Balada Maldita.
1 o sumiço
Notas iniciais
Gibbs recebeu uma chamada no seu celular logo pela manhã.
— Quem ousa me ligar a essa hora? Não estou em nenhum caso. – Resmungou ele saindo da cama para pegar o celular na cômoda a frente. – Eu realmente odeio telefones. Alô. É o Gibbs. – Falou atendendo ao telefone.
— Chefe. Sou eu. Tony. É sobre a Abby. Acho que a encontramos. – Disse Tony.
— Estou indo Tony. – Gibbs se apressou em colocar uma roupa e ir ao hospital onde Abby estava. Ele nem acreditou quando Tony falou que eles poderiam ter achado Abby afinal ela sumiu por dois meses inteiros.
Dois meses antes...
Sede NCIS, Washington D.C.
19H45min.
A equipe havia fechado um caso que lhes rendera muito. Prenderão dois bandidos importantes e Gibbs estava satisfeito. Pela primeira vez elogiara a todos, incluindo Tony que as vezes não era muito profissional no trabalho.
Abby estava saindo do prédio quando Tony e McGee entraram no elevador. Abby estava vestida mais casual naquele momento sem as roupas extravagantes que costumava usar na agência. Nenhuma palavra foi trocada entre os três fora trocada apenas olhares entre McGee e Abby. Era óbvio que McGee a estava despindo com os olhos e ela percebera isso. Tony só estava de vela como ele mesmo pensara baixo. Abby foi a primeira a sair do elevador com uma pressa que os dois agentes perceberam.
— Abby. Ei Abby! Onde você vai com essa presa? – McGee estava intrigado com a pressa de Abby.
— Tenho um encontro. – Disse Abby. Eu o conheci em um bate papo e nós nos demos muito bem. – Abby já estava próxima do carro dela quando falou isso.
McGee estava com um ciúme que segundo Tony poderia ser visto da lua.
— Eu não to com ciúmes Tony. Mas sair com alguém que você conheceu no bate papo é muito arriscado.
— McGeek. A Abby é totalmente responsável e o seu papel de irmão super protetor já está cansando. Deixa a Abby ser a Abby. – Disse Tony. – Vamos sair também. Conheço uma casa de sushi muito boa aqui perto.
— Está certo. – Disse McGee mesmo contrariado. – Mas ainda acho que devíamos vigiar a Abby para garantir que ela não se meterá em problemas.
—McGee. Por favor. Vamos no meu carro. Quero sushi. – Disse Tony apressando McGee que olhava o carro de Abby se afastando.
— Está bem. Mas tenho um pressentimento ruim. Não sei o que é. – Falou McGee entrando no carro de Tony.
Em outra parte da cidade Abby chegou numa casa noturna muito famosa para encontrar seu parceiro de chat. Ela pediu uma bebida e foi para onde eles combinaram de se encontrar. Pontualmente o carinha apareceu. Abby ficou encantada com ele e ele ficou encantado igualmente por Abby. Ele pediu dois copos de Vodca com gelo. Um para ele e um para Abby. Ele fez um movimento e deixou o copo de Abby cair propositalmente. Ele se ofereceu para pagar outro copo e foi até o balcão pegar a bebida para Abby. Quando o barman entregou a bebida ele tirou um frasco com conta gotas e colocou dois contas gotas na bebida que entregou para Abby quando voltou para perto dela. Abby sempre soube da regra do Gibbs para nunca aceitar nada de pessoas desconhecidas, mas a regra não valia para o moço porque ele já não era mais um desconhecido.
Abby começou a se sentir tonta e ao tentar levantar da cadeira ela caiu nos braços daquele homem. O homem a pegou no colo com ajuda de um homem que estava no bar e a levaram para uma van estacionada do lado de fora.
A partir daí o que realmente aconteceu é uma incógnita.
Dias atuais
Gibbs se apressou em chegar ao hospital. Tony, McGee e Ducky estavam reunidos na sala de espera do hospital. O hospital que ficava em West Virginia era muito bom apesar de ter graves falhas de comunicação com as autoridades.
