Bad Girls
20 Scars parte 2
Notas iniciais
Can you see my scars. Can you feel my heart
This is all of me for all of the world to see
A noite de Nova Iorque estava agitada como sempre, pessoas correndo pela cidade, os prédios iluminados por outdoors, um completo caos, cheio de poluição visual e sonora, esse é um dos motivos de Annabeth mais amar essa cidade.
—Léo acabou de me mandar uma mensagem. -Falou Silena subindo as escadas da cobertura, pisando levemente no chão de concreto ao encontro de Annabeth, encostada no parapeito do prédio, com os olhos fixos no Empire State Building. -Todos chegaram em segurança, Percy está com muita raiva de você, o senhor D quer que faça um discurso sobre como os jovens devem para com a violência e seus pais te ligaram duas vezes nessa semana.
Silena apoiou os cotovelos no vidro gelado sobre o parapeito, fitando Annabeth em busca de alguma resposta embora não tivesse perguntado nada.
A loira continuava olhando para as luzes brilhantes do Empire State Building, o vento frio cortando seu rosto e arrepiando os braços expostos pela blusa branca de seda.
—Duas vezes mais do que eles me ligaram durante todo o verão. -Annabeth revirou os olhos cinzas, suspirando ruidosamente. -Vamos logo, temos um discurso para fazer e algumas bundas pra chutar.
—Scott está te esperando. -Silena fez um nó em seus cabelos castanhos seguindo Annabeth de perto para a casa embaixo da cobertura.
—Como se ele tivesse opção. -As duas sorriram e Silena entrelaçou seus dedos nos de Annabeth, balançando os braços escada a baixo como duas adolescentes normais.
—Scott! -Exclamou Annabeht rindo e levantando os braços assim que chegou à sala grande, branca, coberta de plástico e sem moveis, a não ser uma cadeira de ferro e uma mesa com material cirúrgico.
O homem sentando na cadeira não parecia nem um pouco com o garoto maravilhoso da Neon Party, ou o de Las Vegas.
Scott está horrível, com o olho direito completamente fechado de tão inchado, cortes, escoriações e hematomas por todo o corpo, três dentes perdidos pelas pancadas com soco inglês que Annabeth o acertou no maxilar, os cachos louros empapados do sangue escuro e viscoso que escorreu de sua cabeça quando Silena começou a escalpela-lo.
—Vamos voltar do começo Scott. -Annabeth passou as pontas dos dedos pelo material cirúrgico respingado de sangue. -Você me diz o quanto contou a policia sobre nós e eu te deixo em paz, o que acha?
—Vão pro inferno. -Scott cuspiu o sangue que se acumulava em sua boca no chão, respirando ruidosamente, puxando tanto ar para falar que parecia estar se afogando. -Vocês são traficantes, acha que eu não conheço pessoas piores do que vocês? -Os olhos verdes dele corriam de Silena encostada na parede para Annabeth ao seu lado. -Apenas duas adolescentes que acham que são más.
Scott riu e Annabeth o acompanhou, sorrindo de lado.
—Verdade. -Concordou a loira, pedindo os papeis na mão de Silena. -Só que como qualquer boa estudante, nós fizemos o dever de casa.
Os risos de Scott pararam, seus dedos sem unhas seguraram as algemas com mais força, como se pudesse quebra-las de alguma forma.
—Leia Annie, estou curiosa para saber o final da historia. -Incentivou Silena batendo palmas de animação. -Sua vida daria um bom livro Scott, juro, fiquei emocionada varias vezes.
—Scott Edmundo Willians, nasceu em Nova Jersey, no ano de 1995, viveu com sua mãe Cherry, uma prostituta famosa no estado por fazer anal giratório...
—Até hoje me pergunto como alguém faz isso. -Silena pensou em voz alta, rindo. -Sua mãe subia no ventilador enquanto transava? -Perguntou para Scott que rangia os dentes de raiva.
