Battement
1 Capítulo 1 - O livro misterioso
Notas iniciais
O som dos meus sapatos batendo contra o chão de concreto era um dos poucos barulhos que se podia ouvir naquela tarde. Estava chovendo e não havia quase ninguém fora de casa. Bom, eu deveria estar no meu apartamento, lendo algum livro e tomando um copo de café, mas gosto da chuva. Assim como os pássaros, ela me dá uma ideia de libertação. Andava sem direção, apenas sentindo as gotas de chuva caírem sobre meus cabelos castanhos, quando achei uma biblioteca aberta. Um estabelecimento pequeno e convidativo. Não hesitei em subir os três degraus que levavam à entrada da mesma. Passei pelo balcão e cumprimentei o rapaz que lá estava, com um simples sorriso, que foi retribuído rapidamente. Fui a uma sessão aleatória e passei meus dedos sobre as capas dos livros até achar um que realmente me chamou a atenção. Uma capa marrom, simples e de aparência antiga. Estava empoeirado e não era possível ler o seu título. Aquela aparência antiga e misteriosa me deixou intrigada. Fui ao balcão e entreguei uma quantia em dinheiro ao garoto. Ele me entregou o livro embrulhado em um saco de papel e murmurou algo como um ‘’Volte sempre’’. Saí da biblioteca e segui em direção à minha antiga rota, agora com certo destino em mente: meu apartamento.
Finalmente, sexto andar, apartamento 603. Fui recebida por um verdadeiro alvoroço da parte de minha gata, Ágatha. Abaixei-me e acariciei seus macios pelos brancos. Tirei meu suéter e prendi meus cabelos em um coque frouxo. Andei em direção à janela, abrindo-a, deixando um lindo pôr do sol invadir meu apartamento. Fechei meus olhos e deixei aqueles lindos raios alaranjados percorrerem minha pele. Fiquei assim pelo que me pareceu horas. Fui em direção ao banheiro com intenção de tomar um bom banho, me vestir e ir à algum restaurante, quando fui surpreendida por um miado realmente alto e uma pata peluda percorrendo meus pés. Olhei para baixo e me surpreendi ao ver minha gatinha ao lado de seu prato vazio de comida. Soltei uma pequena gargalhada e andei em direção à cozinha a fim de resolver logo esse impasse. Em seguida, fui ao banheiro e tomei um bom banho. Escolhei uma calça jeans e um moletom que ficava particularmente grande em mim, mas que me trazia boas lembranças. Prendi meu cabelo em um rabo de cavalo e coloquei o primeiro All Star que encontrei. Fechei a porta do apartamento e tomei o elevador rumo ao térreo. Saí e acenei para um táxi que estava passando. Pedi que me deixasse no centro da cidade, e depois de alguns minutos, estava lá.
Por ser uma noite de sexta, estava realmente movimentado. Haviam cantores de jazz, dezenas de restaurantes e bares abertos e casais apaixonados excessivamente carinhosos. Andei rumo a um restaurante de massas e sentei em uma cadeira próxima à janela. A garçonete anotou meu pedido e depois de alguns minutos eu estava sendo servida. Estava realmente muito bom. Eu estava cansada demais para simplesmente andar por aí, então peguei um táxi novamente para o meu apartamento. Quando cheguei, simplesmente me joguei no sofá e descansei um pouco. A imagem da capa marrom e misteriosa do livro que eu comprara vagavam na minha mente. Fui em direção à estante onde ele se encontrava e o peguei, deixando cair um bilhete do mesmo. Abaixei-me e o peguei. Andei em direção ao sofá e abri o que me parecia ser uma espécie de convite. Nele, continha os seguintes dizeres:
‘’Sábados e domingos no Teatro Schineidder, no centro; das 22:00 às 23:00. Venham e sintam a palpitação.’’
Isso seria um espetáculo de teatro? Fiquei realmente intrigada com o que li e decidi que vou averiguar isso da maneira mais óbvia possível: Indo ao Teatro Schineidder amanhã às 22:00 hrs. Abri o livro e coloquei o tal convite dentro dele. O coloquei em cima da lareira e me sentei no sofá. Liguei a TV a fim de ver algo interessante, mas após alguns segundos apertando o mesmo botão e passando por vários canais insignificantes e que não me chamaram a atenção, resolvi desligá-la. Fitei o teto por alguns segundos até ser interrompida por uma campainha insuportavelmente alta.
‘’A senhorita Marie Bertolli D’Angelo se encontra?” – perguntou um rapaz, sem nenhuma emoção em suas falas ou expressões faciais.
– Estás a falar com a própria. – Respondi abrindo um pouco mais a porta. – O que desejas?
– Creio que se lembre de sua possível bolsa na Academia Pierrivier . – Disse ele procurando algo em sua mochila. – Me chamo Pierre Bernard Fradique Jr. , e estou aqui para lhe informar que será muito bem vinda em um de nossos cursos de arte. – Ele disse agora me entregando um envelope.
Analisei o envelope endereçado para mim e sorri para o garoto, que de nome, me parece ser filho do tão famoso Pierre Bernard Fradique, dono da Pierrivier.
– Óh! – Exclamei. – Estou demasiadamente lisonjeada com sua tão inesperada visita. Creio que nesta correspondência tem tudo que devo saber sobre a Academia, certo? – perguntei o fitando e colocando um pé por trás da porta, impedindo da mesma se fechar. Estava me monitorando para falar de um jeito polido e causar uma boa impressão.
– Não deveria estar tão abismada com minha visita, senhorita. Tens muito talento e isso não devemos deixar de ressaltar. És um exemplo de aluna que queremos para a nossa Academia. – Respondeu ele sorrindo. Era realmente uma honra muito grande receber uma bolsa para a tão famosa Pierrivier. Depois de agradecê-lo e cumprimentá-lo, fechei a porta e andei em direção ao sofá. ‘’Foi um bom dia’’, pensei. Guardei minha carta dentro do livro e tornei a colocá-lo em cima da lareira. Deitei em minha cama e apaguei o abajur. O dia seguinte prometia mais uma dose de surpresas.
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