Bad Girls
19 Hallellujah
Notas iniciais
Tá, esse capítulo é dedicado pra Giovanna Potter Jackson, que fez uma recomendação linda e maravilhosa tipo, me abraça slkadlaksdjk e não, eu não vou parar de escrever baby, não se preocupe!
É só isso então, aproveitem o capítulo, nos vemos nas notas finais!
Love is not a victory march, it’s a cold and it’s a broken hallellujah.
Eu acordei e estava na casa da Silena.
Eram 11:00 a.m., e eu não me lembrava de quase nada do que tinha acontecido na noite anterior. Ok, eu me lembrava do armário… Do Percy, das músicas… Do Dylan… Alguma coisa no banheiro… Então a minha memória se apagava.
Eu estava deitada em uma posição meio desconfortável, abraçando o vaso sanitário. Minha cabeça latejava. Eu estava com a mesma roupa que eu havia ido à festa.
Me levantei, ou tentei me levantar.
– Ah, querida! – disse Afrodite, entrando no banheiro. – Você quer ajuda?
Merda, Afrodite! Me lembrei de “Percabeth”, e dos meus beijos com Percy ontem. Afrodite nunca poderia ficar sabendo disso.
– Eu… Não…
Afrodite me ajudou a levantar. Ela me despiu e então encheu a banheira para que eu entrasse. Deixou um balde do meu lado, caso eu vomitasse. Eu tremia.
– Vocês, jovens… Chegaram aqui já eram 06:30 a.m.! Você estava vomitando até a alma, Annabeth… Acabou dormindo aqui, oh Deus, deve estar toda dolorida.
– Eu tô bem… – foi tudo o que eu consegui dizer. Afrodite me ensaboou, me enxaguou, me secou e trouxe um pijama de Silena para que eu me vestisse.
– Durma um pouco, querida. O almoço é só às 02:00 p.m., então você ainda tem um tempinho… A propósito, o Percy passou aqui mais cedo, e perguntou por você.
– Ele tá bem?
– Melhor do que você, disso eu tenho certeza.
Resisti a vontade de perguntar se ele a tinha falado sobre ontem, mas já que ela não tinha comentado nada, talvez ele tivesse ficado de boca fechada.
Afrodite me guiou até o quarto de Silena. Havia um colchão de ar de casal no centro, onde Clarisse dormia. Presumi que eu dormiria ali se não tivesse “vomitado até a alma”. A cama de Silena estava vazia.
– Silena já foi para a casa do avô – ela explicou. – Ficar com Thalia. Mas você não precisa ir agora, então, descanse, ok?
Eu assenti, e quanto Afrodite saiu do quarto, eu simplesmente não conseguia dormir. Minhas costas doíam, minha cabeça doía. Olhei para a mesinha de cabeceira e meu celular estava lá. O peguei e vi cinco mensagens novas.
Uma era do meu tio Ares: “Vou para a casa de Zeus lá pelas quatro. Te encontro lá.”.
A outra era da Silena, e devia ser de ontem: “Annabeth, cadê vocêêêê? Precisamos ir!”.
A última era do Percy: “Você tá legal? Afrodite me falou que tinha dormido no banheiro, tsc tsc.”.
E as duas últimas eram da mesma pessoa: Dylan. “Seu namoradinho tá ferrado, Annabeth, ferrado.”, e a outra “Desculpe, eu disse ferrado? Quis dizer MORTO.”.
Ignorei aquilo e respondi à mensagem do Percy.
“Mais ou menos. Afrodite disse que você passou aqui mais cedo.”
“Ha, claro que disse. Ver você vomitando foi meio desconfortável.”
“VOCÊ ME VIU VOMITANDO?”
“Vi, tava no carro de trás.”
MEU DEUS, QUE CONSTRANGEDOR.
“Eca. E o que aconteceu?”
“Grover tinha um remédio, fizemos Silena parar e te trocamos de carro. Ele é meio medicinal e natureba, cuidou de você.”
“Ai meu Deus, eu vomitei no seu carro?”
“Não, relaxa. Mas vomitou no Grover.”
“AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI.”
“Mas ele não ficou com nojo, acho que nem se importou. Grover já deve ter sido vomitado muitas vezes. Mas então, quando vai pra casa da Zeusa?”
“Zeusa?”
“É, o Zeus. As vezes ele tem um temperamento meio… Estranho, e fica querendo com que tudo seja perfeito. Eu chamo ele de Zeusa.”
