Batman - Shadows Of Gotham
3 Capítulo 3
Capítulo 3
Subúrbios de Gotham. O sol já iluminava a rua, os homens davam um ultimo beijo em suas mulheres, antes de partirem para mais um dia de trabalho. As janelas expunham roupas, que esvoaçavam com o vento. Papéis voavam pelas ruas, atravessando a calçada e indo parar na cara de Jervis, que os retirou e amassou, jogando em uma lixeira(ou o que havia sobrado dela). Desta vez ele não estava vestido bem, usava uma roupa bem casual. Andou por um tempo, como se não tivesse que temer nada, se sentia praticamente em casa. Parou apenas quando chegou em um prédio baixo de três andares. Respirou fundo, dando uma olhada em toda a estrutura, subiu a escada e entrou. Ficou contende em ver o lugar assim como ele lembrava, duas portas com a tintura amarela já desbotada e a escada antiga de pedra. Ganhou a escada chegando ao segundo andar, seus pés já haviam percorrido aquele caminho tantas vezes que ele só reparou que estava tão próximo ao número 3, quando seu nariz encostou de leve na porta. Lá dentro o som de TV ligava, denunciava que havia alguém. Ele tocou a campainha e esperou. A porta abriu, revelando uma mulher idosa, de seus sessenta anos, que fez uma cara espantada, seguindo para um alegria incomum que tomou todo seu rosto. --- Filho! --- exclamou abraçando com força o Nerd --- Como Você esta magro, venha entre e coma alguma coisa. Sem que ele pudesse falar qualquer coisa ela entrou. Ele limpou os pés no tapete e entrou no apartamento. Era bem simples, sofá, estante e uma mesinha de centro. Caiu pesado no sofá, levantando uma pequena camada de poeira. --- Jervis querido --- disse a senhora voltando a sala carregando um copo fumegante --- Aqui esta, do jeito que você gosta. Jervis aceitou o copo, bebendo do líquido quente. Café com leite e canela, assim como ele lembrava quando era criança. --- Como você esta mãe? --- Estou otima, mas é você? --- disse com um tom preocupado na voz --- Como ela pode trocar você por aquele traste! --- Não foi bem assim mãe. --- Deixa eu encontrar ela, vou dizer poucas e boas! --- Mãe por favor, não vim para esse propósito. Ela olhou diretamente em seus olhos. --- Eu sei que não meu anjo, isso que me deixa mais preocupada. --- Preciso encontrar dois velhos amigos. --- Barney e Bruno? --- Esses mesmos. --- Querido, não me esconda nada por favor. --- Não se preocupe mãe, apenas vim visita-los, fiquei sabendo que eles estão precisando de ajuda e... --- Jervis Tech! -- urrou --- Não sou boba. --- Mãe por favor não me faça discutir com a senhora. --- Só me prometa uma coisa, não vai fazer nada que acabe com a sua vida. --- Pode ficar despreocupada mãe, os inteligentes jamais erram. --- Mas os aliados erram. Jervis terminou de tomar sua bebida e depositou na mesinha. Levantou respirando fundo. --- A senhora deveria ir morada comigo. --- Eu nasci aqui e vou morrer aqui. --- Espero que um dia eu consiga convencer a senhora. Ela levantou, deu um abraço forte e beijou seus rosto, deixando uma lágrima escorrer pelo rosto. --- Você vai encontra-los no mercadinho do seu Manuel. --- Obrigado mãe. Deu um beijo no rosto da senhora e deixou a casa sorridente. Mais uma vez seus pés o levaram até onde suas memórias indicavam. Um mercadinho sujo, com vários panfletos grudados nas paredes chamado de Bigbi´s. Não sabia se estava com sorte ou não, mas ele avistou um homem do lado de fora fumando um cigarro. No começo o homem nem deu importância a sua presença, até perceber quem era e dar um sorriso bem grande. --- Quanto tempo meu amigo! --- Tech! --- disse o homem correndo para comprimenta-lo --- O que o trás aqui? --- Tava passando pela vizinha e decidi ver velhos