Gibbs se aproximou de McGee que estava com um olhar triste. Tony estava incrédulo. Não esperava que encontrassem Abby com vida apesar de torcer para acha-la apesar se passaram dois meses e nenhuma notícia de Abby. Ducky estava conversando com um dos médicos que estavam cuidando de Abby no hospital. Todos se viraram quando viram Gibbs lá parado sem falar nada.
— Ah! Jethro. Chegou bem na hora. – Falou Ducky chegando mais perto de Gibbs. – Já falei com o médico sobre Abigail. Ele quer falar com você. Está te esperando no quarto dela na UTI.
Gibbs chegou ao corredor que levava aos quartos de UTI com muito receio. Ele não via Abby há dois meses e com toda razão queria saber o que acontecera com ela nesses dois longos meses.
Ele finalmente teve coragem de caminhar até o quarto. Chegou e parou na porta do quarto e olhou para cima como se tivesse agradecendo a Deus por ter de volta sua Abby. Ele entrou no quarto onde Abby estava ligado a um monitor de oxigênio e um monitor cardíaco. Abby estava diferente. Cabelos ruivos, maquiagem forte, mais magra e com implantes nas bochechas. Quase não a reconheceu. Ele estava intrigado com aquela mudança de Abby. O médico que estava no quarto reconheceu Gibbs e começou a informar sobre o estado de saúde dela.
— Ela tem uma costela quebrada, marcas de queimadura de cigarro, um tornozelo luxado, uma concussão possivelmente por ser jogada de algum lugar alto e um braço quebrado. O que realmente me intriga Agente Gibbs, é essa inconsciência dela. Claro que ela tinha drogas no organismo... – O médico tentou falar, mas foi interrompido por Gibbs.
— Que tipos de Drogas? – Gibbs estava muito triste.
— Rohypnol é a mais encontrada. Ela estava sedada quando a encontramos. Era uma quantidade muito alta. Poderia ser fatal se não a tivéssemos encontrado. – Disse o médico.
Gibbs estava intrigado com aquilo. Abby provavelmente foi torturada. As marcas de queimadura comprovavam aquilo. Mas no momento tudo o que importava para o agente era que Abby ficaria bem e contaria o que havia acontecido.
Abby sonhava enquanto estava inconsciente. Parecia impossível e algumas coisas no sonho não faziam sentido...
Abby provavelmente era o alvo daquele homem. E muito provavelmente tudo fora planejado.
Quatro meses antes...
Abby resolveu se cadastrar em um site de bate papo. As conversas pessoais com McGee diminuíram quando ele descobriu que seria pai. Abby sentia-se excluída e com razão. Ela e Timothy sempre foram muito próximo. Talvez uma consequência do breve relacionamento que eles tiveram no passado.
As primeiras conversas não interessaram Abby tanto que ela pensou em desistir da sala de bate papo. Nomes reais eram essenciais e Abby queria uma relação de verdade e não baseada em mentiras. Seu namoro com Burt havia ido para o espaço quando ele ganhou uma promoção e só disse no dia em que ele iria se mudar para outra cidade. Já passava das dez e Abby estava em seu apartamento na sala de bate papo esperando alguém para conversar. Estava tomando um vinho e ouvindo música. Provavelmente ela desistiria se não fosse um homem lhe mandar um convite para uma conversa privada no chat.
— Agora vai. – Pensou consigo mesma.
O homem era bonito. Cabelos loiros, 1,87 de altura. Tinha ombros largos e um sorriso encantador como ele se descreveu para ela, provocando risinhos contidos no apartamento vazio. Abby ficou conversando com o homem até Gibbs lhe telefonar pois havia aparecido um caso de última hora e eles realmente precisariam dela naquela noite. Ela se despediu do seu “príncipe” prometendo voltar na noite seguinte para conversar mais. Sem perceber, já havia se apaixonado pelo homem galante do chat.
O dia estava bem corrido e Timothy estava bem curioso o porquê de Abby estar sorrindo além do normal.
— Ela exagerou na cafeína de novo. – Pensou Timothy. – Ela vai ficar bem.
Abby saiu mais cedo naquela noite. Quando Timothy e Tony foram ao laboratório encontraram a porta de metal fechada e estranharam. Abby havia saído cedo sem ninguém praticamente saber. Era para ficar um pouco com seu “príncipe do chat” um pouco naquela noite pois deveria voltar para o laboratório mas acabou conversando com ele a noite inteira.
