Notas iniciais
Leiam, e deixem reviews, por favor.Boa leitura.

Era uma noite de lua cheia em Collinwood, portanto, uma noite bem iluminada. Julia Hoffman estava deitada em sua cama, folheando as páginas de um antigo caderno, da época de quando ainda fazia faculdade de medicina. Ela havia encontrado este caderno enquanto arrumava a estante de seu consultório há alguns dias atrás e, hoje, durante esta noite, ela resolveu ler suas antigas anotações.

Haviam escritos de todos os tipos. Anotações feitas durante a aula, que Julia facilmente reconheceu por estarem em uma letra corrida, típicas de quando ela anotava algo com pressa; haviam datas de provas e entregas de trabalhos, pesquisas desenvolvidas por ela mesma, dados e fatos históricos importantes sobre a medicina e estudos sobre o cérebro humano. Era um tanto nostálgico para Julia estar relembrando o seu passado universitário. Aquela fora uma época tão boa de sua vida...

Com um suspiro, ela fechou o caderno, colocou-o em sua mesa de cabeceira, apagou a luz do quarto e deitou-se para dormir. No meio da noite, Julia acorda assustada com o barulho estrondoso de um trovão. Levou alguns minutos até ela perceber que estava tendo uma tempestade lá fora. Julgando-se uma tola por ter se assustado e perdido o sono por conta de um fenômeno natural, a psiquiatra resmungou para si mesma e acomodou-se novamente para dormir. Mas, quando ela fechou os olhos, houve uma batida na porta.

Julia suspirou. Quem diabos seria o louco que estaria batendo em seu quarto a uma hora dessas? Não haviam consultas marcadas para o meio da noite; isso não fazia sentido, exceto quando utilizara de seus atendimentos médicos para outros fins, como fizera com Barnabas Collins certa vez. Mas este, agora, não era o caso.

Relutantemente, ela afastou o cobertor de seu corpo e arrastou-se até a porta do quarto, pronta para xingar quem quer que fosse, mas surpreendeu-se ao abrir a porta e ver um Barnabas Collins perturbado à sua frente. Demorou alguns segundos para a médica recuperar sua voz.

– Huh... Barnabas? O que faz aqui?

– Eu... – neste momento, ouviu-se o barulho de um trovão, e o homem estremeceu visivelmente. – Eu posso entrar?

– Ah, bem, claro. – Ela respondeu, sem entender nada.
Somente quando fechou a porta de seu quarto e retomou seu lugar à frente de Barnabas, foi quando ela percebeu que estava vestindo apenas uma camisola curta de um tecido fino. Olhando constrangidamente para o rosto do vampiro, ela teve a impressão de que ele também havia reparado, pois ele evitou seu olhar, virando o rosto para a janela.

Ambos ficaram dois minutos em silêncio, quando Barnabas falou:

– Me desculpe, Julia, por incomodá-la em seu quarto no meio da noite, mas... Eu realmente precisava vê-la.

O coração de Julia deu um salto. "Não há nenhum problema quanto a isso, querido", ela queria dizer. Mas a única coisa que saiu de sua boca foi um "sim" sussurrado.

O homem continuaria a falar mais coisas, quando um raio caiu em uma árvore muito próxima à mansão Collins, cuja era possível enxerga-la a partir da janela do quarto de Julia, e Barnabas estremeceu novamente.

– Eu posso... passar essa noite aqui? – ele perguntou humildemente.

– Cla-claro... – ela respondeu, confusa e ansiosa ao mesmo tempo.

Antes que Julia pudesse lhe perguntar o motivo, o vampiro correu para a cama da médica, encolhendo-se, com uma atitude completamente infantil. O único suposto a ter esse comportamento era David, que ainda era uma criança. Mas Barnabas? Ele tinha mais de duzentos anos! Isso não era compreensível.

Dando a volta na sua cama com o cenho franzido, ela sentou-se do lado do homem, não acreditando ser possível que ele tivesse pânico de tempestades.

– O que aconteceu? – Ela finalmente perguntou.

– Eu estava em meu quarto, acomodando-me para dormir, quando... Quando o temporal começou.

Julia permaneceu do silêncio, esperando que ele prosseguisse.

