Silêncio. Apenas o silêncio reinava nas ruas de Gotham City. Ruas vazias, lojas trancadas, escolas fechadas. Apenas um único som era ouvido de vez em quando. O som de sirenes de viaturas da Policia de Gotham. Que estavam na caçada do causador desse silêncio. Batman.

Três dias atrás Batman explodiu a Penitenciaria de Blackgate. E com ela, mais de 600 mil criminosos e não criminosos. Carcereiros, funcionários e policiais se juntaram a contagem de mortos. Foi o maior atentado já presenciado pela televisão em anos. O chefe do Departamento de Policia de Gotham, se pronunciou e alertou para que a população não saísse de suas casas. Mas esse foi um alerta desnecessário. Por que os cidadãos de Gotham já estavam chocados e aterrorizados o suficiente para não saírem de casa. E o silêncio domina Gotham. Silêncio gerado pelo terror de Batman.

Mas, neste instante, o silêncio é quebrado em um beco na periferia da cidade. Passos apressados ecoam na escuridão. Passos apressados e com medo de algo. E esse algo vem atrás. Uma viatura da Policia de Gotham. Mas os passos não vão muito longe. O medo os fizeram entrar em um beco sem saída, literalmente. Encostado contra uma parede, uma assustada silhueta observa a viatura se aproximar lentamente. Ela para. A porta de abre e dela sai o policial Jim Gordon. Os faróis da viatura aumentam revelando aquele qual perseguia.

– Te pegamos, Coringa.

***

Na Central do Departamento de Policia de Gotham o que menos havia era silêncio. Na verdade, o que reinava era o caos. Toda a policia trabalhava incessantemente em busca de uma pista que localizasse o paradeiro de Batman, ou seu próximo passo. E é isso que Jim Gordon estava tentando descobrir nesse exato momento em uma pequena sala do departamento.

– O que ele vai fazer agora? – perguntou

– E-eu não sei! – choramingou Coringa.

Coringa estava algemado e sentado atrás a uma mesa de interrogatório. Gordon se prostrava em pé frente a mesa e cercando os dois, estavam cinco policiais da equipe tática da policia. Vestidos de colete e protetores no corpo. Todos apontando uma metralhadora para o vilão, que parecia desesperado para chamar a própria mãe.

– Ele deixou claro na televisão que foi você que fez isso com ele! – disse Gordon. – Você é culpado por essa merda toda!!!

– Eita, ele falou um palavrão. – cochichou um dos policias táticos para seu vizinho.

– É. O Coringa tá ferrado mesmo. – disse o parceiro.

Recuando-se para trás como um gato assustado, Coringa não disse nada. Gordon cruzou os braços e olhou fixamente para o palhaço.

– O que ele vai fazer agora? – questionou.

–C-como assim? – gaguejou Coringa.

– Quero saber o que ele vai fazer agora. Ele disse que você fez isso com ele. Ele é tão louco como você. Ou pior. Então quero saber: O que você faria agora no lugar dele?

Coringa abriu um pouco a boca, como se fosse começar a falar algo. Mas parou. Gordon continuava olhando-o fixamente, os policiais da equipe tática se entreolhavam, ainda apontando para o vilão.

–E-eu não sei. Na verdade, a essa altura Batman já teria me prendido. É sempre assim a nossa brincadeira sem fim. – deu um sorrisinho nervoso.

– Entendo. – Gordon fechou os olhos e transpirou. Bem, rapazes. Podem leva-lo.

– Espera ai! Me levar pra onde? – Coringa suava frio.

– Para Arkham. É logico. – respondeu o policial.

De repente a porta da sala bate repetidamente e com força. Gordon olha de súbito para ele. Ao abri-la estava uma jovem policial. Parecia nervosa.

– Comissário. Ele voltou a se comunicar. – disse a policial.

Gordon ficou em silencio e pensou por uns segundos. Se virou para a equipe tática.

– Se ele pensar em fugir. Atirem. – saiu e fechou a porta com força.

Os policiais táticos se entreolharam de novo, em seguida para Coringa. Engatilharam as metralhadoras em uníssono. Coringa de um sorriso nervoso e suava como nunca.

– Ele tava só brincando. Hehe...

Os minutos se passaram, mas Coringa não sabia quanto tempo já estava naquela sala. Para ele parecia que o tempo havia parado. Os policiais da equipe tática pareciam paralisados, apontando suas armas para ele. A sala parecia ficar cada vez mais quente, fazendo-o suar intensivamente. Por um momento ele pareceu sentir que a sala estava inclinada, como se estivesse com uma vertigem. O único som era o tic-tac do relógio na parede. Coringa tentou se mover, mas parecia estar paralisado, como em um transe psicológico.

De repente a porta se abre de uma vez. A ação fez com que Coringa saísse daquele transe esquisito. Era o Comissário Gordon. Parecia mais chateado que antes. Fechou a porta olhando para Coringa.

– Já sabemos o que ele fará agora. Ele nos mandou um recado.

Subitamente, Gordon coloca na mesa uma espécie de tablet. Ele estava ligado. Na tela podia se ver cinco letras. DBCVN.

– E nos mandou isso também. – continuou Gordon. – Disse que é um quebra-cabeça, e que teremos de resolve-lo até meia noite de hoje. Senão o Asilo Arkham explode. Ele quer terminar o serviço que começou em Blackgate. E deixou claro que se tentássemos evacuar o local, explodira tudo.

– Nossa! Como nunca pensei nisso? – surpreendeu-se Coringa. Mas após ver a expressão séria de Gordon, deu um sorrisinho como se disse-se “foi sem querer”.

– Bem, pelo menos agora sabemos o que ele fará. – disse Gordon. – Tem alguma ideia do que essas letras querem dizer?

Coringa olhou de novo para o tablete, depois para Gordon.

– A senha do Facebook do Batman? He he.

Gordon não riu.

– Desculpa... Eu não resisti.

Gordon pegou o tablet de volta.

– Levem ele. – disse aos policiais táticos

Eles deram a volta na mesa e levantaram Coringa pelos dois braços. Ele olhou assustado para Gordon.

– Pera, vai me levar pra onde?

Finalmente Gordon deu um pequeno sorriso.

– Para Arkham, é lógico.

Coringa arregalou os olhos.

– Você tá louco? Não viu que Batman vai explodir Arkham?

– Só se não resolvermos esse quebra-cabeça. Talvez lá você se sinta mais em casa para ter uma solução para isso.

Coringa foi carregado pelos dois braços. Ele erguia as pernas no ar. Estava tendo o pior dia de sua vida.

Notas finais
E ai pessoal, estão gostando?