Basketball Training School

5 Capítulo 4 - Jeon Junghyng


Notas iniciais
Oi! Como vocês estão? Olha, minha inspiração até que 'tá boa esses dias♥ Bem, sem mais delongas... Boa leitura!!!

— Estão liberados!

Os alunos juntaram os livros e saíram rapidamente das salas. Os meninos do primeiro ano terminaram a aula de basquete e correram para o vestiário para tomarem um bom e relaxante banho.

— Vai direto pra casa depois daqui? – Perguntou Yoongi depois de se vestir e bagunçar mais seus cabelos à frente ao espelho.

— Não, eu... – V engoliu seco e desviou seus olhos mel para o chão vendo seus tênis. Pegou-os e começou a calçá-los. Olhou para o mais velho que estava com uma sobrancelha arqueada. – Vou dar uma volta.

— Cansado do jeito que você está? – Olhou para o chão e viu o outro nervoso enquanto tentava fazer um laço com os cadarços. – O Namjoon chamou você e eu pra irmos a sorveteria, mas como você não vai, vamos amanhã. – Tae arregalou os olhos.

— Não, que isso?! – Levantou-se rapidamente. – Podem ir. Sério. Não precisam me esperar. – Tentou falar mais alguma coisa, mas foi interrompido.

— Vocês demoram demais pra se vestir, pelo amor de Deus. – Namjoon passou seu braço sobre o ombro do garoto de cabelos castanhos. – O Jin ‘tá esperando a gente lá no pátio para irmos à sorveteria.

— É que... Eu não vou poder ir. – V tentou fazer uma linguagem de olhares com seu melhor amigo e deu certo. O outro sabia muito bem o que ele iria fazer.

— Tudo bem, mas amanhã vamos de novo a outro lugar. Você vai? – Tirou o braço e bagunçou os cabelos do amigo que estava já de desmaiar de nervosismo ali por Yoongi está ouvindo toda a conversa.

— Pode ser. Bem, preciso ir. Tchau! – Deu seu melhor sorriso, mas percebeu que o garoto de cabelos verdes não engoliu aquela, pois o mesmo nem sorriu.

— O que tem o V? – Perguntou Yoongi quando o outro já tinha saído. – Ele estava nervoso demais para o meu gosto. – Namjoon sabia que seu amigo percebia as coisas rapidamente, mas aquilo era segredo do Tae, não poderia contar.

— Como vou saber?! Vamos logo que não quero deixar meu bem esperando. – E começaram a rir escandalosamente o que assustou um pouco os outros garotos que estavam ali ainda se banhando.

***

— V! – Ouviu de longe o grito dos seus irmãos e sorriu com isso. Estava tão feliz por encontrá-los, fazia alguns dias que não os via direito.

Correu em direção ao parquinho abandonado, mas aquele nunca havia mudado. Sempre esteve daquele jeitinho de quando era menor. Abraçou os dois fortemente enquanto pegava sua mochila e a abria.

— Esperem, tenho uma coisa pra vocês. – Apertou a bochecha deles, vendo os olhinhos brilharem o que o fez sorrir ainda mais. – Para a Misa... – Notou que a mesma deu uns pulinhos. – Aquela boneca que você tanto queria. – Ouviu o grito agudo da garota.

Ela poderia já ter 14 anos, mas mesmo assim a loira adorava brincar com os seus velhos brinquedos e ser criança de novo. Uma vez Misa tinha mencionado por uma chamada de vídeo, que havia visto uma linda bonequinha de pano parecida com ela na internet e estava louca para comprar, pena que estava sem dinheiro. O irmão correu a procura das células que estava juntando e procurou o objeto. Viu que dava para comprar e foi isso que fez.

— Eu não acredito nisso! – Pegou a boneca para si a abraçando e depois observando cada detalhe nela. – Maninho... – Sentiu lágrimas pelo rosto. – Você é o melhor. – Mais um abraço cheio de sentimentos.

— E pra você Shiwoo... – Remexeu mais a mochila e tirou de lá um saco colorido com algo dentro. – Pega! – O outro pegou ainda desconfiado e abriu para ver.

Sim, era o que estava vendo. As miniaturas de Pokemón que tanto sonhava ter. Era só quatro; uma de Pikachu, Eeve, Bulbasaur e Charizard. Desde pequeno fazia desenhos de todas aquelas criaturas do seu desenho favorito. Pediu várias vezes a sua mãe aquele presente no seu aniversário, mas a resposta era a mesma: não.

