Basketball Training School

2 Capítulo 1 - "Ele nunca estaria lá para me ajudar."


Notas iniciais
Oi, gente!!! Como estão vocês? Mais um capítulo fresquinho pra vocês. Obrigado a Dálian Miller por ter comentado. Foi difícil escrevê-lo logo sabendo que hoje é aniversário do TaeTae na Coréia. #HappyTaehyungDay Fiquem com o capítulo.

Acordei, levantei e tomei um banho quente. O dia estava frio e um banho seria a melhor coisa a se fazer. Vesti-me e desci para tomar café da manhã. Era sábado então hoje não teria aula. Encontrei minha mãe assistindo ao jornal junto com meu pai na sala. Dei um bom dia e fui direto para a cozinha. Comi uma torrada acompanhada de um leite. Terminei e me sentei em um dos sofás da sala. Já estava ficando entediado de tantas notícias que aquele jornal estava dando; eram mortes, acidentes, política, compras, climas, multas...

Até que ouvi o barulho da campainha e agradeci mentalmente por Tae ter chegado logo. Avisei aos meus pais que iria sair e corri para abri o portão. Vi logo aquele sorriso quadrado a minha frente.

— Oi! Que bom que apareceu, não aguentava mais assistir aquele maldito jornal. – O abracei.

— Ainda bem que sua mãe não tem mais problemas comigo. – Ele pegou minha mão e me puxou para sair de dentro da casa. – Hoje quero que conheça um amigo meu. – Me desanimei um pouco.

Tae nunca teve amigos, somente eu. Ninguém nunca se aproximou dele por ser pobre. Eu era o único amigo que ele tinha. Não queria dividir Tae com mais ninguém.

— Um amigo seu? – Perguntei devagar.

— Sim. – E sorriu um pouco depois percebendo minha cara. – O que foi? Ah, não se preocupe. Ele é um garoto legal, com certeza irá gostar dele. – Eu não tinha certeza disso.

***

Antes de conhecer esse tal amigo de Tae, nós passamos na casa dele para eu conhecer seus irmãos. Não sei por que ele insistia tanto nisso de conhecer os familiares. Estávamos próximos a sua casa que se localizava em uma favela; casas pequenas, pessoas humildes, ladeiras terríveis, pequena população de ladrões, crianças correndo de um lado para outro, pouco atendimento médico, sem escolas... Essa era a realidade da vida do Tae. Às vezes eu sentia pena dele, mas mesmo com todas aquelas dificuldades aquela criaturinha fofa conseguia viver feliz. Seus pais trabalhavam quase o dia todo para colocar comida em casa, por isso ele era o responsável de cuidar dos irmãos mais novos e o dinheiro era pouco para pagar uma babá.

Subimos uma ladeira enorme que daria até sua casa. Tae já estava acostumado e subiu normalmente, mas eu... Bem... Como sou... Olhei para trás sem querer e me assustei com a altura que estávamos. Desequilibrei-me e se o moreno não tivesse me segurado pelo pulso, iria bolar ladeira abaixo.

— Tenha mais cuidado! — Senti um pouco de raiva daquilo.

— Bom pra você que sobe isso aqui todos os dias e nem se assusta com a altura! – Emburrei-me e soltei-me de sua mão.

— Oh, como ele é medroso! – Riu o que me irritou mais. – Vamos logo! – Seguiu a rua que estava cheia de pessoas trabalhando e crianças brincando.

— Você não tem amizade com essas crianças não? – Perguntei assim que consegui alcança-lo, Tae tinha passos largos enquanto eu ficava pra trás.

— Omma¹ não deixa eu brincar com elas, porque não possuem um ensino adequado e estudam em escolas sem qualidade. Todos desse lugar vão crescer sem nenhuma educação, sou o único daqui que estudo em uma escola particular. – Abaixou um pouco a cabeça.

Acho que mesmo com essas crianças sem ensino nenhum, Tae queria brincar com elas. Notei que várias pessoas olhavam pra mim curiosas. Com certeza era porque eu estava com roupas de marca e cabelo bem penteado.

— Chegamos! – O moreno gritou antes de abrir a porta da casa com cor verde desbotada, janelas quebradas, sem jardim, a calçada estava toda quebrada e tinha um cano estourado no esgoto. – Não se incomode com a bagunça, por favor.

— V! – Ouvi vozes de duas crianças, que aparentavam ter sete anos, correndo em direção a Tae e o abraçando. – Você demorou. – Sorri com elas falando igual.

Observei mais um pouco a casa; era pequena e não tinha sala. Apenas três cômodos; cozinha, quarto e banheiro. Na cozinha havia alguns armários, um fogão velho, uma geladeira, um micro-ondas e uma pequena mesa com cinco cadeiras ao redor. No quarto tinha uma cama de casal, dois colchões de solteiro no chão e um guarda-roupa não tão grande. Ao lado da cozinha tinha uma porta aberta que era o banheiro minúsculo.

