Batalha Real
6 Assisto ao meu funeral
Notas iniciais
~Annabeth Says~
Acordei muito zonza, estava na minha cama no Chalé de minha mãe, eu estava tão dolorida que parecia que um trator tinha passado por cima de mim umas 7 vezes, pus as mãos em minha barriga esperando que estivesse tudo bem com meu bebê e eu tinha quase certeza de que estava. Eu tinha uma imagem na cabeça, não sabia se tinha realmente acontecido ou se foi só mais um sonho. Eu estava no Labirinto na hora que Percy parecei explodir um oceano e logo tudo aquilo ali se encheu de água, o que era um problema pra mim, que não sabia respirar debaixo d'água, por que por acaso não sou filha de Poseidon — Ainda bem, porque se eu fosse não poderia namorar o garoto mais lindo do acampamento — Predi a respiração na hora em que a água subiu em meu nariz, mas era óbvio que não conseguiria segurar por muito tempo, foi quando um brilho apareceu na água e e eu tive quase certeza absoluta de que eu poderia respirar e então arrisquei e consegui respirar, como não dava pra ver nada, achei que Percy estaria me ajudando com isso e quando saíssemos dali daria o devido agradecimento a ele, mas só me lembro de ter batido muito em muitas paredes,e não me lembro de ter saído de lá, do nada acordei em minha cama e estava tão doída que achei que aquilo realmente tinha acontecido. Me levantei e saí do Chalé, fui até o Chalé de Poseidon, ver Percy e o agradecer pela ajuda no Labirinto, mas quando entrei lá estava vazio e então o procurei pelo acampamento inteiro e não o encontrei, fiquei desesperada e logo avistei... Thália?
Fui até ela e nos abraçamos, não tão forte, pois eu estava toda doída.
–O que está fazendo aqui? — perguntei.
–Não faço mais parte das Caçadoras e resolvi vir pro único lugar onde sou bem aceita.
–Como assim não faz mais parte das Caçadoras?
Thália e eu nos sentamos a beira da praia e conversamos, quase me esqueci de Percy e assim que Thália foi pro Chalé de Zeus eu continuei a vagar pelo acamamento.
–Annabeth? O que ta fazendo garota? — Miguel do Chalé de Apolo veio até mim.
–Estou procurando Percy, sabe onde ele está?
–Ahh Annabeth, precisamos conversar, vem comigo.
Fomos andando até a Casa Grande e lá estava Quíron, ele sorriu ao me ver e me deu um abraço, estranhei aquilo, mas gostei.
–Então Quíron, onde Percy está? — perguntei sorrindo
–Querida Annabeth, já tem 7 dias que vocês voltaram do Labirinto, você só acordou agora e Percy não apareceu desde que você chegaram.
–Isso quer dizer que...? — Tentei ouvir uma resposta animadora.
–Quer dizer que ele fugiu ou morreu! — Dionísio não foi nenhum pouco sensível e com essas palavras eu me descontrolei.
–O QUE? PERCY MORREU? — comecei a chorar desesperadamente.
–Não sabemos querida, todos os modos de comunicação com ele foram bloqueados, mas eu ainda tenho esperança que até semana que vem ele apareça com aquela cara de lerdo! — Quíron parecia querer chorar também, mas não fez isso.
Saí da Casa Grande e logo avistei Nico, o que me fez correr até ele, agarrá-lo e jogá-lo contra a parede.
–Annabeth? O que deu em você?
–Cadê o Percy?
–Não sei!
–Estão achando que ele morreu, você é filho de Hades, me responda isso agora!
–Não soube de nada a respeito da morte de Percy, o que é improvável e com isso podemos concluir que ele está vivo! — o abracei e ainda chorava.
–Desculpa, eu só to com medo de ter perdido ele...
Nico ficou ali comigo por mais alguns minutos e depois me levou até o Chalé de Atena, mas eu não queria ficar lá, fui pro Chalé de Poseidon e deitei na cama de Percy, chorei ainda mais por sentir o cheiro dele ali e não poder tocá-lo, depois de algumas horas de choro, acabei adormecendo, agarrada ao travesseiro do meu namorado.
