Bad Romance
25 Uma Nova Familia
Notas iniciais
Annie:
Depois de um inverno horrivel, finalmente temos um lugar seguro para ficar. Os dias na estrada foram apavorantes, perdemos muita coisa, inclusive pessoas. Nunca vou me esquecer do medo que senti quando soube que o tio Merle e a tia Alice tinham sumido, depois ficamos sabendo que eles foram pegos. Eu chorei por dias! Amo muito eles e queria muito que eles estivessem aqui com a gente agora.
Encontramos uma prisão e aqui mesmo vamos construir nosso lar, mais muitas coisas mudaram desde a queda da fazenda. Meus pais por exemplo, tem estado muito estranhos, agora eles brigam e não parecem se amar mais como antes. Isso me deixa muito triste, pois eles e o Carl é tudo o que me resta.
Acho que o único casal que esta realmente bem nesse grupo é Beth e o Alex, eles formam um belo casal e uma dupla e tanto contra os zumbis. Outra coisa ruim foi o que aconteceu ontem, o Hershel foi mordido e tiveram que cortar a perna dele. O resto continua tudo igual.
–O que está fazendo aqui sozinha? Carl pergunta ao me ver sentada num canto do pátio que já esta limpo.
–Estava só pensando em tudo o que perdemos. Respondo e ele se senta ao meu lado segurando minha mão.
–Não precisa mais pensar nisso! Agora temos um lugar seguro e tudo vai ficar bem. Estamos juntos, meu irmão vai nascer e vamos ser felizes.
–Eu sei, mas queria que a minha familia estivesse completa de novo. Sinto falta dos meus tios loucos! Sorrio triste. –E meus pais...
–Eles não são problema nosso Annie! Nunca é bom se meter nos problemas dos pais, sempre dá confusão.
–É, você deve ter razão. Eu só queria que estivesse tudo bem e que todos estivessem juntos como no acampamento lembra?
–Lembro sim, mas não podemos voltar no passado. Eu estou com você agora e não vou te deixar ok? Somos ou não namorados?
–Somos sim, só não diga isso muito alto porque se meu pai ouvir...estamos fritos!
–Vou falar com ele sobre isso. Já sou um homem adulto e tenho que enfrentar os problemas.
–Sei...Digo e me levanto.
–Para onde vai?
–Vou ficar com meu pai um pouquinho. Estou com saudades do tio Merle e aposto que ele está também. Respondo e o deixo sozinho.
Encontro meu pai levando os corpos daquelas coisas para o carro, assim que me vê ele sorri.
–O que foi pequena? Parece triste.
–Estou mesmo triste, eu queria que o tio Merle estivesse aqui. Respondo sentindo meus olhos se encherem de lágrimas. Ele larga o corpo no chão e vem me abraçar, adoro quando ele faz isso.
–Esta tudo bem princesa! O seu tio é um cara durão e tenho certeza de que ele ainda está por aí, um apocalipse não pararia Merle Dixon não é? Ainda vamos encontrá-lo.
–E a tia Alice também? Pergunto sem muita esperança.
–Essa eu não sei, mas vamos torcer para que o que a Carol disse seja mentira ok? Você ainda tem a mim e a sua mãe, nós te amamos muito e vamos estar sempre com você.
–Eu te amo pai! Do tamanho do infinito!Falo chorando abraçada ao meu pai.
–Do tamanho do infinito querida. Confirma e beija meu rosto.
Fico abraçada a ele ainda muito triste, sinto falta da minha familia e mesmo que agora ela tenha aumentado, já que o grupo se tornou nossa familia, eu ainda queria ver a verdadeira familia Dixon reunida de novo. Se o tio Merle está mesmo vivo, tenho certeza de que ele vai acabar nos encontrando.
Afinal ele é um Dixon, e nós Dixon’s não desistimos fácil.
Mika:
Foi horrivel tudo o que aconteceu ontem, o meu pai bebeu mais do que de costume e acabou virando um desses monstros e devorou a Lizzie. Nunca senti tanto medo na vida! Ele nunca foi um bom pai, mas não queria que ele acabasse daquele jeito.
O lado bom disso tudo é que agora eu estou com o Merle e com a Alice, eles sim são um casal legal e eu gosto muito deles. Merle me salvou e isso me fez amá-lo ainda mais. Eu sempre sonhei em ter uma familia completa, com pai, mãe e tudo mais. Agora acho que vou ter essa chance, só queria que a Lizzie também tivesse essa chance.
