Balloons

2 Capítulo 2


Ruki POV

Eu me sentia mal, mas não porque eu não havia gostado de ficar conversando com ele, o tal... Akira, mas eu me sentia mal pelo fato de invadir sua casa, um completo estranho.

Embora ele não fora nada conhecido pra mim, se não fosse aquele incidente.

Eu trabalhava vendendo balões, pois era minha forma de sustento. Eu era bem pobre. E, quando entrei no apartamento do loiro, achei tudo luxuoso demais pra mim.

Um pouco deslocado, talvez. Aquele definitivamente não era o meu mundo.

Mesmo assim, pensei: "São apenas duas horas, Takanori. Nada demais." — Até que eu perco o bendito ônibus. De novo.

Que tipo de gente perde o mesmo ônibus duas vezes? Eu, talvez.

Eu não sabia como lidar com um pedido daqueles, de dormir na casa dele. Pelo visto, ele confiava bastante em mim, já que eu poderia ser um seqüestrador ou um assassino, algo do tipo.

Embora eu estivesse bem longe de coisas assim.

Suspirei pesadamente, assentindo e aceitei o pedido do mais alto.

Tá, eu confesso que ele era lindo. Seu rosto e... seus cabelos... me deixava fascinado de certa forma, a sua aparência. E eu deveria confiar nele? Vai que ele me violentasse?

Eu não poderia voltar pra casa naquele horário. A rua ficava extremamente perigosa e... bem, alí eu poderia ter um pouco de conforto, pelo menos uma vez na minha vida.

E sobre o incidente... eu até esqueci daquilo.

Quando ele estendeu a mão e apertamos, senti meu rosto esquentar devido ao contato. Céus, por que eu corei? Eu só o conheço há algumas horas!

Ele ainda era um desconhecido pra mim, querendo ou não.

- Amanhã é domingo — o loiro dizia, me fitando de forma carinhosa. — Você... tem trabalho?

- Por sorte, não — respondi. — Domingo é um dia sagrado pra mim. Dia de descansar.

- Eu também não vou fazer nada — falou, indo até um corredor e passando por ele. — Matsumoto-san, deixa eu te mostrar onde vai ficar.

E o segui, ele parando em frente a uma porta, abrindo-a e entrando no quarto, acendendo as luzes.

E quando entrei, eu cheguei a conclusão de que não estava acostumado com tanto luxo assim.

O quarto não era o mais luxuoso de todos, mas me fez sentir o cara mais deslocado do mundo. Tudo sofisticado, arrumadinho, cada coisa em seu lugar.

Eu era pobre, mas era bem arrumado e minha casa era limpinha. Mas eu aposto que aquela cama custou cinco vezes o lugar onde eu moro.

Arregalei os olhos, surpreso.

- Tem roupas nas gavetas de cima e toalhas nas gavetas de baixo. Tem uma caixa onde guardo escovas de dentes novas, fio dental e coisas pessoais que nem tirei da embalagem para emergências, então... tem tudo aqui. Bem, o banheiro nós teremos de dividir, é um só, mas você pode comer algo na cozinha caso sinta fome e...

- Tá tudo bem, Suzuki-san, muito obrigado — agradeci , curvando rapidamente minha coluna numa reverência. — Amanhã mesmo, pela manhã, estou indo embora.

O loiro sorriu, assentindo e passando a língua pelos lábios, umedecendo-os.

- Boa noite, Matsumoto-san.

- Boa noite, Suzuki-san. — e falou, encostando a porta e fui até o ar condicionado, ligando-o e me jogando na cama bem confortável, rindo e brincando alí como uma criança.

Era a primeira vez que eu dormia num lugar como aquele, e finalmente não era apenas fruto da minha imaginação, já que coisas luxuosas eu só via pela TV.

O ruim era que eu não estava com sono.

Parei deitado na cama, fitando o teto e ergui o braço, virando um pouco o rosto e cheirando minha axila. E, por Kami, eu precisava de um banho.

Lembrei do que Akira falou sobre as toalhas e roupas, mas as roupas eram grandes pra mim. Provavelmente eu ia parecer uma criança tentando vestir as roupas do pai.

Apanhei uma toalha e uma escova de dentes, assim como as roupas e saí do quarto, fechando a porta logo em seguida por causa do ar condicionado.

Quando passei pelo corredor, eu vi que a porta do banheiro estava aberta, então, pensei: "Provavelmente Akira já esteja dormindo", e não me sentiria tão incomodado para tomar banho, já que seria somente eu alí.

Empurrei um pouco mais a porta do banheiro, mas a luz estava ligada... será que ele esqueceu de desligá-la?

Quando entrei no banheiro, coloquei minhas coisas sobre uma cestinha perto do boxer.

Estranho... o chão estava molhado, e eu descalço.

Mas o meu coração quase saiu pela boca quando o vi abrindo a porta do boxer e saindo do chuveiro completamente nu.

