Bad Romance
7 A Busca...
Notas iniciais
Merle:
Aqueles filhos da mãe me algemaram só porque falei a verdade sobre o chocolate vencido, mas eu já desconfiava que o Xerife estava irritado comigo por ter falado na frente de todos que ele é corno. Eu sabia que ele ía dar o troco e foi exatamente isso o que ele fez, me deixou preso no telhado para morrer.
–Que ótimo jeito de morrer Merle Dixon!
Eu sei que ninguém vai sentir minha falta mesmo, vai ser como se eu nunca tivesse existido. Talvez a Barbie sinta um pouco, mas só quando não tiver ninguém para salvar ela. Nem sei porque estou pensando nela nesse momento, aquela garota só me enlouquece mesmo.
–Mais ela é uma baita gostosa, isso ela é! Sorrio ao lembrar do beijo e da forma como ela se entregou a aquele momento. –Mas não posso disperdisar meus últimos minutos de vida pensando na Barbie.
Só queria saber como ela vai se virar sem mim, e a Monstrinha? Nunca mais vou poder bagunçar o cabelo dela só pra irritá-la. É, eu vou sentir falta daquela pirralha!
–Só espero que meu irmãozinho gay vire homem de vez e proteja nossa familia, ou a dele já que não tenho nada disso.
Parece que esse vai ser mesmo o fim de Merle Dixon, olho para o lado e vejo uma serra e uma ideia se forma em minha cabeça. Escuto o barulho dos walkers na porta tentando entrar, mas pouco me importo com isso.
–Desculpem, mas Merle Dixon não vai ser o lanchinho de vocês hoje. Pego a serra e coloco bem em cima de onde a algema estar. –Eu sou Merle Dixon, sei a hora que vou morrer e não vai ser agora.
Alice:
Não, isso não pode estar acontecendo! Tudo bem que o Merle é um tremendo idiota e que eu o odeio, mas ele é bom, lá no fundo. Mais BEM lá no fundo mesmo! Ele não merecia ser deixado para morrer como um animal numa armadilha.
Eu já desejei matá-lo mas isso já passou e por mais insuportável que ele seja, ele ainda é um ser humano e nós não matamos os vivos. Pelo menos era isso o que eu pensava.
Daryl começa a surtar e parte pra cima do Rick, apesar de querer fazer o mesmo agora eu acho que encontrar o Merle é mais importante. Shane segura o Daryl por trás, Bela pega sua besta e aponta para a cabeça do Shane, então em um piscar de olhos estamos todos com as armas nas mãos.
–Tá, chega de palhaçada! Grito abaixando minha arma e todos fazem o mesmo. –Se matarmos uns aos outros agora, não vai trazer o Merle de volta.
–Vamos nos acalmar e conversar. Rick diz e parece estar testando a minha paciência.
–Não vamos nos acalmar porra nenhuma! Meu irmão está algemado em um telhado no meio de uma cidade infestada de zumbis porque vocês não conseguiram controla-lo e quer que eu fique calmo? Daryl grita descontrolado.
–Se isso sevir de consolo, eu passei uma corrente na porta. Os zumbis não conseguirão passar pela porta, seu irmão vai ficar bem. T-Dog diz e eu me encho de esperança.
–Se é assim, vamos buscar ele. Falo indo em direção ao carro.
–Agora? Rick pergunta.
–Não, depois do Natal. Assim levamos um pouco da ceia para os restos mortais dele e pedimos desculpas por termos demorado tanto, ele vai entender com certeza. Digo sorrindo irônica. –É claro que é agora, seu idiota!
–Isso é suicídio! Lori diz nervosa.
–E deixar o Merle preso no telhado é homicídio! Grito pra ela. –Vamos ou vou ter que chamar as forças armadas pra isso?
Eles começam a discutir sobre quem vai ou não e isso me enche a paciência, alguns minutos depois o grupo está formado. Vamos eu, Daryl, Rick, T-Dog e Glenn.
–Tem certeza de que quer ir Alice? Você nem sabe se defender sozinha. Alex diz pela quinta vez.
–Eu sei atirar e isso me parece ser o bastante.Agora me deixe ir e tome conta da Bela e da Monstrinha, quer dizer, Annie!
–Tá passando tempo demais com o Merle. Ele reclama fazendo uma careta.
–Vai brincar de salada mista com um zumbi, vai Alex! Me irrito e entro no carro. –Se eu chegar e você tiver chapado eu esqueço que sou sua irmã e te dou uma surra.