Eu ri.
“Não sei, Afrodite disse que umas 2 ou 3. Você vai que horas?”
“Meio dia, como sempre. Depois do almoço podemos fazer logo aquela merda do trabalho de literatura.”
“Ah é, caímos junto. Ok, por mim tudo bem.”
“Beleza, te vejo mais tarde.”
“Até.”
Joguei o celular na cama e tentei dormir, mas não consegui. Fiquei ouvindo música até Afrodite entrar no quarto e me dar um remédio pra ressaca. Então ela me serviu café da manhã e me deu outro banho, lavando o meu cabelo. O deixei secar naturalmente, o que significa que ele ficou meio cacheado nas pontas. Coloquei a roupa que havia separado, que era uma blusa preta do Iron Maiden, um short Jeans, um tênis e uma blusa xadrez vermelha de manga comprida, já que estava meio frio. Já eram 01:00 p.m. Acordei Clarisse, que também estava de ressaca, só que estava muito mais bem disposta do que eu. Ela trocou de roupa, se arrumou, e Afrodite foi conosco até a casa do Zeus.
A casa do meu avô, Zeus, era de longe a maior de todas. Era branca com detalhes dourados, haviam três andares e várias colunas gregas espalhadas. A porta era gigante, dez pessoas passariam nela com facilidade. Afrodite tocou a campainha, que emitiu um som engraçado, como um raio em uma tempestade.
Foi Zeus quem atendeu a porta, e eu tive certeza disso quando vi os olhos azuis elétricos, iguais aos de Thalia.
– Clarisse! – ele disse, abraçando Clarisse. – Afrodite – e abraçou Afrodite. – E…?
– Annabeth, vô.
Zeus me olhou espantado.
– Oh, meu Deus, Annabeth! Você está gigante! – ele me abraçou apertado, então abriu espaço para que entrássemos.
O lobby da mansão era enorme. O piso era de mármore, e tinham uns degraizinhos entre a porta e a sala. Zeus nos guiou pela sala até a porta de correr de vidro, que estava aberta, que dava para o quintal.
Havia uma varanda, toda feita em madeira escura. Acho que todo mundo da minha família estava ali. Eu cumprimentei Ártemis, Apolo, Hefesto, Deméter, Hera e Hermes, que não era filho de Zeus, mas ele o considerava um filho. Todos falavam que eu tinha crescido e blá blá blá. Apolo me apresentou seu filho de 11 anos, Will Solace. Ártemis me apresentou sua companheira de quarto, Zoe Nightshade, e Deméter me apresentou Perséfone.
– Agora que já falou com a sua família, deixa eu te apresentar a quem você não conhece – disse Zeus, me guiando até um homem que estava sentado em um dos sofás. – Annabeth Chase, esse é Poseidon Waterking, um dos meus irmãos adotivos.
E pai do Percy, completei em pensamento. Poseidon cheirava a água salgada, tinha olhos verdes e estava usando roupa de pescaria. Parecia ser legal. Ele se levantou e me cumprimentou.
– Annabeth… Percy fala bastante de você.
– Ah, é, estudamos juntos – eu respondi.
– É, tanto faz – disse Zeus. – Essa é a esposa de Poseidon, Anfitrite, madrasta de Percy… E esse é Tritão, filho deles.
Cumprimentei Anfitrite e Tifão, que era bem parecido com o Percy, só um pouco mais forte e mais feio. Então Zeus deu meia-volta, para os sofás paralelos.
– E esse é Hades Underworld.
Cumprimentei Hades e a esposa, Perséfone, que era filha de Deméter. Uma menina pálida e de cabelos negros estava sentada ao lago de Hades. Ela era bem parecida com Nico, então presumi que ela deveria ser a Bianca. Zeus me apresentou a ela, e sim, ela era a Bianca.
– Agora já conheceu todo mundo, pode ir ao porão.
– Mas o que eu iria fazer no porão?
– Annabeth, sua anta – disse Clarisse. – É lá que gente da nossa idade fica.
– Ah, tá.
Clarisse me puxou de volta para dentro da casa, e fomos até a sala de televisão. Atrás de um sofá de couro preto, havia uma escada. De lá de baixo, eu conseguia ouvir uma música tocando.
– Olha quem chegou, meu povo! – anunciou Clarisse, assim que chegamos. Grover, Silena, Thalia, Luke, Nico, Jason, Piper e Percy começaram a aplaudir e gritar o meu nome, e eu tampei os ouvidos.