~Percy says~
Já tinham se passado 11 dias que eu estava na ilha de Calipso, no geral me dava bem com ela, afinal ela só queria me ajudar e eu estava sendo muito ingrato então resolvi ajudá-la em algumas coisas, como por exemplo plantas mais árvores, logo que terminei, tirei a camisa e vi que eu estava quase sem machucados e fui tomar um banho naquela cachoeira, ainda era madrugada e a água estava completamente fria, mas eu adorava água, não importa a temperatura, logo após o banho, me sequei e pus uma bermuda limpa e uma camisa, me deitei na cama e logo adormeci e sonhei com Annabeth completamente desgrenhada, o cabelo super bagunçado, os olhos inchados e a barriga... maior, ela estava sentada em frente ao Chalé de Poseidon e vestia uma camisa minha — A minha preferida por sinal, quase todos os momentos bons que tive, me lembro de ter usado aquela camisa, como por exemplo: A primeira vez que estive no acampamento meio-sangue (o dia em que conheci Annabeth), quando revelei a Annabeth que gostava dela, quando nos beijamos pela primeira vez, quando pedi ela em namoro, quando conheci meu pai, quando transamos pela primeira vez e quando descobri que ela e minha mãe estavam grávida. — Ela não parava de chorar e eu sabia que ela porque ela achava que eu estava morto, meus amigos do acampamento também estavam abalados, mas não tanto quanto minha namorada.
~Annabeth says~
Nico estava sendo um ótimo amigo nessa fase que eu estava passando, ele era o melhor amigo -Tirando Grover — de Percy e estava bem triste com seu desaparecimento, deixei Nico e Rachel e voltei pra cama de Parcy, quando uma luz tomou conta do quarto e quando me virei pra olhar, era Poseidon.
–Poseidon, cadê o Percy? Ele está bem?
–Annabeth, eu também não sei, todas as minhas formas de vê-lo ou me comunicar com ele foram bloqueadas, não sei onde ele está, se está bem ou se está ... morto. Não consigo falar com Hades de jeito nenhum. — Ele parou e respirou fundo, mas não conseguiu e começou a chorar, sim, o Deus dos Mares estava chorando na minha frente.
Resolvi abraçá-lo e choramos juntos, quando senti uma mão quente em meu ombro e abri os olhos, era minha mãe, Atena.
–Mãe... — Ela se juntou ao abraço, que agora era triplo.
–Oh minha pequena, não gosto de te ver assim, nem você Poseidon. — Olhei pros dois e me surpreendi ao ver que minha mãe não estava implicando com Poseidon, e sim, estava o consolando.
–Annabeth, Sally já sabe disso? — Poseidon me perguntou enquanto secava as lágrimas de meu rosto.
–Creio que não, mas ela precisa saber. — respondi enquanto minha mãe arrumava meu cabelo.
Os dois Deuses me abraçaram e logo aparecemos em frente a porta da casa de Percy, Poseidon bateu na porta e reparei que a outra mão dele estava segurando a mão de minha mãe. Quando a porta abriu, vimos Paul com um sorriso no rosto.
–Ora Poseidon, Annabeth e ...? — Ele ainda não tinha conhecido minha mãe.
–Ah Atena, mãe de Annabeth, prazer. — Minha mãe se apresentou e Paul ficou de boca aberta.
–Dois Deuses na minha casa? Que honra! entrem! — Entramos e nos sentamos.
–Annabeth, como sua barriga cresceu! — Paul me olhava.
–Ah sim, o bebê cresceu bastante nesses últimos dias.
–Paul, queremos falar com Sally, ela está? — Poseidon foi direto ao ponto.
–Sim, está no quarto deitada, está um pouco enjoada.
–Entendo, ela ficava assim direto quando estava grávida de Percy. — Poseidon me olhou como quem diz "desculpa".
Eu estava com lágrimas nos olhos outra vez, olhei a porta do quarto de Percy e não me controlei, abracei minha mãe e chorei.
Entramos no quarto da mãe de Percy e ela se espantou.
–Poseidon! O que faz aqui?
–Olá Sally, vim te falar algumas coisas. Nossa! sua barriga está linda, parabéns.
–Obrigada. Oi Annabeth e ... ?
–Atena, mãe dela. — Minha mãe secava minhas lágrimas.
–Ah, prazer, tem uma filha muito encantadora, uma perfeita nora. — A Sra. Jackson era muito gentil e gostava muito de mim, e eu dela é claro.
