Bad Girls
18 Whore
Notas iniciais
You love me for everything you hate me for. But let me tell you something, baby
You love me
You want me
You need me
Annabeth conhece cada canto do seu quarto no hospital. Sabia que o banheiro esterilizado atrás dela não tinha nenhuma arma branca, ou objeto cortante por perto, nem mesmo o espelho podia ser quebrado, que sua cama é desconfortável demais para o alto preço que pagara, que o chão brilhava branco como nuvens geladas, e que o fio do soro que a pouco estava em seu braço pingava escarlate nos lençóis brancos, ela reparou que tudo no quarto era branco, tão branco que lhe dava dor de cabeça.
–Estou horrível. -Admitiu para si mesma encarando seu rosto refletido no espelho, com o olho arroxeado, corte na testa fechado por uma fita de adesivos, e uma lista de hematomas incontáveis. -Obrigada Silena.
Annabeth sorriu olhando a maleta que Silena deixou ao lado de seus remédios com um curto bilhete "você está horrorosa", dentro estavam maquiagens, lentes de contato e duas perucas, uma morena e outra ruiva. Ela se maquiou sem pressa, eram duas da manhã ninguém se importavam com hora ou com ela agora.
Depois de camadas e mais camadas de maquiagem cuidadosamente aplicada Annabeth voltou a ser bonita, embora não estivesse parecida com ela mesma, olhos castanhos, cabelos negros curtos, lábios claros e sombra escura não fazem parte do seu dia-a-dia. Pegou a injeção de Dormonid um sonífero de cavalo que sempre carrega e Silena fez questão de colocar dentro de colocar dentro da maleta.
Escorregou seus pés gelados para dentro dos chinelos que o hospital entregou para ela e saiu do quarto, de braços cruzados para que ninguém visse a injeção.
Estava no primeiro andar por vontade própria, não queria chamar atenção ou algo do tipo, uma ideia que foi completamente por água a baixo, afinal assim que virão a herdeira Chase entrando no hospital sangrando e molhada nos braços de um belo jovem igualmente encharcado a noticia se espalhou e agora várias revistas fazem plantão em frente ao hospital.
Andou pelo corredor mal iluminado com seu vestido de papel que com certeza mostrava sua bunda para quem estivesse no corredor iluminado pela brilhante luz artificial, que consistiam em apenas duas pessoas, um garoto de oito anos jogando no celular tão concentrado que nem levantou os olhos com Annabeth passou por ele e uma idosa dormindo na cadeira de rodas, com o cabelo branco formando uma cortina sobre seu rosto enrugado e emitindo ruídos nojentos, como os de alguém engasgando.
Depois de virar dois corredores Annabeth achou o que procurava; A enfermeira que cuidou dela assim que acordou, a enfermeira era mais baixa que ela, com o mesmo cabelo escuro da peruca só com o corte mais repicado do que a que Annabeth usava. Ela está encostada na parede pintada de azul, de costas para a loira, cantarolando alguma música lenta e assinando algumas folhas, com a mente tão distante que nem ouvindo os passos silenciosos da paciente atrás dela, em um movimento tão rápido quanto o bote de uma cobra Annabeth fincou a agulha na veia carótida da enfermeira apertando o êmbolo até todo o liquido entrar no corpo magro da mulher.
A enfermeira se virou caindo nos braços de Annabeth com o corpo tremendo.
–Quem...é....você? -Perguntou a enfermeira com a fala lenta de alguém dopado.
–Eu sou você, Cassie. -Murmurou forçando a voz a ficar tão fina quanto a da enfermeira, que em segundos vacilando entre olhos fechados e arregalados finalmente apagou com o sedativo. Annabeth a arrastou até um quarto vazio, onde empurrou a enfermeira para a cama, puxando o uniforme branco com pequenos detalhes azuis do corpo da enfermeira Cassie, tirou seu vestido de papel o dobrando e colocando dentro do busto do uniforme após vesti-lo e arrumar a peruca.
–Bons sonhos. -Murmurou retirando as luvas de látex de Cassie, e colocando nas próprias mãos depois de vira-las do avesso. Arrumou a enfermeira com delicadeza na cama desconfortável do quarto sem luz e saiu do corredor.
