Notas iniciais
Mais alunos deixam a escola, há quem queira entrar nessa completamente sozinho, mas há também aqueles, que encontram a segurança nos outros.

1 hora e 54 minutos de jogo...

A sala estava mergulhada em um silêncio amedrontador, o único barulho audível além do tic-tac do relógio do General, eram os passos dos soldados que de vez em quando caminhavam pela sala, armados e observando atentamente cada aluno, para garantir que eles não se comunicassem.

– Garota nº 13, Izabela! – Disse o General.

Izabela se levantou na mesma hora com algumas lágrimas escorrendo pelo seu rosto, quando um soldado lhe jogou uma bolsa bruscamente. Ela segurou a bolsa em mãos e refletiu em tudo o que estava acontecendo. Ela não queria jogar, ela não iria jogar, não seria apenas mais uma peça para ser manipulada e controlada pelo governo. Em um ato de impulso, ela jogou a bolsa com força de volta para o soldado e saiu da sala, de mãos vazias.

Os soldados ficaram perplexos com a decisão da garota, e o General apenas riu de maneira irônica. Os alunos que ainda estavam na sala assistiram a cena chocados, mas permaneceram em completo silêncio. O tic-tac do relógio amedrontava ainda mais os alunos, que refletiam na atitude de Izabela, e ficavam cada vez mais tensos esperando o próximo nome ser anunciado. O General então anuncia:

– Garota nº 14, Juliana!

Juliana se levantou tensa e preocupada, olhou para os seus colegas tristemente e foi até a frente da sala pegar sua bolsa. Ela sabia que não teria ousadia suficiente para sair da escola sem bolsa como Izabela, nem mesmo para sequer encarar o General de forma triunfante. Ela apenas pegou sua bolsa, e se retirou da sala com pesar.

Caminhou pelo corredor ao mesmo tempo em que abria sua bolsa, ela olhou seu conteúdo e gostou do que viu. Para sua surpresa, não era uma arma de fogo, era algo que ela achou melhor, muito melhor. Encontrou um detector portátil alinhado à frequência dos colares que os alunos usavam. Dessa forma, ela poderia saber a localização de quem se aproximasse dela.

Desceu as escadas e deixou a escola com a melhor arma que ela poderia ter ganhado, em sua opinião. Olhou para o detector e viu que no quadrante J-3, alguém andava pela rua. E notou, que no quadrante da escola J-4 em que ela mesma se encontrava, além dos alunos que ainda estavam na sala, estavam mais 3 pessoas, mais especificamente no estacionamento da escola.

Ela cogitou em ir dar uma olhada em quem estava por lá, mas preferiu não ir “Isso é como uma partida de xadrez” ela pensava “Você não precisa se colocar na linha de perigo, basta apenas saber para onde se movimentar... E com sorte, Juliana, você pode ser a última peça em pé...”. Ela iria evitar conflitos e passaria o tempo inteiro fugindo dos outros alunos, e no final, apareceria para um ataque surpresa. “Essa vai ser minha estratégia.. É como em uma partida de xadrez...” Ela pensava, enquanto tomava o caminho contrário do estacionamento da escola e seguia até o quadrante J-3, onde viu no detector, que um aluno virava à direita.

***

Izabela havia acabado de virar à direita e estava no quadrante I-3, chegou ao fim da rua e observou, em frente a uma construção, um corpo caído no chão. Ela começou a correr “Tomara que não seja a Helia, por favor, tomara que não seja a Helia” Izabela pensava, não suportava a ideia de perder a amiga. Ela chegou em frente a construção e observou o corpo de Carina. “Não é a Helia, ainda bem! ... Ainda bem? Que merda eu estou pensando? Ela não merece viver menos que a Helia... Bosta! Tudo culpa desse jogo maldito, e teve gente que já entrou nessa porcaria. Não acredito! Tão... manipuláveis... Não vou matar, não vou jogar essa merda, me recuso... Me recuso!”

Ela observou a bolsa ao lado do corpo de Carina, e se lembrou de que, por um ato impulso, acabara deixando a escola sem a sua bolsa. Ela ajuntou a bolsa de Carina e a vasculhou, já haviam levado a arma, mas por sorte, ainda restava o mapa, o relógio, a bússola e uma garrafa com água. E para ela, isso já era o suficiente.

***

Amanda, Delhidiani e Heloísa estavam no estacionamento da escola e observaram em silêncio Karine (Garota nº 15) deixar o perímetro da escola empunhando uma foice, não tinham certeza se Karine seria capaz de matar, mas preferiram não chamá-la para a aliança. Depois de Karine, foi a vez de Kézia (Garota nº 16) sair da escola com uma pistola, ela olhava para os lados muito nervosa e preocupada, apesar de ter conseguido uma arma relativamente boa. Em seguida, Luana (Garota nº 17) saiu da escola, e provavelmente ainda não havia aberto sua bolsa já que não estava segurando nenhuma arma.