A equipe estava estranhando Abby. Aquela semana ela estava sumindo e ficando longos períodos longe e as conversas com Timothy acabaram. Quando McGee ligava para seu telefone ela era fria com ele e desligava antes de ele perguntar algo a mais. Chegou ao ponto de Vance e Gibbs chamarem Abby para uma conversa a três na sala de Vance.
— Está tudo bem. – Garantiu Abby sob os olhares desconfiados de Gibbs e Vance que não acreditavam em Abby.
— Chega de saídas repentinas, Srta. Sciuto. – Decretou Vance com a aprovação de Gibbs e o olhar triste de Abby.
— Está bem. – Apenas limitou-se a dizer.
Saiu da sala do Diretor e foi direto para o laboratório nem passando pelas mesas de seus colegas. Um olhar cabisbaixo misturado com raiva estava nela.
As horas iam passando e ia chegando a hora de ir para casa falar com seu príncipe do chat. Eles estavam apaixonados um pelo outro.
Dois meses depois marcaram de se encontrar em um bar perto da casa dele em Washington. Ele disse a ela que iria estar na cidade aquela semana e marcaram de sair.
Atualmente.
Gibbs saiu do quarto de Abby assustado com a aparência de Abby. Tony estava vindo a seu encontro e quase perdendo o ar.
— Eu deveria ter avisado sobre esse pequeno detalhe. Ela não se parece em nada com a Abby que conhecemos. – Disse Tony fazendo uma pausa para respirar. – Não conseguimos descobrir o que aconteceu.
— Alguém transformou Abby em uma... Garota de programa? – Perguntou Gibbs incrédulo.
— Eu não diria garota de programa Gibbs. Eu não sei como caracterizar isso. Talvez fetiche funcione melhor para isso.
— Sinais de atividade sexual? – Perguntou Gibbs.
— Nenhuma chefe. A menos que ele tenha usado preservativo e que o sexo foi consensual não há sinais de abuso físico. – Disse Tony.
— Ela some por dois meses e volta transformada em uma garoa de programa. Isso não tem lógica. Precisamos saber o que realmente aconteceu. – Disse Gibbs entrando com Tony no elevador.
— Está chateado chefe? – Tony perguntou temendo um tapa na nuca.
Gibbs apertou o botão de emergência e num movimento se encostou na parede pronto para chorar.
— Não estou chateado. Estou nervoso. Alguém levou Abby a dois meses e a devolveu daquele jeito. – E deu um soco na parede metálica. – Que droga! Eu não consigo nem pensar o que podem ter feito com ela nesse tempo todo.
Tony se afastou de Gibbs e apenas conseguiu dizer:
— Eu também chefe. Eu também.
Gibbs apertou o botão e o elevador voltou a funcionar. Desceram até a sala de espera onde McGee e Ducky estavam esperando. Havia um homem com eles. Era Vance que soubera da volta de Abby e veio vê-la.
— Veio aqui sabe se ela está bem, diretor? Ou veio demiti-la? De qualquer forma ela está inconsciente ainda. E em situação crítica. – Falou Gibbs cortando Vance e sentando em uma das cadeiras da sala.
— Não precisa ser petulante Agente Gibbs. Eu não vim demitir Abby. E sim. Eu vim vê-la. Ficamos dois meses inteiros sem nenhuma notícia dela achei que seria uma boa coisa eu vê-la. – Vance se sentou perto de Gibbs. – a situação é muito crítica?
— Tirando o visual que fizeram nela sim. Ela está bem mal ainda. Os médicos acham que ela vai melhorar logo. Vão levar a gente para a sala de cima perto do quarto. Acham importante a gente ficar perto da Abby.- Disse Gibbs se segurando para não chorar.
— Acha que eu posso vê-la? – Perguntou Vance para Gibbs.
— Pergunte ao médico Leon. – Gibbs queria ter uma noite de sono depois de dois meses. – Vou para casa. Preciso dormir.
Gibbs saiu do hospital e dirigiu até o bar em que Abby foi vista e ficou um tempo lá. De dentro de seu carro ficava tendo flashes do dia em que Abby desapareceu. Ele adormeceu ali mesmo.
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