—Continuando. -Prosseguiu Annabeth, lendo as folhas grampeadas, enquanto andava calmamente pela sala, estalando o plástico sobre seus pés descalços. -Cherry morreu nos anos 2000, com dois tiros disparados por um policial que estava tentando a prender por porte de drogas proibidas, em frente ao pequeno Scott, que com apenas 5 anos foi mandado para um orfanato, onde ficou até fugir com 12 anos, ficou por dois anos vivendo nas ruas, Borgone o encontrou e acolheu para sua casa, o transformado em um traficante e bom atirador.
—Vocês sabem a minha vida, grande merda. -Resmungou Scott, sua voz saía cada vez mais rouca, talvez a sede finalmente o tivesse pegando de verdade. Afinal desde que Annabeth e Silena o prenderam, dois dias atrás ele não bebê nem uma gota de água.
—Ainda nem cheguei à melhor parte. -Sussurrou Annabeth no ouvido de Scott. -Com 16 anos Scott Willians foi preso e mandado para um centro de reabilitação de jovens infratores, após invadir a delegacia e tentar matar um policial. Depois de meses se comportando mal, arranjando brigas com os outros jovens, Scott conheceu uma voluntaria, que ajudava os pobres marginais a expressarem sua raiva fazendo pinturas e esculturas, Leslie Singer.
Assim que o nome de Leslie foi dito pela voz cantada de Annabeth todos os músculos de Scott se tencionaram e ele pulou da cadeira, puxando as algemas e rosnando de forma animalesca, com os dentes a mostra e saliva misturada com sangue escorrendo pelos lábios.
—Nossa, pelo visto alguém conhece nossa nova amiga Leslie. -Silena cruzou os braços e saiu da sala, estalando os saltos cor-de-rosa no chão de plástico.
—Leslie sempre foi uma boa garota, bonita, inteligente, comportada, alegre. -Annabeth se sentou no chão, em uma pose de índio na frente de Scott, estudando cada mínimo movimento dele enquanto falava. -Ela é viva, bem diferente de você, foi por isso que se apaixonou por ela?
—O que? Eu não me apaixonei por Leslie Singer. -Mentiu Scott.
—Não tente me enganar, tenho sua vida nas mãos. -Annabeth apontou para os papeis em seu colo e riu. -Literalmente, já que posso te matar também.
—Como você faz isso? -Perguntou Scott rápido. -Quer dizer, matar alguém, você trata a vida humana como se fosse algo descartável...
—Por que é. -Annabeth deu de ombros. -Humanos são cruéis, egoístas, o mundo é mal e cada dia mais narcisista, eu sou só o estopim, pessoas morrem algum dia, só adianto o processo e lucrando com isso.
—Ainda assim, leva tempo para ter sangue frio desse jeito. Sabe o que eu acho Chase.
—Não sei, diga o que você acha Scott. -A loira revirou os olhos entedia, sabia o que Scott estava fazendo, tentando a desestabilizar, explorar sua fraqueza, mas por acaso sua única fraqueza estava a quilômetros de distancia e provavelmente morto por uma maníaca.
—Que você se importa demais e é uma atriz muito boa.
—Isso já está chato. -Cantarolou se levantando do chão.
Scott arfou e prendeu o grito ao ver quem entrava na sala sendo seguida de perto por Silena.
Ela ainda era a mesma que Scott se lembra, ele a olhava tentando gravar cada detalhe, como o cabelo castanho cacheado cai sobre o ombro, a cicatriz que tem na sobrancelha grossa, dando um ar mais durão para o rosto delicado e nariz fino, os olhos castanho escuro marejados fixos nos dele, o macacão sujo de tinta e graxa, os lábios finos e ressecados, as unhas roídas e pintadas de roxo forte, Leslie ainda é a perfeita mistura de uma garota tímida do campo e uma valentona do Brooklyn.
—Oi querida, como se sente? -Perguntou Annabeth colocando o braço envolta dos ombros ossudos de Leslie, que se abraçou assustada, e a fazendo sentar no chão de frente para Scott.
—Scott, o-o que? -Ela estava em estado de choque, sentindo o coração bater tão rápido que parecia quebrar suas costelas. Era Scott na sua frente, reconheceria aqueles cachos loiros e olhos verdes em qualquer lugar.
