Bad Red
8 Eu preciso falar com você
A vingança é um sentimento selvagem. Não é justiça. Tampouco é moralista. Não é um apenas um sentimento de raiva. É ódio. Ela corrói. Era isso o que estava acontecendo com Brooke, à sede insaciável de vingança que sentia naquele momento era surpreendente. Era como se outra pessoa apossasse de seu corpo. Um tipo diferente de monstro. Dizem que para começar uma vingança devem-se cavar duas covas. Na verdade, Brooke já havia cavado, elas estavam lá, uma em seu coração e a outra em sua mente. O ódio e a vontade de justiça. Trágico. Por muito tempo ela pensou que aquilo poderia seguir um rumo diferente, que ela apenas esqueceria e iria viver sua vida em paz. Bem, ela tentou. Mas parece que seu destino era outro. A vingança conforta o coração dos ofendidos e maltratados. A vingança é servida em um prato que se come frio. Simples assim. Muitos pensam que se possa superar, sim, isso acontece. Porém, Brooke não via esse outro lado. Estava cega. Cega de ódio. Ele estava corroendo a menina.
Ela parou na porta. Lembrou-se do dia em que esteve aqui. Um dia atrás, na verdade. Castillo, Academia Castillo. Ah, Jake, pobre Jake. Menino sofredor, tão corajoso por si só. A memória amarga de seu pai propagou-se em sua mente. O pai daquele doce menino não se parecia com ele em nada. Tão grosso, um homem rabugento e mal educado. Ela não o culpava, ele perdeu o grande amor de sua vida. Poucas pessoas superam. É dificil, oh, como Brooke o entendia.
Entretanto, mesmo Brooke odiando aquilo, ela só conhecia os dois naquela cidade, mas confiava em Jake. Brooke seguiu seu instinto, nada mais nada menos que uma intuição. O fato de estar passando fome importava muito em sua decisão. Até porque, ela não ia combater eles sem nenhum treinamento. E era isso que ela negociaria.
Ainda era cedo, o relógio da loja de doces perto da academia marcava 05h60min. Brooke podia ver que não tinha muitas pessoas no estabelecimento Castillo. Ela olhou pelo vidro da porta. Duas pessoas lutando no tatame, outras três malhando. Bom, tentaria não chamar atenção, se ela conseguisse ao menos falar com aquele homem antes que ele a expulse de lá.
Brooke entrou sorrateiramente, tentando parecer o mais invisível possível. Mas não tinha como. Os olhares foram aumentando. Alguns riam, outros achavam estranho, outros riam achando estranho. Ela parou em frente a porta do escritório. Era sua última chance. Ser ou não ser?
Respirou fundo e bateu na porta. Uma, duas, três vezes.
A voz saiu de dentro da sala como um resmungo.
– Entre.
Brooke entrou. A porta abriu-se em um barulho enferrujado. O silêncio reinou.
Na sala havia alguns troféus, notas de jornais e alguns quadros. No centro, o homem estava sentando em frente a uma mesa de madeira maciça. Estava assinando alguns documentos. A atenção do homem dirigia-se apenas aos papéis em sua mesa. Em um canto especial, Brooke viu um porta retrato com a foto de uma mulher e um menino abraçado. Pareciam tão felizes. A mulher não aparentava ter nem vinte e oito anos, seu filho parecia ter cinco. A mulher era loiro e tinha lindos olhos preto, profundos e expressivos. Já o menino havia puxado o pai, seus olhos azuis refletiam todos os melhores sentimentos, acompanhado de um belo sorriso banguela. A garota refletiu. Aquele homem sempre fora assim ou transformou-se em um ser sem vida depois da morte de Alice? O que Alice viu nele? Ah, o amor. Certamente, Brooke não queria julga-lo, não o conhecia, mas ela tinha certeza que ele estava muito machucado. A garota observou a pequena plaquinha em sua mesa anunciando seu nome.
"Allen Stilinski"
O homem levantou a cabeça pronto para interrogar a pessoa a sua frente. Só poderia ser um completo idiota para importuna-lo. Seu olhar vagou em direção a garota. Estava pior do que a viu pela última vez, se isso fosse possível. Allen tentou identificar sua expressão. Seus olhos mantinham um castanho nublado, diferente do que viu antes. Seu rosto estava muito pálido e magro. Ele não sabia o que dizer, pela segunda vez em sua vida, não tinha palavras. A primeira vez foi com Alice, aquela mulher esperta, engraçada e irritante, seu grande amor. Ele guardou o doce pensamento de sua amada em seu coração. Concentrou-se na menina a sua frente.