A Alice é tão doce e cozinha super bem, uma mãe que todo mundo queria ter. Já o Merle é mais fechado, mas eu gosto dele e só me sinto segura quando estou com ele. Mesmo que isso o deixe irritado e ele me chame de Barbie chicletinho, eu não vou deixar ele sozinho.
Mais um trovão soa alto e eu estremeço, odeio tempestades e essa não parece querer passar hoje. Por isso me levanto rápido e corro nas pontas dos pés até o quarto da Alice, abro a porta e vejo eles dormindo juntos. Me aproximo da cama e mexo no Merle, sei que vou levar bronca mais não me importo.
–Merle, acorda! Chamo e ele resmunga abrindo os olhos.
–O que você quer, criaturinha chata?
–Esta chovendo muito forte.
–Não me diga? Pensei que eram os duendes jogando purpurina do céu. Diz sarcástico e fecha os olhos, abro os olhos dele com as mãos. –Porra garota! Será que você não vai me deixar dormir? A Barbie acabou com todas as minhas ernergias hoje.
–Eu tô com medo! Falo apavorada bem na hora em que um raio corta o céu.
–E eu com isso? Volte para a sua cama antes que eu te coloque para dormir lá fora.
–Merle não dorme! Digo alto sacudindo ele. –Não quero ficar sozinha.
–Você é insuportável sabia? Se eu não conhecesse tão bem a Barbie eu até diria que você é filha dela.
–Posso dormir com você?
–Mais nem pagando! Só divido cama com a Barbie, e se você fizer xixi? Vá dormir e amanhã eu te dou um presente.
–Não! Me deixa ficar aqui por favor? Peço de novo e ele revira os olhos, mas logo me ergue com a mão e me coloca deitada entre ele e a Alice.
–Pronto, mas não se acostuma não tá? Você não vai dormir aqui de novo amanhã.
–Ainda vou ganhar o presente?
–Claro que não! Você não cumpriu sua parte do trato.
–Tudo bem, então eu não vou dormir.
–Problema seu! Diz irritado e fica de costas pra mim.
–“Sou um amendobobo yeah / Você é um amendobobo yeah!” Começo a cantar e continuo repetindo por um bom tempo.
–Quer calar a porra da boca! Merle grita furioso, acaba assustando a Alice que acorda apavorada.
–Mais o que é isso? Pergunta confusa.
–Eu estava cantando uma músiquinha para dormir já que o Merle não vai me dar meu presente amanhã, então ele se irritou com a música.
–Isso não é música! É uma preparação para o inferno! Que diabos é amendobobo? Pergunta furioso e a Alice rir.
–Você nunca viu bob esponja? Pergunto e ele me olha irritado, fico assustada mas logo caio na gargalhada.
–“Sou um amedobobo yeah / Você é um amendobobo yeah!” Alice e eu cantamos juntas e o Merle fica vermelho de raiva.
–Calem as porras das bocas agora! Insuportáveis! Prefiro arrancar meus olhos com uma colher do que escutar essa música de novo. E se cantarem de novo, eu coloco as duas para dormir lá fora, escutaram?
–É melhor dormirmos antes que o Ken tenha um ataque e a cabeça grande dele exploda em mil pedaçinhos. Alice diz e eu começo a rir.
–Barbie do capeta! Ken é a puta que...
–Merle! Alice o repreende e ele se cala.
–Vou ganhar meu presente? Pergunto e bocejo.
–Se parar de ser tão insuportável, talvez.
–Então vou ficar quietinha e...Fecho os olhos quase dormindo. –Boa noite!
–Até que fim! Já estava indo procurar em você o botão “Desligar”. Escuto ele dizer, mas já estava sendo levada para o mundo dos sonhos.
Merle:
Acordo com a sensação de estar sendo esmagado, abro olhos e vejo a mini Barbie toda agarrada em mim e na Barbie. As duas estão tão lindas dormindo, só quando estão assim é que deixam de ser insuportáveis, mas gosto delas assim mesmo.
É estranho tudo o que estou sentindo agora, antes eu nem imaginava que um dia poderia ter algo assim. Nunca me imaginei firme com alguém, ou de um dia ter filhos. Mas é isso o que esta acontecendo agora, sei que a Barbie está se apegando a mini Barbie e logo ela vai tipo nossa filha. Não sei se estou pronto para isso, foi muito dificil permitir a Barbie entrar na minha vida imagine essa garotinha? É um peso a mais pra mim e criar laços nunca foi o meu forte.
