Abri a porta do apartamento, a coisa que mais queria ver era Sung-Yong-hyung, mesmo que ele estivesse dormindo. Antes de entrar na sala, já tinha visto o tênis dele. Foi como uma pancada, fui preenchido por uma felicidade. Ele estava lá, sentado no sofá, assistindo tv e comendo um ramen. A felicidade era tanta que me jogaria em cima dele, porém a situação não era apropriada.
Eu não sabia como agir. Queria saber como foi o encontro, o que tinha acontecido, queria perguntar, mas me contive. Decidi que falar sobre o trabalho era a melhor maneira de começar a conversa.

—Hyung, como foi no trabalho hoje?

—Não quero falar de trabalho. Precisamos conversar.

Sentei ao lado dele no sofá, ele se posicionou de forma que ficasse de frente para mim.

—Fábio, quero te explicar melhor a situação em que me encontro. Eu estou saindo com uma mulher que não tenho interesse. Estou sendo forçado.

—Você está sendo forçado? Quem está te forçando?

—Não estou sendo ameaçado, nem nada do tipo. Apenas não quero que ninguém no trabalho saiba quem eu realmente sou, e pior quem Yoon-Sang realmente é.

—Hyung, você e Yoon-Sang não são adolescentes. São dois adultos, que agem como crianças para evitar problemas com os amigos e familiares. O fato de você preferir se relacionar com uma pessoa do mesmo sexo é uma coisa tão brutal?

—Não tenho vergonha de quem sou, apenas não quero ter que enfrentar os olhares e comentários de todos.

—Então, você vai transar com uma mulher de quem não gosta, apenas para não ter a relação com seus amigos afetada.

—Não é bem assim.

—Então como é? Você vai ficar se escondendo até quando? Com quantas mulheres você vai transar para esconder seu segredo? Isso não funciona pra mim. Quando ouvi você dizer que iria transar com ela apenas para se livrar da situação, foi o mesmo que ter meu coração arrancado.

As lágrimas já preenchiam meu rosto. Sung-Yong-hyung mantinha a cabeça abaixada.

—Fábio...

—Como? Me diga como vou suportar isso? Existe alguém no mundo capaz de fazer com que meus sentimentos por você desapareçam? Hyung, não consigo mais viver sem você. Sua ausência me deixa louco, fico sem chão, sem ar, sem nada...

—Eu preciso de tempo para resolver as coisas. Você poderia me ajudar com isso?

—O que você quer que eu faça? Faça ela desaparecer?

—Não. Apenas não me abandone, mesmo que eu esteja em um relacionamento de mentira com ela.

Não conseguia mais continuar aquela conversa. A sensação que tive era que Sung-Yong-hyung não gosta de mim, não tanto quando eu gosto dele.

Levantei do sofá, estava indo para meu quarto, senti quando Sung-Yong-hyung me abraçou por trás. Ele estava chorando, suas mãos tocavam meu peito, sentia elas tremerem. Não conseguia sentir ódio dele, o que sentia era raiva da situação em que estávamos.

—Hyung, o que você sente por mim?

—Não sei descrever o meu sentimento. Talvez não exista palavras em coreano ou inglês para esse sentimento.

—Hyung, quando você saí por aquela porta, uma sensação de vazio domina o meu corpo. Nada e nem ninguém consegue preencher esse vazio.

Me libertei do abraço de Sung-Yong-hyung, entrei no meu quarto. Precisava de tempo para pensar. Estava envolvido em muitos problemas. A coisa mais fácil era embarcar em um avião que me levaria para o outro lado do mundo. Talvez a distância me ajudasse a esquecer tudo.