— Ai meu Deus! – Misa pulava tentando ver o que tinha dentro e quando viu quase desmaiava. Aqueles com certeza foram caros. – Isso... Um sonho de criança... Eu...

— Não precisa dizer nada Shiwoo. – V sorriu quadrado ao ver que o irmão estava com uma alegria tão grande que gaguejava.

— Mas maninho... Isso foi caro não? E aquele dinheiro que estava juntando para comprar algumas roupas para você? – A loira se pronunciou depois de ter se recuperado do choque de ver o presente.

— Isso não importa. Para mim, o mais importante é ver o sorriso de vocês todos os dias e não vou deixar isso morrer. – Sorriu mais uma vez quadrado fazendo os irmãos chorarem.

— Ah, tá fazendo a gente chorar. – Falaram juntos e V percebeu que eles não tinham mudado muito desde a infância.

Sentaram-se em um dos bancos que tinha ali e ficaram conversando sobre o primeiro dia de aula. Sobre os novos amigos, os professores legais e chatos, até mesmo na paixonite de Misa.

— Qual é? Ele é bonitinho. – Deu de ombros fazendo Shiwoo ficar com mais ciúmes.

— Deixa-a viver um pouco a vida! – Tae falava enquanto ria do irmão que estava com braços cruzados e de costas para os dois. – Mas agora indo para um assunto mais pessoal... – Percebeu os dois se ajeitarem no banco vendo que agora era sério. – Como estão as coisas lá em casa?

— Bem... – Iniciou Shiwoo. – A omma tá fazendo de tudo para pagar as contas trabalhando dia e noite, mau para em casa. – Suspirou. – Ela está se esforçando muito para pagar e comprar tudo que você merece, até parou de comprar os presentes dos nossos aniversários, agora ela só leva a gente pra passear nesses dias. O appa¹ vive nos bares e chega bêbado a maioria de vezes em casa...

— Ele bate nela? – O irmão assentiu e V sentiu seu sangue ferver. Odiava quando isso acontecia. Ainda lembrava-se do dia em que ficou preso no banheiro com os outros dois enquanto ouviam a discussão dos pais. – Aquele desgraçado!

— Quando vai voltar? – Olhou para a irmã e a mesma estava de cabeça baixa tentando inutilmente limpar as lágrimas que escorriam pelo seu rosto. Abraçou-a tentando confortá-la ouvindo os soluços da mesma.

— Desculpe-me por isso, mas será pior se eu voltar pra lá. Lembra-se do tanto de besteira que tentei fazer contra aquele filho da... – Acalmou-se, aliás, Misa e Shiwoo consideravam aquela espécie de gente como pai então respeitou. – Contra seu appa. Quer que eu volte e faça algo pior? Porque não aguento olhar para a cara daquele ser.

— Não, não quero que nada de mau aconteça com ele. – Sentiu-se triste por ela ter dito ele. – E nem com você. – Sorriu abraçando-a mais forte.

— Parem com isso, temos que voltar para casa Misa. – Shiwoo se levantou ponto as mãos no bolso do casaco azul. Viu que a irmã ainda iria tentar ficar ali e com certeza iria fazer um show então foi rápido. – Quer que o appa brigue com a gente? – Observou a loira soltar-se do abraço e pegar a mochila dela. – Tchau V! Com certeza iremos nos vermos mais. – Deu um toque de mão com Tae e puxou a outra antes que ela mudasse de ideia querendo ficar ali.

O garoto de cabelos castanhos soltou todo o ar que estava segurando aquele tempo todo. Observou mais uma vez o parquinho enquanto a brisa batia em seu rosto. Lembrou-se de como tudo era fácil na sua infância, agora com 15 anos, estava aprendendo a morar sozinho em um apartamento simples e pequeno. Quase não estava se alimentando direito pelo pouco dinheiro, mas era melhor assim ou faria uma besteira se voltasse pra casa. Ainda estava pensando em como tirar sua omma e seus irmãos daquele estado.

Tentou achar uma posição mais confortável naquele banco duro e fechou os olhos quando encontrou. E memórias invadiram seus pensamentos; seu melhor Natal, a festa de aniversário — que sua omma fez questão de chamar todos da favela e dar o maior festão na rua -, quando viajou pela primeira vez para o exterior – mesmo sendo de ônibus e ficando no litoral por dois dias -, a noite de ano novo – que os cinco viram os fogos em um terraço na casa de uma amiga -, a primeira vez que levou seu melhor amigo para o parque de diversões... Abriu rapidamente os olhos sentindo um aperto no coração.