–Vai sonhando maninha! Eu sou o irmão mais velho.
–Mais age como se tivesse 2 anos, então eu sou a responsável!
–Se cuida! Ele sorri pra mim antes do Rick dar a partida no carro.
Daryl não parece nada bem e ninguém tem coragem de falar nada, acho que sou capaz de dar um soco se alguém falar. Nunca fui violenta e morro de medo de tudo, só que dessa vez eu tenho que ajudar o Merle, ele já me salvou muitas vezes e poderia ter ido embora naquele dia sem me levar junto, mas ele me levou junto e se estou viva agora é por causa dele.
Tenho que ser corajosa pelo menos uma vez na vida e provar que não sou só a garotinha da cidade pequena filha do cara rico, eu sou Alice Blake e vou honrar esse nome. Agora é só torcer para que o idiota do Merle continue vivo.
–Agora temos que ir andando. Glenn avisa quando chegamos aos antigos trilhos do trem.
–Eu deveria ter colocado um tênis mais confortável, sapatilhas não são feitas para caminhar. Reclamo irritada ao sair do carro.
–Vamos logo! Daryl fala indo na frente.
–E eu pensando que só tinha um troglodita na familia Dixon. Sussurro para mim mesma antes de segui-lo.
Caminhamos por um bom tempo, sempre desviando dos zumbis. Meus pés doíam quando finalmente chegamos a loja de departamentos onde fica o telhado onde o Merle está, entramos fazendo o maior silêncio. Na loja só uma zumbi andando entre as araras de roupa, Daryl se aproxima e atira uma flecha nela que cai como um saco de batatas.
Continuamos nosso caminho em silêncio, subimos as escadas, Rick vai na frente com T-Dog, eu fico no meio com o Glenn e o Daryl vem por último nos dando cobertura. T-Dog quebra a corrente e eu respiro aliviada ao ver que ela ainda estava no lugar.
Mas meu alivio some no segundo em que chegamos ao telhado e nada do Merle, Daryl começa a gritar e só então entendo o porque. No chão uma serra cheia de sangue perto das algemas e ao lado a mão do Merle cortada. Caio de joelhos no chão sentindo tudo o que eu comi subindo pela garganta, mas consigo me controlar.
–Ele...cortou a própria mão? Pergunto sem raciocinar direito.
–Como pode? Ele é louco! T-Dog diz com nojo.
–Isso é culpa sua! Daryl grita e parte pra cima do Rick.
Estamos todos chocados demais para fazer alguma coisa, então o Daryl bate no Rick até o T-dog sair do estado de choque e o tirar de lá.
–Temos que fazer alguma coisa. Glenn fala e percebo que ele vai vomitar a qualquer momento.
–Coloca isso ai! Daryl diz pegando a mão do Merle com um lenço e tentando colocar na mochila do Glenn.
–Não! Porque vamos levar isso? Glenn pergunta fazendo careta.
Não escuto o que eles ficam conversando, acho que saio do ar. Só o que se passa na minha cabeça é que o Merle agora esta sem uma mão e pode morrer por falta de sangue, ou talvez ele fique fraco demais e não possa se defender de um ataque zumbi.
São tantas alternativas ruins que eu começo a chorar de medo e angústia, culpa também por não ter chegado à tempo. Querendo ou não eu vou sentir falta dele e...Olho para o chão vendo os rastros de sangue que levam para outra porta do lado esquerdo do telhado. Me levanto e sigo os rastros até a porta, tinha uma escada e o rastro seguia por ela.
–Alice? O que está fazendo? Glenn pergunta parando ao meu lado.
–Ele deixou um rastro. Respondo e começo a descer as escadas.
Daryl aparece do nada e fica na minha frente seguindo o rastro do irmão, esses Dixon’s não tem um pingo de educação mesmo. Continuamos seguindo até o andar que parecia ser o da cozinha ou copa, não sei. O sangue vai até um fogão que está ligado.
–Ele...ECA! Glenn grita e dois zumbis aparecem.
Daryl acaba com os dois em segundos, eu fico apenas olhando o rastro de sangue que termina no fogão, agora não tem como saber para onde aquele maluco foi.
–Vamos procurar por ele! Merle não deve ter ido muito longe porque perdeu muito sangue e deve estar fraco. Eu aposto que ele ainda está por aqui. Digo e sigo em frente.
O grupo se separa para procurar, a cada segundo que passa eu fico mais nervosa. Se eu encontrar o Merle vivo, eu mato ele só por ter me feito passar por isso! Quem ele pensa que é? Agora preciso me concentrar para não virar almoço de zumbi. Procuro por todos os lados e nada dele.