—Não as escute Leslie. -Pediu Scott com vontade de chorar junto com a amada. -Vai ficar tudo bem.
—Você sabe que não vai. -Sussurrou Silena para ele enquanto passava pelos dois, indo para a cozinha.
—Ok, que encontro emocionante, agora podemos continuar a história. -Annabeth sentou entre eles, com sua adaga que antes estava na mesa de ferro em sua mão. -Leslie, porque não nos conta sua história, de como você e Scott se conheceram e viveram felizes até hoje.
Leslie olhou para Scott, com lágrimas escorrendo pelo rosto, em uma pergunta silenciosa se poderia falar ou não, ele assentiu, sentindo a cabeça doer como o inferno pelo escalpo incompleto de Silena.
—Ele estava preso no centro de reabilitação em que eu era voluntaria, quando nos conhecemos ele era apenas um garoto bonito que tinha feito coisas erradas, mas depois...
—Scott virou mais do que um rostinho bonito. -Completou Annabeth entediada, toda essa historia de amor impossível, os olhos brilhando de Leslie a entediavam mais do que Léo com suas crises existenciais quando estava bêbado. -Vai logo pra parte interessante.
—Nos começamos há namorar um ano depois dele entrar na reabilitação, e quando tínhamos 19 anos começamos a morar juntos, só isso. -O nariz de Leslie estava vermelho, assim como suas bochechas de tanto chorar, de alegria por encontrar o namorado ou tristeza por vê-lo desse jeito Annabeth não sabia.
—E você ficou com ela? Por quatro anos? Mesmo o irmão dela tendo assassinado sua mãe e tudo mais. -Annabeth estava confusa, porque Scott não usou Leslie para se vingar de Mason, o homem que atirou e matou a mãe dele, isso não fazia sentido.
—Sim, porque eu a amo, não importa o que seu irmão tenha feito. -Scott falou com uma firmeza que fez a loira arregalar os olhos sorrindo e Leslie soluçar de alegria.
—E foi nessa idade que você começou o trabalho duplo? -Perguntou Annabeth ficando de pé.
—Hã? -Scott se fez de confuso, Annabeth bufou, puxando Leslie para cima pelo cabelo. -NÃO ENCOSTE NELA. -Gritou Scott se balançando na cabeça quando Leslie deu um mínimo gemido de dor.
—Eu vou fazer bem pior se não me responder. -Ameaçou Annabeth colocando a adaga o pescoço de Leslie, a morena prendeu a respiração. Leslie está completamente apavorada, nunca em toda sua vida ficou tão perto de morrer, sempre foi protegida, essa recente mudança fazia seus dedos gelarem e o coração bater tão rápido que doía.
—Eu falo tudo. -Scott disse rápido, temendo o que pudesse ser feito com Leslie. -Foi sim, o major falou comigo que queria alguém infiltrado nas gangues de Nova Iorque e eu topei, já conhecia muitos e poderia ganhar mais dinheiro do que com o meu trabalho na oficina.
—Foi você que entregou Borgone e Rafael? -Perguntou Annabeth com tranquilidade.
—Foi, agora pode soltar Leslie? -Scott sentia seus machucados latejarem e o sangramento voltar.
—Ainda não terminei. -Falou a loira bem na hora que Silena voltou, encostando-se à parede e ouvindo a conversa. -Eu vi no seu quarto que você estava nos investigando.
Scott concordou aflito.
—A pergunta que garante a vida da sua namorada é: Você sabe quem é a Bad Girl?
O silencio que se seguiu foi tão tenso que poderia ser tocado, Leslie se segurava para não entrar em pânico, Annabeth ansiosa para a resposta, Scott a ponto de ter um aneurisma de tanta pressão e dor que sentia, e Silena, encarando a todos abismada, esperando a resposta de Scott ainda mais do que Annabeth.
—Responde! -Exclamou a loira puxando a adaga contra o pescoço de Leslie e fazendo um filete de sangue quente escorrer, manchando a blusa verde dentro do macacão e o coração de Scott perder a batida. Embora Leslie só tenha feito uma careta e metido alguns ruídos de dor, ele sentia como se seu coração tivesse sendo despedaçado.
