Prontuário do Paciente

Nome: Amelia Louise Walker

Idade: 21 anos

Naturalidade: Londres, Reino Unido

Filiação: Frederick Abagnale Walker (em óbito) e Jessica Louise Walker

Histórico: Primeira internação: 21/04/1878 (8 anos)
Liberada 23/10/1879 (9 anos)
Internada novamente 12/12/1879 (9 anos)
Liberada 05/03/1882 (11 anos)
Internada novamente 28/07/1882 (11 anos)
Liberada 01/09/1885 (15 anos)
Internada novamente 15/10/1885 (15 anos)
Liberada 09/02/1889 (18 anos)
Internada novamente 17/08/1885 (19 anos)
Várias passagens por hospitais psiquiátricos

Descrição: Ataques de pânico; pavores noturnos; incapacidade de reconhecer a realidade; comportamento agressivo e violento; comportamento autodestrutivo

Adicional: Recomenda-se isolamento preventivo, aplicação de medicamentos calmantes e estabilizantes para manter o equilíbrio da paciente, e sessões de terapia psicológica. Como já tentou o suicídio, recomenda-se mantê-la sob observação constante. Manter paciente longe de tesouras, guarda-chuvas, janelas e fogo. Durante crises de pânico o uso de ursos de pelúcia mostrou-se eficiente.

ᴥᴥᴥ

O Dr. Alistair Worthington lia aquele prontuário de forma muito natural. Caminhava pelos longos corredores da instituição psiquiátrica onde trabalhava, e conseguia ler e andar ao mesmo tempo. Não precisava olhar onde pisava. Não precisava ver onde estava indo. Não trombava em ninguém. Com seu jaleco branco e seu cabelo bem penteado, ele caminhava, cumprimentava os enfermeiros que por ele passavam e lia o prontuário de sua mais nova paciente. Anteriormente tratada pelo Dr. Augustus Mann, que decidira se demitir e ir morar numa fazenda nos arredores de Horsell, era uma daquelas pacientes que raramente eram vistas no refeitório, no corredor, ou na terapia de grupo. Isso por que, normalmente, quando colocada num destes lugares, ela transformava-o numa zona de guerra.

O Dr. Worthington pensou na última vez que conversara com seu amigo.

—Parece uma paciente difícil. — ele dissera.

—Não pense assim. — disse o Dr. Mann com ar repreensivo. Seus cabelos brancos jaziam penteados para trás, como de costume, mas ele não estava de jaleco, como era seu costume. — Não estudou tanto tempo, enfrentando noites em claro e fazendo testes difíceis para pensar desta forma. Você devia saber que pré-julgamentos não fazem bem ao nosso trabalho. Isso vale tanto para os pacientes fáceis de lidar, quanto para os difíceis.

—Eu sei disso.

—Cuide bem dela, doutor. — lhe disse o Dr. Mann, enquanto lhe passava a lista e os prontuários de seus pacientes. — Ela pode parecer uma louca desvairada, mas no fundo é só uma criatura extremamente assustada. Precisa de compreensão.

O Dr. Worthington sorriu, retornando de suas lembranças. O Dr. Mann tinha muito carinho por seus pacientes.

Ele virou em mais um corredor, vendo janelas grandes e luminosas, passando por mais funcionários vestidos em roupas brancas bem lavadas. Isso não era comum na maioria das Casas de Orates. Normalmente estes eram lugares sujos, fedorentos, cheios de celas imundas e escuras, lembrando uma prisão malcuidada, onde loucos de todo tipo berravam dia após dia em puro desespero. Mas não ali. Ali eles eram bem tratados. Num tipo de tratamento pioneiro e inovador, os médicos tentavam ajudar os internos a melhorar. O próprio local da instituição era inovador e pioneiro, sempre asseado o quanto fosse possível, iluminado o tanto que o raro sol inglês permitia, e silencioso o tanto que os internos deixavam. E os médicos ali seguiam a linha do prédio onde trabalhavam. Tentavam tornar os doentes cidadãos respeitáveis, ou, se esse objetivo não fosse alcançado, ao menos dar-lhes paz enquanto vivos. Afinal, todos merecem ter paz. E era isso que o Dr. Worthington desejava para aquela moça. Dar-lhe um pouco de paz...