– Calem a boca, seus filhos da puta, eu tô de ressaca – eu disse, me jogando em um dos sofás que tinha lá.
– Claro, a madame se acabou de beber ontem – disse Nico, rindo.
– Eu não bebia há dois meses, deem um tempo.
Nico continuou conversando animadamente com Percy, já que eles viraram melhores amigos desde ontem. Grover conversava com Jason e Luke, e Clarisse conversava com Silena. Eu massageava minhas têmporas, quando Thalia se sentou do meu lado.
– Oi, vaca – eu disse. – Rolou com o Luke ontem?
Ela sorriu e assentiu.
– Ai, Annabeth, foi perfeito! Ele foi tão bonzinho, disse para eu falar se estivesse doendo…
– E você falou?
– Lógico que não! Doeu mas foi bom. Eu soube que você também deu uns amassos com o Percy…
– Ah, não.
– Annabeth, ele está caidinho por você. Não falava de outra coisa enquanto você não chegava.
Eu sorri.
– É, a noite foi… Boa.
– Oh meu Deus! Você também gosta dele!
– O que? Thalia, não, pelo amor de Deus! Somos só amigos!
– Sua boca diz isso, seus olhos dizem outra coisa. Vou falar com o Nico para ele vir falar com você.
– Thalia…
Tarde demais, Thalia já havia se levantado e foi falar com o Nico. Poucos segundos depois, Percy se sentou ao meu lado.
– Fala, Percyto – eu disse, rindo.
– Caraca, olha a sua cara de sono. Você não dormiu nada.
– Dormir em um banheiro não é muito confortável.
– Você vomitou muito?
– Afrodite teve que me dar um banho.
Percy riu.
– Uau, a coisa foi feia, hein?
– Nem me fale. Não me lembro de nada depois do que aconteceu com o Dylan.
– Hm, você ficou no banheiro lavando o corte por causa do tiro de raspão, chorou, eu entrei, ficou reclamando que não queria que eu te visse chorando, eu te abracei e ficamos conversando um tempo, a Calypso entrou e eu saí, aí você me abraçou desesperada, então bebemos e dançamos e você teve que ir embora, aí você tava vomitando que nem uma louca, Grover te deu um remédio, você cochilou e quando acordou vomitou nele, então te deixamos na casa da Silena e Afrodite e Hefesto te carregaram pra cima.
– Eu sou uma pessoa horrível – falei, e ele riu. – Todo mundo ficou bêbado, porque só eu tô assim?
– Porque você bebeu mais do que todo mundo.
– Sou uma pessoa horrível.
Continuei conversando com Percy, até que Zeus anunciou que tínhamos que ir almoçar. A comida era muito boa, realmente, mas meu avô ficou bravo porque um pedaço da carne estava queimada, armou um barraco e disse que “aquilo tinha que ser fabuloso e agora tá uma merda!” e saiu da sala.
Agora eu sei porque o Percy chama o Zeus de Zeusa.
Poseidon disse que ele era o rei do drama e continuamos comendo. Quando o almoço e a sobremesa acabaram, me despedi de todo mundo e disse que tinha que fazer um trabalho na casa do Percy. Meus amigos me olharam com um ar de “vai rolar sexo”, mas eu não respondi. Então saímos até a casa da esquina, que era a casa dele.
A casa do Percy era em tons de azul e verde, com detalhes brancos. Não era tão grande quanto a casa de Zeus, mas era maior que a casa de Silena. Ele me guiou até o segundo andar, que era o quarto dele.
Bom, o quarto de Percy era bagunçado, e aquilo me deixou animada, porque eu adoro bagunça. As paredes eram feitas de tijolos, o piso era branco. Havia uma cama king size no meio do quarto, algumas estantes com livros e porta retratos, um Macbook jogado na cama, várias roupas espalhadas pelo chão e… Um piano de cauda.
– Um piano? – perguntei. – Você toca?
– É, mais ou menos. Então, o trabalho…
– Toca.
– Hã?
– Toca o piano, ué. Eu quero te ver tocando.
– Annabeth, eu não…
– Toca logo essa porra.
Percy riu e se sentou no banquinho. Eu me sentei ao lado dele. Ele começou a tocar, e ele tocava maravilhosamente bem. Reconheci a música na mesma hora, era Hallellujah.