– Acho que o Luciano é o próximo a sair... – Disse Delhidiani.

– Não... Se me lembro bem, acho que antes dele vem o Lucas. – Disse Amanda, era muito difícil pensar em qualquer coisa naquela situação. As três ali, vulneráveis, no estacionamento da escola, escondidas atrás de um carro, a ideia começava a parecer insana.

– É, tem o Lucas antes. Depois vem o Luciano. – Falou Heloísa – Vamos esperar mais alguém além do Luciano?

– Não sei... – Disse Amanda – Acho que seria melhor sairmos daqui o mais depressa possível...

– Mas antes vamos esperar o Luciano. – Falou Heloísa.

– Sim, nós vamos esperar por ele. – Amanda disse com rispidez.

Um tempo depois elas não viram ninguém sair da escola, quando escutaram um barulho de passos. Olharam, e no estacionamento estava Lucas (Garoto nº 11), ele havia pulado o muro do lado da escola, estava com um arco e flecha em mãos e uma aljava nas costas, ele corria apressado mas parou bruscamente quando percebeu que elas estavam ali. Estava escuro, e ele olhou com dificuldade para reconhecê-las. Ele ia tirar uma flecha da aljava quando Delhidiani apontou a pistola com silenciador para ele e disse:

– Saia daqui agora... E talvez eu te deixe viver! – Ela falou, com a mira em Lucas.

Lucas ainda não havia decidido se entraria de fato no jogo, mas fora pego de surpresa pelas meninas no estacionamento. A princípio pensou em atirar, mas ao ouvir a proposta de Delhidiani ele pensou melhor. Eram 3 contra 1, não sabia se as outras 2 garotas tinham armas de fogo também, e ele não queria morrer logo ao sair da escola. Ele então, deixou o estacionamento correndo, com o arco ainda em suas mãos.

– Meu Deus! Essa foi por pouco... – Falou Delhidiani – Não sei se eu conseguiria atirar de verdade...

Amanda e Heloísa olhavam para Delhidiani agradecidas, ela acabara de salvar suas vidas. Esperaram em silêncio no estacionamento, depois de algum tempo viram alguém deixando a escola e como esperado, era Luciano (Garoto nº 12), que encontrara um bastão de choque em sua bolsa.

– Luciano! – Chamou Amanda – Luciano, nós estamos aqui.

Luciano olhou surpreso para as três amigas, o que elas estavam fazendo ali no estacionamento da escola?

– Mas que diabos... – Ele tentou perguntar.

– Não vamos participar disso! – Heloísa disse rapidamente – E esperamos que você também não.

– É, não vamos jogar! Vamos resolver essa situação juntos, dar um jeito de acabar com isso... Fugir... Não precisamos matar. – Falou Amanda. Luciano olhava perplexo para as meninas sem saber o que dizer.

– Eu... Eu estou muito feliz... Que vocês esperaram por mim... – Falou Luciano – Eu também não quero matar ninguém, eu só quero que essa loucura toda acabe!

– Então você está com nós? – Perguntou Delhidiani.

– Sim, estou com vocês... Até o fim! – Ele respondeu, indo abraçar as meninas.

– Nós precisamos dar o fora daqui... – Amanda falou, preocupada. – Aqui não é muito seguro.

Amanda, Delhidiani e Heloísa falaram sobre o Lucas para Luciano, e depois Amanda contou aos 3 amigos, como Daniel também havia saído pelo lado da escola e pulado o muro para o estacionamento.

– Mas ele não quis me matar. – Ela falou – Acho que ele também não quer jogar... A gente poderia chamá-lo para se juntar a nós, se a gente o encontrá-lo.

– Acho que ele merece nossa confiança, e como dizem, a união faz a força.– Disse Luciano.

– Tá bom, mas vamos sair daqui rápido. O próximo aluno já vai deixar a escola. – Falou Heloísa preocupada.

Amanda, Delhidiani, Heloísa e Luciano deixaram para trás o estacionamento, passaram pela rua da praça em frente à Igreja e foram em direção à avenida da cidade. Eles olhavam para os prédios e ruas se perguntando, se sair do estacionamento tinha sido uma boa ideia. Agora eles estavam embrenhados na cidade, onde a morte poderia estar logo ali, virando a esquina.

Sobreviventes: 30 e contando...


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Notas finais
Como ficou o capítulo? Comentem! O próximo sai em breve.