Bad Red
9 Um pequeno esbarrão
Notas iniciais
O homem pôs as mãos na cabeça e olhou pela a janela do quartinho. Ele suspirou. Depois do desmaio da menina, ela já estava dormindo à quase três dias. Pobre criança, pensou Allen. Mas a garota não parecia uma criança, ela aparentava estar em seus dezessete ou dezoito anos. Dr. Donald Wright entrou segurando uma pequena prancheta. Tossiu um pouco, ah, aquela velha tosse. Era mais que normal para um homem de sua idade, em seu "cinquentão", porém ela o custou uma licença cirúrgica. Wright observou as intensas olheiras que pousaram no rosto de seu amigo. Afinal, de onde ele conhecia aquela menina? Depois da morte de Alice, Allen trancou-se em seu mundo, parecia um velho, chato e rabugento, nem atenção ao próprio filho ele dava. Então, porque ele estaria preocupado com ela?
Allen aproximou-se de Wright amigo de longas datas. Era ele quem cuidava de seus ferimentos e fraturas na época em que Allen lutava clandestinamente. Mas isso ele deveria esquecer. Quem o dera, parte de seu passado ainda o assombrava à noite em seus sonhos...
– Então... — Allen voltou o seu olhar para a menina. — Ela cai ficar bem?
O doutor ajeitou os óculos e seu olhar voou para a prancheta.
– Não mentirei Allen. O que ele teve, e bem, ainda tem, foi sério. Porém, a garota tem grandes chances de melhorar. — O velho suspirou e escreveu na prancheta os medicamentos necessários.
– Ela também vai precisar receber algumas aplicações de soro...
– Tudo bem, tudo bem, eu, é... — Allen pareceu atrapalhado. — Você fez o que eu pedi?
Dr. Wright balançou a cabeça em afirmação.
– Eu falei com meu superior. Ele concordou em deixar a identidade da menina em branco.
– Obrigado, Donald. — Allen agradeceu sem jeito. Donald já havia feito muito favores para ele. Nos velhos tempos, quando o conheceu, Stilinski era um lutador clandestino e o médico sempre o ajudava em seus ferimentos e contusões. Ele tinha muita a agradecer ao amigo, que era um segundo pai para ele, fez. Allen não queria que a garota fosse fichada no hospital. Não sabia por que, mas ele sentia que alguma coisa de errado estava acontecendo com ela. Claro, ela é moradora de rua, deve ter feito alguns inimigos. Ele sabia que sim, talvez porque já tenha encontrado outra moradora de rua que mudou completamente sua vida, ah, Alice. Ele fechou a porta do banheiro e lavou o rosto, estava preocupado com Jake. Ele havia pedido para sua irmã cuidar de Jake em sua ausência, mas mesmo assim não conseguia parar de pensar em seu filho. Allen respirou fundo, saiu do banheiro e... Onde ela estava?
Ela havia acordado... E fugido.
Brooke acordou novamente, só que desta vez ela não viu Allen. Um arrepio correu pela sua espinha. Droga, onde ele estava? Ele tinha a abandonado? Enquanto estava na companhia daquele homem, ela sentia-se protegida dos sequestradores. Ela sabia que ele podia protegê-la enquanto a garota estava naquele estado. Agora, ele tinha ido embora.
Não! Tinha de ir a procura dele!
Ela precisava falar com ele. Ela arrancou as agulhas de seus braços. Como odiava agulhas, na verdade, ela tinha pavor. Sempre teve. Brooke levantou-se rapidamente, a tontura aumentou em resposta a sua ação. Seus pequenos e delicados pés sentiram a frieza do chão. Arrepios percorreram seu corpo. Ela sentia-se febril e fraca. As pessoas olhavam curiosamente e até com medo da garota enquanto ela passava pelo corredor. Sua cabeça girava e doía Brooke apoiou-se na parede e abaixou sua cabeça. Mas que inferno! Ela sentiu a ânsia voltar. O gosto amargo cobriu sua boca. Ela continuou andando pelos corredores do hospital. As pessoas pareciam incomodadas com a sua presença, Brooke bufou, elas estava acostumada com isso. Ela sentiu a força da batida. Brooke havia esbarrado com uma pessoa. Ela caiu, estava sentindo-se tão fraca. Como ela queria sair dali, aquilo parecia um sanatório.
– Desculpe, eu não... — O homem parou e olhou para Brooke. Seu olhar travou com o olhar de Brooke. Ele era lindo. Seus olhos castanhos fixaram na menina, sua barba estava por fazer e suas roupas eram todas pretas. Como os homens de preto, os sequestradores. Brooke atrapalhou-se um pouco, ela estava ficando maluca. Sua paranoia pelos homens de preto que a sequestraram estava aumento, ela tinha que parar com aquilo, mas não podia. O seguro morreu de velho. O homem continuou olhando fixamente para Brooke como se a conhecesse de algum lugar. Porém, ele não se lembrava de onde. Ele ajudou a menina a levantar-se. Estranho, aquilo foi estranho. — Desculpe-me. — Ele repetiu.
– Não, não, está tudo bem. — Brooke cambaleou para fora do caminho do homem. Ele poderia ser bonito, mas era um estranho e misterioso. Brooke não gostava de pessoas misteriosas e muito menos estranhos a olhando fixamente daquele jeito. Com o esbarram, Brooke sentiu sua cabeça doer ainda mais.
– Ei você!
A garota viu um médico a chamando. O pânico encheu seu corpo e ela correu. Estava tão fraca que não conseguia correr rápido suficiente. Brooke esbarrava nas pessoas a sua frente.
– Desculpe, desculpe. Com licença...
– Espere! Garota! — Donald puxou a menina pelo braço. Sua respiração estava ofegante. Com certeza correr daquele jeito não fazia parte dos seus planos. A menina tentou sair de seu aperto, ela batia-se e puxava. Mas ela estava fraca demais para um homem do porte de Donald. Ele poderia não estar em seus melhores anos, mais ele tinha um bom porte físico, resultado de seus treinos com Allen. — Acalme-se, acalma-se. Estou aqui para ajuda-la.
– Não! Você é um deles. Você é um deles! — Ela repetia. Allen dobrou o corredor e avistou a menina. O olhar de Brooke pairou sobre o de Allen e ela acalmou-se. Se ele fosse um deles? Não, não, não poderia ser.
– Allen! Allen! — Brooke tentou sair do aperto de Donald. — Solte-me!
– Você precisa descansar menina. — Allen falou. Ele fez um sinal e Donald a soltou. — Venha de volta para o quarto e conversaremos — Brooke aceitou. Ela passou pelo médico e por Allen indo direto para o quarto. Estava na hora. Será que ele concordaria. Talvez ele achasse que ela estaria intrometendo-se demais em sua vida, mas Brooke iria tentar. Porque não? Ela não tinha nada a perder, na verdade, ela tinha o que ganhar e não iria desistir tão facilmente.
[...]
O homem estava estático, Completamente parado. Não sabia o que fazer. O que aconteceu ali?
Ela sabia que a conhecia mais não sabia de onde. Sua mente espremia-se tentando achar a resposta. Até que... Era ela. Ele puxou uma foto impressa e um número de celular. A garota poderia estar mais magra, com cabelos mais longos, mas era ela. Ele discou o número em seu celular, uma voz rouca e grossa atendeu.
– Sim.
– Aqui é o Morgan, eu a encontrei.
O silencio reinou. Morgan podia ouvir a respiração agitada do outro lado da linha.
– Você tem certeza?– A voz perguntou.
– Sim. Sobre a recompensa...
– Onde ela está?
Morgan sorriu presunçosamente.
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