Pegou o celular da Cassie do bolço do uniforme, que é bem diferente do que ela esperava, depois de ver a roupa das enfermeiras em filmes pornô Annabeth se sentiu traída a ver que o vestido do uniforme não era curto, justo ou decotado, muito pelo contrario, ela parecia uma freira de branco e azul com ele, cobrindo seus joelhos e com o corte quadrado no busto.
–Alô? -A voz de Piper estava rouca e lenta, como se ela tivesse acabado de acordar e ela realmente tinha acabado de acordar, com uma vergão vermelho no rosto bronzeado por estar apoiada na mochila do Léo e com as costas doendo por ter se enrolado feito uma bola na cadeira.
–Pips. -Chamou Annabeth sussurrando e fingindo estar chorando.
–Annie? Você não está no quarto? -Perguntou Piper agora alerta.
–Não, a... -Annabeth engasgou como se estivesse realmente se debulhando em lágrimas.
–Annie? Para de chorar e me fala o que está acontecendo. -Mandou Piper roendo as unhas de nervosismo.
–A Bad Girl, ela está vindo. -Murmurou Annabeth assustada. -Me ajuda Pips, só confio em você. -O elevador de serviço onde a loira estava parou na garagem.
–Estou indo, onde você está? -Piper se levantou da cadeira confortável do hospital, onde todos estavam dormindo, Thalia saiu assim que descobriu que Annabeth estava bem, Silena dormia nos braços de Léo, Reyna pegou no sono a poucas horas, em uma posição estranha com a boa aberta e a cabeça caída pra trás, depois de interrogar Percy que apenas revirava os olhos e mandava ela calar a boca a cada três perguntas e Percy que antes estava ao lado de Piper tinha desaparecido.
–Garagem. -Sussurrou Annabeth depois prendeu a respiração, a última coisa que Piper ouviu antes da ligação cair foi o choro de Annabeth e sua voz fraca implorando para que parecesse.
Piper correu pelas escadas polidas do hospital, como coração batendo tão forte que parecia um motor, pulsando sangue para todo o ser corpo cheio de adrenalina "É isso que ela sentiu?" Se perguntou tropeçando pelos degraus "quando salvou Luke do ser enterrado vivo, será que foi assim que Annabeth se sentiu?"
Seus pés pulavam os degraus mais rápido do que ela imaginou ser possível, imagens horríveis de Annabeth machucada, torturada enchiam sua mente, enquanto seu cérebro tentava acompanhar a quantidade de degraus até garagem.
Depois de descer três lances de escada Piper estava arfando, com os fios castanhos escapado de sua trança e caindo por sobre seus olhos, o teto de cimento é tão baixo que poderia encostar ele se esticasse os braços.
–ANNABETH! -Gritou assim que recuperou o folego, olhando para todos os lados tentando encontrar a loira ou pelo menos algum registro de que ela esteve ali, mas não tinha nada, nada a não ser carros, uma imensidão de carros sem fim.
O silencio mórbido durava minutos ou horas foi substituído pelo ronco de algum motor, nos segundos seguintes Piper sentiu medo, um arrepio gelado subiu por sua coluna, seus dedos tremeram, "Bad Girl, ela matou Annabeth e agora vai me matar" pensou Piper enquanto dava sem perceber pequenos passos para trás.
–Olhe pro lado vadia. -Uma voz extremamente rouca riu de Piper, que não teve outra oportunidade de gritar enquanto a van de frente reta passava por cima do seu corpo, Piper foi lançada alguns metros afrente e atingida novamente pela van que seguiu reto como se o corpo sangrento da morena no chão não fosse mais importante do que uma folha no chão.
Piper ainda estava consciente, embora seu cérebro estivesse emundado com a dor, não sentia outra coisa a não ser dor, tão forte que ela não conseguia pensar ou se mover.
–Porque? -Perguntou o mais alto que pode, algo que não passou de um sussurro, engasgando com o sangue quente e férreo em sua boca.
–São só negócios. -A mulher de cabelos negros se abaixou, perto o suficiente para que Piper reconhecesse o perfume, não muito forte e misturada ao aroma de álcool.