Brooke começou a ficar sem palavras, mas ela tinha que falar com ele. Tinha que tentar. Seus olhos azuis eram apenas vácuos, não se via nada, alegria, tristeza. Aquilo parecia à coisa certa a se fazer, pelo menos era o que a garota achava...
– Você deve lembrar-se de mim. — Começou. A garota sentiu um pouco de tontura, ela sentou na cadeira tentando parar com a náusea que cobriu sua garganta. A mala preta caiu ao chão. A bile subiu e ela tentou conter o enjoo.
– Sim, eu me lembro. — Allen hesitou em sua pergunta, mas continuou. — Você está bem?
– Não finja que se importa, por favor. — Ela falou amargamente. O homem ajeitou-se na cadeira sentindo-se ainda mais desconfortável. O que aquela garota... Ou melhor, quem aquela pirralha pensava que era? Ninguém falava daquele jeito com Allen Stilinski. Ele admitiu seu ataque da primeira vez. E Allen não era um homem de primeiros desacatos, principalmente segundos.
– Não admito que fale assim comigo, garota. Afinal, o que quer comigo? Jake não está aqui e mesmo se estivesse, ele não estaria disponível para você. — O homem falou grosseiramente. Não era sua intenção... Não, Allen sabia sua verdadeira intenção, não era nenhum santo, ele estava sendo rude com aquela garota porque ela merecia. E ele não iria pedir desculpas pelo o que aconteceu. Por mais que se sentisse culpado, o orgulho falava mais alto. Maldito ego.
Brooke deu o seu melhor sorriso amarelo. Ela tentou falar mais a tosse sufocante apareceu novamente, mas dessa vez ela não conseguia parar. A menina colocou a mão sobre a boca, logo sentiu o líquido ardendo em sua mão. Ela estava tossindo sangue e não conseguia parar. Brooke não conseguia respirar, ela tentou puxar o ar mais uma vez. Porém ele acabou seus pulmões não conseguiam mais absorver. Tudo aconteceu muito rápido, em questões de segundo a menina caiu no chão, desmaiada.
[...]
Brooke tentou levantar-se mais suas mãos estava presas a agulhas. O branco da sala a deixou ainda mais apreensiva. Ela puxou mais uma vez suas mãos e arrancou as agulhas violentamente de suas veias. Ela sentou na cama e abraçou seus joelhos. Estava em um hospital. Tinha pavor de hospital. O cheiro de morte e doença enchia o lugar. Era como se os médicos fossem os anjos da morte. A garota não estava mais com sua antiga roupa, agora ela estava vestida com uma camisola do hospital. Brooke saiu da cama devagarinho. Sentiu o impacto do chão frio em seus pés. Ela tinha que sair dali. O homem na poltrona ao lado remexeu-se. Ele parecia estar em um sono profundo. Quem o dera, Allen já estava ali há dois dias acompanhando a menina. Em seu tempo morando na rua, Brooke adquiriu uma doença pulmonar chamada abcesso pulmonar. Ela ataca os pulmões fazendo que o indivíduo tenha cansaço, febre e tosse que produz expectoração. Esta expectoração pode estar tingida de sangue. Allen lembrou-se da explicação do médico, seu velho amigo Dr. Wright.
Ele ouviu o som dos passos da garota. O homem levantou-se em um pulo, assustando Brooke.
– Volte para a cama, garota. Você não está bem. — Ele falou secamente em sinal de aviso. Brooke bufou, porque tudo que saia daquele homem era grosseria e secura. Porém, ela não se importou, ele estava tentando ajuda-la e isso contava muito para o que ela precisava.
– Eu preciso falar com você.
– Volte para a cama, agora. — Ele foi em direção à menina para coloca-la de volta a cama.
– Não! Espere deixe-me falar! — Brooke sentiu a fraqueza apossar-se de seu corpo. Sua cabeça girou. Mas uma vez a menina sentiu o cheiro de morte encher o recinto. — Não, eu preciso falar, eu preciso falar com você... — Ela sussurrava enquanto caia lentamente ao chão. Allen pegou o corpo da menina antes que ela caísse.
Allen colocou Brooke de volta a cama. Estava preocupado com ela, porém, estava ainda mais curioso. O que ela queria falar com ele?
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