– Você não vai cantar? – eu perguntei. Ele sorriu.
– Não.
– Canta.
– Eu, não.
– Deixa de ser chato, Percy. Não tem câmeras aqui, canta logo.
Percy pigarreou e começou a tocar a música desde o começo.
– Vou começar do segundo solo porque eu não sei o primeiro.
– Tá bom, Percy.
Percy olhou um pouco para o nada e então recomeçou a tocar:
– Your faith was strong, but you needed proof, you saw her bathing on the roof…
– Her beauty and the moonlight overthrew you – eu cantei junto, ele sorriu e assentiu.
– She tied you to a kitchen chair, she broke your throne, she cut your hair, and from your lips…
– She drew the hallellujah.
– Hallellujah, hallellujah, hallellujah, hallellujah… – cantamos juntos, e ele parou de tocar.
Estávamos a poucos centímetros de distância um do outro. Eu encarava sua boca.
– Você canta muito b… – ele começou a dizer.
– Não. Shiu – eu o interrompi, e o puxei pela nuca para lhe dar um beijo. Ele levou as mãos à minha cintura e as apertou, me fazendo gemer abafadamente. Nos levantamos do piano e ele me jogou na cama, beijando o meu pescoço. Eu tirei sua camisa e arranhei suas costas enquanto ele dava chupões no meu pescoço e me beijava com vontade. Suas mãos puxavam a barra da minha blusa quando…
– PERCY! ANNABETH, O SEU TIO… – disse Afrodite, aparecendo na porta do quarto de Percy. Nos desgrudamos na mesma hora e e ele se levantou, indo pro outro lado do quarto, enquanto eu fingi que via minhas unhas. – Ah. Estou atrapalhando alguma coisa?
– Não, não – eu disse. – Estávamos só conversando sobre…
– O trabalho – Percy completou.
– E porque você está sem camisa, Percy?
– Porque tá calor — ele disse desnecessariamente, já que estava frio o suficiente para você pegar uma gripe caso ficasse sem camisa.
Afrodite me encarou, então encarou o Percy e voltou a me encarar. Então, abriu uma cara de espanto.
– Annabeth! O que aconteceu no seu pescoço?
Eu passei a mão no meu pescoço, e lembrei dos chupões que Percy aparentemente amava dar. Lógico que Afrodite já tinha visto as marcas, já que ela me deu banho mais cedo, e lógico que escolheu esse momento nem um pouco constrangedor para comentar sobre os roxos no meu pescoço.
– Eu caí – menti.
– Você caiu? – ela perguntou, se aproximando mais. Ela se sentou na cama de Percy e puxou o meu pescoço. – Caiu aonde?
– Não sei, eu vivo caindo.
Ela ergueu uma sobrancelha e se levantou.
– Ok, eu vou deixar vocês fazendo o trabalho, e falo para o seu tio vir te buscar aqui mais tarde.
– NÃO! – eu gritei, e Afrodite me olhou surpresa. Não queria que meu tio me visse caso mais alguma coisa acontecesse com o Percy, o que não é o caso já que somos só amigos e eu não gosto dele. – Quando eu acabar o trabalho eu passo na casa do Zeus.
Afrodite assentiu e deu uma piscadela. Ela saiu do quarto, e Percy e eu nos entreolhamos. Eu suspirei.
– Acho melhor fazermos logo essa merda – ele disse. Eu concordei.
Ligamos o notebook dele, quer dizer, ele ligou, já que não me deixou ver o plano de fundo. Abrimos o Chrome e começamos a pesquisar sobre rebeldia.
Uma hora depois, a pesquisa já estava pronta. Percy ia escrever a definição dele de rebeldia, e eu ia escrever a minha. Só montaríamos o cartaz na semana que vem, porque a anta não tinha cartolina em casa. Depois, ficamos procurando imagens no google mas não achamos bosta nenhuma, então ficamos navegando na internet de bobeira. Entrei no meu twitter e tinha uma mention da Krystal.
“@AAChase onde vc tá?”
Fechei a janela.
– Não vai responder a menina? – perguntou Percy, que estava muito entretido tentando adivinhar a senha do meu celular.
– Não.
– Coitada da garota, Annabeth.
– Coitada nada, essa menina é obcecada. Ela disse que “se ela não me tinha, ninguém mais podia me ter”. Tipo, oi?
Percy riu.
– Ela só tá com ciúmes.
– Ciúmes de que, cara? Não tem porque sentir ciúmes de amigo. Que coisa desnecessária.