Annabeth sorriu se levantando, encarou o corpo de Piper por alguns segundos enquanto a morena perdia forças e sucumbia a doce inconsciência, suas pernas estavam visivelmente quebradas assim como o braço esquerdo, sangue vermelho escuro saía de praticamente todo o corpo.
Ela se virou andando com calma até o elevador, onde esperou pacientemente chegar até o primeiro andar, tomando o cuidado de olhar para baixo escondendo seu rosto da câmera. Trocou de roupa colocando seu vestido de papel e o uniforme da enfermeira que ainda estava apagada no quarto.
Seu quarto estava do mesmo jeito que deixou uma hora atrás, limpou a maquiagem, tirou a peruca e as lentes, se despiu e encarou seu próprio reflexo no espelho inquebrável do banheiro.
–Sou só isso? -Se perguntou fitando seus próprios olhos cinzentos, havia uma gota se sangue na ponta do seu indicador, sangue de Piper, elas foram amigas, não foram? Annabeth já se importou com Piper? Ela já se importou com alguém? -FUCK IT! -Gritou saindo nua no banheiro após lavar a gota em seu dedo e cobrindo os hematomas do rosto. -Ninguém merece uma crise existencial.
Vestiu a primeira roupa que achou na mala e saiu batendo a porta do quarto.
–É muito cedo para o café da manhã ser servido. -Falou a mulher gorda e desanimada da lanchonete do hospital.
–Então me de um café forte, minha enfermeira sumiu. -Murmurou Annabeth esfregando as têmporas, a luz forte da lanchonete vazia a irritava, o lugar é bem grande e cheio de mesas e cadeiras de metal.
–Você a garota rica que fez todos esses paparazzi aparecerem aqui não é? -Perguntou a mulher que tinha o nome "Brittany" no crachá, ela devia ser bonita na adolescência, o cabelo ruivo é grande e estava engordurado dentro da touca de renda, os olhos eram verdes como musgo, tão bonitos e tão escondidos por sua pele flácida e marcada pelo tempo. -Eles já foram embora, por sorte Las Vegas é um lugar onde muita coisa acontece, coisas mais importantes do que uma riquinha machucada.
–Sim, sou eu. E ainda bem, eles são chatos. -Annabeth pegou a xícara de café fumegante e fechou os olhos aproveitando a cafeína que entrava em seu organismo, era bem parecido com a nicotina do cigarro, mas em vez de a deixar relaxada café lhe dava energia. -Então, não tenho nada pra fazer, me conte sobre esse hospital ou sua vida.
–Não é da sua conta criança. -Ralhou a mulher fazendo Annabeth rir. -E minha vida não é tão animada como já foi um dia.
–Vamos lá, deve ter sido bem mais legal do que tudo que eu fiz hoje. -Annabeth deu mais uma pequena golada no café se sentando no banco de frente para Brittany com a maleta sob o salto de suas botas.
Brittany lançou um olhar desconfiado para a garota loira com rosto de anjo e um corte na testa, depois de segundos a avaliando decidiu conversar com ela, contou tudo para Annabeth, sobre seus ex maridos, como todos nesse hospital tem problemas e o que a loira mais queria ter certeza o vicio em remédios da enfermeira Cassie.
–Por Deus ela fez isso mesmo? -Perguntou Annabeth assustada comendo um sanduíche de queijo que Brittany fez.
–Fez, menina você nem acredita a confusão que foi, imagina que loucura a enfermeira chefe presa por estar drogada e bater em um paciente. -A ruiva estava com os dois braços roliços apoiados na bancada com o rosto entre as mãos, com os olhos presos em Annabeth com uma ser adoração.
–Ela tinha que ser expulsa daqui. -Brittany concordou com a cabeça.
–ANNABETH! -Gritou Reyna entrando no campo de visão da loira, seu vestido branco tinha uma grande mancha de sangue na barriga "parece que ela sofreu um aborto" Annabeth gargalhou alto com esse pensamento e logo se calou colocando sua melhor mascara de garota assustada.
–Reyna, o que raios aconteceu com você? -Ela pulou do banco, pegando a maleta e entregando alguma nota solta em seu bolço para Brittany.
