Bad Habit
1 Capítulo 1 - Edwards is my new direction
Notas iniciais
- A trama por trás da história eu criei com minha amiga mas a história principal é minha
Um prazo de 1 mês era bom o suficiente para mim. Poderia ser chamado até de favor vindo de um chefe como o que eu tinha, que mesmo que a Nação viesse somente regredindo e escondendo cada vez mais tudo do povo, queria que o jornal e a revista do mês fosse atualizada com a mesma estrutura de que atualizávamos antes. Eu estava prestes a ser demitida depois de várias noites de trabalho em frente à tela do computador serem jogadas displicentemente no lixo por August, então quando em todos os lugares na Nação só se podia ouvir falar do acontecimento que tinha abalado a família Edwards, tive a ideia da reportagem do mês na revista que contando com várias noites e copos de cafés espalhados por meu quarto poderia me manter no trabalho.
Precisei somente de 30 minutos usando o computador de Miryam na Sede do jornal para conseguir o que precisava para começar logo o que seria o meu ganha-pão do mês. Uma chuva grossa caia do lado de fora do prédio e para que eu saísse dali com os vários papéis até o prédio – Sede da revista – do outro lado do terreno (que depois de algumas brigas com o Governo passou a pertencer aos Jornalistas) eu teria que aceitar um assassinato da parte de meu chefe, então assim que consegui desenvolver minha ideia exatamente como eu precisava anotei tudo em um papel avulso que achei e lá mesmo comecei com as pesquisas.
O consultório que Perrie Edwards visitava todas as quartas-feiras às 16h45 era a menos de 19 km. Como ainda eram 14 horas e o tempo de viagem de trem até onde eu desceria para andar até o consultório era pouco, cogitei a possibilidade de conversar com quem a atendia sem que ela soubesse antes. Com os papeis do meu chefe eu não poderia sair dali naquela chuva, mas nada me impediria de sair com minhas coisas, pelas quais eu era responsável, e com esse mesmo pensamento peguei minha bolsa, um café, uma capa de chuva dentro do almoxarifado e saí.
Ter pego um casaco naquele dia tinha sido a melhor coisa daquela semana, em qualquer lugar ali estava frio então nem ousei sentar perto da janela quando entrei no trem, temendo que escorresse gotas da chuva pela janela e quando elas triscassem minha pele eu desse um surto ali. A Nação era uma coisa pequenininha, provavelmente menor que o Vaticano, o sistema parecia uma daquelas distopias – que eram proibidas para não incentivar uma tal “rebeldia” – que davam para os jovens lerem lá fora mas na verdade era uma cidade com casas e coisas na estrutura antiga e a mesma estação de trem desde que minha vó era pequena e nem sonhava que um dia moraria ali.
A plataforma em que parei era perto do consultório e não tive que andar muito e por sorte não havia nenhuma rua por ali que ainda não tinha sido reformada e era pura lama. Dobrando umas 2 ruas achei tudo que precisava.
N 13º, rua 90, Província Alfa Lado A
Suspirei e passei pela porta giratória o prédio com uma horda de seguranças me olhando, tirei a capa e deixei pendurada no braço por baixo da bolsa. Me encostei no balcão de mármore sentindo um leve choque por ele estar frio e abri um sorriso para a mulher que mastigava um chiclete amargamente enquanto me olhava.
– Bom, eu queria saber se poderia falar com o Doutor... – fiz uma pausa e olhei para o papel – Christian... Preciso de algumas informações dele para a matéria que planejo fazer – fui direito ao assunto e me surpreendi em ela não contestar antes de pegar o telefone e tocar violentamente alguns botões e sussurrar algumas coisas.
– Ele está lhe esperando – ela falou e voltou ao chiclete despreocupada – Próximo!
A sala dele era pequena e fria, a tintura era branca e nem os cabelos ruivos do homem chamavam atenção ali. Me sentei na cadeira do lado oposto de onde ele sentava na mesa e esperei até que ele saiu de uma porta pequena e sentou-se nela, esfregando as mãos uma na outra.
– Não me parece uma das pacientes frequentes de quarta-feira, o que a traz aqui? – ele falou como um daqueles monges de filmes medievais e colocou a mão simetricamente na mesa, dando um sorriso largo. Ele parecia mais perturbado que qualquer um que fosse ali.
– Hm, sou Leigh-Anne Pinnock, trabalho na Revista e...– provavelmente outras 30 pessoas já tinham tido a ideia de perguntar sobre o caso Edwards ali para uma reportagem ou notícia. Decidi ir em frente mesmo assim – Estou procurando, como provavelmente outros colegas de trabalho já fizeram provavelmente, informações sobre o caso Edwards...
Ele desfez o sorriso e aproximou a cadeira da mesa, consequentemente ficando mais perto de mim também. Aquele velho era estranho. Bruscamente ele virou-se na cadeira e pegou um documento, voltando-se para mim.