Scott ama Leslie, mais do que um dia ele achou ser possível. Estar com ela é bom, simples e agradável. Leslie foi a única que sempre acreditou que ele poderia ser uma boa pessoa. Ela não é a pessoa mais perfeita do mundo, nem a mais bonita, mas ela é perfeita para ele.
—Não. -Scott lutava contra as algemas. -Eu não tenho ideia de quem seja, sei que deve estar perto de vocês, só alguém de dentro saberia seus pontos fracos.
—Isso é tudo Annie. -Falou Silena em alto e bom tom. -Ele não sabe mais nada.
—Obrigada pela ajuda Scott. -Annabeth sorriu.
—Vai nos deixar ir? -Leslie soltou o ar que segurava, sentindo um quase alivio.
—Eu queria, mas vocês sabem demais. -Annabeth fez bico fingindo estar triste. Silena sorriu pegando a arma da loira que estava na mesa.
—Não vamos falar nada! -Exclamou Scott, sentindo sangue se formar em sua garganta, a língua seca como lixa não o ajudava a engolir o sangue férreo. -Sobre o trafico de drogas, suas prostitutas, os assassinatos, nada, vou queimar os papeis...
—Já ouviu falar em queima de arquivo? -Perguntou Silena com ironia o interrompendo e mirando a arma na cabeça de Scott, com um olho fechado e o outro aberto, respirando levemente sem fazer barulho.
—Annie, por favor, me mate, mas a deixe ir, por favor. -Implorava Scott chorando. -Me mate, mas ela não, somos amigos.
—Desculpa Scott são negócios. -Annabeth deu de ombros.
—Dei-deixe eu me despedir. -Sussurrou Leslie chorando baixinho. -Por favor.
Annabeth soltou Leslie que correu para Scott, jogando seus braços sobre o corpo sangrento dele, ambos choravam, e a loira os observava, eles deram um beijo, um pequeno e singelo beijo, um mero roçar de lábios, tão delicado como uma pétala de flor e ainda assim parecia tão forte, a forma com que eles sussurravam que se amavam, como se olhavam com tanta intensidade, incomodava Annabeth, enquanto para Silena era só perda de tempo.
"É assim que deve ser uma despedida?" se perguntou Annabeth, e ela pensou em Percy, em todas as vezes que tiveram uma despedida, nenhuma foi dessa forma, na maioria das vezes eles transavam a noite inteira e ela ia embora antes dele acordar, sem bilhete de adeus, beijo de despedida, sorriso triste ao vê-la partir, era só...ir embora.
—Acabou a hora da despedida. –Cantarolou afundando seus pensamentos o mais fundo possível em seu cérebro. -Leslie querida venha aqui.
Leslie não conseguia se mexer, ela queria estar nos braços de Scott para sempre, congelar esse momento e viver nele pela eternidade, mas ainda assim foi arrancada de seu lugar feliz pela voz rouca de Scott.
—Vai ficar tudo bem. -Ele sussurrou beijando a testa de Leslie, embora Scott estivesse prestes a perder o controle, sentisse vontade de chorar como uma criança e gritar até sua garganta sangrar, ele se manteve calmo, por ela, por seu amor por Leslie, por tudo que eles viveram.
—Eu não me arrependo de amar você Scott. -Leslie sorriu mais uma última vez, olhando nos olhos verdes de Scott, sem se importar dele estar socado, machucado, sangrando e com a morte eminente.
E quando Annabeth passou a adaga afiada sobre seu pescoço, fazendo uma cachoeira de sangue jorrar de si e seu corpo cair no chão de plástico como uma boneca, Leslie caiu sorrindo e seu último pensamento foi que estaria com Scott novamente, em breve.
—NÃO. -Gritou Scott soluçando com tanta força que machucava seus ossos. -LESLIE...
—A vida é cruel, Scott. -Foi tudo que Silena falou depois de prender o silenciador na arma e atirar na cabeça de Scott, espalhando seu cérebro pela parede de plástico.
Annabeth limpou a adaga no macacão de Leslie. Passando pelas pernas da morena para chegar até a cozinha e pegar seu celular, discou o número conhecido por poucos de Nova Iorque, a “equipe de jantar”.