amigos. --- Poxa o Bruno vai adorar saber que você esta aqui! --- E como vocês estão? --- Estamos bem, sabe fazendo alguns bicos como sempre. --- Envolve ainda as mesmas pessoas Barney? Barney deu um sorriso de lado sem responder a pergunta. --- Vocês não mudam. --- Nem todos podem ter o privilégio que você teve Tech. --- Que tal uma ajudinha? --- O que quer dizer? --- Vocês me devem alguns favores. --- Jervis, desculpa, não --- ele parou, olhou em volta e cochichou --- Nos não matamos pessoas, apenas ajudamos em roubos, apenas isso. --- Jamais pediria algo a vocês que fosse prejudicar seus valores e sua honra. --- Do que se trata então? --- Não posso contar nessa condição, vamos primeiro encontrar Bruno e poderemos discutir o assunto. --- Você manda chefe.Empresas Wayne. Bruce estava distraído com a papelada, apenas perdendo a concentração quando a secretária ligou para seu telefone. --- Senhor Wayne desculpe o incomodo, mas o senhor tem visita. --- Diga que estou muito ocupado, peça para que volte mais tarde. --- Senhor ela disse que é urgente. --- Quem é? Sua resposta foi respondida quando Julie Madison adentrou o escritório graciosamente, sedutora e poderosa com um vestido negro. Colocou o telefone no gancho e ficou admirando a bela moça sentar de frente pra ele, dando um sorriso radiante. --- Então Bruce, sai, se diverte e no outro dia não liga, onde estão as boas maneiras? --- Eu estava pensando em ligar agora mesmo.
--- Duvido muito. --- Então, veio me dar uma bronca ou tem outro propósito? --- Digamos que eu estava com fome e não quero almoçar sozinha, ai pensei, até mesmo os milionários comem, porque não chamar o Bruce. Bruce não se controlou e soltou uma risada. --- Esta com muita fome? --- Eu aguento, aonde pretende me me levar? --- Você deve estar cansada desses restaurante cinco estrelas, porque não almoçamos em um lugar mais exótico? --- Me surpreenda --- ela deu uma piscadela e seguiu até a porta, olhou para trás fazendo uma cara de quem esta achando graça e perguntou --- Então, vamos? Bruce não imaginava como tinha sorte, dinheiro, mulheres correndo atrás dele e além de tudo podia combater o crime e proteger a cidade que amava, não havia coisa melhor para o cavaleiro das trevas. Julie era diferente de todas as mulheres que ele havia saído, ela era intrigante, misteriosa, esperta, sedutora e além de tudo tinha curvas lindas. Pra alguém como ela, não teria como ir em lugares luxuosos, nem fazer nada que qualquer rico pudesse fazer, tinha que ser algo novo, talvez ele tivesse que fazer isso pelo resto da vida com ela, Julie não era uma mulher que no outro dia fazia a mesma coisa, ela era que nem a água, não fica parada, sempre arruma um jeito escapar dos desafios. Por isso Bruce decidiu levar ela para o lugar onde tudo havia começado e temia que fosse terminar também. Tudo estava arrumado, algumas ligações e Bruce Wayne tinha todo o plano em mente. Chamou seu motorista particular a partiu junto com Julie. Ele guardou segredo todo tempo, distraindo a moça com uma conversa sobre vários assuntos que ele esperava que a moça gostasse. A moça apenas percebeu que eles estavam se distanciando da cidade. Não demorou muito para ela se surpreender para onde estavam indo. O carro ganhou uma entrada onde antes deveria haver um grande portão de ferro e agora passavam por um estrada de terra, cercada por um gramada onde várias pessoas plantavam pequenas mudas pelo terreno. --- Nossa que exótico Bruce. Ele apenas sorriu, observando assim como Julie tudo a sua volta. O carro parou de frente para algo que parecia um grande esqueleto de uma imensa casa, ou como Julie achava mais provável uma mansão. Desceram do veículo seguindo