Baker
3 III. Passado
Notas iniciais
Espero que gostem, deixem reviews ^^
Se não for pedir muito, leiam as notas finais :3
Okay, fodeu, fodeufodeufodeu. Aquele tal de Beck nos observava em cima do muro sem ao menos piscar, eu sentia até dificuldade de respirar só de olhar para aqueles olhos dourados nos observando, Becca estava na mesma situação que a minha, acho que esse é o nosso fim, droga eu preciso pensar em algo.
—E então? -Perguntou sem desfazer seu sorriso —Qual o plano? o que vocês dois estão tramando? haha -Ele se jogou lá de cima e aterrisou sem se machucar, lembrando que o muro tinha uns três metros e meio, isso era algo surreal, impossivel de ser feito.
—Plano? -Me levantei assustado —Eu não sei de plano nenhum, senhor, eu sou só um padeiro, veja meu aventa... oh merda, estou sem meu avental, mas sério, eu sou um padeiro, não aguento mais ouvir aquela piadinha do "queima a rosca" inclusive hahaha -Me desesperei e comecei a falar coisas sem sentido, o que fez ele gargalhar.
—Eu só vou perguntar mais uma vez haha -Ainda sem desfazer seu sorriso ele olhou para meus olhos, seu olhar me incomodava muito, ele passava um ar muito sombrio e macabro.
—Droga! -Becca tirou um canivete que escondia em suas botas e avançou na direção de Beck, ao perceber seu movimento repentino, Beck apenas deu dois passos pra trás se esquivando, após isso ele a jogou contra o chão e pisou em seu pulso até ela soltar o canivete, ele era bem violento quando queria.
—Espero que você não tente o mesmo -Ele disse se abaixando e pegando o canivete do chão —Porque agora eu tenho uma arma. -Aquele olhar novamente... qual o problema desse cara?
—Eu... eu só quero conversar, pode ser? -Disse e esperei sua resposta, ele olhou para o chão e pensou um pouco, ele teria que ser bem idiota pra deixar alguém que estava o espiando e tentou matá-lo vivo, óbvio que ele não iria nos poupar.
—Entrem -Ele parou de pisar no pulso de Becca e jogou seu canivete no chão, me abaixei para ver se ela estava bem, mas ela apenas me ignorou e seguiu Beck, ele nos levou até a sua enorme sala, era um lugar bem espaçoso mesmo, com mobilia rústica, vários livros em uma prateleira e uma grande lareira, ele nos olhava sem demonstrar medo, ele parecia realmente confiar que só queriamos conversar, mas isso não significa que tambpem tínhamos que confiar nele. —Então, sobre o que querem falar?
—Não vai nos oferecer um cházinho? -Becca perguntou sarcástica
—Não -Beck deu uma resposta seca —Falem logo.
—Okay -Respirei fundo —Nós estamos atrás de uma pessoa e parece que ela está na cidade, porém ele consegue desaparecer de uma hora pra outra, parece até um ninja, e bem, como você é conhecido por aqui achei que você iria saber algo sobre ele.
—Irônico né? -Disse servindo uma taça de vinho —Ser a pessoa mais conhecida de uma cidade desconhecida, haha -Ele olhou pela janela observando o horizonte —Talvez eu conheça, qual o nome dele? -Perguntou
—Max Valentine -Becca disse com certo ódio na voz.
—Ah, o pequeno Max, ele pe um grande amigo meu, já aprontamos várias coisas por esse mundo, lembro de uma vez quando convencemos aqueles idiotas a jogarem os aviões no WTC, ele era tão pequeno naquela época, haha. -O que? não posso acreditar que Max estava ligado com um dos maiores atendados dos últimos tempos, simplesmente não posso, esse tipo de coisas, ele não faria isso.
—Pensei que isso tinha sido obra da Al-Qaeda -Becca disse com um tom de irritação em sua voz.