—Boa noite senhorita Chase. -Disse a atendente, após o segundo toque. -O que deseja.
—Uma reserva para dois. -Respondeu Annabeth olhando para o casal caído na sala. -No endereço de sempre.
—Já estamos a caminho, senhorita, tenha uma boa noite. -A loira desligou após responder o boa noite.
—Então, o que vamos fazer agora? -Perguntou Silena se virando para Annabeth sentada na bancada de mármore com dois Martini's na mão, entregando um para a loira.
—Não é obvio. -Annabeth sorriu bebericando o drink. -Vamos para a escola, tenho um discurso para fazer.
Meia hora depois cinco homens com material de limpeza chegaram ao apartamento, envolveram os corpos em plástico, limparam todo o sangue e o material cirúrgico da mesa, não deixando nem um vestígio para trás, enquanto as duas arrumavam as malas no segundo andar.
—Tenham uma boa viagem meninas. -Olga, uma russa loira e corpulenta de quarenta anos sorriu para as duas, enquanto seus homens levavam os corpos para fora da cobertura.
—Obrigada Olga. -Annabeth entregou duas moedas de ouro para Olga, uma para cada corpo, e foi embora puxando sua mochila assim como Silena.
Em Westlake Thalia estava jogada em sua cama, olhando o teto branco, envolta em cobertores brancos e travesseiros macios, a chuva fina caía lá fora, fazendo barulho contra as janelas fechadas.
É em noites como essa que Thalia se sentia mais sozinha, que o vazio deixado por Luke se tornava quase insuportável.
Ela só conseguia ficar pensando, estava tudo tão confuso, a linha entre o certo e errado estava borrada dentro da sua cabeça.
Thalia se levantou pegando uma garrafa de whisky meio vazia na gaveta de blusas e seu notebook na mesa de estudos, voltou para cama e abriu o word, começando a fazer uma lista. Um velho costume, sempre o fazia quando estava confusa, com raiva ou precisando tomar uma decisão.
Tomou um grande gole do líquido amargo e amarronzado, que desceu rasgando sua garganta e trazendo um gosto forte a boca, esfregou seus olhos lacrimejando com a claridade da tela e começou a digitar com velocidade.
Coisas que sei:
1. Bad girl matou Luke
2. Annabeth atropelou Piper
3. Annabeth sabe que eu a tirei a força de Westlake
4. Silena, Percy, Léo e Annabeth fazem coisas ruins
5. Calypso desapareceu
6. Rachel está viva
7. Eu continuo incondicionalmente apaixonada por Luke.
Coisas que não sei:
1. Por que tantas pessoas estão morrendo?
2. Por que Bad Girl está atrás de nós?
3. Por que Percy é tão idiota a ponto de se importar com Annabeth?
4. Por que eu me importo com Annabeth?
5. Quem vai morrer?
6. Por que Bad Girl esta atrás de nós?
7. Quem esta mentindo?
8. Quem é Bad Girl?
Suspirou fechando o notebook com força, vendo que tem mais perguntas do que respostas do mesmo jeito que Reyna. Empurrou o notebook por entre os travesseiros quentes e macios, balançando o cobertor até seu celular cair no chão, jogou parte do corpo sem sair da cama para pegar o aparelho e digitar o número dois na discagem rápida.
Apos quatros toques Reyna atendeu com a voz carregada de mal humor e sono.
—Que cacete você quer as...TRÊS DA MANHÃ. –Gritou no celular. Reyna esfregou os olhos olhando o relógio ao lado da sua confortável cama, que a chamava para mais um sono delicioso.
—Estou confusa. –Respondeu Thalia, dando mais uma grande golada na garrafa. –Quem você acha que é a Bad Girl?
—Lia, vai dormir, você esta bêbada, amanhã conversamos. –Falou Reyna pausadamente respirando fundo.
—Não estou. –Disse Thalia como uma criança emburrada. –Então vamos falar sobre a sua recente aventura com o Valdez.