Hobi.

Era esse o nome que rodava em sua cabeça agora. Mas logo isso foi embora quando ouviu um resmungo de dor vindo de um beco escuro do outro lado da rua. Pegou sua mochila, atravessou a pista e vagarosamente aproximou-se das sombras que cobriam aquele lugar.

— Olá? – Forçou um pouco mais a visão e notou um corpo ali sentado encostado as costas na parede de tijolos. – Você está bem? – Forçou mais ainda a vista se aproximando do homem e descobriu quem era. – Jungkook? – Correu e agachou-se para ficar da mesma altura do jovem. – O que aconteceu?

— Só... Me leva... Pra um hospital...

***

Conseguiu enrolar V facilmente. Depois de chegarem naquele lugar chamado de hospital que o dava agonias, chamaram um médico que fez alguns pontos no corte e colocou um curativo. Descansou um pouco em um dos bancos do local enquanto Tae fazia várias perguntas para o mesmo, mas disse que estava cansado e que não queria contar.

Agora voltava pra casa sozinho lembrando-se ainda das palavras de Jimin. E também das de Yoongi. O que aquele garoto tinha de tão ruim? Sinceramente não queria mais saber, só queria ficar longe daquele ruivo. Estava olhando para seus pés enquanto caminhava e nem percebeu quando chegou a frente aos portões de grade da sua casa. Suspirou e pegou a chave. Sua casa não era tão grande; um pequeno jardim de belas flores na frente, um caminho de pedras entre aquilo, era de primeiro andar e os cômodos não eram tão largos. Abriu a porta e deparou-se com seu irmão sentado no sofá assistindo alguma coisa na televisão.

Jeon Junghyun trabalhava a noite toda como vigia para manter o dinheiro naquela casa. Tinha cabelos negros e vinte anos. Trancando a porta, Jungkook seguiu para a cozinha pegando uma maçã que estava em uma bacia em cima da mesa. Mal deu uma mordida, ouviu a voz do outro e deduziu que o falatório começaria.

— Ligaram do seu colégio avisando que havia batido em um garoto. – Quase se engasgava com o pedaço da fruta descendo pela sua garganta lentamente. – Logo no seu primeiro dia Jeon – Junghyun nunca o chamava como os amigos o chamavam. – você tem que fazer isso. Sabe que está destruindo nossa reputação? – Virou-se para trás e notou que o irmão tinha se levantado e estava se aproximando.

— Deixe-me contar toda a história. – Pediu calmamente fechando os olhos, mas esses logo foram abertos por um barulho de vaso quebrando. – O vaso da omma... Você...

— Não quero ouviu Jeon! Parece que você não aprende só com socos, que tal eu rasgar aqueles seus desenhos que tanto ama? – Jungkook sentiu um arrepio passar por seu corpo. Seus desenhos. Seu único refúgio. Não, não deixaria. – Me responde!

— Não, tudo menos isso, eu imploro!

— Deveria ter pensado nisso antes! – Tentou desviar do soco do irmão, mas ele era rápido demais. Então, caiu no chão com a força da batida e sentiu as lágrimas descerem. – Olha! Já está chorando de novo? – Junghyun agachou e pegou um pedaço de vidro do vaso que havia quebrado. – Está vendo isso? Nem me importo se era daquela desgraçada, daquela put...

— Para! Você não sabe de nada! – Pegou sua mochila e subiu as escadas correndo. Abriu a porta do quarto e logo a trancou. Escorregou e caiu sentado no chão.

Fechou os olhos com força enquanto chorava. Não podia acreditar que seu irmão, o único parente da sua família, quase chamava sua omma daquele nome horrível. Abriu os olhos depois de ter se acalmado e se assustou quando notou o estado do quarto: vários papéis rasgados espalhados, alguns dos porta-retratos estavam quebrados, sua cama desorganizada, suas roupas todas no chão... Pegou um dos papéis destruídos que estava perto de si e viu o desenho. Havia desenhado quando tinha sete anos e era a família toda naquele papel. Estava cortado ao meio.

O grito que deu foi alto, sabia que depois sua garganta estaria doendo. Mas precisa fazer aquilo. Mais lágrimas vieram e agarrou sua mochila. Tentando aliviar aquela dor colocou sua cabeça entre suas pernas e foi se encolhendo cada vez mais.

Notas finais
Appa: pai Se não entenderam alguma coisa, me perguntem. Até o próximo!!!