Batman - Um Sonho De Aniversário

2 Um Sonho de Aniversário - Parte 2


Notas iniciais
Para ajudar no entendimento de "Batman - Um Sonho de Aniversário" assista à "trilogia O Cavaleiro das Trevas" e "A Origem", ambos os filmes dirigido por Christopher Nolan; ter um pouco de conhecimento sobre o bat-universo e sobre o universo cinematográfico (saber que fãs da Marvel Comics não gostam do Nolan pois este fez um bom filme de um super-herói da DC Comics; que ele tem ideias muitos originais e consideradas "realistas"; é um dos diretores mais polêmicos da atualidade). Boa leitura!

Porque, assim que liguei o interruptor, algo difícil de explicar, simplesmente o inimaginável, o inominável, aconteceu:

– SURPRESA!

Tive que esfregar os olhos com as minhas luvas, o que me fez borrar toda a minha camuflagem preta, para confirmar que não estava vendo coisas: todos os meus maiores inimigos, reunidos, para preparar uma festa-surpresa de aniversário pra mim.

Aquilo me desconcertou por completo. Quer dizer, eu sempre sonhei com esse momento, em que veria os meus rivais reabilitados, não roubando doces de jovens, prontos para o convívio em sociedade. Mas é que eu já estava acostumado a vê-los através das grades do Arkham ou então apanhando de mim. Não havia me preparado psicologicamente para esse momento.

Ainda estava atordoado com a recepção montada no salão da minha própria casa, quando vejo o Coringa subir em uma cadeira e bater com uma colherzinha em um copo de cristal, pedindo a atenção de todos os presentes, suas cicatrizes sorridentes.

– Um momento de sua atenção, por obséquio! Gostaria de propor um brinde àquele que, por meio de chutes, pontapés e safanões, AHHAHAHAH, conseguiu enfiar um pouco de juízo em nossas mentes perturbadas. Senhoras e senhores, uma salva de palmas para Bruce Wayne, o Batman!

Não pude conter as lágrimas!

Era muita emoção para um dia só!

Enquanto eles faziam fila para me cumprimentar, o Senhor Frio servia sorvete com calda de chocolate para os convidados; a Hera Venenosa plantava bananeiras para divertir as crianças; o Cinemaníaco trazia toda a coleção Crepúsculo para gente poder assistir — bom, preferia muito mais Harry Potter, porém no calor do momento, os vampirinhos fadinhas estavam ótimos — no meu home theater.

Eu estava competindo com o Crocodilo para ver quem tinha o aperto de mão mais forte, quando a Selina se aproximou de mim e cochichou no meu ouvido um negócio que me deixou todo encabulado.

Todo mundo percebeu e riu.

Mas ainda assim, com os risos e minha vergonha, eu continuava gostosinho na opinião da Srta. Kyle.

Passando alguns minutos, parecia que a noite ia seguir de forma perfeita, até que chegou o momento de cortar o bolo.

É óbvio que chamaram o Sr. Zsasz para fazer as vezes com a sua adaga afiada e mortal. Ele se mostrou super simpático, levando muito jeito para o negócio. Até lavou o sangue da faca antes de encostar no bolo!

Tudo transcorria muito bem. O problema mesmo foi na hora de dar o primeiro pedaço:

– Bruce, para quem vai ser o primeiro pedaço?

– Vai ser para mim, né Bruce?

– Nada disso, Bruce! Esse primeiro pedaço me pertence!

– Bruce!

– Venha aqui, Bruce. Vamos tomar um chá enquanto saboreamos esse primeiro pedaço que você me dará.

– Miau, Bruce. Vamos comer esse primeiro pedaço, só você e eu. Miau!

– Raarrghhh! Bruce! Esse primeiro pedaço é meu!

– Brucieee? Iuhuuu!

– Bruce!

– BRUCE!

– BRUCEEE!!!

"AAAAAAAAAAAAH!!!!! NNNNÃÃÃÃÃÃOOOOO!!!!!!"

Respiração acelerada. Lençóis fedendo a ureia encardida e percebo que a cama está encharcada de urina, escorrendo e pingando no assoalho. Dou uma olhada geral ao redor do meu quarto e constato perplexo e ao mesmo tempo tomado por um certo orgulho, que foi realmente uma mijadinha mesmo, superando de longe aquelas que eu fazia nos meses que se seguiram à morte dos meus pais.

Nossa, por quanto tempo fiquei dormindo? Tudo bem. Não tem problema. Vou chamar o Alfred e ele vai me limpar e trocar essa roupa de cama.

“Ufa! Foi apenas um pesadelo.”, deduzi logo. Fiquei feliz, mas preocupado com o ocorrido porque sei que o Jeremiah Arkham começou tendo uns sonhos esquisitos.

