Epílogo

O Cavaleiro das Trevas entrou rapidamente na Sala de Criogenia. Depois de alguns passos explorando o lugar, encontrou Sub-Man abaixado ao lado de um Fries humilhado e agonizante, diferente quase por completo do criminoso disposto a tudo para salvar a vida de sua mulher.

– O cara está morrendo, morcegão! – disse o protetor de Metro City, preocupado. – Precisamos fazer alguma coisa para salvá-lo!

– Já contatei a polícia e estarão aqui em poucos minutos, junto com algumas ambulâncias!

– Será que ele agüenta todo esse tempo?

Agora ambos olhavam para o vilão com extremo receio. Era provável que não resistisse. Forçando alguns leves movimentos com extrema dificuldade, o Sr. Frio ergueu lentamente a cabeça e, num doloroso esforço, apontou para a câmara onde estava sua esposa, balbuciando:

– Eu... Ao menos... Pude... Salvá-la!

As cabeças dos heróis se voltaram para a direção indicada por Victor. Algo estava acontecendo. Foram ouvidos alguns sons mecânicos, e logo em seguida a porta da câmara se abriu de repente, liberando certa quantidade de vapor gélido no interior do local.

E ela saiu. Primeiramente colocou o pé direito para fora, depois o esquerdo, e logo estava de pé diante dos demais, trajando uma espécie de traje térmico. Encolhida, abraçava o próprio tórax com os braços, olhando confusa ao redor. Após anos em estado de hibernação, a mulher de Fries finalmente voltava a se movimentar, racionar, sentir, ouvir, enxergar... Era como se tudo não houvesse passado de um sonho ruim, do qual havia despertado e finalmente voltado à realidade.

– Meu Deus, querido! – gritou ela, correndo na direção do amado, ainda expirante no chão.

A esposa de Victor ajoelhou-se ao seu lado, contemplando-o com lágrimas nos olhos. Batman e Sub-Man se levantaram, sem saber o que dizer. Era melhor que os dois amantes dialogassem uma última vez, já que a vida do especialista em criogenia estava por um fio.

– Amor, o que houve com você? – indagou ela, agitada. – Quem são esses dois homens?

– Não há tempo para que eu conte tudo... – oscilou o criminoso, segurando uma das mãos da esposa. – Saiba apenas que hoje é o dia mais feliz de minha vida, pois finalmente pude curá-la... Minha promessa foi finalmente cumprida! Eu dei minha vida pela sua, e esse será meu alento por toda a eternidade!

– Você não pode morrer! Agora que estou aqui, nós podemos voltar a ser felizes! Tudo será como antes, amor! Por favor, você precisa viver!

“Sub”, inquieto, virou-se para o justiceiro de Gotham e exclamou, revoltado:

– Qual é? Ele não pode morrer agora! É verdade que eu fiquei com muita raiva dele quando roubou as jóias de Metro City, mas o coitado não merece isso! Esta história tem de ter um final feliz! Será que não há nada que possamos fazer?

– Há sim! – murmurou Batman, olhando em volta.

Depois de breve busca, o Detetive das Sombras seguiu na direção de um dos cantos do lugar, onde havia um freezer cuja altura era de aproximadamente dois metros. Abrindo-o, arrancou de dentro todos os produtos nele armazenados e algumas prateleiras metálicas, deixando o interior totalmente vago.

– Vamos colocá-lo lá dentro! – propôs o alter ego de Bruce Wayne, voltando para junto dos demais. – Sub-Man, ajude-me a erguê-lo!

– OK.

A dupla de heróis carregou Fries, com todo cuidado e rapidez, até o recipiente, dentro do qual foi colocado de pé. Apesar das circunstâncias, ainda havia tempo. A esposa do vilão apenas observava, contendo as lágrimas, mas com uma intensa esperança em seu coração que por tanto tempo não batera. Antes de fechar a porta do freezer, Batman afirmou ao Sr. Frio num ligeiro sorriso:

– Você vai viver, Victor!

A polícia cercou o complexo pouco depois. Na estrada diante dele, várias viaturas se encontravam estacionadas. No meio delas, cercados por policiais e peritos, estavam o justiceiro de Gotham e o protetor de Metro City, que conversavam com o comissário Gordon.

