Bad Girls
12 Break the law
Notas iniciais
Esse capítulo é dedicado pra minha marida, a srabieber, PELA RECOMENDACAO ♥333333333 sua ninda
Aproveitem!
If I was a judge, I'd break the law.
Acordei na quinta-feira me sentindo completamente empolgada, como se terça-feira à noite nunca tivesse existido. Eu acordei com um pulo. Coloquei um short de couro, uma blusa de manga comprida branca, leve, larguinha e transparente, um top preto por baixo, uma meia-calça estampada e a cinta-liga, claro. Mudei um pouco de visual, trocando os vestidos-espartilho.
Arrumei um pouco o meu cabelo, calcei um coturno marrom e fui tomar café da manhã, mesmo estando sem fome, eu tinha que comer alguma coisa. Tomei um suco de uva, escovei os dentes, e em poucos minutos eu já estava pronta. Eram 8:15 a.m.
Desci o primeiro lance de escadas e bati na porta do Percy. Na verdade, eu esmurrei a porta do Percy, já que eu queria tomar meu café no Starbucks e eu estava atrasada.
– Nossa, dá pra parar de aniquilar a minha porta? — ele questionou.
– Haha — eu disse, dando a língua. — Anda logo, quero tomar meu café.
Ele revirou os olhos, pegou a mochila e saiu pela porta.
– Por algum acaso, eu deixei meu celular na sua casa?
– Deixou — eu disse, e entreguei o iPhone para ele.
– Ah, amém. Achei que tivesse perdido ele.
– Você tem que ser mais responsável — eu disse, simplesmente. Detestava conversar de manhã.
– Não acha que essa sua roupinha está muito ousada para ir à escola?
– Vai se foder.
– Nossa, afiada.
– Eu odeio conversar antes de tomar meu café, Percyto, e eu estou atrasada. Provavelmente sua namoradinha já vai ter estacionado na minha vaga.
– Usa a minha ele respondeu. Ela vai ficar uma fera.
Eu sorri. Entramos no carro, e eu acelerei até o Starbucks. Acho que nunca dirigi tão rápido. Mas o pior mesmo foi quando chegamos na escola todo mundo, repito, literalmente todo mundo olhou para nós.
– Ah, ótimo, vão achar que a gente tá namorando — eu disse, bufando.
– E isso seria tão ruim? — ele indagou, passando o braço pelos meus ombros. Eu o olhei furiosa.
– Eca — falei, e ele riu. — E nunca mais toque em mim.
Passamos pelo corredor juntos, e nem nos despedimos. Eu fui ao meu armário sem dizer nenhuma palavra, até que Thalia chegou.
– ONDE VOCÊ SE METEU ONTEM, ANNABETH? Eu liguei no seu celular, no telefone da sua casa, em todo o canto! — ela disse. — Até te mandei inbox!
– Desculpa. Problema na família.
– Ah, tá — disse Thalia, e ficou quieta. Acho que ela se esqueceu que somos da mesma família, mas tudo bem.
– SUA VAGABUNDA — disse Clarisse. — ME DÁ A BOSTA DO SEU CELULAR PRA EU MUDAR O SEU TOQUE, JÁ QUE VOCÊ NÃO ESCUTA!
– Meu Deus, Clarisse, calma — eu disse, rindo. Ela fuçou a minha bolsa e achou o meu celular. Quer dizer, "meu".
Só então me toquei que eu havia trocado os iPhones. Clarisse estava segurando o celular do Percy, não o meu. Lembrei disso assim que vi a capinha da coca cola.
– Porque tem uma foto do Percy no seu celular? — ela questionou. Thalia ficou ao lado dela para ver.
– Uiiiiiiiiii — disse Thalia. — E sem camisa!
– Merda! — xinguei, e bati a porta do meu armário. — Esse não é o meu celular, é o celular do Percy.
– O que você está fazendo com o celular do Percy?
– Ele deixou em cima da caixinha de correio do prédio — inventei. — Quando fui pegar a correspondência, estava lá. Esqueci de entregar pra ele.
– E cadê o seu?
– Deixei em casa — respondi. Tentei me lembrar se o meu celular tinha algum conteúdo vergonhoso, mas me lembrei que, ao contrário do iPhone do Percy, o meu tinha senha. Suspirei aliviada.
– Então, nada nos impede de fuçar nas coisas dele, certo? — indagou Clarisse. Eu sorri.
– Claro.
Clarisse ficou algum tempo lendo alguma coisa da tela, e sua boca se abriu em O.
– O que foi? — perguntou Thalia.
– Ele e a Calypso terminaram!
