Notas iniciais
Olhos castanhos pequenos e cabelos negros adornavam uma pele escura. Suas escamas brilhavam com a luz sagrada de Liruè, a tinta das sereias do pântano, a cobrir-lhe o torso para a celebração em nome de Teaé, mãe de todas as águas.
Onde as flores azuis cresciam sob uma clareira, Bae entoou canções que trazia consigo desde os dias de menina até aquele momento, quando se tornaria uma das guardiãs da magia antiga. Podia sentir a noite como abrigo da alma, conforme os complicados padrões conectavam-na com as estrelas.
A festa, no entanto, foi interrompida por barulhos metálicos, chamando atenção de todas as sereias. Um choque a princípio, uma inimizade latente. O olhar dos seres da terra era preenchido por ambição para com o precioso líquido sagrado.
Aquela foi a primeira vez que Bae lutou. Mas não a última.
Um a um, submersos na própria ganância, humanos pereceram sob grossas raízes aéreas, até que restassem apenas lendas acerca das mortais criaturas do Pântano de Shie e seu tesouro luminescente.
Os dias tranquilos embranqueceram-lhe os cabelos, mas jamais enfraqueceram-lhe a determinação. Pois de seu povo era a magia, de seu povo eram aquelas águas.
E somente a ela pertencia a si própria.
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