por outra estrada, desta vez menor e feita com pedras quadradas. Logo a frente havia uma tenda circular onde uma mesa havia sido colocado com duas cadeiras. --- Surpreendi? --- quis saber Bruce puxando a cadeira e indicando para que Julie sentasse. --- Com certeza. Julie gostou da ideia, era algo novo, um almoço bem exótico. Ficou observando a estrutura que um dia seria uma mansão, tentando decifrar onde ficava o que. --- Me diga Bruce --- disse Julie voltando os olhos ao milionário --- Esse lugar foi muito importante para você, todo esse trabalho em reconstrui-lo, quando você poderia morar em um triplex em Gotham. --- Digamos que eu gosto de espaço. Os dois sorriram. Bruce lembrou de tudo que havia acontecido naquela mansão, seus aniversários em família, Alfred sempre ao seu lado, seu pai e sua mãe sempre sorridentes, o dia da morte deles, quando voltou para a mansão, percebendo o quanto agora ela era gigantesca e solitária, o quanto aquela dor ajudou a se tornar o que é hoje e tudo mais que veio depois. Ficou calado pensando em tudo isso, olhando para o esqueleto da futura mansão. --- Bruce --- chamou Julie que estava o encarando desde que havia se perdido em pensamentos --- Esta tudo bem? --- Sim --- respondeu olhando nos olhos da jovem --- Esta tudo bem.Desde que Jervis havia deixado seu apartamento, tudo estava mudado, a casa toda desarrumada, o seu quarto revirado, muito dos seus equipamentos eletrônicos espalhados desde o quarto até o corredor. Deixou Barney e Bruno sentados na sala esperando enquanto fazia conexões pela casa. --- Eu sei que devemos muito a ele, mas poxa Barney não sei se isso vai dar certo --- cochichou Bruno sentado ao lado do amigo. Os dois pareciam até mesmo irmãos gemêos quando vistos de longe, devido ao seu corpo robusto e jeito parrudo. Porém Bruno se destacava por usar um estilo mais solto, enquanto Barney era mais sério nesse quesito, se não fosse apenas por essas diferenças, também tinha a personalidade, Bruno era mais calmo e um pouco medroso, ao contrário de Barney que era totalmente estourado e não temia nada. --- Bruno --- cochichou também tentando ver se Jervis não estava escutando --- Nos devemos nossa vida pra ele, quem foi que nos tirou da prisão? Quem pagou nossas residências? Quem sempre nos apoiou? Bruno abaixou a cabeça e concordou. --- Você tem razão, ele é nosso amigo, é o mínimo que devemos a ele. Barney sorriu e deu um soco de leve no ombro do amigo. O Nerd veio sorridente ao encontro dos dois. --- Venham, vocês tem que ver isso! Levantaram e seguiram Jervis pelo corredor, lotado de tubos que vazavam uma fumaça fria, fios grudados na parede e painéis piscantes em todo lugar. Como se não bastasse entraram no antigo comodo onde era o quarto, observando aquela imagem que só haviam visto em filmes de ficção científica. Diversas máquinas apitavam e produziam estalidos metálicos, tubos com um líquido verde atravessavam todo o quarto em uma teia, que deixava cair respingos no carpete já todo ensopado, telas de LCD dispostas em arco estavam pendurados na parede com diversos gráficos e números aparecendo em letras verdes. --- Caralho! --- exclamou Barney abismado --- O que é tudo isso Jervis? --- Esse é nosso centro de monitoramento rapazes --- brandiu Tech contente --- Eu fiz deste quarto nossa sede. --- Mas pra que exatamente? --- É Jervis, você não nos explicou direito seu plano --- quis saber Bruno. --- Meus caros amigos, eu fui bem claro, vou tirar Viktor Fayol do seu troninho e dar a ele o que merece! --- Sim isso entendemos --- disse Bruno entediado --- Mas o que é exatamento tudo isso? --- Vou demonstrar. Havia algo como um aparelho de surdez encima de uma mesinha, Jervis