—Isso é o que eles querem que você pense, lindinha -Beck entregou uma taça para ela —Não é um cházinho, mas o gosto é ainda melhor -Ela simplesmente virou a taça e despejou o liquido por todo o chão —Oh, a menina do canivete é bem mal-educada -Sua voz que antes estava séria, no momento esbanjava deboche.
—Pode me dizer onde ele está? -Perguntei, ele continuou a olhar pela janela e ficou pensativo por alguns instantes.
—Não posso -Ele disse decidido —Ele me mataria se eu o fizesse -Isso está estranho, ele está falando do Max de um jeito totalmente diferente do que ele era, será que estavámos falando da mesma pessoa? será que ele não estava falando de outro Max? tentei me convencer disso, mesmo que estivesse me iludindo, mas, ao lembrar daquele homem congelado a ficha finalmente caiu, Max havia se tornado alguém frio (N/A: Não foi um trocadilho planejado hahah) e sem sentimentos, eu devia aceitar logo isso.
—Por que ele não quer ser encontrado? -Perguntei
—Ele não gosta de pessoas -Se sentou em uma poltrona e acendeu um xaruto —Além do mais, agora ele é uma pessoa bem importante, ele não vai querer ver vocês, temo que se vocês chegarem perto, não irão sobreviver por três segundos. -Ele soltou a fumaça que prendia em sua boca, o cheiro do tabaco ficou muito forte, mesmo a sala sendo bem grande.
—Me diga onde ele está, eu faço qualquer coisa -Pedi fitando o chão —Por favor.
—Não veja o que estou fazendo a você como um favor -Disse olhando fixamente para mim —Vocês não são nada para mim, pelo contrário, normalmente eu mato gente que me espiona, mas senti algo diferente em você, padeiro! -Agora ele olhava para minhas tatuagens —Essas tatuagens não são comuns, certo? Você já deve ter feito algo diferente com elas quando ficou bravo, ou sei lá, triste... não é? -Após ouvir isso, memórias foram despertadas em mim, coisas que até então não passavam de um borrão se tornaram nitidas, eu lembrei de coisas perturbantes de onze anos atrás, coisas que nunca iria me perdoar.
—Fui eu... quem... -Não conseguia dizer as palavras, apenas me ajoelhei no chão e deixei lágrimas escaparem de meus olhos.
—Sim -Ele se levantou e caminhou até uma estante que tinha um apoio para espadas, pegou uma, e veio em minha direção vagarosamente, ainda ajoelhado no chão, olhei para cima e encarei Beck com um grande sorriso no rosto. —Foi você mesmo, nós dois vimos tudo -Ele fez um movimento rápido com a espada tentando cravá-la em minhas costas, porém, num reflexo me joguei pra trás e consegui escapar perdendo apenas alguns fios de cabelo, Becca recuou um pouco e pegou seu canivete mais uma vez, algo me dizia que dessa vez ele não estava para brincadeira.
—Você está bem, Josh? -Becca perguntou —Ele te machucou -Respondi negativamente com a cabeça, Beck nos encarava com cara de tédio, ainda com sua espada em mãos ele cortou um vaso sem motivos aparentes, porém, mesmo o ele estando meio longe, pude sentir o vento da lâmina machucar meu rosto.
—O que acha? -Perguntou —Muito boa né? -Perguntou rindo, enquanto isso meu rosto começou a sangrar e um corte apareceu.
—Parece que sim -Tentei correr pra estante para pegar a outra espada no apoio, porém fui impedido por outra rajada de vento, isso realmente não era normal, o vento chegou a rachar um pouco da madeira do chão. Becca tentou se aproximar dele, porém foi acertada em cheio pelo vento e foi arremessada longe, caindo em cima do sofá, queria ir ver como ela estava, porém, não poderia me virar de costas para ele.
—O que está acontecendo? -Vários dos guarda-costas de Beck chegaram no local, ele olhou para eles meio distraído, ótimo, era minha chance.