– Ninguém veio, então como qualquer pessoa que não sabe o suficiente vou dar as informações básicas para que você, jornalista, procure o resto ou invente e coloque naquela revistinha medíocre – eu deveria o estapear por falar da Revista, mas a loucura dele de dar informação para receber informação parecia maravilhosa para mim, mesmo que um tanto antiético.
– Ok, espere um pouco para que eu pegue o gravador... Não perguntarei nada demais e nem que pareça uma pergunta relevante, só fale o que pode, ou que quer – falei animada enquanto procurava o gravador dentro da bolsa que tinha pegado. Não parecia muito aceitável ouvir informações dadas de bom grado de um médico para mim, mas eu poderia depois só verificar se era tudo mentira ou verdade. Coisa que eu fazia o tempo todo.
Ele falou pelos minutos que se seguiram até que uma mulher entrou pela porta nervosa e praticamente me expulsou. Eu estava voltando para casa (meu expediente era somente até 15h40 e com tanto que eu provasse que tivesse sido a trabalho eu poderia sair) quando percebi que não tinha cumprido meu objetivo principal que era encontrar com a Sra. Edwards mas o Dr. Christian tinha deixado comigo ousadamente o número dela e que a qualquer momento eu poderia liga-la. Acho que aquele homem sabia que aquilo poderia dar prisão ali. Decidi que iria esperar uma coragem crescer dentro de mim para contata-la para conseguir mais informações, então assim que cheguei em casa agendei o número em meu celular para garantir que eu não esquecesse.
VVV
Quarta era um dia movimentado na Província Beta pois era o dia que o Governo largava de algumas regras bobas e deixava que os Ômegas nos visitassem sem nenhuma interferência, e era portanto o dia que mamãe vinha me visitar e eu comprava comida e ela cozinhava para nós duas. Naquela noite tinha prometido fazer macarronada quando viesse e me ligava a todo momento para dizer que já estava chegando como se eu fosse ficar aborrecida com ela se ela tivesse dificuldades de fazer a viagem de uma Província à outra. Ultimamente a minha felicidade tinha causado a ela uma preocupação estranha já no ano seguinte ela seria “inútil” para o Governo e ela poderia passar a viver comigo contanto que eu pagasse as contas adicionais dela e por isso eu estava trabalhando arduamente, o que para ela seria motivo de e ficar louca de repente.
– O trânsito estava uma loucura, mas eu não quero que escute minhas histórias, quero que vá tomar banho enquanto eu preparo tudo – ela chegou por trás de mim e pegou a xícara de café que eu segurava com uma mão enquanto a outra tentava enfiar o cabo do gravador no notbook – Você toma café o tempo todo, desse jeito o Jordan não vai mais te querer com os dentes estragados – ela continuou e assim que jogou a xícara na pia voltou para me abraçar. Correspondi o abraço fortemente e dei vários beijos na sua bochecha.
– Não fale de noivos em noites que são nossas – brinquei e dei mais um beijo nela – Vou ouvir quantas horas você quiser de histórias suas enquanto jantarmos, ultimamente se eu te contar minhas histórias você vai chorar de tão ruins que são perto das suas – ela gargalhou alto comigo e eu fui em direção do banheiro do pequeno loft onde morava.
Terminei o banho rapidamente e vesti um blusão preto qualquer que encontrei sobre a cama, que era igual a vários outros que eu tinha por amar aquele estilo de roupa. Ajudei mamãe na macarronada enquanto ela me contava de todas as notícias sobre como a venda de maçãs da feira ia bem e ela estava conseguindo guardar bastante dinheiro para me ajudar no ano que estava vindo, sobre todas as aventuras dela com Norma, a mãe de Jade que era minha amiga de infância assim como nossas mães, nos jantares que elas preparavam para festas de famílias ricas e tudo que ela gostava de falar e eu tinha prazer de ouvir.
– Mas e o seu trabalho? Como vão as coisas? – perguntou, seu assunto preferido depois de Jordan era meu trabalho e como ela o achava interessante.
– Consegui umas informações para a reportagem do mês hoje, sobre o caso Edwards – respondi esticando meu prato e o colocando sobre a mesinha de centro sem tirar os olhos do filme que assistíamos mesmo que eu estivesse entendendo somente algumas coisas.
– Ah, servi em uma festa na mansão deles quando você era pequena, a menina, Perrie, não parecia do tipo que fazia essas coisas... Mas dizem que psicopata nenhum parece.
– Sim... Mais tarde vou transcrever a entrevista no computador e depois tenho que ligar para ela...
– Você tem o número da mulher? Olha lá onde vai se meter atrás de reportagem menina! – ela exclamou assustada.
– Mãe, é meu trabalho, sempre tem dessas coisas ruins.
Seguiram-se mais 2 horas dela ali até que eu precisei descer do loft para deixa-la na estação de trem. Esperei até que ela já estivesse a caminho de casa para ter certeza de que eu não me sentia culpada de esperar que ela fosse embora para trabalhar.
E então eu abri o notbook, conectei o gravador e deixei os dados carregando, peguei uma xícara cheia de café e procurei pelo número dela na minha lista de contatos. Era hora de ir fundo.
Fale com o autor