– Oh meu Deus! — eu disse, fingindo surpresa. — Porque?
– Não sei, ele disse que não dava mais.
– Talvez a greve de sexo o tenha feito pensar isso — sugeri, e Thalia e Clarisse riram.
– Uau, vocês acham que ele estava traindo ela? — perguntou Thalia.
– É possível, ele faltou ontem — disse Clarisse.
– Bem, eu espero que sim — falei. — Aquela vaquinha merece.
Antes que Thalia e Clarisse concordassem comigo, uma Silena furiosa entrou em cena, batendo os pés e xingando mais do que qualquer um que eu conheça.
– ARGHHHHHH! — ela disse.
– O que foi? — perguntei.
– Vocês não vão acreditar em quem é a nova orientadora da escola!
– Quem? — perguntou Thalia.
– A minha mãe! QUE ÓDIO!
Silena nos contou mais sobre aquela história de Afrodite ter se tornado a nova orientadora. Ela estava morrendo de raiva, só faltava sair socando a primeira pessoa que visse na frente.
Eu, honestamente, estava achando a cena de Silena meio cômica, porque nunca achei que uma pessoa tão meiguinha ia ter tanta raiva acumulada.
Então, o pesadelo-caramelo chegou.
– Annabeth, porque você estacionou na vaga do Percy?
Ah, era só o que me faltava.
– Porque moramos no mesmo prédio, e eu dei uma carona para ele, então ele disse que tudo bem se eu estacionasse na "vaga dele".
– V-V-Você deu carona pra ele?
– Dei, ué. Foi só uma mísera carona, gravetinho, nossa.
– E porque você está com o celular dele?
Eu olhei para o celular que estava na minha mão. Merda, Calypso iria surtar.
– Ele te deixou ficar com o celular dele? Ele nunca deixou ninguém ficar com o iPhone dele, nem eu!
Eu até poderia mandar a mesma mentira que contei à Thalia e Clarisse, mas ver aquela ceninha pós-término de namoro de Calypso estava me divertindo.
– Você está saindo com o Percy, Annabeth?
– ECA! — eu gritei. — Tenho lá cara de quem sai com idiota? Não sou você, Calypso.
E, para piorar a situação, Percy escolhe ume péssima hora para falar que eu troquei os celulares.
– Annabeth, acho que você trocou nossos celulares hoje mais cedo quando... Ah.
Ele viu com quem eu estava discutindo, as pasmas feições de Thalia e Clarisse, eu negando com a cabeça para que ele calasse a boca, e ainda levou uma cotovelada de Grover. Então ficou quieto.
– VOCÊ ESTÁ SAINDO COM ELE! — Calypso concluiu, aos berros. — FOI POR SUA CAUSA QUE ELE TERMINOU COMIGO, SUA CRETINA!
Sem mais delongas, Calypso avançou em mim, puxando meus cabelos com força. Dei um soco em sua orelha, o que a fez cambalear. Então, dei um chute na canelinha fina dela, uma joelhada na barriga e a empurrei para o chão.
Eu adoro fazer isso.
Virei para Clarisse, peguei o iPhone de Percy e o entreguei, e ele me devolveu o meu celular. Mas, antes que eu guardasse o meu celular na bolsa e começasse a explicar alguma coisa para Clarisse e Thalia, Calypso se reergueu magicamente e puxou o meu pé. Eu, que não esperava que ela se recuperasse tão rápido (na verdade achei que ela iria ficar umas duas horas ali se contorcendo) acabei sendo pega desprevenida e caí no chão. Ela subiu em cima de mim e apertou as duas mãos em volta do meu pescoço, começando a me enforcar. Eu dava tapas nas suas bochechas o mais forte possível, ela ficava atordoada e parava de me enforcar por uns cinco segundos.
Eu já estava ficando com falta de ar de tanta força que Calypso fazia no meu pescoço, mesmo com os tapas que eu lhe dava, quando uma voz pigarreou atrás de nós.
Era Afrodite.
– As duas na minha sala, agora — ela disse, em um tom calmo, mas ao mesmo tempo urgente. — E vocês, para a sala de aula. Agora.
Eu nem tinha me tocado de que ainda tínhamos alguma plateia. Calypso saiu de cima de mim, e eu inspirei fundo. Thalia e Clarisse me ajudaram a levantar, então seguiram para suas salas. Afrodite foi caminhando pelo corredor, e eu estava logo atrás dela, apertando o local onde Calypso havia apertado e pensando em mil e uma maneiras de matar ela enquanto ela dormia.