pegou com cuidado o aparelho e entregou para Bruno. --- Coloque próximo ao ouvido. Barney indicou que Bruno colocasse logo o aparelho no ouvido, esse sem reclamar obedeceu, aproximando o objeto, esperando ouvir algum barulho, mas não escutou nada. --- Acho que esta quebrado --- disse ele sem entender. --- Não, vou mostrar --- Jervis correu até o teclado e digitou alguns comandos. Bruno ficou tentando prestar atenção em qualquer coisa que o pequeno objeto pudesse fazer, mas não percebeu nada anormal. Como do nada sua visão embaçou, ele não conseguia mais se mover, ficou estático, seus olhos perderam toda a vida. Jervis riu, mas Barney urrou de raiva. --- Mas que merda Jervis! --- disse Barney desesperado --- O que você fez com ele? Barney chacoalhava Bruno, mas esteve estava parado, olhando para longe, sem expressar absolutamente nada. Jervis continuou rindo e com tamanha rapidez digitou novamente no teclado. Bruno voltou a si, sem entender nada. --- O que houve? --- questionou ele boquiaberto. --- Barney queira explicar para ele. --- Cara você estava paralisado ai, ele conseguiu não sei como te imobilizar! Bruno arregalou os olhos perplexo. --- Então o que achou? --- quis saber Jervis sorridente. --- Fantástico Jervis, mas como você conseguiu fazer isso? --- Simples --- Jervis digitou outras coisas no teclado, mas desta vez Bruno atirou o pequeno aparelho para Barney, enquanto isso vários gráficos e imagens apareceram na tela --- Vejam estes desenhos, aqui você podem ver minha teoria, sempre pesquisei sobre o som, as ondas sonoras e seus efeitos, dizem que o rugido do Leão faz qualquer criatura estremecer, isso trás medo a suas vítimas, mas e se eu disser que na verdade o tom que o leão atinge, pode trazer esse temor a vítima mesmo que ela não o conheça, pois bem. \"O tom que o leão atinge é tão poderoso que os animais se calam, hoje em dia temos algo semelhante, você devem conhecer a tal da droga sonora, pois bem, as batidas que ela produz realmente afetam o cérebro, mas o que ninguém sabe é o quão longe podemos chegar com isso, em meus estudos, existem certas frequências benéficas e maléficas, eu descobri algumas, que podem chegar desde o prazer até a morte. Eu fiz alguns testes com alguns ratos esses dias, observando os efeitos em seu sistema neural, até ontem a noite quando finalmente descobri uma certa frequência intermediária, mas tão útil que pode confundir o cérebro a ponto dele ficar assim como vocês perceberam, paralisado, as funções do corpo se mantém, porém a pessoa perde toda a razão e a consciência, graças a isso eu posso implantar junto a frequência mensagens subliminares, que controlam a pessoa totalmente\"
--- Então o que acharam? Os dois estavam parados, observando e tentando engolir o que o Nerd havia dito. Ele havia produzido uma maquina que podia controlar pessoas, com isso ele deixaria todos a sua mercê. --- Você sempre foi inteligente --- elogiou Barney --- Eu estou com você nisso. --- E você Bruno? Bruno pensou, estava com medo daquilo, Tech era seu amigo, mas poderia usar aquilo nos dois e isso não o agradava. Barney olhou bravo pra Bruno que decidido falou. --- Certo, estou ao sei lado Jervis. Jervis saltou de onde estava e correu até o armário, a porta estava aberta, com diversas caixas espalhadas formando um montinho, em cima de tudo, estava sua cartola. --- Muito bem rapazes --- rodou o chapéu no dedo e colocou graciosamente na cabeça --- Temos compras a fazer, precisamos estar bem vestidos esta noite. --- Mas já vamos agir? --- questionou Bruno? --- É tarde, é tarde --- gargalhou enlouquecido, deixando seus dois capangas estupefados.
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