–Se eu fosse Merle Dixon, onde eu iria depois de cortar a mão? Pergunto para mim mesma.
Logo uma ideia surge em minha cabeça, sigo pelo corredor até chegar na sessão de bebidas. Só um Dixon iria encher a cara depois de cortar a própria mão, não preciso andar muito e o encontro sentado no chão com uma garrafa de bebida na mão.
–Achei! Grito para os outros sem me importar se vai chamar os zumbis ou não.
Corro até ele que parece estar desacordado, o braço enfaixado no lugar onde ele cortou a mão, tem sangue mas não tanto. Coloco minha mão em seu pescoço para ver se esta vivo bem na hora que ele abre os olhos.
–Barbie? Pergunta com a voz fraca. Começo a chorar de emoção e o abraço. –Espero mesmo que isso não seja uma ilusão da minha cabeça, porque eu vou te zoar muito por causa desse abraço.
–Cala a boca seu idiota! Mando irritada e me afasto ainda chorando. –Você quase me matou do coração sabia?
–Você veio atrás de mim não foi Barbie? Já não vive sem o Dixon aqui. Ele diz sendo Merle de novo.
–Ele tá bem? Daryl pergunta ao chegar.
–Ele já está falando merda, então ele esta bem.
–Olha o respeito Barbie!
–Preciso de um kit de primeiros socorros.
–Ela ama cuidar de mim, só que não vou tirar a camisa dessa vez Barbie.
–Cala a boca Merle! Mando e começo a rir. –Eu já estava sentindo falta dessa sua implicância mas isso não quer dizer que eu goste de você.
–Aqui esta! T-dog me entrega o kit e eu começo a fazer um curativo no Merle.
Mesmo escutando ele falar bobagens eu estou preocupada com seu estado, ele perdeu sangue e vai precisar repor logo ou vai piorar. Mas decido dizer isso quando voltarmos para o acampamento, depois de pronto Daryl e eu o carregamos pela loja até a saída.
–Não podemos levá-lo até o carro.
–Eu posso andar sabia?
–E eu posso te matar sabia? Pergunto e ele resmunga irritado. –Mais o Daryl tem razão, precisamos de um carro.
–Eu vi uns caminhões no estacionamento dos fundos da loja, eu posso trazer um até aqui.
–Obrigado Glenn. Agradeço e ele vai correndo até lá com o Rick que continua calado.
–Você não podia ter esperado eu vir te buscar não? Tinha que cortar a mão não é?
–Pará de ser viadinho Daryl! Eu sempre me virei sozinho e não sabia se íam vir me buscar.
–Admita que fez isso depois de chorar muito feito um garotinho assustado. Implico e o Daryl ri.
–Eu devo estar muito mal mesmo, estou sendo zoado pela Barbie!
–Acho melhor calar a boca se não eu te deixo aqui.
–Deixa nada, você esta caidinha por mim. Diz sorrindo presunsoso.
–Vai se fuder Dixon!
–Bem que eu queria, mas você fica se fazendo de dificil.
–Vocês dois parem já! Eu não quero saber o que vocês fazem quando estão sozinhos. Daryl diz escondendo um sorriso.
Glenn volta com o caminhão e mais 30 zumbis atrás dele, corremos e entramos na trazeira do caminhão fechando a porta em seguida. Daryl teve que atirar em um zumbi que puxava meu pé para que eu pudesse entrar, minutos depois estamos saindo de Atlanta.
–Eu poderia te matar chocolate vencido, mas prometi ao Daryl que não mataria ninguém desse grupo de merda, então quando você for expulso eu te mato. Merle ameaça e T-dog fica assustado.
–Merle, já te disseram que você fala muita merda? Pergunto sem paciência.
–Já te disseram que você é muito fresca? Porque o que você tem de gostosa tem de irritante e fresca! Ignoro ele completamente e me concentro em seu braço.
Passo o resto do caminho aguentando as bobagens do Merle e quase me arrependo de ter ido atrás dele, quando escutamos gritos. O caminhão pará e o Daryl abre a porta, já estamos no acampamento só que ele está sendo atacado por zumbis e eles são muitos.
–Minha nossa senhora dos sapatos de griffe, estamos fudidos! Digo vendo muitos zumbis saindo da floresta. –E agora? Pergunto ao Merle pois só ficamos os dois dentro do caminhão e mais 5 zumbis vinham nessa direção.
–Agora fudeu! Ele diz me olhando assustado.
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