Ele entrou em seu consultório, um lugar pequeno, mas que se tornara espaçoso pela falta de móveis, abrindo a janela e sentando-se em sua cadeira num suspiro, colocando o prontuário sobre a mesa. Em seus 45 anos, já não tinha o fôlego que possuía antes, assim uma cadeira sempre era muito bem vinda. Deu uma nova olhada no prontuário, lendo o nome da paciente e sua idade. 21 anos. Uma vida toda pela frente. O Dr. Worthington cerrou os olhos. O que será que a destruiu?

—Amelia... — murmurou para si. Esboçou um sorriso. Gostava muito daquele nome.

Seus olhos voltaram para o prontuário. Leu novamente o histórico. Jamais vira tantas idas e vindas de hospícios. A paciente passava muito tempo internada, era liberada, mas retornava à internação pouquíssimo tempo depois. Era como se ela melhorasse com o tratamento, mas não conseguisse manter o equilíbrio do lado de fora. Era como se ela não quisesse ficar do lado de fora.

Com respeito à descrição dos sintomas da paciente, nenhuma surpresa. Seus conhecimentos médicos logo chegaram a um diagnóstico.

“Trauma...” ele pensou.

E ele tinha prática com aquilo. Muitos outros pacientes que ele tratara apresentaram aqueles mesmos sintomas, por motivos variados. Maus tratos, acidente, perda familiar, abusos na infância, qualquer coisa que deixasse uma marca profunda na pessoa, qualquer um destes motivos poderia fazer alguém manifestar sintomas psicóticos. O Dr. Worthington não gostava de tratar pessoas assim, não por que tivesse algo contra elas, mas sim por que elas eram a prova da infinita fragilidade humana, e de que as pessoas, no fundo, não são boas. Ele não gostava de saber disso.

A parte intitulada “Adicional” era, de fato, a mais interessante do prontuário, ou pelo menos a mais interessante da primeira folha de todo aquela pilha de folhas que ele recebera dentro de uma pasta.

Com respeito ao isolamento e aos remédios, nada demais. E uma vez que a paciente já havia tentado o suicídio, manter olhos atentos sobre ela era compreensível. Mas por que ela tinha de ser mantida longe de tesouras, guarda-chuvas, janelas e fogo? É claro que ele não ia dar uma tesoura na mão dela, nem deixá-la pular uma janela, nem permitir que ela brincasse com fogo. Ela não seria mantida ao ar livre, inutilizando o uso de guarda-chuvas. Mas a citação destes objetos denotava que ela tinha um problema psicológico relacionado a eles. O Dr. Worthington quedou-se pensativo. Por que ela tinha problemas com estas coisas?

Mas o melhor era o tratamento para crises de pânico. Ursinhos de pelúcia. Isso era estranho.

O Dr. Worthington resolveu virar a página, ou melhor, deixar aquela página de lado e ir para a próxima. Talvez nas páginas seguintes ele encontrasse algo mais normal, ou então uma explicação para o que ele encontrara de anormal. Não encontrou.

Encontrou uma história. Amelia Walker era uma garotinha que tinha tudo para ter uma vida agradável e nobre em Londres. Era inteligente e vivaz. Não pertencia a uma família grandemente abastada, mas fazia parte de uma família respeitável, com morada fixa no West End e um bom nome na sociedade londrina. Seu pai, Frederick Walker, trabalhava em um banco, e foi saindo dele que uma carroça veio a acertar-lhe e tirar-lhe a vida, deixando uma viúva e uma órfã. A mãe, Jessica Walker, não lidou bem com esse acontecimento, mudando-se para uma casa menor e com apenas uma empregada com o objetivo de livrar-se das lembranças do marido. Nem mesmo as roupas dele ela levou. E a pequena Amélia tinha 8 anos.

