos despistar, então eu acho que seria de grande ajuda alguém que conseguisse se comunicar com a floresta, como uma Alquimista. — Apontou Talia num tom mais sério, mas nunca deixando de ser gentil ao arrumar o cabelo de Cláudia para atrás da orelha da mesma outra vez. — Você tem onde ficar? Eu posso indicar um bom hotel a você, — Sorriu Talia vendo Claudia deixar um suspiro tremulo escapar antes de voltar a olhá-la nos olhos. — Desculpe por não oferecer um quarto em minha casa, mas você entende não é? — Claudia ainda acenou com a cabeça de forma positiva antes de responder.
— Eu entendo... — É claro que Claudia entendia, por melhor que a pessoa pareça, você não pode simplesmente enfiar alguém que você conhece a cinco minutos dentro da sua casa, principalmente se essa casa for cheia de lobisomens, seria até mesmo perigoso chegar sem ser anunciada antes, seria como se ela estivesse invadindo ainda mais o território deles, sem falar que se tivesse crianças na casa seria ainda pior, lobisomens são super protetores e não gostam de estranhos por perto de seus filhotes, então, é, Claudia entendia. — Não precisa se preocupar com isso, acho que eu já dei trabalho o bastante a vocês, me desculpem pela bagunça e obrigada por terem cuidado de mim, eu irei ajudá-la no que precisar, pode contar comigo, até porque eu te devo minha vida, — Afirmou Claudia tentando sorrir e recebendo um olhar carinhoso de Talia em resposta. — Obrigada mais uma vez pela ajuda, mas eu acho que eu consigo me virar a partir daqui.
— Hnn, — Claudia e Talia olharam ao mesmo tempo para Deaton que apenas ergueu uma sobrancelha. — Não querendo me intrometer, mas, — Continuou o veterinário redirecionando seu olhar apenas para Claudia dessa vez. — Eu tenho um quarto vazio aqui na clínica, — Inclinou a cabeça para o lado enquanto colocava suas mão nos bolsos de seu jaleco. — Se você não se importar em dormir em um colchonete você poderia ficar aqui e me ajudar, eu estou precisando de um ajudante e eu ficaria realmente feliz em aprender mais sobre alquimistas, já que eles são tão raros de se achar, sem falar que não tem muito além de lendas sobre alquimistas em livros. — Terminou Deaton sorrindo esperando pela reação de Claudia que apenas acenou com a cabeça.
— Eu... Eu adoraria na verdade, — Conseguiu sorrir Claudia, mesmo que um sorriso pequeno. — Eu ficaria feliz em dividir minha cultura com você, nós realmente não deixamos muito em livros, seria perigoso para nós mesmos. — Disse Claudia desmanchando sem perceber seu sorriso.
— Por causa da Pedra Filosofal. — Afirmou Talia recebendo um aceno de cabeça de Claudia. Talia não culpava a garota, não depois de ter descoberto o que faziam com pessoas iguais a ela, Talia conseguia entender, porque os de sua espécie também eram caçados, a diferença era que lobisomens eram perseguidos apenas por caçadores, alquimistas eram perseguidos por qualquer criatura que desejasse vida eterna.
— Eu irei arrumar o quarto para você então. — Concluiu Deaton acenando antes de andar até a porta da sala e sair pela mesma.
— Eu irei te arrumar algumas roupas e ver o que eu posso fazer a respeito dos seus pertences, você mora muito longe daqui? — Perguntou Talia depois de bater as palmas das mãos olhando-a expectante.
— Desculpe mas, onde eu estou exatamente? — Perguntou Claudia voltando a encarar Talia perdida. A alfa sorriu ao colocar uma mão no ombro da moça a sua frente.
— Você está em Beacon Hills, querida. Seja bem vinda.
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Stiles estava surpreso em ouvir toda a história de Peter, prestando atenção em como o lobo dizia o nome de sua mãe de forma carinhosa e meio incerta. Logo depois de Peter foi a vez de Deaton o contar em como sua mãe trabalhou com ele por alguns anos e em como ele aproveitou para aprender tudo o que a ele foi permitido sobre alquimia e alquimistas, sobre o que era verdade e o que era mentira. Depois de Deaton foi a vez de seu pai o contar como ele conheceu sua mãe. Stiles não sabia se ria ou se chorava com seu pai o dizendo como sua mãe era uma mulher corajosa e que nunca deixava nada para depois, para sua mãe o melhor momento era o agora, e nunca era demais aprender sempre alguma coisa diferente, por mais aleatória que fosse. Claudia era séria, mas sabia ser carinhosa e ria fácil, ela nunca deixava nada a derrubar, ela tentava sempre ver o lado bom das coisas e era especialmente teimosa, assim como Stiles, ela não conseguia ficar parada no mesmo lugar por muito tempo e gostava de dançar e cantar enquanto cozinhava. O xerife ainda o contou de como seu casamento na reserva foi simples mas bonito, apenas uma cerimonia pequena reservada para os amigos. Eles se casaram na primavera, a estação preferida de Claudia, Stiles também nasceu na primavera numa noite de lua-cheia, e Claudia decidiu que se até os cinco anos de idade Stiles não demonstrasse nenhum sinal de que viria a ser um alquimista, então ela não o contaria nada.
Stiles guardou toda informação que ele recebeu sobre sua mãe num canto especial que ele tinha em seu coração, e decidiu que assim como sua mãe, ele também não deixaria sua linhagem terminar tão rápido. O adolescente ficou ainda mais sério sobre isso quando começaram a falar que ele iria precisar ser treinado antes que alguma coisa ruim acontecesse e ele não conseguisse se defender. Stiles tentou ignorar a raiva que ele sentia por causa do que havia acontecido com sua família no passado, imaginar tudo o que sua mãe passou e que ele nem fazia ideia de que toda essa história existia...
O garoto naquele momento, decidiu que ele daria seu melhor, e que ele faria sua mãe se orgulhar de seu filho.
—______________ FLASH BACK OFF. ____
—______________________sterek — end part 5____
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