Reyna se engasgou com o ar, tossindo tão alto que pensou ter acordado Kate, por sorte ela ainda roncava com um pouco de saliva escapando da boca aberta. Thalia riu do susto de sua amiga do outro lado da linha.
—Eu não estive em nenhuma aventura com o Valdez. –Mentiu Reyna, sendo entregue pela voz dois oitavos mais fina.
—Sei, sei, sua pele está mais bonita e o mau humor contido, fora que não tirava os olhos dele, então gozou né? –Perguntou Thalia rindo descaradamente.
—Isso não é da sua conta, o que aconteceu entre nós fica entre nós.
—SABIA. –Grita Thalia sentando na cama e derrubando a garrafa em sua mão sobre os cobertores. –Vocês foderam enquanto procuravam a Annabeth? Ou foi no hospital? Deve ter sido nojento, quer dizer o Léo tá bem gato, mas ainda sim, vocês foram a primeira vez um do outro, transar depois de tanto tempo com certeza seria estranho.
—Serio Lia, ainda me pergunto por que sou sua amiga. –Ela riu do outro lado da linha, dando um suspiro triste ao pensar em Léo. –Não transamos, ok, sem perguntas.
—Tudo bem, mas então, o que acha que aconteceu em Las Vegas, para mim foi tudo um borrão sem sentido.
—Claro, estava bêbada a maior parte do tempo. -Reyna riu pelo nariz e de olhos fechados pensou e falou tudo que aconteceu. -Annabeth nos queria como iscas, e acabou sendo capturada por Bad Girl, que fez sabe Deus o que com ela durante um dia inteiro e a entregou para Percy e Piper, Annabeth mesmo toda ferrada atropelou Piper também sem motivo nenhum, sumiu com Percy, voltou na manhã seguinte super bem, Afrodite ficou louca quando viu Piper machucada. –Reyna respirou fundo passando tudo que aconteceu nesses dias, esfregou a cabeça puxando os fios castanho da sua grande franja. –Eu quero bater em Annabeth por tirar a chance de Piper ter uma bolsa para Duke. Nós fomos embora assim que Piper conseguiu alta e agora você está me ligando de madrugada sendo que temos aulas amanhã.
—É, cada dia que passa me pergunto mais quem é Annabeth Chase. –Thalia repensava nos momentos que elas tiveram juntas, mesmo não sendo uma amiga maravilhosa, Annabeth era divertida, a fazia se sentir bem e não importa o que acontecesse sempre estava disponível para ouvir o choro dela. Como Annie, a garota que brigou com os pais de Thalia por a deixarem de castigo poderia matar alguém a sangue frio.
Por Deus, elas tem só 18 anos, não é idade o suficiente para lidarem com tanta pressão, com tanto medo de dar dois passos na escola e serem atingidas por um tiro disparado por alguém que nunca viram.
—Ainda acho que ela é a Bad Girl, Annabeth é cruel, má, a garota que foi nossa amiga por anos não existe, foi apenas uma fachada, um papel bem feito por uma boa atriz. –Reyna sentiu seu sangue esquentar com uma raiva subida de Annabeth.
Quando lhe contou sobre o acidente de Piper, a loira ficou apavorada, mas era apenas atuação, ela que a atropelou. Reyna ainda sente os pequenos cortes coçarem em sua mão onde quebrou o copo que segurava assim que Piper falo toda a história sobre Annabeth a atropelando. –Boa noite Thalia.
Reyna desligou jogando o celular na cômoda com raiva, mas o sono que sentia antes não voltou. Pensava nas provas que tinha em sua mente contra Annabeth, ela matou Calypso, sabia muito bem disso após ouvir o ataque de pânico que Piper teve no quarto assim que voltou para Westlake ontem.
Sabia que Percy, Léo e Silena fariam tudo que ela mandasse, tudo mesmo. E algo que pra Reyna é uma verdade absoluta, Annabeth sabe todos os segredos de todo mundo.
O dia começou chovendo, os estudantes corriam com as mochilas sobre a cabeça, as meninas davam gritinhos quando os garotos balançavam os cabelos molhados perto delas, o senhor D bebia sua cherry coca arrumando tudo para o comunicado de hoje, não era algo grande, apenas duas alunas falando sobre como Westlake é segura e que adolescentes devem para com a violência.