– Me dá o computador.
– Não, você vai zoar o meu twitter.
– Me dá logo essa joça, Annabeth.
Entreguei o notebook a Percy, e ele começou a escrever uma reply pra Krystal.
“@KrysCC a annabeth não tá, aqui é uma amiga dela, percydina.”
– Percydina, Percy? Sério?
– O que é que tem? É um nome lindo.
– Não, não é. Coloca um nome normal aí, por favor.
Percy revirou os olhos e trocou o Percydina por Julie.
– Satisfeita?
– Não conheço nenhuma Julie.
– Ah, Annabeth, vai se foder – ele disse, e mandou o tweet para Krystal. Não, prefiro que você me foda, respondi em pensamento, e logo depois me repreendi por pensar aquilo.
Krystal não respondeu, o que significa que ela devia estar meio chocada por eu ter passado a senha do meu twittar pra “Julie”, já que eu não passava nem a senha do meu celular pra ela.
– Ela vai surtar, Percy – eu disse.
– Surtar porque? Você não passa a senha do seu twitter pros outros?
– Não! Nunca passei!
Percy desligou o computador e o guardou no armário, então se jogou na cama.
– Eu tô exausto – ele disse. – Não dormi quase nada.
– Pelo menos você dormiu em uma cama, não no chão do banheiro vomitando até a alma.
– Você é muito dramática, Annabeth – ele disse, e bateu com a mão no espaço vazio ao lado dele, indicando que eu me deitasse.
Me deitei e suspirei. Ai meu Deus, que cama macia.
– Você ainda reclama que dormiu pouco – eu disse. – Eu durmo em cinco segundos se eu deitar nessa cama.
– É, ela é boa.
Ficamos mais alguns segundos em silêncio, encarando o teto, e eu estava resistindo a vontade de perguntar se ele tinha levado Calypso ali. Se tivesse, eles provavelmente teriam transado ali, e… Irc.
Felizmente, não tive que fazer essa pergunta, já que Tritão apareceu na porta, comendo uma maçã.
– Sabe, Annabeth – ele disse. – Você é a primeira menina que o Percy traz aqui. Começamos a achar que ele era gay, ou virgem.
– HAHAHA que engraçado Tritão – disse Percy. – Não sou gay, nem virgem. Agora, sai do meu quarto.
Tritão riu e mordeu a maçã mais uma vez.
– Ah, não é virgem não, relaxa. Duvido que já tenha traçado a sua namoradinha.
– Nós não somos… – começou o Percy, mas eu o interrompi. Por algum motivo eu fiquei com raiva daquele Tritão metido a besta.
– Bom, Tritão, então acho que você não sabe de nada da vida do seu irmão. Ele definitivamente não é virgem. E sim, ele já transou comigo, fez sexo comigo, trepou comigo, me comeu, me traçou, me fodeu ou qualquer outro tipo de palavreado que você prefira usar. Aliás, acho melhor você sair do quarto e fechar a porta, porque nós vamos fazer isso só pra provar o quanto você é sozinho na vida.
Acho que Tritão se sentiu intimidado ou meio surpreso, porque saiu do quarto a bateu a porta. Me virei para Percy, que me encarava querendo rir.
– Então quer dizer que nós já transamos, já fizemos sexo, já trepamos, eu já te comi, já te tracei, já te fodi e não me lembro de nada?
Eu ri.
– Seu irmão é muito chato.
– Ah, você só conheceu ele hoje, eu convivo com ele há 16 anos. Mas nós não vamos…
Joguei um travesseiro na cara dele.
– Claro que não, Percy, não viaja.
O travesseiro começou a soltar penas, e Percy me olhou, rindo.
– Você não fez isso.
– Fiz, sim. E você vai fazer o que, hein, bichona? – dei a língua pra ele e me ajoelhei na cama. Ele pegou o travesseiro preto e começou a me bater, enquanto eu revidava, ou tentava revidar, com o travesseiro branco.
Ele conseguiu tirar o travesseiro branco da minha mão e me deitou na cama, subindo por cima de mim e prendendo meus pulsos com as mãos.
– Isso não é justo – eu disse, me debatendo.
– A vida não é justa – ele rebateu, ainda me encarando. Senti uma necessidade imensa de beijá-lo, mas o idiota não soltava os meus pulsos, então ficou difícil.
– Percy, solta os meus pulsos.