A sala de Afrodite tinha paredes rosas com detalhes brancos, váááááários porta-retratos, uma mesa grande e larga no centro, com uma cadeira rosa gigante atrás e duas cadeiras brancas menorezinhas na frente. Em cima da mesa, um iMac, pastas e mais pastas abertas, várias anotações, uma xícara de café, uma bandeirinha da Grécia e uma plaquinha dourada, onde estava escrito Orientadora Afrodite Olimpus em letras pretas.
– Sentem-se — ela disse, e apontou para as duas cadeiras brancas do outro lado da mesa. Eu me sentei em uma, mas Calypso continuou em pé, de braços cruzados.
– Sente-se, Srta. Atlas. Isso vai demorar.
Bufei, e Calypso se sentou. Afrodite nos encarou por alguns segundos e apoiou o queixo nas mãos.
– Muito bem, no que vocês estavam pensando? Sabe o que poderia ter acontecido se algum professor, ou até mesmo o diretor, tivesse flagrado as duas? Vocês têm sorte, muita sorte, de ter sido eu quem viu vocês naquela cena pavorosa. O que é que há, hein? Porque é que estavam se espancando no meio da escola? Deve ter uma explicação lógica e razoável para toda aquela pancadaria pública. Isso não é uma atitude de meninas razionais e civilizadas.
– Fala o que aconteceu, gravetinho — eu disse, emburrada.
– Calypso?
Calypso pôs as mãos no rosto e começou a chorar.
– Eu fui falar com ela, Sra. Olimpus, eu educadamente pedi que ela tirasse o carro da vaga do Percy mas eu não sabia que ela tinha dado carona à ele, e ela disse que aquilo não era da minha conta e avançou em cima de mim, Sra. Olimpus, eu
– AH, NÃO! — eu a interrompi, farta daquele teatrinho. — VOCÊ TÁ MENTINDO NA CARA DURA, NÉ, SUA PUTA? PORQUE É ISSO QUE VOCÊ É, UMA MAGRICELA VADIA E MENTIROSA!
– Annabeth! — disse Afrodite. — Sem palavrões na minha sala, por favor. Calypso, querida, não minta para mim. Eu vi o show de vocês desde o princípio. Sei que você está mentindo.
Eu dei uma gargalhada extremamente alta, e Calypso emburrou a cara.
Afrodite passou um sermão de quarenta minutos sobre a nossa briga, e que aquilo não devia se repetir mais.
– E, para vocês aprenderem ela disse, e pegou duas fichas de sua gaveta. -Calypso, você é capitã da torcida, certo?
Calypso assentiu, como se sentisse orgulho daquilo.
– Ok... Não é mais. Calypso, você está expulsa da equipe de líderes de torcida.
Gravetinho arregalou os olhos e começou a chorar estridentemente, e ficava dizendo não, você não pode fazer isso!. Eu ri da cara dela. Como se ela mandasse em alguma coisa.
– Posso sim, querida. E, Annabeth, você... Ah! Irá substituir Calypso como capitã das líderes de torcida.
– EU O QUE?
Foi a minha vez de arregalar os olhos. Não, não, não, Afrodite não podia estar fazendo isso comigo.
– Estão liberadas, garotas. Annabeth, posso dar uma palavrinha extra com você?
Eu assenti e nem me mexi da cadeira. Quando Calypso saiu da sala, Afrodite começou a falar:
– O que realmente aconteceu, Annie?
Expliquei tudo à Afrodite. O que tinha acontecido com Percy, a troca de celulares e a verdadeira razão da minha briga com a gravetinho.
– Então, Afrodite, porque fez isso comigo? Quer dizer, me colocou na torcida? Torcer é blé, eu nunca ia fazer uma coisa dessas.
– Ah, Annabeth, originalmente eu só iria te dar uma detenção, mas me lembrei do Percy. Ele joga no time de futebol! Você vai ficar mais perto dele!
– Daquele insuportável...
– E agora que eu sei que ele está solteiro, não me arrependo nada de ter feito isso! Vocês são perfeitos um para o outro, Annabeth. É um amor para toda a vida. Tenho fé em Percabeth, sei que ainda vão acabar se apaixonando. Esse amor tem a minha benção, eu vou ajudar isso a dar certo.
– Eca — falei, me levantando. — Tem mais alguma coisa para me falar?
– Hmmmm, você começa na torcida semana que vem. Agora, pode ir.
– Vocês não vão acreditar no castigo que eu ganhei — eu disse, furiosa, no refeitório.
– Limpar as mesas? — sugeriu Clarisse, se sentando na mesa. — Eu já fiz isso, é muito nojento. Qualquer outro castigo é fichinha.
– Não, muito pior, acredite.