– Bom trabalho! – disse o comandante da força policial. – Graças à rápida intervenção de vocês, Fries foi detido e voltará para o Asilo Arkham! Nós encontramos o doutor Amadeus Ürak nas instalações, tudo indica que ele estava auxiliando Victor em encontrar a cura para a esposa. Aliás, ele estava com o rubi roubado da Catedral de Metro City, Sub-Man! Aqui está!

O comissário estendeu a jóia para o ex-policial, que a apanhou com extrema satisfação. Após tantos contratempos, “Sub” finalmente recuperara os dois tesouros roubados de sua cidade!

Em seguida, os três fitaram um grupo de paramédicos que, a alguns metros de distância, colocavam dentro de uma ambulância o envoltório gelado no qual estava o Sr. Frio, vivo e já fora de perigo. A amada do criminoso os acompanhava.

– É bom tê-lo aqui em Gotham, Sub-Man! – exclamou Gordon. – Não gostaria de ficar por mais algum tempo? Ainda há vários criminosos à solta!

– Eu agradeço o convite, mas meu lugar é em Metro City, comissário – respondeu o alter ego de Josh Remington, braços cruzados, olhando para Batman. – Além do mais, Gotham já possui seu próprio vingador, e não creio que ele esteja a fim de um novo parceiro!

– Bela dedução... – resmungou o Cavaleiro das Trevas. – Mas, Gordon, e quanto à mulher do Fries?

– É uma situação difícil... – suspirou o comissário. – Ela está curada, mas agora Victor tem de pagar por seus crimes encarcerado... É a vida... Entretanto, eu acredito que eles ainda terão muitos anos para viverem felizes depois que ele for solto...

– Com o carinho dela, garanto que o bom e velho Frio se regenerará...

Nisso, um policial se aproximou do trio, ofegante por ter corrido até ali desde o interior do laboratório. Depois de tomar ar por alguns segundos, informou a Gordon:

– Senhor, não encontramos nenhum sinal do tal Doutor Toxinian!

– O filho da mãe escapou... – rosnou Batman. – Foi por meu descuido...

– Não se preocupe, morcegão! – replicou “Sub”. – Ele com certeza voltará para Metro City, e vocês já devem saber quem o estará aguardando por lá!

– Bem, apesar de nossas desavenças iniciais, foi bom trabalhar ao seu lado, Sub-Man! – disse o justiceiro de Gotham, cumprimentando o colega combatente do crime com um aperto de mão.

– Igualmente, cara! Ah, será que eu poderia te pedir ao menos uma coisa antes de ir embora?

– Fale.

– Daria para você fazer propaganda de mim na Liga da Justiça?

– Isso dependerá apenas de suas futuras ações em nome dos inocentes, amigo! Continue protegendo-os, e garanto que inúmeras oportunidades virão!

Sub-Man assentiu firmemente com a cabeça, virando-se de costas para Batman e Gordon. Em seguida, com os punhos fechados, começou a caminhar pelo asfalto, passos fortes e decididos. Ele era um vingador. Usando seus poderes mutantes, tinha a obrigação de zelar pela vida daqueles ameaçados por pessoas de índole cruel. Tinha o dever de garantir um sono tranqüilo àqueles que todos os dias liam sobre suas proezas nos jornais. Sim, ele era um vingador. Um vingador... A pé?

– Batman! – chamou ele, voltando-se novamente para o parceiro temporário.

– O que é?

– Tem outra coisa. Será que você poderia me dar uma carona no Bat-móvel até Metro City? É que estou sem dinheiro para o ônibus!

O Detetive das Sombras franziu as sobrancelhas.

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Dias depois.

É noite em Metro City. Uma misteriosa figura vaga pelos becos escuros e soturnos, em busca de bandidos para deter. Uniforme preto e amarelo, óculos escuros. Trata-se do Sub-Man, O Vingador, incansável protetor da metrópole ameaçada a cada instante por um crime iminente.

De repente, um holofote é ativado no alto de um edifício, projetando no céu noturno um sinal luminoso bem peculiar: um círculo amarelo com as letras “S” e “M” no centro. Era nada mais, nada menos que o novo “Sub-sinal”.

– Ah, moleque! – exclamou o herói.

E logo depois desapareceu na noite.

FIM

Luiz Fabrício de Oliveira Mendes – “Goldfield”.

Sub-Man retornará...

E o Doutor Toxinian também!

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