– Não. Você fica bonita embaixo de mim.
Eu sorri.
– E você fica mais bonito me beijando.
Só fui refletir no que fui falar quando percebi que Percy me beijava. Aquilo foi meio estranho. O que aquele garoto fazia comigo? Eu vivia com vontade de beijá-lo e simplesmente precisava disso, eu não pensava no que falava, acabava falando tudo o que eu pensava.
Ai meu Deus, será que eu falei alguma coisa sobre ele ontem quando eu estava bêbada?
– Tô mais bonito agora? – ele perguntou, quando parou de me beijar.
– Não. Você fica mais bonito enquanto me beija, entende?
Nós rimos, e ele me beijou mais uma vez. Dessa vez o beijo foi mais intenso, e mais longo. Eu estava ficando sem ar, e ele também, por isso se afastou.
– Sabe, eu te beijaria o dia inteiro, Annabeth, mas não tenho fôlego pra isso.
– AAAAAAAAAAAAAWN, PERCABETH! – gritou Afrodite, que apareceu magicamente na porta. Puta merda.
Percy saiu de cima de mim e eu me sentei, como se fosse adiantar alguma coisa.
– Eu sabia, eu sabia que isso ia acontecer! – disse ela, empolgada, pulando. – Agora, se beijem de novo!
Eu a encarei como se ela fosse uma lunática, e Percy gargalhava.
– Não aconteceu nada – ele disse, rindo.
– É parte do trabalho – eu completei, e Percy concordou.
– MENTIRAAAAAAAAAA! – ela disse. – Parem de mentirrrrrrrrr! Tritão me contou tudo!
– É oficial, eu odeio seu irmão – sussurrei para Percy.
– Então talvez possa dar um tiro no saco dele por mim.
Eu ri, e Afrodite deu mais pulinhos.
– Estão combinando um encontro secreto, né? Hmmmmmmmm!
– Afrodite, não viaja, não aconteceu absolutamente nada – eu disse, me levantando. Ares já devia estar me esperando pra ir embora.
– Aconteceu sim! – ela vinha gritando, atrás de mim. Saiu pela porta da frente gritando “PERCABETH!” e entrou na casa de Zeus.
– Ela só cortou um pouco o clima – Percy disse, quando já estávamos na porta da casa.
– Ah, imagina, cortou nada – eu respondi, sorrindo. – Bom, vai querer uma carona de volta pro Brooklyn, Percyto?
– Eu adoraria, mas o meu pai vai ficar falando merda – ele disse, e revirou os olhos. – Então só volto amanhã.
– Ok então, te vejo na escola – eu disse, dando um beijo na sua bochecha. – E, Percy… Só amigos.
Ele sorriu.
– Só amigos.
Tudo bem que, dois segundos depois, ele me puxou pela cintura para me beijar e repetiu a frase, mas isso não foi nada.
Fui até a casa do Zeus, e meu tio já me esperava na entrada. Me despedi de todo mundo, e então subi na garupa da sua moto em silêncio.
– Você e o Jackson, a coisa é séria? – ele perguntou, depois que passamos pela portaria do Olimpo.
– Somos só amigos – respondi.
Ele riu.
– Há, só amigos! Silena falou sobre o que aconteceu ontem entre vocês.
Eu vou matar a Silena.
– Não foi nada, Ares, que merda.
– Escuta, só fica esperta com ele. Não vou com a cara daquele imbecil.
– E nem eu, podemos continuar em silêncio?
– Não vai com a cara, mas beija, né?
Dei um tapa no seu ombro, o que o fez rir. Quando chegamos no Brooklyn, fui direto para o banheiro, emburrada. Tomei um banho demorado, comi uma fatia de pizza, coloquei um pijama e fui dormir nem eram 09:00 p.m. devido ao sono.
Notas finais
Bom, sobre a frase que eu falei no último capítulo, sobre Cancun (pra quem não sabe, é uma cidade no México), no próximo capítulo vocês vão saber direitinho do que eu estou falando MUAHAHAHAHA e não, eu ainda não vou revelar quem é a mulher que salvou a Annabeth, e não vou dar pistas u_u marvada eu.
Enfim, me matem se quiserem mas a fic está com bastante leitores, então com 25 reviews eu continuo. Não vai fazer nada diferença mas ok asldkjaldkjal até o próximo!
AH, GENTE, me respondam, o formato desse capitulo ficou fidido ou é só aqui mesmo?
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