Notas iniciais
Primeira fic, espero Review

BATALHA ENTRE DOIS MUNDOS: CAPÍTULO UM

– O conselho–

EU PODIA SENTIR... Eles estavam me observando. Todos eles. Vocês devem estar se perguntando “Eles quem?”

Eles. Os membros do Conselho. Não era novidade – para mim, pelo menos -, afinal, sempre que apronto sou chamada.

Mas acontece que, dessa vez, eu não tinha aprontado nada. Pelo menos, não que eu me lembre.

- E então? – perguntei rispidamente. Não me importava se estava sendo mal-educada ou não. – O que querem comigo?

Não obtive resposta. Continuei a falar.

- Pelo que eu me lembre, nos últimos dias eu não aprontei nada, certo? – perguntei, me sentando de forma desleixada, na cadeira que se encontrava no meio do enorme salão.

- Acalme-se, Merry – disse Castiel com sua voz grave, um sorriso irritante estampado no rosto -, não chamamos você aqui pelo fato de ter cometido algo grave. Não, chamamos você aqui pelo fato de não conhecermos ninguém que saiba controlar melhor seus poderes do que você.

Estava tentando me agradar para me ganhar. Eu não iria deixar isso acontecer.

- Onde quer chegar com isso, Castiel? – perguntei. – Ah, e pra você é Meredith Schneider – acrescentei, orgulhosa.

- Simples – respondeu Castiel, o sorriso sumindo do rosto lentamente. – Quero que você ensine aos irmãos Lorenz tudo o que você sabe. Eles são novatos, entende...

- Não, muito obrigada – agradeci, irônica. Me levantei, fui até a porta e acrescentei. – Quanto mais eu estiver longe das pessoas, melhor.



Ah, acho que é necessário que eu me apresente, não acham? Meu nome é Meredith Schneider, como vocês viram agora pouco. Querem que eu conte um pouco de minha trágica história para vocês?

Nasci em 1994. Sou alemã, sabem. Eu e minha irmã, aliás. Não sei onde ela está hoje, não me lembro de nada relacionado a ela ou aos meus pais. Nada.

“Fui criada pelo Conselho. Desde que me conheço por gente fui criada por Castiel e sua esposa, uma mulher doce e gentil. Talvez amável, não sei dizer ao certo. Ela quem me ensinou o que é certo e o que é errado. Ela quem me ensinou a como controlar os meus poderes, minha dor, minha raiva... Enfim, tudo o que eu sei. Oh, qual o meu poder? Não sei muito bem... Só sei dizer que eu posso causar... Dor. Muita dor.”

“Já cheguei a matar pessoas. Na verdade, eu fiz com que elas mesmas se matassem. Fiz com que suas piores lembranças viessem à tona, uma por uma.”

“Primeiro, fingiam não lembrar de nada; em seguida, procuravam um psicólogo; por fim, desistiam e...”

“Bem, fazia isso com frequência até Annabeth, a esposa de Castiel, me ensinar a controlar tudo isso. Hoje em dia, moro numa casa afastada da cidade. Já lhe contei que odeio pessoas? Teve uma situação particularmente engraçada, quando...”

- Meredith, querida? – disse uma voz doce, lá fora. – Meredith, abra a porta, por favor! Aqui fora está uma chuva terrível!

- Já estou indo, Anna! – abri a porta e deixei Annabeth entrar.

Foi uma cena engraçada. Annabeth se encontrava toda molhada; estava chovendo forte lá fora.

- Sente-se, eu vou buscar uma toalha e já volto – Falei, e subi as escadas. Entrei num dos aposentos, abri o armário e peguei uma toalha.

Ao voltar à sala, congelei no primeiro degrau da escada circular.

Annabeth observava uma foto minha, de quando eu era criança. Fora tirada no meu aniversário de seis anos. Desde daquela época eu não era uma pessoa fácil de se lidar.

Na foto, eu estava com uma cara emburrada, devido ao fato de ter sido praticamente obrigada a vestir um vestido com um grande laço amarrado às costas.

– Tia Anna, eu não quero vestir isso!

— Mas por que, minha linda? – perguntou Annabeth com o seu habitual sorriso doce nos lábios... – Vamos, sorria, deixe-me tirar a sua foto.

— Não! – continuei com a cara emburrada, enquanto Annabeth tirava fotos sem parar... – Pare, tia Anna!

— Está linda, querida – Annabeth tentou me convencer.

— Estou parecendo um grande embrulho de Natal! Olha o tamanho desse laço! – disse, ficando de costas para Annabeth, para que ela pudesse ver o laço do tamanho de um sino.

— Não, querida, você está linda assim...

— Todos vão rir de mim!

— Não vão, não.

— Promete? – perguntei ao me virar de volta para ela, agora sorrindo.

— Sim, prometo.

As palavras de Annabeth ecoaram em minha cabeça. Entreguei a toalha para ela para fazer com que a mulher parasse de reparar na foto.

- Obrigada, minha filha – agradeceu Annabeth, dando um breve sorriso. Breve, porque seus olhos logo pousaram na tatuagem em minha barriga. – O que é isso, menina?! – esganiçou-se Annabeth. – O que eu já disse sobre novas tatuagens, mocinha?!

- Deixa isso pra lá, Anna. – disse. Não adiantava tentar esconder a tatuagem; eu trajava um top na ocasião. – Enfim, o que veio fazer por essas bandas?

- Depois conversaremos sobre a tatuagem – disse ela com um olhar severo. – Vim saber o motivo pelo qual não está ajudando Castiel.

- Você já sabe o motivo, Annabeth. Eu odeio pessoas.

- Ajude-os, por favor, Meredith... Eles precisam de sua ajuda...

- Por que você mesma não faz isso? – retorqui, girando os olhos. – Tudo o que eu sei aprendi com você.

- Meredith Schneider, uma coisa que você não sabe é que você já me superou há muitos e muitos anos. E outra, já não me sinto disposta a ensinar.

O tom dela agora era de súplica. Parecia estar prestes à chorar.

- Faça isso... Por mim, Meredith...

Não resisti, e me dei por vencida.

- Tudo bem, Anna – falei. Detestava ver Anna triste.

- Muito obrigada, minha filha, muito obrigada – disse ela, enquanto me abraçava. Ela me soltou depois de alguns segundos, e disse: — Nos vemos amanhã, então.

Em seguida, sumiu. Ah, é, me esqueci deste pequeno detalhe: Annabeth podia se teletransportar.