Batidas Escritas
1 Capítulo único
Notas iniciais
### I. O coração e o tempo
Um, dois — tiques de um relógio,
parecidos com o batimento do coração.
Às vezes, mais rápidos que os tiques do relógio,
por causa do mundo,
por causa do julgamento.
Um, dois — tiques de um relógio.
Pensamentos do coração me ajudam a me acalmar.
Mas por que a vida não dá escolhas?
Por que apenas impõe?
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### II. A solidão como colega
Um, dois — tiques de um relógio.
A solidão é somente uma colega.
Não posso ser amigo dela — é ciumenta,
não me deixa ter outros amigos.
Então, posso tê-la por perto,
mas nunca ser íntimo.
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### III. Notícias de outro país
Um, dois — tiques de um relógio.
Fofocas no trabalho, para mim,
são como notícias de outro país.
Não me interessam.
Mas ouço,
só para me distrair.
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### IV. Música e batidas
Um, dois — tiques de um relógio.
Ouço músicas de vários artistas e gêneros diferentes
(menos o funk brasileiro — esse não consigo acompanhar nem gostar;
as letras são muito explícitas).
Música e letra precisam estar bem casadas.
Talvez seja por isso que gosto de tantas músicas diferentes:
procuro aquelas que me marcam,
que me mostram que são “felizes” juntas.
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### V. O presente e a luta
Um, dois — tiques de um relógio.
Não posso dizer que estou feliz com minha vida,
mas também não sinto vontade de morrer.
Não posso crescer profissionalmente,
nem financeiramente.
Ainda assim, gosto de pensar
que luto para conseguir o que quero **hoje**.
Não penso no “amanhã”.
Quem me garante que estarei vivo daqui
a dez minutos,
dez dias,
dez anos?
Por que adiar o que posso viver agora
só para construir um futuro incerto?
Pode soar pessimista?
**Bem… me processe.**
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