Thalia e Reyna comiam conversando baixo, Piper ao lado delas, está sentada na cadeira de rodas que sua mãe fez questão de comprar quando viu sua perna quebrada, Bianca ao seu lado tentava fazer Piper se sentir melhor. Mas não tinha como se senti melhor, sua chance de uma bolsa pra Duke estava fora de cogitação, precisava ser carregada pela namorada para descer as escadas, não conseguia dormir, não conseguia estudar, não conseguia nadar, sua vida inteira tinha parado.
—Silena voltou. –Disse Kate que não tinha falado nada desde que sentou, ficou observando Silena passar pela fila da comida. Sua roupa de inverno parecia e é cara demais para ser gastada em uma segunda-feira chata na escola, e Silena simplesmente não dava a mínima, andando com os saltos altos e colete de pelos brancos.
—Melhoras para você, Pips. –A morena sorriu para Piper, que quase vomitou seu cereal com tamanha falsidade. –Olá meninas, aproveitaram a folga?
Antes mesmo de ouvir a resposta Silena saiu com apenas um suco de laranja na mão.
No gramado na escola, bem longe dos olhares curiosos e bocas fofoqueiras, Percy e Zoe conversavam e riam, sem se importar com a chuva, ou com a lama que escorria na grama em que eles estavam sentados.
Zoe tinha o grande cabelo castanho molhado com algumas folhas de grama de quando Percy a derrubou no chão, usava um moletom cinza comum e a blusa dos Yankess, embora preferisse os Red Sox, mas era a única blusa que Percy tinha no quarto dele que estava limpa.
Enquanto Percy usava seu jeans comum e blusa de couro, ria abertamente do que Zoe acabou de falar, com os olhos verdes brilhando e fixos na garota ao seu lado. Ela era divertida, simples e um poço de agitação, tão diferente de Annabeth.
Eles continuaram a conversar, Percy brincava com os dedos de Zoe, eles fechavam os olhos e ficavam em silencio sentindo a chuva até começar a relampear, Zoe se levantou assustada e começou a correr, tinha pavor de relâmpagos, Percy sorriu, segurando seu pulso e a puxando para si com agilidade, eles se beijaram, com verdadeira vontade, os braços dele abraçavam a cintura dela, enquanto os de Zoe seguravam o pescoço de Percy, ela sorriu em meio ao beijo e quando eles se separaram começaram a gargalhar sem nenhum motivo aparente para a única pessoa que presenciava a cena, eles foram para a ala masculina correndo e tomando escorregões pela grama molhada.
Nenhum deles notou, nem sequer viu a loira sentada na grama, escondida pela árvore, distante deles para ouvir, mas perto o suficiente para ver o momento tão doce que lhe deu diabetes.
—Estão juntos desde que ele chegou. –Falou Léo surgindo do inferno para falar com Annabeth, ela estava abalada, embora sua expressão continuasse a mesma de sempre, seus lábios estavam entreabertos, puxando tanto ar quanto possível, ela se sentia sufocada, Annabeth nunca se sentiu assim, com um nó na garganta que a sufocava como se duas mãos apertassem seu pescoço, o estomago revoltado, uma dor estranha em todo o corpo, será que comeu algo ruim? Ou está tendo um infarto?
—O que? –Perguntou para Léo, como se não soubesse sobre o que ele estava falando.
—Percy e Zoe, desde que você deu um pé na bunda dele os dois estão grudados, acho que ela é a boceta amiga dele. –Léo riu, sentando na grama ao lado de Annabeth, eles quase nunca tinham momentos juntos, eram sempre os quatro, ou Annabeth e Percy, e embora ela fosse completamente louca, Léo gostava dos pensamentos da loira.
—Ótimo pra ele, porque esse cargo nunca vai ser meu. –Annabeth revirou os olhos, olhando as folhas do caderno molhadas em seu colo.