–Estamos te procurando. -Reyna hiperventilada como um peixe fora d'água. -Piperfoiatropelada. -Disse com o folego que lhe restava.
–Respira e fala de novo, não entendi nada. -Annabeth segurou no ombro de Reyna dando apoio a morena desesperada e descabelada.
–Piper foi atropela, e acabou de sair da cirurgia.
–O QUE? -Gritou Annabeth sem acreditar. -Onde ela está?
–Terceiro andar, mas ninguém pode entrar... Mas você já foi. -Reyna bufou vendo que assim que disse "terceiro andar" Annabeth já estava correndo para as escadas sobre aqueles saltos enormes.
–ONDE ELA ESTÁ? -A loira gritou assim que chegou no terceiro andar, Percy estava encostado em uma porta com "PROIBIDA A PASSAGEM DE PESSOAL NÃO ALTORIZADO" escrito em grandes letras garrafais amarelas, ele está lindo e simples, de bota e calça preta e sua blusa branca de sempre, olhando para baixo com cabelo negro formando uma cortina sobre o rosto, as mãos nos bolsos e os pés cruzados.
Annabeth correu para ele ignorando Silena e Léo que a conversavam entre si, a expressão de preocupação dos dois foi substituída por surpresa quando a loira soltou a maleta e abraçou Percy, realmente o abraçando e com absoluta consciência de que todos viam.
–Chase? -Perguntou Percy confuso ao sentir o cabelo loiro macio fazendo cocegas em sua bochecha e o rosto de Annabeth escondido em seu pescoço.
–Como ela está? -A voz de Annabeth saiu entrecortada, o hálito quente dela em seu pescoço fez um arrepio involuntário passar pelo corpo de Percy.
–O médico acabou de avisar que a cirurgia foi um sucesso. -Respondeu Silena com sua voz cantada.
Annabeth se soltou de Percy, pegando o pulso dele e olhando as horas.
–Quando ela entrou? -A loira entrelaçou seus dedos com os de Percy, ele ainda estava confuso com todos os gestos de carinho dela. Annabeth estava ciente de que são onze horas da manha e que realmente tinha ficado muito tempo conversando com Brittany.
–Umas oito horas. -Léo deu de ombros fitando Reyna que se abraçava com os olhos cheios de lágrimas.
–Alguém me conta que porra aconteceu com a Piper?! -Exclamou Annabeth frustrada depois de segundos do silencio.
–Ela foi atropelada, tentaram mata-la Annabeth, Bad Girl tentou mata-la! -Exclamou Reyna de volta levantando da cadeira e apontando o dedo na cara de Annabeth.
–Acha que eu não fique preocupada também? -Perguntou Annabeth furiosa e superficialmente ofendida.
–Não sei mais o que te preocupa. -Brandiu Reyna entre dentes. -Eu não sei quem você é.
–Você nunca soube. -Respondeu Annabeth dando de ombros. -Me mantenham informada sobre a saúde de Piper, Percy pode me acompanhar por favor?
–Ok. -Percy jogou as mechas que caiam em seus olhos para trás e seguiu Annabeth para o elevador. -Bad Girl acabou com você. -Afirmou passando as pontas dos dedos no hematoma no ombro exposto pela regata de Annabeth.
–Ela precisa de muito mais do que me bater para acabar comigo. -A loira sorriu mordendo o lábio inferior e aproximando seu corpo ainda mais de Percy, embora o elevador estivesse vazio.
–Porque queria nos afastar dos outros? -Questionou Percy de braços cruzados fitando os olhos cinzas de Annabeth.
–Reparou que quase não estamos mais juntos? -Annabeth se aproximou ainda mais dele, tão perto que sua respiração se misturava com a de Percy mas não tão perto a ponde dele não conseguir desviar dela se quisesse, e ele não quis, nem tentou se afastar, muito pelo contrario, Percy afundou suas mãos entre os fios dourados do cabelo de Annabeth e a beijou, não foi desesperado ou urgente, ela podia senti-lo, sentir as vibrações do coração de Percy martelando sobre seus dedos e o doce sabor que ele tinha nos lábios.
–Vamos sair daqui. –Sussurrou Annabeth sem fôlego. Ela puxou Percy pela mão para fora do elevador correndo para o carro dele, em segundos eles já estavam na estrada.