– Eu... Tentei controlar meu pânico, o desespero crescente dentro de mim, mas eu me sentia demasiado transtornado para tal, de modo que eu precisava ter você por perto.

O coração da médica deu um outro salto ao ouvir tais palavras, e ela lutou contra a vontade de sorrir, pensando que Barnabas acharia que ela estava troçando dele.

Ela ergueu seu travesseiro para sentar-se encostada na cama, e puxou o cobertor até seu colo. Outro trovão foi ouvido, acompanhado do constante som da chuva e do vento batendo contra a janela. O vampiro deu outro salto.

– Diga-me, Barnabas. O que aconteceu que te deixou assim? Ou você apenas tem esse pânico, sem nenhuma razão aparente?

– Há muito tempo atrás, eu estava saindo de Nova Inglaterra e viajando até Martinica, e então para a África do Sul. Eu e minha tripulação estávamos no navio, quando houve... uma grande tempestade.

Outro barulho de raio foi ouvido, e Julia, sem pensar duas vezes, bateu do seu lado no colchão, chamando Barnabas para sentar-se ao lado dela. Sem exitar, o vampiro sentou-se com ela, deixando sua cabeça cair ao ombro dela e abraçando-a com um braço.

Ela sentiu seu corpo queimar com a sua proximidade, mas este não era o momento para essas coisas que o lado perverso de sua mente estava querendo lhe dizer.

Ela sacudiu a cabeça, como se estivesse tentando livrar-se de um pensamento assim como nos desenhos que passavam na televisão, ela voltou sua atenção para Barnabas. Ela puxou a coberta para cima dele e puxou-o para mais perto dela, quando ele retomou a história.

– Estávamos indo para a África do Sul, como eu disse, e havíamos sido pegos por uma tempestade. O mar estava terrivelmente agitado, sacudindo o navio como se fosse um barquinho de papel... A água do mar e a chuva invadiram várias partes do navio, e muitos raios estavam caindo, assim como hoje. Todos nós... parte da tripulação... achamos que... Fôssemos morrer.

Agora estava claro para Julia o motivo de seu medo. Seu coração se afundou do seu peito imaginando Barnabas sendo jogado para fora do navio pela arrebentação da maré e morrendo afogado. O simples pensamento deixou-a nervosa.

– Shh, está tudo bem agora, querido. – Ela sussurrou para ele. – Não há do que ter medo agora, nem ter que se preocupar. Você não está no mar, você está em casa. — Ela o sentiu segurá-la mais apertado. — Você não está encharcado de água, temendo por sua vida; você está aqui, comigo. Não há o que lhe preocupar agora, meu bem.

Delicadamente, Julia beijou a bochecha de Barnabas; um beijo lento, querendo tranquiliza-lo.

– Aqui. Vamos nos deitar para dormir. — Ela disse à ele, ganhando um aceno de cabeça como resposta. O homem deitou com a cabeça no peito de Julia, ouvindo seu batimento cardíaco. Ela os cobriu com o cobertor até o peito, para não sentirem frio durante o resto da noite, embora o calor de seus corpos, grudados um ao outro, lhes garantissem total conforto. Eles estavam abraçados fortemente um ao outro; Julia querendo mostrar-lhe proteção e segurança, e Barnabas não querendo solta-la, pelo menos, por toda a noite.

A psiquiatra enrolava os cabelos de Barnabas entre seus dedos, brincando com os fios. Quando ela virou seu rosto para beijar carinhosamente a ponta do nariz de Barnabas, ele ergueu seu rosto para o dela, dando-a um beijo nos lábios. Ela abriu os olhos, surpresa, e corou, agradecendo aos céus por ser noite e não permitir que o homem visse seu rubor, mas tendo novamente a impressão de que ele viu, Barnabas sorriu e deu-lhe mais um beijo lento e afetuoso nos lábios.

– Obrigado por deixar-me passar a noite aqui. – Ele disse à ela olhando-a nos olhos, ambos com os olhos brilhando.

Por mais que Julia não dissesse nada, as suas palavras não seriam mesmo necessárias. Barnabas sabia que seria sempre bem vindo, todas as vezes que ele a abordasse no meio da noite para passar a noite com ela, sendo por causa de tempestades ou não.

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