Algo aconteceu. Não se sabia ao certo o que acontecera, assim todos se referiam a aquele acontecimento como “algo”. Algo acontecera, e aconteceu naqueles poucos meses em que as mulheres da família Walker permaneceram naquela casa, pois em 21 de abril de 1879 Amelia foi internada pela primeira vez. Aquilo não estava certo. Ela era jovem demais para ser internada. Era pequena demais para ficar tão mal. Era criança demais para ficar louca.

Com respeito à mãe, ela permanecera na casa pequena com uma empregada. Não saía de lá, raras vezes passeava, e nunca viera buscar a filha pessoalmente quando liberada das internações. Quem vinha era a empregada.

O Dr. Worthington leu aquilo, daí foi para a próxima página. Ali começavam as inscrições de todas as conversas que médicos haviam tido com Amelia. As páginas eram poucas, pois, após o “algo” acontecer, Amelia simplesmente parou de falar. Ela gritava, sim, mas nada inteligível saía de suas cordas vocais. Assim, as inscrições continham apenas perguntas.

“Como você está hoje?”

“Está com dor?”

“Andou sonhando?”

“Por que não fala comigo?”

“Quer dizer o que aconteceu?”

“Quer alguma coisa?”

“Quer ver sua mãe?”

Não havia respostas. Ela não falava.

Ou falava. Ela falou. Apenas uma vez. Foi em 1880, quando ela tinha 10 anos. Havia tido uma crise forte, e as marcas de choro ainda residiam em seu rosto. Ela soluçava. O médico responsável, o Dr. Boris Helmsdale, não sabia o que dizer para acalmá-la. Ninguém sabia. À sua frente havia uma garotinha extremamente perturbada, presa numa pequena camisa de força, adaptada especialmente para ela, e qualquer coisa serviria de gatilho para nova crise de gritos e espasmos. Ele olhou para ela, respirando fundo.

—Amelia, o que te faria feliz?

Ela olhou-o imediatamente, os olhos grandes, azuis e cansados. Seus lábios se abriram, e saiu apenas uma palavra.

—Flores...

Ela não disse mais nada, apesar dos esforços seguintes do médico e dos enfermeiros. E permaneceu assim até os 18 anos, no dia em que fora liberada. Ela passou por uma das enfermeiras, já vestida com a roupa que a empregada lhe trouxera, e sorriu-lhe docemente.

—Até logo. — disse.

Quando ela retornou pouco tempo depois, já falava normalmente, mas respondia de forma inexata e vaga à qualquer pergunta, ou então não respondia, preferindo olhar para as paredes ou para o teto de forma lânguida, como se estivesse em meio a um sonho bom.

O Dr. Worthington, pensando em formas eficientes de se comunicar com ela, virou mais uma página. Na página seguinte, uma lista de todos os remédios já aplicados na paciente, e os resultados positivos ou nem tanto. Alguns a deixavam em estado catatônico. Outros não a deixavam dormir. Alguns a faziam chorar. E outros a faziam tremer sem parar. Há pouco tempo o Dr. Mann encontrara um remédio que manteve Amelia equilibrada e calma, e ainda que não fosse o remédio ideal, pois continha lítio em sua fórmula, iria servir ao objetivo. O objetivo? Dar paz.

Mais uma página virada. Algumas fotos jaziam presas por alfinetes às quatro páginas seguintes. Na primeira foto, um homem alto e belo, sentando numa poltrona de aspecto confortável, olhando para o horizonte. À lápis, num canto, estava escrito “F. Walker – Pai”. Na página seguinte, uma foto que continha Frederick, Jessica e a pequena Amelia, todos sorridentes, como as famílias deviam ser. Na foto seguinte, uma parede com alguns escritos aleatórios e antigos, mas podia-se ler coisas como gatinho caolho, bibliotecário, nunca mais, toc toc e alguém sabe que você está aqui?. Outras palavras estavam semi-apagadas, e devido à caligrafia simples de criança, ficava ainda mais difícil discernir o que estava escrito. No canto da foto, à lápis, estava escrito “Cela 14”. Na última foto, um ursinho de pelúcia. Sem legendas.