–Onde quer ir? –Perguntou Percy sorrindo de lado, formando uma covinha em sua bochecha.
–Hotel Madam.
–O que vai aprontar Chase –A desconfiança na voz de Percy é tangível, como qualquer pessoa que vive no lado oculto de Las Vegas, eles sabem o que é o Hotel Madam, alem de ser extremamente caro, era o lugar onde todos os homens maus ficam, de cafetões a traficantes de todo tipo de coisa.
–Relaxa Jackson. –Sussurrou Annabeth no ouvido de Percy, sugando o lóbulo de sua orelha e passando a mão direita por sobre seus ombros largos. –Já te deixei na mão alguma vez?
Percy riu com o duplo sentido dessa frase, assim como Annabeth.
–Não. –Respondeu Percy, sentindo a loira se debruçar sobre ele, empinando a bunda no banco e abrindo seu cinto. –Se eu bater o carro a culpa é sua. –Falou tão baixinho que mal conseguiu se escutar, mas Annabeth ouviu, e abriu um sorriso largo vendo que ainda exerce o mesmo poder de sempre sobre o moreno.
–Ainda não fiz nada. –Os lábios quentes de Annabeth beijaram a semi ereção de Percy por sobre sua cueca branca.
–Chegamos.
–Srta Chase. –O manobrista apareceu ao lado de Percy, com o típico uniforme preto do Hotel Madam.
–Olá, coloque a estadia na minha conta, ficarei com o meu quarto essa noite. –Annabeth se levantou e saiu do carro nenhum pouco envergonhada de ter sido pega de quatro dentro do carro.
–Como desejar. –O homem acenou com a cabeça estendendo a mão para a chave. –Boa estadia.
–Vou ter com certeza. –A loira piscou para ele, entrando com Percy no hotel dourado e preto.
–Esse não é o seu andar. –Comentou Percy assim que Annabeth apertou o botão com o numero 3 dourado.
–Eu sei. –Concordou a loira sorrindo e beijando Percy, colocando os braços em volta do pescoço dele e o puxando para mais perto, as mãos dele estavam em sua cintura, com os dedos gelados perto da sua coluna coberta pelo delicado tecido da blusa causaram um arrepio bom no corpo de Annabeth. –Por aqui.
Ela os guiou pelo corredor de portas brancas com detalhes dourados, até chegarem ao número 302.
–De quem é esse... –Percy começou a falar mas foi interrompido pela mão da loira cobrindo sua boca.
–Shhh. –Annabeth pegou o cartão no bolso de Percy, virando de costas para ele e passando pela porta, até chegar à tranca, girou a maçaneta com desenho de diamante varias vezes antes de a porta abrir.
–Esse não é o quarto do...
–Rafael Albernar? Dele mesmo. –A loira sorriu mas uma vez olhando a enorme suíte. É brega e com o estilo do traficante que a comprou, cada móvel aqui é tão caro, que só o tapete turco jogado no chão poderia manter uma família por meses.
–E porque invadimos o quarto de Rafael Albernar? –Perguntou Percy fechando a porta, seu cinto está aberto caindo das calças, presa em sua cintura apenas pelo zíper já que Annabeth abriu o botão e não o deixou fechar.
–Porque ele é um pé no saco. –Sussurrou a loira esticando os braços e depois puxando sua regata azul por sobre a cabeça e jogando em algum lugar na suíte, o sutiã preto ressaltava seus seios pálidos e macios que pareciam pular sempre que ela inspirava.
Percy a puxou para perto pela cintura, com a sua quase ereção batendo na bunda de Annabeth sobre o jeans. Ela se virou para ele o empurrando para a porta e atacando seus lábios com urgência dessa vez, pulou sobre ele prendendo suas pernas em volta da cintura de Percy.
–Senti sua falta. –Assim que essas palavras saíram dos lábios carnudos e rosados dela, Percy sentiu como se algo tivesse esquentado dentro de si, e dessa vez não era o que esta dentro de sua cueca.