–Obrigada. — Eu e minha mãe falamos juntas e eu fui pro lado da Sra. Jackson.
–Sally, sinto em dizer, mas Percy desapareceu! Achamos que ele pode estar... — Era óbvio que era difícil pra Poseidon pensar que o próprio filho estava morto, ele não conseguiu terminar a frase.
–Achamos que Percy pode ter morrido durante uma batalha. — Minha mãe disse, abraçando Poseidon.
–Não pode ser... não, não, Percy não... — Ela me abraçou e chorou junto comigo, nossas barrigas se encostaram e eu senti uma dor muito forte no corpo.
Paul entrou no quarto depois de ter ouvido a conversa, ele tentou nos consolar, mas é claro que não conseguiu, todos nós ficamos ali no quarto, eu, Sra. Jackson e Poseidon nos abraçamos e choramos juntos por longos minutos, minha mãe e Paul foram pra sala e nos deixaram a sós no quarto.
~Percy Says~
Acordei e o sol estava se pondo, quando Calipso me abraçou chorando.
–O que foi? — perguntei.
–Percy, agora você já pode ir embora... e eu vou ficar sozinha aqui de novo.
Conversamos sobre ela ir embora comigo, mas ela me contou sobre sua maldição e eu tentei consolá-la, depois de alguns minutos, ela concordou em me deixar ir embora sem choro, ela murmurou algo que não entendi e um barco apareceu no lago, eu entrei e me despedi dela e quando vi estava no oceano, a caminho do acampamento mas isso demoraria um pouco.
~Annabeth says~
Eu estava de volta ao acampamento com minha mãe e Poseidon, os dois fizeram questão de ficar lá comigo no Chalé de Poseidon até que eu adormecesse, antes de dormir, escutei eles conversando.
–Sabe, eu não gosto nada de te ver assim. Logo você que é sempre tão alegre. — Atena abraçava Poseidon.
–Não consigo ficar bem, Percy é meu filho e eu não tenho muitos filhos como pôde perceber.
Tentei espiar e o máximo que vi foi minha mãe beijando a bochecha de Poseidon, assim que tiveram certeza de que eu estava dormindo, minha mãe e Poseidon me beijaram na testa e sumiram.
Quando acordei no dia seguinte, estava completamente faminta, prendi o cabelo e pus uma camisa de Percy que eu tinha lavado, era a camisa que ele usava quase todas as vezes que estava comigo, inclusive usou quando nos conhecemos, eu adorava aquela camisa. Fui ao refeitório e me sentei com Thália, já que ela ficava sozinha na mesa de Zeus, assim como Percy fica sozinho na mesa de Poseidon, tomamos café e depois fui tomar um banho na praia, senti algo estranho, como se fosse um aviso, mas não consegui decifrar.
Passei o dia assistindo os campistas fazendo suas atividades, fiquei sentada a beira da praia o dia inteiro, na esperança de ver Percy sair dali e me beijar, mas isso não aconteceu, não jantei nesse dia e fui direto pra cama de Percy, chorei e falei sozinha.
–Amanhã é o último dia meu amor, volta pra mim...
Me deitei na cama, pus as mãos na barriga, fiquei conversando com o bebê e logo adormeci, sonhei com Percy e eu, na nossa primeira vez, lá no quarto dele, aquele dia foi ótimo, eu estava tão segura e tão apaixonada que mal sentia dor — O que seria difícil numa situação normal — Eu estava com saudades daquele garoto me perturbando, me beijando e sorrindo pra mim.
~Percy says~
Eu estava no oceano, já estava impaciente e estava quase saindo do barco e ir nadando para o acampamento, mas sosseguei e fiquei no barco, me deitei e fiquei pensando em como meu filho ou filha estaria grande lá dentro da barriga de Annabeth, pensei em minha mãe, eu estava com saudades dela, de Paul, enfim, da minha família e isso incluía meus amigos. Fiquei lembrando de alguns momentos e não consegui me segurar e chorei, pensei no sorriso de Annabeth, no abraço de minha mãe, nas esmagadas de Tyson e até do carinho de Jessie, passei o dia naquele barco, eu estava enlouquecendo de tanto chorar, já era noite e eu senti que estava mais próximo do acampamento.