Mais uma página deixada de lado. Esta continha um desenho feito à lápis de grafite, uma paisagem escura e estranha. Não havia nada além de um gramado, um céu estranhamente nevoento, árvores minúsculas ao longe, e mais nada. Apesar disso, ao olhar o desenho, o Dr. Worthington sentiu um mal estar insistente, que insistiu em permanecer nele mesmo quando ele virou a página, e continuou quando ele percebeu que havia uma página faltando. Ele sabia disso pois havia um índice no início, precedendo o prontuário e indicando quantas páginas haviam e quais os assuntos abordados. Na última página não havia explicações. Apenas o número da página. Aquilo não era um engano. O Dr. Mann era cuidadoso o suficiente para não se confundir ou errar o número de páginas. E ele mesmo havia organizado aquela pasta. Se a página estava lá alistada, era por que estar lá era de suma importância.

O Dr. Worthington procurou pela página entre as muitas outras na pasta, pois estavam todas enumeradas, capricho do Dr. Mann, mas não a encontrou. Largou a pasta sobre a mesa. Para onde fora aquela folha?

—Eu juntei todos os documentos necessários, todos os que juntei no tempo em que cuidei da Srta. Walker.

Assim falou o Dr. Mann, sentado em sua mesa, empurrando a pasta na direção do Dr. Worthington. Ele puxou a pasta para si.

—Está tudo aqui?

—Sim. Bem, tudo o que tenho.

O Dr. Worthington sorriu.

—E não é tudo?

—Acho que nunca chegamos ao “tudo” quando o caso é psiquiátrico. — o Dr. Mann apoia os cotovelos sobre a mesa. — Para isso precisaríamos entrar na mente dos pacientes, e não conseguimos entrar nem mesmo na mente de pessoas psicologicamente sadias, quanto mais naqueles que tem a mente perturbada. Isso é difícil.

—O senhor não devia ser aposentar. Fará falta.

—Tenho de deixar para outros mais jovens tarefas que não tenho mais forças para cuidar. Está na hora de meu merecido descanso, e tenho certeza de que você cuidará muito bem de meus pacientes. — ele esboçou um sorriso. — Confio em você. Leia a pasta com atenção. Espero que consiga cuidar desta paciente de forma melhor do que a que eu usei.

—Farei isso.

O Dr. Worthington levou as mãos ao queixo, pensando nas palavras do Dr. Mann. Ele até poderia encontrar um bom tratamento... Se tivesse em mãos todas as páginas...

Batem na porta. Ela se abre. Era uma enfermeira baixa, de cabelos pretos presos num coque.

—Doutor?

—Sim. — ele responde, sem olhá-la.

—Está na hora do check-up.

—Estou indo. Obrigado.

Ele se levantou, saindo de sua sala, o mal estar perseguindo-o pelos corredores como uma sombra, e ele pegou seus apetrechos sem olhar para o enfermeiro que lhe dera tais. Não se sentira bem ao ler nada daquilo, e não compreendera por que uma página sumira. Caminhou lentamente, pensativo e cabisbaixo, subiu as escadas que o levaram à ala de isolamento, dirigindo-se até uma sala estofada, onde duas enfermeiras o esperavam.

—Olá, doutor. — uma delas lhe disse. Ele cumprimentou-a com um aceno de cabeça. — Já a estão trazendo.

—Obrigado.

Ele olhou ao redor, respirando fundo, colocando seus acessórios numa travessa presa num encaixe perto de si. Paredes acolchoadas o cercavam, brancas como algodão puro, e uma cama de colchão fino jazia no meio da sala, tendo quatro algemas de couro reforçado nos quatro cantos dela. Eles estavam lá para emergências e proteção dos enfermeiros. Uma luz branca e claríssima, redonda, iluminava desde o teto toda a sala, deixando as enfermeiras extremamente pálidas e fazendo os utensílios médicos brilharem como prata. Para o Dr. Worthington, aquela visão era muito bela.