Prendeu a perna de Annabetb a sua volta e a saiu da porta, com os lábios dela beijando seu pescoço e as mãos perdidas em seus fios negros. Percy a levou até o quarto, sua camisa foi embora pelo caminho assim como o sutiã que ela mesma tirou. Jogou a Annabeth sobre a cama coberta pelos lençóis com estampa de zebra e foi puxado por suas pernas, caindo por cima dela.
Percy sorriu ao ver Annabeth mordendo os lábios, se impedindo de gemer enquanto ele lambia demoradamente seus seios enrijecidos e massageava outro com a mão. Ele soltou seus seios quando um gemido sôfrego escapou de Annabeth, trilhando beijos pela barriga lisa dela, até chegar ao cós das suas calças, a tirando com uma lentidão torturante, o baixo ventre de Annabeth se contorcia e gelava com os beijos de Percy tão perto de onde ela mais queria, mas nunca realmente lá.
Ele jogou as botas e as calças de Annabeth no chão, tirando sua calcinha encharcada com os dentes e subiu beijando a parte interna de sua coxa, beijou seus grandes lábios, fazendo a loira suspirar
– Percy... –Annabeth gemeu contraria enquanto Percy apenas passava a língua sobre sua entrada. –Não me torture...
Percy a olhou, percebendo que pela primeira vez a loira parecia vulnerável, com a voz trêmula, bochechas vermelhas e a boca entreaberta. Sua ereção que ficava a cada suspiro de Annabeth mais incomoda dentro de suas calças agora estava praticamente o matando e teria de esperar pela sua atenção, o moreno gostou de ver Annabeth vulnerável.
–Essa é a ideia, Chase– Falou voltando para o pescoço exposto da loira e o lambendo até alcançar sua orelha, onde fez questão de sugar, da mesma forma que Annabeth fez com ele minutos atrás.
Todo o fôlego que restava em Annabeth some quando a mão de Percy finalmente tocou sua intimidade, já úmida e quente, clamando por atenção. Pressionou com o polegar o ponto mais sensível da loira, soltando mais um dos seus lindos sorrisos de lado quando Annabeth ofegou fincando as unhas em seus ombros.
Sem que ela deixasse, o quadril de Annabeth se movimentou indo de encontro com a mão de Percy, que a massageava variando de força e velocidade.
Annabeth estava entregue, ficando cada vez mais vulnerável quando fechava os olhos pelas ondas de prazer proporcionadas por Percy, que sorria cada vez que ela fazia isso.
A loira puxou Percy para si, abafando seus gemidos nos lábios dele. Se estivesse com o juízo perfeito nunca ficaria tão submissa a ele, tão exposta, é totalmente contra o que Annabeth acredita, mas por hoje, só por hoje ela não se impediria de nada que a fizesse bem, mesmo que esse bem seja sussurrar incontáveis vezes o nome de Percy enquanto ele a masturbava.
Annabeth abriu os olhos quando a mão de Percy saiu de dentro de si para apertar sua cintura. Ela estava tão perto do orgasmo que sentia as ondas tomando conta do seu corpo quando ele parou, apenas para provoca-la. Com um movimento rápido ela girou os dois, ficando por cima dele, os quadris apertando seu membro coberto pelas calças e cueca.
–Minha vez, Jackson. –Annabeth moveu os quadris sobre Percy, ele apertou sua bunda acompanhando o ritmo da loira.
Ela deslizou as mãos por seus ombros, peito e barriga de Percy, até encontrar o cós da sua cueca, seus dedos ágeis entraram pelo tecido da cueca e calças, sentindo a ereção quente e pulsante em sua mão. Apertou da base até a glande em um movimento leve. Percy apertava os olhos, mordendo os dois lábios para não gemer, não daria esse gostinho para Annabeth saber o quanto mexe com ele, em todos os sentidos
–Você continua achando que me engana? –Perguntou a loira beijando o pescoço de Percy e subindo até seus lábios, fitando aqueles olhos verdes com intensidade surpreendente para eles.
Percy segurou um dos pulsos de Annabeth que estava sobre seu ombro e inverteu as posições outra vez. Sentou entre os tornozelos da loira que se apoiava nos cotovelos para o olhar, Percy puxou uma perna dela, a mantendo no alto, roçando os lábios por seus dedos dos pés e tornozelo, com os olhos maliciosos fixo nos da loira.