– Sair comigo? — sugeriu Leo, o que fez a mesa inteira cair na risada, menos eu.
– Não, graças a Deus não. Eu vou substituir Calypso como líder de torcida.
Clarisse fingiu que ia vomitar. Thalia ficou me encarando como se me imaginasse em um uniforme curto e apertado de líder de torcida. Silena e os meninos ficaram felizes.
– EBA! — ela disse, batendo palmas. — Vai ter alguém suportável na equipe agora!
– Eca — eu disse. — E vocês, patetas, porque estão comemorando?
– Sabe o quanto você vai ficar gostosa naquele uniforme? — perguntou Leo. — Finalmente vai ter alguém com corpo naquela equipe!
– EI! — disse Silena, exasperada.
– Ah, Si, você entendeu — disse Luke. — Você até tem corpo...
– Mas a Annabeth tem muito mais — completou Leo, e Luke concordou, assim como o resto da mesa.
– E vocês são uns tarados que se acham gostosões! — Silena rebateu.
– Ei, nós somos gostosões — disse Jason.
– Desculpe cortar o barato de vocês — eu disse. — Mas não são, não.
Eles me vaiaram por um tempo, enquanto eu ria.
– Mas quando você começa? — perguntou Nico.
– Semana que vem. Infelizmente.
Quando o sinal bateu, fui para a aula de Literatura. Quíron já estava na sala. Eu presumi que devíamos estar na metade do livro, já que eu tinha faltado na aula de ontem.
– Boa tarde, terceiro ano — ele disse. — Hoje nós iremos fazer uma atividade diferente. Quero que pensem o que vocês fariam se fossem juízes. Vou dar dez minutos para vocês pensarem a respeito.
Que tipo de aula de literatura é essa? Eu não quero ser juíza e nem estou a fim de pensar no que eu faria se eu fosse juíza. Cinco minutos se passarama e eu ainda estava pensando no que eu faria. Libertar o Dylan? Hm, não, aquele desgraçado merece ficar uns 70 anos trancafiado na cadeia, apodrecendo. O que eu vivo fazendo? Pensa, Annabeth, pensa. Eu quebro as regras. Acho que nunca chegaria a ser juíza com o meu histórico. Provavelmente eu quebraria todas as leis existentes, e ainda mandaria todo mundo preso porque não tenho paciência pra escutar ladainha de advogado.
– Muito bem, já se passaram dez minutos. Quero escutar as resoluções de vocês. Vamos começar com... Percy?
– Prenderia as pessoas.
– Que pessoas?
– As que eu não gosto.
Quíron suspirou e eu fiquei tentada a rir da cara do Percy.
– Chris?
– Processaria todo mundo que se metesse comigo! — ele disse, se vangloriando e rindo igual a um retardado. Quíron ficou quieto.
– Luke?
– Apoiaria a prostituição.
– ECA! — disse Calypso. — Porque?
– Porque elas são mulheres tentando ganhar a vida, ué — ele disse, simplesmente. Não o contrariei, já que eu havia crescido com uma prostituta.
Quíron fez uma cara de nojinho, mas continuou quieto.
– Calypso?
– Fácil, eu prenderia pessoas que jogam café nos outros — ela respondeu, olhando para mim. — E as condenaria à morte na cadeira elétrica!
Fiquei com vontade de rir, mas só abaixei a cabeça e ri em silêncio. Quíron perguntou para o resto da turma, que só respondia prenderia, condenaria, processaria e até mataria.
– Poxa, pessoal, acho que vocês não entenderam o foco da questão. Dei dez minutos e vocês só me respondem essas baboseiras. Parece até que estão no fundamental. Esqueci de alguém?
Agradeci por ele não ter me chamado, mas é claro que a vaca da gravetinho fez questão de o lembrar disso.
– O senhor esqueceu a Chase, professor.
– Ah, é claro, Srta. Chase. Me desculpe. Por favor, me dê uma resposta inteligente.
Sem pressão, você só é a única chance das respostas não terem sido um fiasco.
– Eu acho que eu nunca chegaria a ser uma juíza, professor.
Quíron se sentou na mesa e me encarou, com um leve sorriso nos lábios.
– Interessante, e porque não, Srta. Chase?
– Porque, ora, eu não sou a pessoa mais certa do mundo e eu não vou mudar.
– Interessante, muito interessante, mas e se você, de fato, se tornasse uma juíza?
– Eu provavelmente quebraria as leis.
– Então, se você fosse uma juíza, você quebraria as leis?
– É — eu disse, e ele me encarou, como se esperasse mais alguma resposta. — Se eu fosse uma juíza, eu quebraria as leis — repeti.