Passos no corredor. Uma das enfermeiras respirou fundo.

—Lá vem ela.

Dois enfermeiros entraram, trazendo consigo uma moça de altura mediana, magra, presa numa camisa de força, e a sentaram na maca. As enfermeiras se afastaram, e o Dr. Worthington se aproximou, observando-a ao vivo pela primeira vez.

Era uma moça muito bonita, de cabelos castanho-avermelhados, lábios rosados, pele cor de leite e grandes olhos azuis. Bem, seria muito bonita se os cabelos não estivessem desgrenhados, e os olhos não tivessem olheiras fundas. A pele branca tinha marcas arroxeadas, e os lábios rosados estavam rachados. Ela tinha um aspecto quebradiço, e o Dr. Worthington aproximou-se devagar.

—Olá, Amelia. — disse com a voz mais macia que pode ressoar. — Sou o Dr. Alistair Worthington. Como se sente hoje? — sem resposta. — O Dr. Mann se aposentou, e ele pediu que eu cuidasse de você. Espero que possamos ser amigos. — nenhuma resposta. Uma enfermeira cochichou algo ao ouvido da outra. O Dr. Worthington dirigiu-se até seus instrumentos, pegando um estetoscópio. — Vou apenas checar como você está, tudo bem? Não precisa se preocupar. — ele cuidadosamente abriu a camisa de força, olhando para os dois enfermeiros, que deram um passo à frente. Ele colocou o aparelho nos ouvidos, a outra ponta pousando sobre as costas de Amelia. — Respire fundo. — ela obedeceu. Daí ele puxou as mangas da camisa de força, checando a pulsação. Ele percebeu um cordão preso ao pulso dela, com um pequeno cartão de identificação. Fez sinal para que uma enfermeira se aproximasse, e esta obedeceu a contragosto. Ele apontou para o cordão. — Tire isso dela. — murmurou. — Parece coisa de defunto.

A enfermeira aquiesceu, indo até a mesinha de apetrechos e pegando uma pequena tesoura, voltando até a maca e pegando o braço de Amelia.

O Dr. Worthington não teve tempo de reagir. Ninguém teve. Sem aviso, Amelia soltou-se da enfermeira, batendo a tesoura, que caiu num estalido fino no chão. Ela jogou-se para trás, caindo no chão, ergueu-se com dificuldade e chocou-se contra a parede estofada, precisando do Dr. Worthington e dos dois enfermeiros para arrastá-la de volta para a maca. Amelia gritava desesperadamente, e agora o Dr. Worthington entendia o porquê de mantê-la longe de tesouras.

—Amelia, fique calma!

—Prendam ela na maca! — disse um dos enfermeiros.

—Não! — o Dr. Worthington vira-se com dificuldade para uma das enfermeiras. — Traga sedativo!

—Sim, doutor! — a enfermeira sai correndo, esbarrando em alguns que passavam no corredor.

Amelia ainda gritava, debatendo-se contra os homens que a seguravam. Parecia exausta, mas não desistia. Logo a enfermeira retornou com uma seringa, ajudando a segurar Amelia, esticando seu braço e permitindo que o Dr. Worthington aplique o sedativo.

Amelia apagou aos poucos. Seus olhos foram perdendo o brilho, e daí se fecharam. O corpo dela, antes tenso, esparramou-se pela maca. Ela respirou lentamente, dormindo em sono profundo.

Os enfermeiros se entreolharam, se perguntando o que fazer agora.

—Levem ela para seu quarto. — disse o doutor. — Com cuidado, por favor.

—Sim, doutor.

O Dr. Worthington suspirou, acalmando-se e olhando ao redor. Foi até o canto da sala, abaixando-se e pegando a tesoura que caíra no chão. Observou-a algum tempo.

Normalmente ele sabia o que causara a psicose. Com esse conhecimento ele tratava a pessoa da melhor maneira, atacando o mal pela raiz. No caso de Amelia Walker, no entanto, ele não tinha essa informação. Ele olhou novamente a tesoura.

“O que aconteceu?”