—Nada -Corri pro sofá e peguei Becca no colo —Yo soy sólo un pastelero -Me joguei pra trás ainda com ela nos braços e havíamos saído da casa pela janela, pude ouvir vários disparos, mas nenhum nos acertou, pensei que eles iriam nos seguir, porém estava enganado, conseguimos escapar sem muito esforço. Após algum tempo correndo, parei em um beco para descansar, olhei para Becca e pude perceber os vários cortes em sua pele branca, sua expressão era de dor e seus olhos estavam fechados me impedindo de ver seus olhos azuis, mesmo ainda não a conhecendo direito, fiquei mal ao vê-la assim, a abracei apertado tentando passar forças.
—O que você tá fazendo? -Sua voz me fez estremecer, a larguei e me afastei um pouco ruborizado, tentava não encarar ela, porém pude perceber um sorriso safado em seu rosto —O que tava pensando em fazer comigo? pequeño pastelero -Ela perguntou rindo
—Nada, você estava fria e eu te dei um abraço, tente usar roupas mais adequadas para uma mulher, você está muito vulgar. -Meu rosto estava quente
—Então você reparou nas minhas roupas? reparou no meu corpo também? -Me provocou
—Você não presta! -Caminhei por alguns metros e tropecei em algo, uma adaga amarela, provavelmente feita de ouro devido a cor e o peso, prendia uma folha com algo escrito no chão, tirei ela com cuidado e vi o nome "Beck" escrito nela, a guardei em minha bolsa, poderia ser útil futuramente, e peguei a folha do chão.
"Você realmente quer encontrá-lo?
Bom você não vai gostar muito do que irá ver, ele está bem diferente.
Se quiser encontrá-lo, vá até a catedral, na praça principal quando der meia-noite.
Traga a garota, ela irá gostar de ver o rosto dele.
-Beck"
Não era surpresa aquela "carta" ser de Beck, sua velocidade me assusta, havia corrido sem parar para chegar aqui e ele já havia deixado isso me esperando. Porém o que mais me intriga foi o fato de Max estar em uma catedral, desde que sei ele era descrente de religião, porém, sempre acreditou no inferno, isso deve ter sido a base para minha filosofia de vida, mas então por que ele estaria numa catedral? isso ainda não fez sentido pra mim. Becca me olhava com curiosidade, mostrei a folha para ela e pude ver um pequeno sorriso se formar, por algum motivo ela parecia ansiosa com o encontro.
Ainda faltava muito para a meia-noite, então achei que seria uma boa conhecer a criatura — sim, criatura — que estava me acompanhando, então fomos a vários lugares conversando e falando sobre nossas vidas, expliquei sobre tudo que havia me acontecido para ela, menos a parte que acabara de lembrar na casa de Becca, e quando paramos para almoçar ela me falou de sua vida.
—Meus pais se divorciaram assim que eu nasci, minha vó, com quem morei certo tempo, me disse que eles não estavam preparados para ter uma filha, e meu pai queria que ela abortasse, obviamente minha mãe se recusou e bem, meu pai sumiu pelo mundo e só voltou quando eu nasci, quando minha mãe soube que ele estava querendo me levar, sem motivo aparente, ela ficou puta e eles discutiram muito, então minha avó entrou na justiça e conseguiu minha guarda dizendo que aquele não seria ambiente adequado para uma criança. Depois de um tempo, bom, minha avó faleceu e eu voltei a morar com minha mãe, nessa época soube que ela e meu pai tinham voltado e planejavam conseguir minha guarda de volta, as vezes acho que eles fizeram algo para minha vó morrer e facilitar o serviço, mas é bobeira, enfim, eu voltei a morar com eles e no dia seis de junho de dois mil e seis... -Ela bateu a mão forte na mesa e começou a chorar, ela não conseguia falar sobre o assunto então não a forcei, apenas a abracei tentando amenizar sua dor. Não tocamos mais no assunto, passaram-se várias horas, era uma noite muito fria e chegou até a nevar, pouco, mas nevou... Já era quase meia-noite quando caminhamos até a catedral, uma presença vindo de lá começava a me preocupar, pensei que aquilo poderia ser uma armadilha de Beck, mas achei que não havia motivos para uma armadilha, se ele quisesse nos matar, já teria o feito sem nenhum problema.