Quem diria que um dia eu acabaria assim, louco por uma mulher e quase adotando uma criança. O Merle antes do apocalipse nunca faria algo assim, mas o Merle que me tornei agora está mais aberto a esse lance de familia. Mas estou pouco me fudendo para essa merda toda! Vou continuar seguindo em frente, se deus ou o capeta é quem está mandando essas pessoas pra minha vida, eu vou aceitar mesmo que isso acabe me deixando mais louco do que já sou. Eu mesmo quase não me reconheço mais, tudo o que eu fazia antes parece ter sido apenas um sonho e agora eu estou vivendo de verdade. Já estou parecendo o viadinho do Daryl, daqui a pouco vou ser um pau mandado como ele ou sair por ai colhendo flores e distribuindo porpurina. Droga de sentimentos! Porque tem que ser tão complicados?
Me levanto tentando não acordar nenhuma delas, mas não consigo. É só me mexer um centimetro e logo a mini Barbie abre aqueles olhinhos pronta para aprontar, a Barbie também acorda e me beija.
–Bom dia amores! Dormiram bem? Pergunta alegremente.
–Você adora pagar de mãe não é? Brincar de cazinha devia ser a sua brincadeira favorita.
–Não enche Merle!
–Gosto de brincar de casinha! A mini Barbie diz animada.
–Que bom, então brinque as duas porque eu tenho que trabalhar e ainda encontrar um presente para a mini Barbie. Falo de mal humor, me levantando da cama.
–Oba! Eu vou ganhar presente!! Ela diz e começa a pular na cama.
A pego no ar, antes que ela se machuque, ela se agarra a mim como um chiclete toda risonha.
–Quer parar com isso? Você vai acabar caindo e quebrando o pescoço.
–Eu gostou muitoooo de você! Diz e beija meu rosto.
Fico sem reação, não estou acostumado com isso e muito menos com tudo o que sinto com esse simples beijo. Olho para a Barbie e noto que ela esta emocionada, droga! Não quero me apegar a mini Barbie, mas estou sem saída agora. Eu não mereço uma familia, já estava me culpando por ter a Barbie e ser pouca coisa pra ela mas agora com a mini Barbie parece que voltei ao começo. Não sou uma boa pessoa e não quero acabar como o velho que se dizia meu pai, o Daryl sim tem o dom de ser pai, eu não!
As deixo depois de tomar café, é o sacrificio tirar a Mini Barbie do meu pé mas acabo conseguindo. Agora tenho que encontrar um presente para ela, quem mandou eu prometer uma coisa pra ela? É como o velho idiota que era meu pai dizia: é melhor vender a alma ao diabo do que prometer algo para uma criança. Pelo menos o diabo só vem te buscar 10 anos depois, já as crianças vão te encher a cada 5 segundos se você não der o que prometeu.
Ando pelas lojas abandonadas da cidade procurando qualquer coisa, as pessoas me cumprimentam por onde eu passo. Bando de gente estúpida! Nem percebem que estão presas na jaula do Governador.
Já estava prestes a desistir quando vejo a droga de um coelho de pelúcia jogado no chão de uma antiga loja de brinquedos, o pego e sorrio por finalmente ter encontrado alguma coisa. Ele é branco e tem um sorriso idiota no rosto, bem infantil. Só espero que a Mini Barbie goste porque não vou ficar procurando mais! Merle Dixon andando com um maldito coelho de pelúcia na mão, em que ponto eu cheguei? É o fim do poço mesmo! Estou virando a porra de um bichinha, mas que se foda! Vou entregar esse coelho só depois do jantar, assim a Mini Barbie vai saber que conseguir coisas de mim não é tão fácil assim. Pode acontecer o que for, nunca vou deixar de ser Merle Dixon.
Alice:
Passo o dia com meu pai, mas ele tem que resolver uma coisa com o Merle então vou para casa procurar a Mika. Eu a deixei brincando com as crianças na pequena praça da cidade, a encontro exatamente onde deixei só que toda suja de lama.
Ela corre de um lado para o outro, até que esbarra em uma mulher loira e a suja de lama. Corro até lá para ajudar e já escuto os gritos da mulher.
–Garota estúpida! Quem você pensa que é pra fazer isso comigo? Sua mãe nunca te ensinou a não mexer com lama? Pois eu vou te ensinar e...
–Nem pense em fazer isso! Grito quando ela levanta a mão para bater na Mika que já estava chorando.
A mulher se vira e eu quase não acredito no que vejo.
–Andrea? Falo surpresa e ela me encara.
É, parece que as portas do inferno foram mesmo abertas. Tem vadia do capeta solta!
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