Ele abaixou sua perna beijando seu joelho, subindo por sua coxa, beijando-lhe a parte interna da coxa, tão perto da virilha molhada de Annabeth, ela o queria ali, estava quase o batendo por não voltar a tocá-la, mas Percy não se importou, continuou sua trilha de beijos até a boca da loira.
Percy sentiu o corpo sobre o seu se mexer, o livrando das calças e da cueca, as jogando para baixo com o pé, antes que Annabeth conseguisse tocar seu membro Percy conseguiu prender seus pulsos com apenas uma mão acima da sua cabeça entre os travesseiros macios. Annabeth poderia se livrar da mão dele se quisesse, mas não queria, gostava desse jogo.
Percy pressionou sua ereção pulsante contra o baixo ventre da loira, roçando em sua intimidade molhada, com uma mão apoiou seu peso ao lado da cabeça de Annabeth e com mão livre puxou uma das pernas da loira para sua cintura.
Penetrou a carne macia e quente sem aviso prévio, gemendo junto com Annabeth, ela mordeu seu ombro impedindo a si própria de gemer escandalosamente alto, ela enlaçou os seus quadris de Percy com as pernas, o fazendo ir mais fundo.
–Mais forte. –Pediu Annabeth arranhando as costas nuas de Percy. Ele aumentou a força e velocidade das estocadas, a loira perdeu a razão quando a onda de prazer fez seu corpo arrepiar, abraçando Percy e gemendo sem pudores contra o seu pescoço.
Percy a olhou nos olhos enquanto quase chegava ao orgasmo. Annabeth sentiu como se tivesse sido jogada aos céus e partida em milhões de pedaços, prontinhos brilhantes dançavam em sua visão quando um gemido escapou de seus lábios e ela se derramou sobre Percy. Ele tentou não ter um orgasmo logo após ela, mas a visão de Annabeth suada com os cabelos esparramados pelos travesseiros grandes, seus lábios entreabertos e as bochechas coradas era demais para ele resistir, principalmente com seu quadril se movendo junto com o dela, logo ele mesmo estava gemendo entre os lábios da loira, com uma explosão de espasmos e arrepios subindo sobre seu corpo.
A mente de Annabeth estava enevoada pelo prazer quando sentiu braços de Percy sobre si. Ele a abraçou puxando os lençóis horríveis sobre os dois, ela ainda mantinha os olhos fechados enquanto Percy a fitava, absorvendo cada detalhe daquele ser praticamente sobrenatural de tão belo ao seu lado. Seu coração pulsava forte no peito, talvez de medo por constatar algo que está na sua cara. Ele a adorava, adorava como os cachos louros emolduravam seu rosto, como os olhos cinza como nuvens de chuva faziam qualquer um se ajoelhar por ela, adorava seu lado maníaco e controlador que o salvou tantas vezes e também adorava seu lado carinhoso e protetor, da garota que o tirou das garras de um padrasto abusivo. Preso em seus pensamentos e sem perceber as palavras simplesmente saíram.
–Eu te amo. –Não passavam de um sussurro baixo, Percy arregalou os olhos ao notar o que tinha dito, que realmente falou isso para Annabeth, por segundos ele a encarou, esperando que ela dissesse algo, mas ao que parece a loira estava dormindo, Percy suspirou aliviado fechando os olhos afundando o rosto nos cachos dourados e caindo na doce inconsciência, mas Annabeth não estava dormindo, nem dormiu naquela tarde.
Percy acordou com o som de Jailhouse Rock fazendo a cama tremer, se espreguiçou notando que a cama estava vazia, vestiu sua cueca e as calças.
–Bom dia Elvis. –Falou sorrindo de lado para o ser louro que dançava em cima da mesa de centro.
–Ele é o rei! –Exclamou Annabeth tirando o charuto da boca, seus cabelos dourados estão bagunçados, em uma das mãos está uma garrafa de vinho velha e empoeirada. –Olha o que o Rafael tem no closet. –Disse gesticulando para o enorme casaco de pele cinza que vestia por sobre a blusa branca de Percy.
Ele riu da loira quase bêbada, assoprando a fumaça do charuto para cima.