Quíron me encarou, e ficou em silêncio, processando as minhas palavras. Então, sorriu.
– Muito bem, Srta. Chase. Você chegou no tema da aula de hoje.
– Quebrar as leis? Esse é o tema? — indagou Calypso, furiosa.
– Rebeldia, Srta. Atlas. E, claro, ninguém melhor do que nos falar sobre isso do que a Srta. Chase. Muito bem, pessoal, vou passar um trabalho. Ele vai valer dois pontos da nota mensal de vocês. Em duplas, mas eu vou sortear as duplas.
Alguns murmúrios de desaprovação ecoaram pela sala.
– O trabalho é para daqui a dois meses. Vocês podem fazer entrevistas, enquetes, pesquisas, situações e estatísticas. A apresentação também vale nota.
Quíron olhou para a ficha que estava na mesa, começando a sortear as duplas.
– Luke e Charles! Calypso e Chris! Reyna e Travis!
Ele continuou a chamar vários nomes, vários nomes menos o meu, para variar.
– Esqueci de alguém?
Eu levantei a mão, e não olhei pelo resto da sala para averiguar se eu havia sido a única ou não. Quíron sorriu.
– Ah, claro. Percy e Annabeth!
Eu arregalei os olhos. Só podia estar de brincadeira. O universo estava conspirando contra mim ou alguma merda do tipo? Fiquei emburrada o resto da tarde, e quando a última aula, de geometria, acabou, fui correndo até a sala de Afrodite.
– Foi você, não foi?
Afrodite ergueu os olhos e sorriu.
– Sente-se, querida.
– Não. Foi você que armou com o Quíron, não foi? O trabalho em dupla?
– Como você descobriu?
– Porque fez isso? Eu detesto o Percy, esse sentimento não vai mudar!
– Veremos, Annabeth, veremos.
Saí da sala da orientadora batendo o pé, e fui até a aula de costura. Hebe disse que, como eu havia faltado ontem, eu teria que terminar dois projetos e não poderia ir para a detenção.
Não que eu tenha ficado triste com aquilo.
Comecei fazendo o projeto de ontem, que era uma calça Jeans. Terminei a calça rapidinho, rasguei ela e colei umas tachas nos bolsos traseiros. Levei o projeto para a professora e comecei a trabalhar no de hoje, que era um cachecol.
Peguei um pedaço de tecido preto e um pedaço maior de tecido branco, para fazer um cachecol branco com bolinhas pretas. Ele ficou pronto em meia hora, e já eram 5:30 p.m. Eu estava arrumando minhas coisas quando Hebe me chamou.
– Aqui, querida. O vestido e a calça estão embrulhados aí. Agora você tem que usá-los e tirar uma foto, ok?
Eu assenti e me despedi da professora. Saí da sala e fui até o estacionamento, onde Percy e Clarisse estavam discutindo.
– Ei, minha gente, o que está acontecendo?
– Annabeth, fala pra sua amiguinha que você vai me dar carona — rosnou Percy.
– Não, Annie, fala para o Percyto que você vai dar carona para mim!
– Eu vou dar carona para os dois, chega de escândalo. E se eu ouvir um pio, largo os dois aqui nessa merda de estacionamento.
Clarisse subiu no banco de carona, e Percy se sentou no banco de trás, xingando baixinho. Quando deixei Clarisse no prédio dela, ele pulou para o banco de carona.
– Então, soube que você vai virar líder de torcida — ele disse, e eu revirei os olhos.
– Não me lembre desse pesadelo, obrigada.
Ele riu.
– Falei que você iria se tornar líder de torcida.
Eu freei o carro bruscamente, e Percy quase bateu a cabeça no vidro. Os pontos finalmente pareceram se ligar.
– Isso foi ideia sua, não foi? Você falou para Afrodite me colocar nessa merda de equipe.
Percy deu de ombros.
– Annabeth, quando eu quero uma coisa, eu consigo essa coisa. Aprenda.
Ergui uma sobrancelha.
– Ah, é, Percy? Então somos dois. E sabe o que eu quero agora?
– Não, mas pelo visto você vai me falar.
Eu sorri sarcasticamente.
– Desça do meu carro.
– Oi?
– Você ouviu. Desça do meu carro agora e volte andando.
– São cinco quadras!
– Você consegue, menino morto — eu respondi, e destranquei o carro. Percy me fuzilou com o olhar e desceu do carro, emburrado.
– Aproveite a caminhada, Sr. Eu-Tenho-Tudo-O-Que-Eu-Quero! Te vejo amanhã, babacão.
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