~Annabeth says~
É, o tempo passou e Percy não apareceu, assim que acordei, beijei uma foto dele que eu pus em cima da cama e Quíron veio me trazer o café da manhã, mas eu não estava com a mínima fome, eu estava muito triste, enfim tinha a certeza de que Percy havia de fato morrido. Quíron ficou comigo até de tarde, quando tivemos que ir para o anfiteatro, onde todos os campistas estavam lá sentados, enquanto Quíron fazia um discurso.
~Percy says~
Enfim, avistei o acampamento, saltei do barco e fui nadando, parei na praia e decidi me manter seco, andei pelo acampamento e não encontrei ninguém nos Chalés, no refeitório, na Casa Grande, nada, fui ao anfiteatro e só pus o olho entre uma fresta da porta e vi Annabeth segurando uma mortalha azul com um tridente no meio, era a minha mortalha, meu pai estava ao lado dela, com a mão em seu ombro.
–... ele era um ótimo amigo, o mais corajoso que já tive na vida, um namorado perfeito, um filho ótimo — ela e Poseidon se olharam e ele assentiu — e creio que seria um pai... maravilhoso. — ela pôs a mão sobre a barriga e chorou.
Ela pegou um isqueiro e apertou o botão para que o fogo surgisse.
–Onde quer que você esteja Percy, eu te amo. — Ela disse e encostou o fogo na ponta da mortalha que não queria queimar.
Entrei no anfiteatro, olhei todo mundo, inclusive meu pai, eles não tinham me visto.
–Pois eu estou aqui... e também te amo! — Eu disse e todos me olharam e gritaram, vi uma multidão vindo pra cima de mim me abraçar.
Depois de abraçar o acampamento inteiro e levar bronca de alguns campistas, finalmente abracei meu pai, ele quase me quebrou, mas entendi que ele estivera preocupado comigo.
–Não some mais assim filho, você não sabe o quanto foi difícil não saber de nada sobre você!
Não disse nada e continuei abraçando meu pai, logo depois dele veio Quíron e me abraçou também, disse algumas coisas e depois saiu, Dionísio me deu tapinhas nas costas e saiu e só sobramos eu e Annabeth no anfiteatro, mas tive quase certeza de que todos estavam lá fora quietos pra ouvir a conversa. Me aproximei dela para abraçá-la, mas ela deu um passo pra trás.
–O que foi? — perguntei.
–O que foi? O que foi? Vou te dizer o que foi! Você é o que foi! — Hã? também não entendi.
–Como assim?
–Você sumiu por 2 semanas, 2 semanas! — ela gritava e vinha pra cima de mim, eu estava com medo dela e andava pra trás — Acha que foi bom pra mim Perseu? Achei que você estava morto! Eu chorei, fiquei sem comer, mal dormia direito e você estava por aí em algum lugar de boa! Eu to grávida! e pra mim não foi nada bom pensar que você tinha morrido! — Ela estava aterrorizante, mas eu tentei.
–Me perdoa? — Olhei nos olhos dela e ela correu pros meus braços, chorando.
–Claro que eu perdoo meu idiota! — Nos abraçamos por longos minutos e quando tive a oportunidade de olhar nos olhos dela novamente, percebi que estavam bem inchados.
–Loirinha... eu te amo, eu te amo muito, me perdoa, mas eu não conseguia falar com ninguém pra dizer que estava bem, então na primeira oportunidade que tive vim embora. — Ela me olhava nos olhos e encostou o nariz em mim e automaticamente a barriga também.
Me ajoelhei, levantei a camisa que Annabeth vestia e fiz carinho na barriga dela, a beijei e a abracei.
–Viu bebê? Papai disse que ia voltar!
Me levantei, vi que Annabeth estava sorrindo e então vi que eu estava completamente feliz por poder ver aquele sorriso de novo, peguei Annabeth pela cintura e a beijei, e não foi um beijo comum, foi aquele beijo cheio de saudade, nossos lábios estavam mais completos agora que estavam juntos, nossa respiração estava sincronizada, definitivamente nos completamos.
–Eu te amo Cabeça de alga!
–Eu te amo minha loirinha!
Voltamos a nos beijar, peguei Annabeth no colo e ela sorriu.
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