—Está pronta? -Segurei as duas astes de metal que mantinham a porta da catedral fechada, Becca ajeitou seu cachecol e afirmou com a cabeça. Levemente puxei empurrei a porta e ela se abriu, instantaneamente o velho orgão do lugar começou a tocar uma sinfonia macabra que me fez gelar e todas as várias velas do lugar se acenderam, demos pequenos passos para dentro do local, e senti um forte cheiro de enxofre. Observei as paredes do local e todas estavam congeladas, os quadros estavam pegando fogo e todas as cruzes de lá foram viradas ao contrário.
—Você realmente veio, não é? -Beck surge do nada, essas aparições dele são realmente fod... irritantes, odeio muito. —Não passou pela sua cabeça em nenhum momento que isso seria uma armadilha? -Perguntou sorrindo
—Não -Respondi sério
—Sim -Becca me fez perder toda a pose.
—Olha só, vejo que você está com vários machucados, não é lindinha? -Ele se aproximou e passou a mão sobre as ataduras —Quem será que fez isso? que cruel -Ele levantou seu queixo com o indicador.
—Você me enoja -Ela o fitou séria e entortou seu dedo -Não me toque, não me lembro de ter te dado esse direito.
—Venenosa -O local ficou ainda mais gelado depois dessa palavra ser dita, todas as atenções se voltaram para o orgão, em cima do instrumento estava o ser que procurei a tanto tempo, mas era estranho, ele estava diferente, tinha várias tatuagens, seu cabelo que antes era curto, chegava até a altura de seus ombros, estava pálido e seus olhos não demonstravam sentimentos, ele veio em nossa direção e um caminho de gelo se formou por onde ele passava, ele olhou profundamente em seus olhos e isso bastou para eu sentir vontade de correr dali, ao perceber isso Becca segurou minha mão me impedindo. —Que frieza, já faz onze anos que nós não nos vemos e você quer correr de mim? grosso -Max sorriu.
—Você mudou bastante -Disse inexpressivo
—Ver o inferno de perto muda as pessoas, você deveria saber disso -Ele se afastou um pouco junto de Beck que mais parecia ser seu guarda-costas.
—Ele não se tornou uma pessoa má como você! -Becca gritou e Max começou a gargalhar, eu apensas fitei o chão e cerrei os punhos
—Não? não mesmo? você pensa que conhece ele, garota? -Disse com deboche —Vamos Josh, conte a ela, conte o que você fez naquele dia onze anos atrás. -Seu tom era alto e violento e fazia pensar nas coisas que havia lembrado na mansão de Beck.
—Josh... o que foi que você fez? -Ela soltou minha mão e olhou pra mim com preocupação.
—E-Eu -Gaguejei —...Matei meus pais à onze anos atrás... -Becca me olhou perplexa e se afastou, pude ver um sorriso vitorioso no rosto de Max, ele realmente havia mudado, mas, depois do que eu fiz quem sou eu pra julgar ele?
—Josh... -Max disse se sentando em uma cadeira no altar do local —Você é um monstro. -Aquelas palavras iriam me atormentar pra sempre.
Notas finais
Bem, eu observei e percebi que os dias de postagem estão distantes um do outro, então ao invés das postagens serem as Sextas e Domingos, estou mudando para as Quartas e Domingos, certo? Adicionem a história aos acompanhamentos para não perderem nada :3
Também estou com projetos de One-Shots, provavelmente uma NaruHina (Naruto) ou NaLu (Fairy Tail) e uma original, então fiquem de olho no perfil ^^
Próximo cap Quarta-Feira. 29/05/13
~K
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