— Tá bom, chega! – Desfez o abraço bagunçado o cabelo da menina e do menino. – Trouxe um amigo meu pra vocês conhecerem. – E os olhinhos brilhantes daquelas crianças pararam diretamente em mim. – Esse é o Hobi. – Um momento de silêncio se fez na casa, eu estava com medo de que elas não fossem com minha cara, mas em um segundo senti um abraço apertado.

— Hobi! – Os dois eram tão fofos, pareciam mesmo com o Tae.

— Quer comer alguma coisa? – Ele perguntou, mas eu não estava com fome.

— Não, obrigado. – Os irmãos dele desfizeram o abraço e apontaram o dedo pra mim.

—Quer comer sim! – E correram para a cozinha procurando alguma coisa nos armários.

— Procura direito! – Gritou a menina enquanto remexia vários pacotes de doces.

‘Tô procurando! – Gritou o menino subindo em uma cadeira ficando da altura da geladeira para logo começar a pegar os alimentos que tinham em cima dela.

— Eles são tão fofos, parecem muito com você! – Apertei as bochechas de Tae, enquanto o mesmo tentava tirar minhas mãos dali.

— Achamos! – Logo aquelas duas criaturinhas apareceram a minha frente segurando um pacote de batatinhas. Adorava aquilo, não tinha como negar.

***

Acabei descobrindo que o nome dos irmãos dele era: Kim Misa e Kim Shiwoo. Agora estávamos subindo mais uma ladeira e eu sinceramente não gostava daquilo. Estava me controlando para não olhar para trás, mas minha curiosidade foi demais e olhei. Três segundos, esse tempinho foi suficiente para me desequilibrar novamente. Mas senti uma mão segurar meu pulso. Olhei e era Tae, fiquei o encarando por alguns enquanto ele falava algumas coisas. Já tinha percebido isso várias vezes, mas nunca tinha certeza, agora que tenho posso afirmar:

“Ele sempre estaria lá para me ajudar.”

— Hobi! – Sacudi a cabeça e quando vi já estávamos à frente a uma casa um pouco parecida com a do moreno, mas essa era mais ajeitada. – Chegamos! – Deu três toques na porta e esperou. – Que ele esteja aqui, que esteja aqui... – Notei que cruzou os dedos. Esperamos, esperamos e nada.

— Tae... – Tentei o chamar, pois estávamos ali já fazia algum tempo.

— Ele não está... – Abaixou a cabeça e virou-se na minha direção. – Desculpe-me por te trazer aqui Hobi, por te fazer subir essa ladeira.

— Não que isso. – Mas por dentro eu estava tão feliz por não ter encontrado esse tal amigo, agradeço a Deus. – Vamos embora! Seus irmãos devem estar querendo brincar com você. – Passei meu braço por volta do seu ombro, mas ele retirou.

— Vai você. Desculpe-me, mas tenho uma coisa a resolver aqui. Sabe o caminho não é? – E a cada palavra, ele foi se afastando. Fiquei meio confuso. Deveria ser mesmo importante para deixar seu melhor amigo em uma favela um pouco perigosa que não conhece nada por ali.

— Okay. – Sussurrei quando ele já tinha ido embora. – Oi ladeira! – Coloquei as mãos no bolso do meu casaco e observei aquela estrada esburacada. – Não tenho medo de você. – Menti. Aquilo era só pra enganar minhas pernas.

***

Acho que foram quatro minutos, quatro minutos para descer aquela rua. Limpei uma gota de suor que descia pelo meu rosto e me encostei a um poste. Tentei recuperar o fôlego. Ouvi gritos de crianças vindos de um beco próximo a mim. Pareciam dos irmãos do Tae. Caminhei cuidadosamente até o local escuro e me assustei; Misa e Shiwoo estavam sendo atacados por um cachorro enorme. Já estavam com os bracinhos cortados e mordidos de leve, mas aquilo com certeza estava doendo.

Pensei muito rápido, vi um pedaço de ferro encostado no poste que tinha parado para respirar e o peguei. Corri para o beco e comecei a bater no cão com o objeto. Não passei muito tempo batendo nele e ouvi um assobio atrás de mim. O cachorro correu e foi em direção ao barulho chorando.

— Ei você! – Me virei lentamente para trás e vi Tae e outro garoto um pouco mais alto que ele. – Estava batendo no meu cachorro?

Notei a expressão de Tae; ele estava assustado e algumas lágrimas insistiam em cair pelo seu rosto. Olhei para os irmãos e eles também estavam assustados. Meu Deus o que fiz? Só tentei ajudar!

— Eu... – Não tive tempo de falar nada, pois fui calado por um soco. Toquei no meu lábio e vi que estava sangrando. – Só estava ajudando eles. – Apontei para as crianças. – Seu cachorro estava atacando-as.

— V, você conhece ele? – Olhei para Tae que estava agora alisando o animal. Ele tinha que responder que sim, aliás, nós éramos melhores... Amigos.

— Não. – Depois só vi escuro.

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“Ele nunca estaria lá para me ajudar.”

Notas finais
Omma: mãe Espero que tenham gostado. Qualquer dúvida me perguntem. Até o próximo!!!