Dei um grito, assustado, tentando cobrir os olhos ao mesmo tempo que tentei me afastar, tropeçando no chão molhado e acabei por cair com as costas contra o chão, exclamando de dor quando caí.

Akira, preocupado, ia até mim, se abaixando e parecendo preocupado comigo.

Minhas costas doíam.

- Tá tudo bem, Matsumoto-san? — ergueu um pouco meu corpo, uma de suas mãos indo em minhas costas, e ele me sentava sobre o chão.

- Tá... tá doendo, Suzuki-san... — choraminguei, tão dolorido. — Devo ter caído de mau jeito...

- Você bateu com a coluna no chão, isso já basta pra machucar, chibi.

Arregalei os olhos, ficando corado com o apelido.

- Q-quer dizer, Matsumoto-san.

Confesso que ele ficava lindo quando tentava consertar alguma burrada. Acabei de descobrir aquilo.

- Vem que eu te levo pra cama — e me colocou em seus braços, e não parecia ter nenhuma dificuldade pra me carregar.

- Mas eu preciso de um banho, Suzuki-san...

- Consegue se lavar sozinho? Pena que não tenho uma banheira...

- Bem, se Suzuki-san me der apoio segurando meu corpo por trás, acho que eu consigo me lavar.

E era incrível como eu mesmo senti que aquilo havia soado... obsceno demais.

- N-não q-quero dizer nesse sentido! — tentei me consertar, sem sucesso.

- Tá tudo bem, Matsumoto-san — assentiu, tão tímido quanto eu. — Posso te dar apoio, e você se lava.

- Ok, mas... — olhei pra baixo, ainda em seus braços. — Trinta centímetros de distância, e se possível, até mais que isso.

Akira assentiu, me colocando no chão e segurando minha cintura, dando certo apoio para minhas costas.

Ele me ajudou a tirar as roupas, me levando para o chuveiro e... até parece que ele, segurando minha cintura, vai adiantar de alguma coisa.

xxx

Akira me ajudou no banho, me deu apoio, mas em momento algum abusou de mim ou tentou alguma coisa maliciosa.

Ou eu levava isso como algo positivo, pensando o quanto ele era confiável ou eu levava para o lado negativo, já que ele não parecia sentir atração por mim.

E desde quando preciso que ele sinta atração por mim? Logo eu estaria em casa de novo e nunca mais o veria nem manteria contato, não com um tipo dele, que tem dinheiro.

Somos de universos completamente diferentes.

Ele me segurou os braços, já com as roupas limpas e cabelos penteados, e me levou até o quarto de hóspedes, que estava gelado devido ao ar condicionado ligado, e encostou a porta com o pé assim que entrou.

Me deitou sobre a cama, puxando o edredom e me cobrindo.

Será que ele cuidava do sobrinho assim? Com tanta atenção, com tanto cuidado...

Me bateu uma vontade de saber mais sobre ele pelo modo que me tratou.

- Suzuki-san... muito obrigado por me ajudar.

- Não por isso, Matsumoto-san — e sorriu, se deitando ao meu lado e vestia roupas limpas, também. Na verdade, só uma calça azul que, provavelmente, fazia parte de um conjunto de algum pijama. — Sua coluna melhorou?

- Um pouco... acho que se eu me aquietar um pouco, a dor passa.

E, de modo repentino, aproximou seus lábios da minha testa, meu rosto ruborizado em demasia pelo contato muito próximo e estalou um beijo em minha testa carinhosamente.

- Qualquer coisa, me chama.

Não sei se é carência ou algo assim. Ok que eu sentia falta de ter alguém dormindo comigo, mas... ele era tão atencioso... ainda mais com um estranho, alguém que acabara de conhecer.

- Suzuki-san. — o chamei antes que se levantasse e se desvencilhasse de mim.

- Sim?

- Fica aqui comigo? Quer dizer, vai que minha coluna piora e... não tem ninguém pra me dar atenção... daí já viu, nee.

Soou pervertido mais uma vez. Parabéns, Takanori, agora Akira está sorrindo malicioso pra você. Satisfeito? Quer perguntar o que, agora? "Transa comigo? Estou na seca".

Mas o loiro se mantinha deitado, e me senti abusado quando afundei meu rosto na curva de seu pescoço, sentindo seu cheiro e... céus, como era bom.

Ele colocou uma de suas mãos sobre meu quadril, arranhando levemente o tecido, me acariciando e me fazendo sentir um leve arrepio por todo o corpo.

Eu deveria sair dali ou permitir que o carinho continuasse daquela forma?

Seus dedos caminhavam até minha coluna, deslizando pelo meu corpo e não evitei de morder meu lábio inferior quando senti a camisa que eu usava ser erguida, seus dedos agora tocando a parte descoberta da minha pele.

Aquilo me arrepiava ainda mais.

Gemi levemente de dor quando seus dedos pressionaram minha coluna, ouvindo seus gemidos baixinhos.