O vento gelado fazia Léo enfiar as mãos nos bolsos da calça e apertar bem os dedos e suas orelhas cobertas pelo gorro cinza continuavam congelando, mas Annabeth não parecia sentir esse frio, embora sua pele estivesse bem mais pálida do que o costumeiro bronzeado, o cabelo loiro molhando preso ao rosto, com os cílios pingando, ela usava um vestido leve de alcinhas, que deixava seu colo a mostra assim como os joelhos e chinelos.
—Sinceramente achei que um dia o relacionamento toxico de vocês fosse dar certo, mesmo ambos sendo insanos, tudo com vocês é muito intenso, vocês eram o porto seguro um do outro. –Annabeth se virou para Léo, encarando seus olhos castanhos visivelmente confusa, piscou varias vezes para retirar a água de chuva que se acumulava em seus cílios.
—Meu porto seguro foi morto na Neon Party, lembra? –Léo sorriu batendo seu ombro coberto pelo casaco de frio no ombro nú de Annabeth.
—Não foi ele que você salvou primeiro. –Comentou fazendo a loira revirar os olhos. –O que é isso?
Léo pegou as folhas soltas de um caderno que está no colo de Annabeth, no começo ele achou que fossem rabiscos, após olhar por alguns segundos viu que elas formavam um desenho espalhou as folhas sobrepondo umas as outras sobre a grama meio úmida coberta pela árvore, em meio aos riscos fortes e fracos estava duas paredes sujas juntas, formando o canto de um quarto escuro, entre essas paredes está uma pequena garota encolhida, abraçando os joelhos e com a cabeça apoiada neles, os traços dela estão apagados, como se ela estivesse desaparecendo e sorrisos, não sorrisos alegres, eram psicóticos e assustadores, tao grandes como o do gato Cheshire.
É um desenho grande e assustador, as folhas precisavam ser sobrepostas para que fizesse sentido, eram como linhas que se conectavam formando uma imagem perturbadora.
—Assustador e bonito, você que fez? –Perguntou Léo, notando pela primeira vez os olhos de Annabeth ficarem completamente sem vida, não eram as nuvens de chuva como ficam quando ela está quase alegre ou a parece de aço quando precisa fazer algo ruim, ou os blocos de gelo quando fala algo perigoso, estavam sem vida, como paredes cinzas rachando. –Annabeth? –Ele a chamou mais uma vez.
—Fui eu que fiz. –Concordou a loira. –Pode queimar isso pra mim?
—Parece ter levado tempo. –Observou Léo, recolhendo as folhas.
—Levou uma semana. –Annabeth suspirou apoiando sua cabeça molhada sobre o ombro de Léo. –Você devia me odiar.
—Não te odeio, só tenho curiosidade sobre você e talvez até goste de ti, não como Percy e Silena.
—Curiosidade? Com o que?
—Você é um poço de segredos Chase, sabe tudo de todos e ninguém te conhece, nem mesmo Silena, embora ela ache que sim. –Ambos riram pensando nos chiliques de Silena, ela sempre foi a mais falante deles, e embora Annabeth fosse o cérebro, a morena é com certeza a alma do grupo. –Por exemplo, por que some no verão? Onde você vai quando desaparece? Por que toma aqueles remédios escondida? Você ama alguém? E outras tantas perguntas...
—Que nunca terão respostas. –Annabeth empurrou o ombro dele com o seu sorrindo como velhos amigos e foi embora, com o caderno na mão e a chuva destruindo seu vestido.
Em algum momento enquanto andava sem rumo ela tirou os chinelos. Assim que chegou no quarto, perdendo as duas primeiras aulas Annabeth segurou o grito de raiva ao ver seu espelho escrito com batom vermelho.
“Bom trabalho Queen A, finalmente quebrou o coração do Jackson
—Beijinhos Bad Girl”
Annabeth jogou seu caderno no espelho, mas ele caiu no chão antes de acertar o vidro, a deixando ainda mais frustrada.
—EU ODEIO VOCÊ. –A loira soluçou procurando os remédios dentro das gavetas, jogando suas roupas no chão. Nada, não tinha nada nelas, ela começou a entrar em desespero, gritando e socando o armário, estava sozinha no prédio, podia liberar tudo que sentia, era oficial, Annabeth Chase estava perdendo totalmente o controle.

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