Tenho que me lembrar de pedir pro Alfred agendar uma consulta com a Nicole Kidman para ver isso.

No fim, desci para ler o jornal e comer um pão com manteiga, com a roupa já limpa, e tudo continuou normal e dando certo.

Apesar das minhas aflições a respeito da minha saúde mental me incomodarem bastante, pude me reconfortar com a certeza e a agradável sensação de ter vivido a maior e mais fantástica aventura de toda a minha carreira de Batman. Bom, pelo menos nos Batsonhos!

EPÍLOGO

Café da tarde. Dia perfeito, ensolarado e radiante. Pego o meu roupão e calço as minhas pantufas para me dirigir à mesa do café, depois de ficar mais de 3 horas assistindo Titanic, iludido pelo sonho. A Selina Kyle não me acha gotossinho.

No caminho, observo pelas janelas da Mansão Wayne os raios dourados da tarde refletindo sobre o piso ancestral; admiro as nuvens brancas emoldurando o azul do céu; bato com os dois punhos fechados no peito e penso "que delícia viver! Podia estar... Innfff... Eu podia estar... Morto... Coff... Innfff... Que nem o Jack... Buaah... Buaah!".

Chego à sala do café e encontro o Alfred, como sempre sorridente e serviçal, limpando o assento com o guardanapo de pano que repousava sobre o antebraço e puxando a cadeira para eu sentar. Vejo que ele colocou chocolate quente na minha xícara preferida em formato de morcego e começo a sugar o delicioso líquido quente, segurando a xícara pelas pequenas asas.

Antes que eu começasse a narrar para o Alfred o meu sonho maluco da noite passada, de repente, a campainha toca. Frustrado e bastante mal-humorado, mando o Alfred ver quem é e despachar logo para voltar e ler para mim o jornal enquanto falo sobre minha aventura.

Como ele estava demorando demais para voltar, afasto a cadeira abruptamente e me dirijo a passos largos e impacientes para o portão da Mansão, já pensando em uma maneira bem sacana de dar uma lição no Alfred.

Eis que, para o meu mais completo e absoluto assombro, vejo a garotinha do meu sonho, em pé, na entrada da minha sala de estar, conversando com o Alfred e segurando uma caixa de presente, muito bem embalada, com uma fita muito bonita — de muito bom gosto por sinal — bem firme com uma das suas pequeninas mãos. A outra estava abanando sem nada (roubei o ursinho dela ontem. HA. HA. Mas espera, era um sonho... Que confusão!).

Então, a menina dirige o olhar para mim, fitando os meus olhos, enquanto ainda falava com o Alfred, abrindo um leve sorriso muito sinistro e malicioso. Até que o Alfred percebe a minha presença e diz que a menininha me trouxe um presente:

– Feliz aniversário, Bruce Wayne — disse ela. E começou a andar lentamente em minha direção, sempre segurando a caixa com a mãozinha estendida.

Começo a me afastar andando para trás e levando a minha mão direita ao rosto para tapar a minha boca. Não consigo acreditar que aquilo está acontecendo.

Escuto, como se estivesse já bem longe de mim, o Alfred perguntando: "Tudo bem com o senhor, patrão Bruce? Patrão Bruce?”

Lanço um olhar aterrorizado ao Alfred, mas parece que ele está incapaz de perceber o meu pânico. E então, a menina começa a gargalhar: “Ahahaha! Aaaahahahaha!”. E continua avançando, vagarosamente, como se estivesse flutuando pelo saguão.

Ponho-me a correr desesperadamente pelos corredores da Mansão, que parece ter se transformado em um labirinto interminável, bem maior do que de costume.

Observo pela janela que o dia ensolarado está dando lugar a nuvens cinzas, e uma ventania prenuncia uma tempestade que se aproxima.

Não importa o quão rápido eu corra, as gargalhadas da garota me acompanham onde quer que eu vá. Porta após porta. Sempre mais altas e mais estridentes, provocando terror e me fazendo sujar o roupão de novo, dificultando os meus movimentos.

Depois de muito tempo, correndo para lá e para cá, fugindo da gargalhada infernal da menininha ("Hahaha! Hahahhaha!") sem encontrar alguma saída sequer deste pesadelo, começo a pensar um pouco...

E finalmente me dou conta: estou preso em um sonho dentro de um sonho escroto do Nolan, sem esperança alguma de poder escapar...

– AHAHA! AAAHAHAHAHAHA!

Notas finais
Eu sou um fã do Chris Nolan, mas acho engraçado histórias zoando com ele. Não levem nada a sério. Apenas divirtam-se!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!