E ergui um pouco uma das pernas, enlaçando sua cintura de um lado e me esfreguei vagarosamente nele, seus gemidos mais altos que antes.

E o que eu estava fazendo? Eu estava tão na seca assim?

Fechei os olhos lentamente, seus dedos agora descendo pelo meu corpo e adentrando pela calça que eu usava, mas eu comentei que eu não estava usando cueca alguma?

Apertou uma de minhas nádegas e me permiti gemer mais alto, junto dele, virando um pouco meu rosto e olhando sua face tão rubra e seus olhos fechados. Selei nossos lábios calmamente, sentindo seu membro rijo contra o meu, um alerta para me afastar de uma vez, caso eu quisesse.

Afastei minha perna de sua cintura e segurei seu rosto, suas mãos deslizando mais uam vez por mim até irem de encontro aos meus pulsos, segurando-os de forma delicada.

- Suzuki-san...

- Pode me chamar de Akira, Takanori. — e ruborizei mais ainda.

- A-Akira...

- Me desculpe, eu...

- Tá tudo bem — soltei meus pulsos de suas mãos, virando-o com as costas para a cama e me sentando sobre seu quadril, e sabe-se lá com que força eu consegui deitá-lo na cama.

- E sua coluna? — indagou, preocupado.

- Dizem que sexo faz bem para o corpo — respondi, ousado, assaltando seus lábios com beijos carinhosos e cheios de volúpia, simultaneamente. — Então, deve fazer bem pra coluna.

Akira sorriu malicioso, segurando minha cintura com força e seu olhar penetrando o meu.

xxx

Estávamos aos beijos quando terminamos de transar alí mesmo.

Eu estava sentado no colo de Akira e ele envolvia minha cintura com os braços, mas ainda não nos separamos. Ele estava sentado sobre o colchão.

Meu peito estava aquecido, eu estava cansado, mas... eu senti que minha coluna nem estava tão ruim assim.

Agora, outro lugar está dolorido.

Gemi dentro do beijo, e ele fez o mesmo. Ele era tão bom de se sentir e... eu poderia me viciar naquilo. O errado era que... eu acabei de conhecê-lo.

E ficamos alí, nos carinhos e beijos, não demorando muito para que nos separássemos. Me deitei sobre o colchão, ele se deitando em seguida e dormimos de conchinha, e me aconcheguei em seu corpo tão... lindo.

E acordei quando amanheceu, me sentando sobre a cama e me desvencilhando dele, procurando pelas roupas.

- Vai agora, Taka? — e corei com o apelido. Céus, acabamos de transar e eu corava por isso?

- É, eu... eu tenho que ir pra casa.

- Não pode ficar mais um pouco?

- Não posso... — respondi, triste, até porque eu queria ficar.

- Bem, agora já sabe onde eu moro e pode vir me visitar quando quiser.

Sorri largamente, vestindo minhas roupas na frente do loiro, enquanto o mesmo me comia com os olhos.

- Strip-tease às avessas? — e não pude deixar de rir com seu comentário.

- Quem sabe eu não tire a roupa pra você um dia?

- Vou sonhar com isso.

- Que sonhe. — e sorri mais ainda, indo até ele, curvando um pouco a coluna e depositando um beijo em sua testa. — Agora vou indo, Suzuki-san. Obrigado por tudo.

Antes que eu me afastasse, Akira prendia seus dedos em meu pulso, me puxando para mais perto dele.

E eu não resisti.

- Você vende balões, certo?

- Sim, vendo. — respondi.

- E se eu comprasse todos os balões?

- Bem, seu sobrinho ficaria bastante feliz. — e rimos.

- Se eu comprasse todos, você ficaria aqui, comigo? Daí não teria que sair pra vender mais e... ficaria aqui, só.

Eu derreti com o pedido.

Como ele poderia pedir para um estranho, alguém que acabou de conhecer, pra ficar mais com ele?

Mas eu sou fraco e assenti, ele cedendo espaço na cama e me deitei ao seu lado, já vestido, o loiro colocando sua mão sobre meu quadril outra vez.

- Não adiantou nada ter se vestido... vou tirar tudo, mesmo. — resmungou, afundando seu rosto na curva do meu pescoço. — Céus, como você é cheiroso...

- Akira! — exclamei, espalmando minhas mãos pelo seu peitoral nu.

Acabamos por rir, achando aquela situação engraçada demais pro meu gosto.

Notas finais
Era pra ser curta, acelerada e apressada, porque é um presente. <3

Juro fazer melhor ano que vem, Bee. ;;

Mas saiba que você é minha ultra amiga e eu te amo muito, e estou do seu lado pro que precisar.

17 aninhos, hein? *-* (tá, você é só dezoito dias mais velha que eu, hn <3)

E aqui ficam meus parabéns pra você, te desejo tudo de mais maravilhoso no mundo!

*A dedicatória tá melhor que a fic, mas fazer o que? Ando travada e tu sabe pq u.u Qqq*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!