–Quer? –Ofereceu o vinho em sua mão. –Tenho que admitir Rafael tem bom gosto, vinho da safra de 70 e charutos cubanos. –Sua fala estava enrolada e ela piscava bastante como se estivesse tentando enxergar Percy dentro de uma piscina, ele aceitou tomando um grande gole do vinho doce e seco, bem doce.
Annabeth jogou o charuto no chão puxando Percy pela mão.
–Vamos, dance comigo. –Pediu rebolando o quadril como o Elvis, Percy suspirou percebendo que Annabeth realmente não escutara nada.
–CHASE! –Gritou Rafael entrando no apartamento abraçado a duas garotas, seu cabelo castanho liso caindo pelos olhos escuros.
–Rafael Albernar, quanto tempo. –Annabeth sorriu abraçando Rafael, que a olhou chocado. –Amei seu quarto.
–QUE PORRA VOCÊ FAZ AQUI? –Gritou o homem de 20 anos.
–Alem de transar com o meu namorado? –Perguntou coçando a cabeça, Percy olhou surpreso para a loira, ela realmente o chamou de namorado? –Te avisar para sair da minha área, Nova Iorque é minha, se eu ver mais um dos seus caras lá prometo que você vai receber o pênis dele embrulhado pra presente e o próximo vai ser o seu. –Annabeth sorriu puxando Percy para fora. –Tenha uma boa noite.
Rafael Albernar os encarou com fúria até Annabeth entrar no elevador, a descida foi silenciosa. Cada um preso em seu próprio mundo de pensamentos.
–Vai roubar um carro? –Perguntou Percy assim que Annabeth enfiou o metal que um dia foi um cabide dentro da janela do carro velho e preto que está dentro de um beco que a loira os arrastou para dentro, ela tinha tirado o cabide de dentro dos vários bolsos que o casaco tem.
–Sim, estou com preguiça de ficar esperando o manobrista e assim é bem mais divertido.
–Que seja. –Percy estava estranhamente sonolento, eles entraram no carro velho. –Olha tem uma bicicleta atrás. –Comentou apontando para a bicicleta vermelha no banco de trás.
–Estou com fome. –Afirmou Annabeth abrindo a porta do carro e se enfiando no banco do motorista. Percy abriu a porta do carona e sentou ali, olhando para o teto bege, estava com sono, muito sono, nem conseguia pensar como uma pessoa normal. Ele continuou encarando o teto e piscando enquanto Annabeth foi a uma farmácia e a uma lanchonete.
–O que tem de errado comigo? –Se perguntou Percy fitando a noite brilhante em Las Vegas.
–Está dopado. –Constatou Annabeth engolindo um remédio a seco.
–Hã? O que é isso? –Ele pegou a caixa jogada no chão, mas sua visão estava embaçada demais para conseguir ler.
–Pílula do dia seguinte, não quero ficar grávida. –Annabeth deu de ombros apertando o volante com força. –E você vai cair em 3... 2... 1.
Percy caiu de lado, com a cabeça no branco do motorista, ele sentia o sono cada vez mais perto, não importava o quanto lutou pra se manter acordado, o cansaço é maior, quase como se o esmagasse.
–O que você fez comigo? –Perguntou com a voz mais lerda do que a de Annabeth quando estava na suíte de Rafael, ela ainda vestia o casaco de pele e a blusa de Percy, embora estivesse muito calor, tanto que ele estava suando.
–Durma Jackson. –A voz dela era firme, Percy fechou os olhos com vontade de socar algo, talvez Annabeth, talvez a si próprio, é lógico que ela fingiu, fingiu estar vulnerável, fingiu estar bêbada, só para drogá-lo.
–Eu te odeio. –Falou com o pouco de consciência o que restava, tentando expressar a raiva que sentia nessas palavras.
–Mentira. –Annabeth suspirou como se tivesse entediada e virou o rosto para Percy. –Você me ama. –Ele sentiu todo o ar sair de seus pulmões, ela ouviu, ela sabia e nem ao menos se dignou a dizer que não sente o mesmo. –Não se ache especial por isso Jackson, todos me amam.
Os olhos cinzas brilhando de maldade foram a ultima coisa que Percy viu antes de ser engolido pela inconsciência.
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